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Roteiro de Auditoria de Obras TCU 2011

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fiscalizações de obras públicas, a exemplo dos Acórdãos 3.086/2008 e 1.289/2011, todos do 
plenário. 
153. Entretanto, esse método somente se aplica quando, diante da dificuldade de obtenção de custos 
unitários referenciais, pela falta de detalhamento do orçamento (com previsão de verbas para grande 
parte dos serviços contratados), não há possibilidade de analisar o orçamento do contrato da obra. 
Esse tipo de avaliação é feita com base em custos históricos, índices, gráficos, estudos de ordens de 
grandeza, correlações ou comparação com projetos similares. 
I.2.3.5 – Composição de serviços 
154. As composições dos preços unitários apresentam os coeficientes de produtividade/consumo e os 
custos dos insumos utilizados em cada um dos serviços previstos, tornando objetivo o juízo de valor 
acerca do preço unitário analisado. 
155. Na análise das composições de custos do orçamento/contrato, a equipe de auditoria pode adotar os 
seguintes procedimentos, conforme o caso: 
a) analisar os preços após uma leitura geral do projeto e do orçamento da obra, de forma que se 
tenha uma compreensão do objeto como um todo. Esse procedimento é indispensável, pois 
permite a identificação de duplicidades de serviços e possibilita a compreensão do escopo do 
serviço cuja composição está em análise; 
b) ler as especificações técnicas e os critérios de medição e pagamento dos serviços a serem 
avaliados. Tal etapa fornece informações valiosas sobre os coeficientes de consumo dos 
materiais e as produtividades da mão de obra e dos equipamentos utilizados na execução dos 
serviços; 
c) analisar as composições apresentadas de forma comparativa com as composições das 
referências oficiais e com a realidade dos serviços constatada na própria obra, aferindo a 
razoabilidade das primeiras e sua aderência com a execução do serviço; 
d) avaliar o custo unitário dos insumos utilizados na composição. Geralmente é uma etapa 
simples, mas pode-se defrontar com insumos cujos preços não são coletados pelos sistemas 
referenciais de preços, exigindo que se busquem outras fontes de preço, inclusive por meio de 
cotações junto aos fornecedores do insumo; 
e) verificar se todos os insumos listados são realmente necessários para a execução do serviço, 
em vista das especificações técnicas exigidas para sua execução; 
f) analisar os coeficientes de consumo dos materiais, procedimento que, em grande parte das 
vezes, pode ser executado a partir de considerações geométricas elementares, considerando as 
perdas inerentes aos materiais utilizados; 
g) verificar os coeficientes de produtividade dos equipamentos utilizados na execução do 
serviço. Para tal procedimento, pode-se valer dos seguintes métodos, entre outros: 
g.1) análise de catálogos dos fabricantes ou fornecedores dos equipamentos; 
g.2) pesquisas em publicações especializadas ou em composições de preços existentes em 
sistemas referenciais de preços, para serviços similares que utilizem o mesmo 
equipamento; 
g.3) multiplicação do coeficiente do equipamento pelo quantitativo total do serviço. Pode 
ocorrer de o coeficiente estar tão exagerado que o resultado do produto resulta em uma 
quantidade de horas que não cabe no cronograma da obra; 
TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO 37 
Segedam – Secretaria-Geral de Administração BTCU ESPECIAL Brasília Ano xliv n. 19 22/ nov. 2011 
 
