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Roteiro de Auditoria de Obras TCU 2011

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licitarem em lote único a compra ou 
a execução de objetos que envolvem aquisição de materiais, construção de obras e prestação de 
serviços que, por isso, poderiam ser subdivididos e fornecidos ou prestados por diferentes empresas, 
o TCU tem aplicado sanções a gestores públicos e determinado a adoção de providências 
necessárias ao exato cumprimento da lei. 
342. Em virtude da vasta jurisprudência do TCU sobre o tema, foi editada a Súmula-TCU 247/2010, que 
assim estabelece: 
É obrigatória a admissão da adjudicação por item e não por preço global, nos editais das licitações 
para a contratação de obras, serviços, compras e alienações, cujo objeto seja divisível, desde que não 
haja prejuízo para o conjunto ou complexo ou perda de economia de escala, tendo em vista o objetivo 
TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO 79 
Segedam – Secretaria-Geral de Administração BTCU ESPECIAL Brasília Ano xliv n. 19 22/ nov. 2011 
 
 
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de propiciar a ampla participação de licitantes que, embora não dispondo de capacidade para a 
execução, fornecimento ou aquisição da totalidade do objeto, possam fazê-lo com relação a itens ou 
unidades autônomas, devendo as exigências de habilitação adequar-se a essa divisibilidade. 
343. No caso de obras públicas, devido à materialidade e à variabilidade de tipos e características, o 
parcelamento não só é desejável como obrigatório nos termos da lei, haja vista a natureza complexa 
dos empreendimentos normalmente construídos com recursos públicos, em que é necessário 
contratar diversos objetos, a exemplo de projetos, serviços de supervisão e fiscalização, execução de 
obras civis, aquisição e montagem de equipamentos, entre outros. 
I.4.3.1 – Requisitos do Parcelamento 
344. Nos termos do art. 23, § 1°, da Lei 8.666/1993, o parcelamento do objeto da licitação é obrigatório, 
de forma a propiciar efetiva vantagem para a Administração. Excepcionalmente, o gestor pode 
demonstrar a inviabilidade do parcelamento, desde que não estejam presentes os seguintes 
requisitos: 
a) Viabilidade técnica: 
345. Apesar de a lei não definir o conceito de viabilidade técnica, esta deve ser entendida no sentido de 
que não pode haver descaracterização do objeto quando de sua fragmentação, de modo a evitar a 
perda de sua integridade original. 
346. Exemplificando, numa obra de edificação, embora se possa dizer que ela se divide em andares, esse 
fato por si só não indica que haja viabilidade técnica para que cada andar seja licitado 
separadamente. A unidade do objeto, que é o edifício como um todo ou parte expressiva dele, seria 
perdida com o parcelamento. 
347. Situação diferente se configuraria caso se pretendesse contratar a construção de vários prédios, 
hipótese em que se admitiria o parcelamento do objeto em unidades ou conjunto de unidades do 
complexo. Não ocorreria, assim, descaracterização da individualidade do objeto. 
348. É importante, também, que seja comprovada a viabilidade técnica do parcelamento do objeto 
quanto à responsabilização técnica pela execução do empreendimento em sua integralidade. A 
ausência de definição precisa das responsabilidades pela execução do objeto parcelado dificulta a 
gestão e a fiscalização da obra e compromete a qualidade e o cronograma físico-financeiro das 
obras. 
349. Por fim, deve-se sopesar os riscos de não cumprimento de prazos contratuais, quando uma empresa 
atrasa parte do objeto parcelado e compromete a execução contratual a cargo de outra empresa. Por 
exemplo, em uma obra de edificação em que se licitou separadamente o fornecimento e instalação 
dos elevadores, o atraso do fabricante do elevador pode comprometer o cronograma do construtor 
encarregado da execução das obras civis. 
 
b) Viabilidade econômica: 
350. Outro requisito a ser observado é a viabilidade econômica. que só é assegurada se o parcelamento 
não elevar os custos a cargo da Administração, ainda que haja um maior número de participantes e 
o subsequente aumento da competitividade. 
351. Os ganhos devidos ao aumento da competitividade devem compensar a eventual perda de economia 
de escala devido ao parcelamento do objeto. Dessa forma, a Administração precisa se certificar de 
que o parcelamento trará redução de custos globais, sob pena de restar caracterizada a inviabilidade 
econômica da divisão do objeto. 
TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO 80 
Segedam – Secretaria-Geral de Administração BTCU ESPECIAL Brasília Ano xliv n. 19 22/ nov. 2011 
 
 
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c) Economia de escala: 
352. Não obstante o parcelamento seja a regra estabelecida na lei, sua obrigatoriedade é mitigada em 
face da necessidade de comprovação das viabilidades técnica e econômica de se parcelar o objeto, 
esta última ainda condicionada à demonstração de que não haverá perda de economia de escala com 
a divisão da contratação. 
353. Portanto, constitui ponto fulcral de qualquer decisão sobre parcelamento a análise fática de cada 
caso concreto, reveladora de características intrínsecas a cada situação, as quais possibilitarão a 
emissão de um juízo apropriado em particular. Além disso, cumpre ao gestor público, ao decidir 
pelo parcelamento ou não do objeto, motivar seu ato conforme os requisitos previstos na lei. 
1.4.3.2 – BDI diferenciado na ausência do parcelamento do objeto 
354. Uma questão enfrentada com frequência pelo TCU nas fiscalizações de obras públicas tem sido a 
adoção de BDI diferenciado para compras específicas de materiais e equipamentos, quando 
comprovada a inviabilidade técnico-econômica do parcelamento, nos termos do art. 23, do §1º , da 
Lei 8.666/1993. 
355. O assunto foi sumulado pelo Tribunal nos termos abaixo (Súmula TCU 253/2010): 
Comprovada a inviabilidade técnico-econômica de parcelamento do objeto da licitação, nos 
termos da legislação em vigor, os itens de fornecimento de materiais e equipamentos de 
natureza específica que possam ser fornecidos por empresas com especialidades próprias e 
diversas e que representem percentual significativo do preço global da obra devem apresentar 
incidência de taxa de Bonificação e Despesas Indiretas - BDI reduzida em relação à taxa 
aplicável aos demais itens. 
356. Depreende-se do texto acima que, quando demonstrada a inviabilidade técnico-econômica de se 
parcelar o objeto, o gestor deverá adotar BDI diferenciado diante das condições preconizadas pela 
súmula, simultaneamente: (i) fornecimento de materiais e equipamentos de natureza específica; (ii) 
empresas fornecedoras com especialidades próprias e diversas; e (iii) percentual de cada item 
representativo em relação ao preço global da obra. 
357. A representatividade dos itens deve ser apurada por famílias de materiais ou equipamentos 
fornecidos pelo mesmo fornecedor. Por exemplo, pode-se determinar a representatividade de 
diversos diâmetros de tubulação de aço carbono, pois se trata de material fornecido pelo mesmo tipo 
de fornecedor. De modo diverso, não é cabível somar as representatividades do fornecimento das 
tubulações de aço carbono com o fornecimento de uma bomba, pois são materiais/equipamentos 
fabricados por empresas distintas. 
358. Quanto ao percentual de BDI que deve ser aplicado aos itens de fornecimento de materiais e 
equipamentos, remete-se o leitor às considerações constantes do item I.2.3.7 deste Roteiro de 
Auditoria. Adicionalmente, registra-se que, em alguns casos, os próprios normativos internos dos 
órgãos/entidades estabelecem regras para a diferenciação do BDI em suas contratações. Como 
exemplo, têm-se os editais do DNIT,