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Roteiro de Auditoria de Obras TCU 2011

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Da 
leitura dos acórdãos supracitados, em cada caso concreto, pode-se concluir que a equipe deve: 
a) ter cuidado com custos não contemplados nos documentos comprobatórios, mas efetivamente 
incorridos pelo construtor, a exemplo de fretes, custos de armazenagem, guarda, manuseio, 
manutenção, seguros etc.; 
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b) lembrar que os dados obtidos em documentos fiscais, contratos de prestação de serviços ou 
folhas de pagamento representam custos e devem receber a adequada incidência da taxa de 
BDI aplicável; e 
c) observar a perda existente de materiais nos processos produtivos, o que justifica que alguns 
insumos sejam adquiridos em quantidades ligeiramente maiores do que as efetivamente 
aplicadas na obra. 
139. Especificamente quanto à comprovação de sobrepreço/superfaturamento por meio de documentos 
fiscais e contratos de prestação de serviços com empresas subcontratadas, deve-se observar ainda 
que, em todos os precedentes citados, houve grande diferença entre o preço contratual e o custo 
incorrido. 
140. O entendimento dominante do TCU é no sentido de que diferenças de grande magnitude 
representam enriquecimento ilícito do contratado e que se podem utilizar os custos reais como 
parâmetros de preços de mercado. Divergências pequenas são naturais e não justificam a 
substituição dos preços contratuais por outros preços. Aliás, comprovam à equipe de auditoria que 
os preços contratados são bons parâmetros de mercado. 
141. Dessa forma, os valores constantes dos documentos fiscais também podem ser utilizados para 
demonstrar a adequação dos preços referenciais. 
I.2.3.4.4.2 – Cotações de preços obtidas pela equipe de auditoria 
142. Ao se deparar com um insumo ou serviço cujo preço não seja contemplado pelos sistemas 
referenciais de preços disponíveis para consulta, a equipe de auditoria pode realizar cotações de 
preços junto a prestadores de serviços/fornecedores. Tal procedimento é previsto na LDO/2012 (art. 
125, § 2º), tendo sido adotado nos Acórdãos 2.333/2011 e 1.859/2004, ambos do Plenário. 
143. Entretanto, são necessárias algumas cautelas na realização das cotações. Recomenda-se que a 
equipe de auditoria adote os seguintes procedimentos: 
a) identificar os fornecedores e as especificações técnicas do insumo ou serviço cujo preço se 
deseja obter; 
b) consultar, de preferência por telefone ou e-mail privado, o preço do serviço ou insumo 
procurado, tomando-se as devidas cautelas para que a cotação contemple todas as partes do 
produto desejado, bem como todas as especificações técnicas e custos a serem incorridos pelo 
contratado (fretes, seguros, despesas tributárias, custos com armazenagem, custos com 
instalação do equipamento etc); 
c) buscar, sempre que possível, a mesma marca do produto adquirida pelo construtor e cotar as 
mesmas quantidades aplicadas na obra; 
d) conforme a quantidade a ser adquirida, deve-se cotar preços no mercado varejista, no mercado 
atacadista ou junto aos seus fabricantes; 
e) obter o preço efetivo de mercado do bem, já que existe uma tendência de se obter um preço 
“de tabela” diferente do preço de mercado, quando se solicita uma proposta endereçada de um 
órgão público; 
f) ter cuidado com o caráter temporal da resposta, pois o preço praticado no mercado na data-
base do contrato auditado pode ser sensivelmente diferente do preço pesquisado na data da 
auditoria; 
g) registrar, sempre que possível, o nome do vendedor, a data e hora da cotação, o preço 
coletado e as demais condições de pagamento e entrega; 
h) deflacionar a cotação obtida por índice que melhor reflita a variação dos preços de mercado 
do item pesquisado; e 
i) estimar ou buscar cotação específica para o custo do transporte, se o fornecedor não se 
responsabilizar por esse serviço. 
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144. Somente no caso de a pesquisa de preço informal resultar em preço superior ao contratado, a equipe 
de auditoria deve obter uma proposta por escrito, pois a consulta efetuada deve ser utilizada como 
evidência de auditoria para fundamentar algum suposto sobrepreço. 
145. Adicionalmente, deve-se tentar obter outras cotações por escrito e, dessa vez, endereçadas ao TCU. 
Isso para afastar a presunção de que os preços obtidos seriam superiores caso fossem cotados por 
órgãos e entidades da Administração Pública. 
I.2.3.4.4.3 – Média de preços ofertados pelos licitantes habilitados 
146. A equipe de auditoria pode utilizar a média dos preços ofertados pelos licitantes como parâmetro de 
mercado para itens de serviço sem preços referenciais ou sem as respectivas composições de custo 
unitário. O preço médio ofertado pode ser considerado paradigma de mercado. 
147. No entanto, esse procedimento requer que a licitação tenha sido efetivamente competitiva, capaz de 
traduzir com fidelidade as condições do mercado em relação aos serviços em questão. Tal 
procedimento já foi adotado em diversos julgados do Tribunal, a exemplo dos Acórdãos 
2.013/2004, 578/2007, 702/2008, 1.551/2008 e 1.265/2011, todos do Plenário. 
I.2.3.4.4.4 – Editais ou contratos de obras semelhantes 
148. A busca pelo preço de serviços, materiais ou equipamentos em orçamentos de outros editais e 
contratos é outra ferramenta de grande valia para a equipe de auditoria. O sumário do Acórdão 
1.551/2008-TCU-Plenário apresenta diversas considerações sobre a utilização de preços de serviços 
de obra semelhante como preços de referência. 
149. De forma geral, devem ser tomados os seguintes cuidados para que a comparação seja válida: 
a) adotar datas-base próximas e deflacionar os preços obtidos pelo índice mais adequado; 
b) proceder aos ajustes necessários nos preços obtidos, a fim de excluir parcelas de serviços ou 
de encargos existentes em apenas um dos orçamentos comparados; 
c) utilizar, sempre que possível, a média das propostas dos licitantes na execução de outra obra 
semelhante, em vez do preço da melhor proposta; 
d) certificar-se de que o edital ou contrato utilizado como base de comparação foi efetivamente 
executado e concluído nos preços originais propostos, sem a ocorrência de pleitos de 
reequilíbrio econômico-financeiro; 
e) tomar cuidado com a regionalização dos preços ou com outros fatores que possam afetar os 
preços das obras; 
f) excluir o BDI de ambas as bases e comparar apenas custo com custo; 
g) evitar a utilização de obras privadas como paradigma de preços para obras púbicas; e 
h) buscar obras com objetos semelhantes. 
I.2.3.4.4.5 – Avaliação expedita ou paramétrica dos serviços selecionados 
150. Apesar de a Lei 8.666/1993 (art. 6°, IX) exigir um orçamento detalhado como requisito essencial 
para a licitação de obras, ainda é comum a constatação de descumprimento desse dispositivo legal 
em fiscalizações de obras realizadas pelo TCU em muitos órgãos e entidades da Administração 
Pública. 
151. Nesse caso, a equipe de auditoria pode fazer uso de métodos expeditos para a avaliação dos custos 
da obra. 
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152. A jurisprudência do TCU tem aceitado a aplicação do método de avaliação expedita