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Roteiro de Auditoria de Obras TCU 2011

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desde que presentes todos os pressupostos descritos acima. 
I.6 – REAJUSTAMENTOS CONTRATUAIS 
395. A Lei 10.192/2001 estabeleceu a periodicidade anual para a incidência do reajuste de preços em 
contratos com cláusula de correção monetária por índices de preço ou por índice que reflita a 
variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Em seu art. 2º, § 1º, declara como nulas de 
pleno direito eventuais cláusulas de reajuste ou de correção monetária com periodicidade inferior a 
um ano. 
396. O reajustamento de preços ora analisado diferencia-se dos demais instrumentos legais que resultam 
em alterações no preço global final da obra, a saber: 
a) reajuste de preços: fundamenta-se nas variações previsíveis dos custos dos insumos, razão 
pela qual devem constar do contrato disposições visando manter a remuneração adequada dos 
serviços contratados, face às flutuações no valor aquisitivo da moeda; 
b) reequilíbrio econômico-financeiro: previsto no art. 65, II, da Lei 8.666/1993, distingue-se 
do reajuste justamente por sua imprevisibilidade, e, sendo impossível prever todas as 
situações que possam impactar o custo da obra, não há como pré-estabelecer índices 
contratuais visando o reequilíbrio financeiro; 
c) recomposição: sinônimo de reequilíbrio econômico-financeiro, ocorre diante da 
superveniência de fatos imprevisíveis, ou previsíveis, porém, de efeitos incalculáveis (fatos 
previsíveis, mas que não foram previstos pela Administração, não são alcançados pelo 
instituto); 
d) repactuação: prevista no Decreto 2.271/1997 e na Instrução Normativa MPOG/SLTI 2/2008, 
trata-se de modalidade especial de reajustamento de contrato, aplicável somente aos contratos 
de serviços contínuos (Furtado, 2007), sendo que, na repactuação, ocorre uma demonstração 
analítica da variação de todos os componentes de custos, enquanto que, no reajuste, é 
utilizado um índice de variação de preços previamente estabelecido; 
TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO 90 
Segedam – Secretaria-Geral de Administração BTCU ESPECIAL Brasília Ano xliv n. 19 22/ nov. 2011 
 