 
\\_sarq_prod\Sistemas\Btcu (Sede) - \\_sarq_an\Sistemas\Btcu (Asa Norte) - \\srv-UF\Sistemas\Btcu (Estaduais) 
g.4) se a obra estiver em andamento, é sempre válido aferir in loco a produtividade obtida na 
execução do serviço, bem com quais são efetivamente os equipamentos que estão sendo 
utilizados; 
g.5) nos casos de obras concluídas, quando se dispõe das medições de serviços, diário de 
obras ou outras fontes de consulta, pode-se estimar o quantitativo médio de serviço que 
foi executado entre as medições e, por via indireta, estimar a produtividade obtida no 
serviço; 
h) verificar os coeficientes de produtividade da mão de obra utilizados na execução do serviço. 
Essa análise é mais complicada do que a dos coeficientes dos equipamentos. Podem ser 
utilizados os seguintes métodos, entre outros: 
h.1) aferições in loco, se o serviço estiver sendo executado no momento da auditoria; 
h.2) pesquisas em publicações especializadas ou em composições de preços existentes em 
sistemas referenciais de preços para serviços similares; 
h.3) multiplicação dos coeficientes da mão de obra pelo quantitativo total do serviço. Tal 
procedimento deve ser aplicado conjuntamente em outras composições de custo 
unitário, mas permite avaliar o total de horas utilizada para cada categoria profissional 
na montagem do orçamento e seu confronto com alguma fonte fidedigna (diário de 
obras, folhas de pagamento acompanhadas das guias de recolhimento da previdência 
social, etc.); 
h.4) as medições de serviços e os diários de obra podem ser utilizados para estimar o 
quantitativo de serviço medido em determinado período, bem como o contingente de 
trabalhadores alocados no referido serviço, servindo de parâmetro para estimativa de um 
coeficiente de produtividade; 
i) quando da ausência de preços referenciais para determinado serviço, montar a própria 
composição de preços unitários, a partir de adaptações nas composições do orçamento 
analisado ou em composições dos sistemas referenciais ou de apropriações realizadas em 
campo. 
156. Aferições in loco ou apropriações de campo são técnicas que variam conforme a natureza, 
especificação e critério de medição dos serviços cujos preços são avaliados. No Anexo V, 
apresentam-se algumas diretrizes para a execução desses procedimentos. 
I.2.3.6 – Encargos Sociais 
157. Em determinadas situações, a equipe de auditoria pode encontrar contratos/editais com incidência 
de percentuais elevados de encargos sociais sobre a mão de obra. Nesses casos, pode ser necessário 
o aprofundamento da análise das verbas que compõem esses encargos. 
158. Na análise dos encargos sociais, é preciso definir o regime que será adotado para avaliação dos 
custos de mão de obra, já que existem diferenças entre trabalhadores horistas e mensalistas. Em 
resumo, as diferenças são as seguintes: 
a) Horistas: 
a.1) não existe nenhum encargo incluído no salário-hora, devendo ser considerado no 
percentual dos encargos sociais tanto o repouso semanal remunerado quanto os feriados 
que são pagos aos empregados complementarmente; 
a.2) considera-se uma jornada de 220 horas de trabalho por mês, sendo 44 horas de trabalho 
por semana mais 8 horas de repouso semanal remunerado (domingo); e 
TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO 38 
Segedam – Secretaria-Geral de Administração BTCU ESPECIAL Brasília Ano xliv n. 19 22/ nov. 2011 
 
 
\\_sarq_prod\Sistemas\Btcu (Sede) - \\_sarq_an\Sistemas\Btcu (Asa Norte) - \\srv-UF\Sistemas\Btcu (Estaduais) 
a.3) o percentual de encargos sociais para horistas incide geralmente sobre o salário de 
operários remunerados por horas efetivamente trabalhadas, tomadas por apontadores. 
As composições de custo direto comumente consideram encargos sociais dos horistas 
(pedreiros, serventes, carpinteiros, armadores etc.). 
b) Mensalistas: 
b.1) os valores dos próprios salários já englobam certos itens do custo, como o repouso 
semanal remunerado e os feriados considerados como leis sociais. Nesses casos, 
consideram-se 176 horas de trabalho por mês; e 
b.2) o percentual de encargos para mensalistas incide geralmente sobre o salário de 
integrantes da equipe técnica e administrativa da obra. 
159. Ressalta-se que o valor dos encargos sociais pode sofrer grande variação de uma empresa para 
outra. Portanto, sua análise deve ser feita considerando as peculiaridades