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Fichamamento - PETERS, B.G; PIERRE, J. (org). Administração Pública: coletânea  (2010)

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[...] buscava destacar inter-relações entre políticos locais e representantes de interesses especiais dentro da sociedade [...] “poder da comunidade” [...] “quem governava” [...] emergiu gradualmente um consenso de que o governo não poderia mais ser estudado isoladamente. Em vez disso, a autoridade e os atos dos representantes locais deveriam ser analisados utilizando conceitos como rede de políticas. [...] foi necessário apenas um pequeno passo para [...] governança local (relações de poder entre atores políticos, privados e de status associativo) em vez de governo local (atividade de autoridades locais). [...] e, 1992, essa mudança foi formalizada na Grã-Bretanha [...].” (p. 621-622)
“O segundo [...] na França [...] amparada pelos efeitos das leis de descentralização de 1982, toda geração de cientistas políticos franceses tem utilizado, desde então, conceitos de governo e governante para lançar luz sobre a dinâmica da política local sobre as razões pela quais difere tão amplamente dentro da comunidade política francesa [...] para todos os efeitos, se assemelha ao que outros cientistas sociais qualificam como governança.” (p.622)
“[...] a questão dos recursos e das restrições externas sobre governança local tornou-se o foco de um número crescente de análises comparativas e de estudos sobre países individuais. [...]” (p. 623)
“Em suma, esse foco antigo nas relações centro-periferia ou intergovernamentais lidou por algum tempo implicitamente com a questão da interação entre os níveis do governo. [...] A partir de meados da década de 1980, o aprofundamento da União Europeia passou a ser a questão em torno da qual muitas das lições aprendidas deram origem ao termo “governança de múltiplos níveis”.” (p.623)
“[...] pode-se dizer que, no início da década de 1990, o principal debate entre os estudiosos da EU concentrou-se nessas duas questões: o que causou o ressurgimento da Comunidade Europeia em meados da década de 1980 e como se deveria caracteriza a União Europeia como um todo?” (p.624)
“[...] muitas das publicações sobre a UE eram uma resposta a hipóteses e conclusões intergovernamentalistas. Basicamente, seus opositores levantaram três objeções [...], um relato no qual a governança de múltiplos níveis faz sua primeira aparição. A primeira objeção à teoria intergovernamentalista horizontal – a negligência em relação ao papel da Comissão Europeia [...].” (p.625)
“A segunda [...] se refere À conceituação das relações entre as economias e os governos na Europa Ocidental. [...] Os interesses dos líderes empresariais [...] influenciam a definição do “interesse nacional” elaborada pelos políticos [...]. Em suma, [...] consideram que a tomada de decisão na EU tem, na realidade múltiplas camadas e que [...] agora há governança na União Europeia.” (p.625-626)
“A terceira [...] é a negligência quase total do papel dos governos subnacionais, ou seja, dos atores regionais e locais. [...]” (p.626)
“[...] a abordagem de Marks sobre governança de múltiplos níveis não hesita em concluir que fundos estruturais foram, frequentemente, uma influência decisiva na geração de mudanças significativas nas relações intergovernamentais. [...]” (p.626)
“A segunda hipótese implícita na abordagem de Marks [...] alega que ocorreu convergência das relações intergovernamentais verticais, tendência rotulada de “europeização” [...]. “ (p.627)
“Pode a governança de múltiplos níveis tornar-se ais que um temo para descrever o número de níveis do governo envolvidos na política europeia e sintetizar essas descobertas de modo mais amplo e muitas vezes genérico? [...] Um ponto de partida [...] é distinguir as condições de mudança [...].” (p.628)
 
“Um segundo meio de delimitar a questão da mudança é reconsiderar a relação entre as políticas e a política [...]. Em vez de limitar [...] à formulação e à implementação das políticas e, em seguida, indiretamente avaliar o envolvimento dos políticos nesse processo, é mais adequado adotar uma abordagem “de baixo para cima”, a qual a competição política e o controle do poder têm um impacto de longo prazo maior que a elaboração de políticas individualizantes. [...] A mudança nesse nível e ao longo do tempo é mais bem estudada usando dos conceitos fundamentais da sociologia política: institucionalização e legitimação.” (p.628)
“[...] se utilizado astutamente, o conceito de governança de múltiplos níveis pode estruturar investigações mais analíticas e estimulantes sobre as causas e os efeitos [...]. A primeira vantagem [..] é reconhecer que essa ordem de mudança não ocorre sem conflito e exercício de poder. A segunda é levar os investigadores a pensar mais claramente sobre os benefícios de atores ou grupos sociais com essas mudanças. [...] De modo geral, o surgimento da governança de múltiplos níveis dá origem a dois conjuntos de desafios aos administradores públicos. O [...] respectivo papel de políticos e funcionários públicos na “direção” de políticas públicas dentro de regimes de múltiplos níveis. [...] O segundo [...] à gestão das interfaces entre os níveis de governo e a multiplicidade de organizações envolvidas nessas mediações. [...]”. (p. 632-633)

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