 
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e) revisão: sinônimo de reequilíbrio; e 
f) atualização financeira: prevista no art. 40, XIV, “c”, da Lei 8.666/1993, fundamenta-se na 
possibilidade de atraso no pagamento de serviços já prestados (ajuste por mora da 
Administração no pagamento), motivo pelo qual o edital de licitação e o contrato deverão 
prever o critério de atualização financeira dos valores a serem pagos. 
I.6.1 – Marco inicial de início para o prazo de reajustamento 
397. Definido o prazo de um ano para que se possa proceder ao reajuste de preços, é necessário 
estabelecer o marco inicial para a contagem desse prazo. 
398. Conforme mencionado anteriormente, o art. 3º, caput e §1º, da Lei 10.192/2001 define que o prazo 
anual é aplicável aos contratos, sendo a data-base para início da contagem desse prazo a data de 
apresentação da proposta ou a data do orçamento a que essa se referir. 
399. Diante do exposto, há duas possibilidades de data-base: 
a) data limite para apresentação de propostas para a licitação; ou 
b) data do orçamento que fundamentou a proposta apresentada pela licitante vencedora. 
400. Essa questão já foi objeto de deliberação por este Tribunal (Acórdão 1.707/2003-TCU-Plenário), 
tendo sido emanadas as seguintes determinações: 
9.2.1 estabeleça já a partir dos editais de licitação e em seus contratos, de forma clara, se a 
periodicidade dos reajustes terá como base a data-limite para apresentação da proposta ou a data do 
orçamento, observando-se o seguinte: 
9.2.1.1 se for adotada a data-limite para apresentação da proposta, o reajuste será aplicável a partir do 
mesmo dia e mês do ano seguinte; 
9.2.1.2 se for adotada a data do orçamento, o reajuste será aplicável a partir do mesmo dia e mês do 
ano seguinte se o orçamento se referir a um dia específico, ou do primeiro dia do mesmo mês do ano 
seguinte caso o orçamento se refira a determinado mês; 
9.2.2 para o reajustamento dos contratos, observe que a contagem do período de um ano para a 
aplicação do reajustamento deve ser feita a partir da data-base completa, na forma descrita no item 
9.1.1, de modo a dar cumprimento ao disposto na Lei nº 10.192/2001, em seus arts. 2º e 3º, e na Lei nº 
8.666/93, em seu art. 40, inciso XI; (grifos nossos) 
401. Desse modo, o reajuste de preços somente poderá ocorrer depois de completado um ano, no mesmo 
dia e mês, contado da data do orçamento-base (caso haja referência na proposta e no edital/contrato) 
ou da data limite para apresentação das propostas na licitação. 
402. Posteriormente, o TCU enfrentou a questão em sede de consulta formulada pelo Ministério dos 
Transportes, culminando no Acórdão 474/2005-TCU-Plenário, transcrito parcialmente a seguir: 
9.1.1. a interpretação sistemática do inciso XXI do art. 37 da Constituição Federal, do art. 3º, § 1º, da 
Lei 10.192 e do art. 40, inciso XI, da Lei 8.666/93 indica que o marco inicial, a partir do qual se 
computa o período de um ano para a aplicação de índices de reajustamento previstos em edital, é a 
data da apresentação da proposta ou a do orçamento a que a proposta se referir, de acordo com o 
previsto no edital. 
403. Portanto, o marco temporal, para fins de reajustamento, deve constar do edital e do contrato, em 
atendimento aos arts. 40, XI, e 55, III, da Lei 8.666/1993. Caso esse critério não esteja previsto 
nesses instrumentos, deve-se considerar a data-base do orçamento de referência ou da proposta da 
vencedora. Não havendo qualquer indicação de data-base nos orçamentos, deve-se adotar como 
marco a data limite para apresentação das propostas. 
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Segedam – Secretaria-Geral de Administração BTCU ESPECIAL Brasília Ano xliv n. 19 22/ nov. 2011 
 
 
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I.6.2 – Formalização de contrato após um ano do início do prazo para o reajustamento 
404. O art. 40, II, da Lei 8.666/1993 prevê que os editais indicarão, obrigatoriamente, os prazos e 
condições para assinatura dos contratos ou retirada dos instrumentos. Nesse prazo, consoante o art. 
64, a Administração deverá convocar o interessado para assinar o contrato, ou aceitar ou retirar o 
instrumento equivalente, sob pena de decair o direito à contratação. O § 3º do art. 64 estabelece que, 
decorridos 60 dias da data da entrega das propostas sem que haja convocação para contratação, 
ficam os licitantes liberados dos compromissos assumidos. 
405. Portanto, o prazo máximo em que os licitantes ficam obrigados a assinar o contrato é de 60 dias. 
Porém, é possível que se assine o contrato após o transcurso de prazo maior, desde que haja 
concordância do licitante. Nesse caso, questão interessante está relacionada à assinatura de contrato 
decorrido mais de um ano da data-base para reajuste. 
406. Por meio do Acórdão 474/2005-TCU-Plenário, em resposta à consulta formulada pelo Ministério 
dos Transportes, esta Corte de Contas decidiu que: 
9.1.2. na hipótese de vir a ocorrer o decurso de prazo superior a um ano entre a data da apresentação 
da proposta vencedora da licitação e a assinatura do respectivo instrumento contratual, o procedimento 
de reajustamento aplicável, em face do disposto no art. 28, § 1º, da Lei 9.069/95 c/c os arts. 2º e 3º da 
Lei 10.192/2001, consiste em firmar o contrato com os valores originais da proposta e, antes do início 
da execução contratual, celebrar termo aditivo reajustando os preços de acordo com a variação do 
índice previsto no edital relativa ao período de somente um ano, contado a