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EXERCÍCIO   TEORIAS RESPONSABILIDADE CIVIL

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UNIVERSIDADE DO VALE DO RIO DOS SINOS - UNISINOS
UNIDADE ACADÊMICA DE GRADUAÇÃO
CURSO DE DIREITO
GIOVANA FACHINI, MARIA EDUARDA KLEIN, ROMANA PEREIRA E WAGNER 
EXERCÍCIO:
Qual a teoria que fundamenta as seguintes responsabilidades?
SÃO LEOPOLDO
2017
Dos pais, por ato praticado por filhos menores: teoria objetiva
Aplica-se a teoria objetiva para essa responsabilidade, pois não é necessária a culpa dos pais para que sejam estes responsabilizados pelos atos praticados por seus filhos, conforme dispõe o art. 933 do Código Civil. 
Isso ocorre porque nesse tipo de responsabilidade, entende-se que os genitores respondem por sua própria culpa na falta de vigilância sobre os filhos, isto é, a responsabilidade decorre do fato dos pais exercerem o poder familiar e a guarda sobre os filhos, razão pela qual eles responderão pelos danos causados por seus filhos quando estes estiverem sob sua autoridade e sua companhia, consoante dispõe o art. 932, inciso I, do Código Civil. 
No entanto, a emancipação legal ou tácita (incisos II a V do artigo 5º do CC) isenta os pais da responsabilidade, uma vez que somente o filho menor será responsável. 
Dos profissionais médicos:
De regra os médicos possuem obrigação de meio, isto é, “comprometem-se os médicos a tratar do cliente com zelo, utilizando-se dos recursos adequados, não se obrigando, contudo, a curar o doente”, por isso, aplica-se a teoria subjetiva, nos termos do artigo 951 do Código Civil e artigo 14, § 4, do CDC.[1: GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro, v. 4: responsabilidade civil. p. 220]
No entanto, aos cirurgiões plásticos embelezadores, que possuem obrigação de resultado, aplica-se a teoria subjetiva com culpa presumida (teoria do risco), uma vez que aos profissionais liberais não se pode aplicar teoria objetiva.
Diante disso, vejamos:
RECURSO ESPECIAL - AÇÃO DE INDENIZAÇÃO - DANOS MORAIS - ERRO MÉDICO - MORTE DE PACIENTE DECORRENTE DE COMPLICAÇÃO CIRÚRGICA - OBRIGAÇÃO DE MEIO - RESPONSABILIDADE SUBJETIVA DO MÉDICO - ACÓRDÃO RECORRIDO CONCLUSIVO NO SENTIDO DA AUSÊNCIA DE CULPA E DE NEXO DE CAUSALIDADE - FUNDAMENTO SUFICIENTE PARA AFASTAR A CONDENAÇÃO DO PROFISSIONAL DA SAÚDE - TEORIA DA PERDA DA CHANCE - APLICAÇÃO NOS CASOS DE PROBABILIDADE DE DANO REAL, ATUAL E CERTO, INOCORRENTE NO CASO DOS AUTOS, PAUTADO EM MERO JUÍZO DE POSSIBILIDADE - RECURSO ESPECIAL PROVIDO. I - A relação entre médico e paciente é contratual e encerra, de modo geral (salvo cirurgias plásticas embelezadoras), obrigação de meio, sendo imprescindível para a responsabilização do referido profissional a demonstração de culpa e de nexo de causalidade entre a sua conduta e o dano causado, tratando-se de responsabilidade subjetiva; II - O Tribunal de origem reconheceu a inexistência de culpa e de nexo de causalidade entre a conduta do médico e a morte da paciente, o que constitui fundamento suficiente para o afastamento da condenação do profissional da saúde; III - A chamada "teoria da perda da chance", de inspiração francesa e citada em matéria de responsabilidade civil, aplica-se aos casos em que o dano seja real, atual e certo, dentro de um juízo de probabilidade, e não de mera possibilidade, porquanto o dano potencial ou incerto, no âmbito da responsabilidade civil, em regra, não é indenizável; IV - In casu, o v. acórdão recorrido concluiu haver mera possibilidade de o resultado morte ter sido evitado caso a paciente tivesse acompanhamento prévio e contínuo do médico no período pós-operatório, sendo inadmissível, pois, a responsabilização do médico com base na aplicação da "teoria da perda da chance"; V - Recurso especial provido.[2: STJ - REsp: 1104665 RS 2008/0251457-1, Relator: Ministro MASSAMI UYEDA, Data de Julgamento: 09/06/2009, T3 - TERCEIRA TURMA, DJe 04/08/2009]
Do dono do animal:
A responsabilidade é objetiva do dono, ou detentor, do animal, nos termos do artigo 936 do Código Civil. A responsabilidade é atribuída ao dono do animal, sempre, enquanto que o detentor será equiparado ao dono, nas situações em que não for possível determinar a pessoa do dono.
Assim entende a jurisprudência, vejamos:
 
APELAÇÃO CÍVEL. RESPONSABILIDADE CIVIL. AÇÃO DE REPARAÇÃO DE DANOS MATERIAIS E MORAIS. CRIANÇAS ATACADAS PELOS CÃES DE PROPRIEDADE DA PARTE RÉ. RESPONSABILIDADE OBJETIVA DO DONO OU DO DETENTOR DO ANIMAL. ART. 936 DO CC/02. DEVER DE INDENIZAR. A responsabilidade do dono ou detentor de animal é objetiva, somente restando afastada acaso comprovada a culpa exclusiva da vítima ou motivo de força maior, conforme prevê o art. 936 do Código Civil. Caso concreto em que os réus não lograram comprovar nenhuma dessas excludentes, razão pela qual devem indenizar os danos causados pelos cães de sua propriedade à filha da parte autora. LESÕES CORPORAIS. VIOLAÇÃO DA INTEGRIDADE FÍSICA DAS VÍTIMAS. DANO MORAL "IN RE IPSA". Os danos morais se verificam "in re ipsa", pois verificadas lesões corporais e ofensa à integridade física das vítimas, presumíveis os sofrimentos e a angústia resultante do ataque por animais caninos. ARBITRAMENTO DO "QUANTUM" INDENIZATÓRIO. VALOR MANTIDO. FUNÇÃO COMPENSATÓRIA. MODERAÇÃO. Montante da indenização arbitrado em atenção aos critérios de proporcionalidade e razoabilidade, bem assim às peculiaridades do caso concreto. Toma-se em consideração os parâmetros usualmente adotados pelo colegiado em situações similares. APELO DESPROVIDO. [3: TJ-RS - AC: 70058936394, Relator: Miguel Ângelo da Silva, Data de Julgamento: 27/08/2014, Nona Câmara Cível, Data de Publicação: Diário da Justiça do dia 29/08/201]
Dos transportadores de pessoas e coisas:
Tanto no transporte de coisas (art. 750, CC) quanto no transporte de pessoas (art. 734, CC) a responsabilidade do transportador é objetiva. Isso porque “o transportador assume uma obrigação de fim ou de resultado, qual seja, a de levar a coisa até o destino com segurança e integridade. Trata-se da denominada cláusula de incolumidade, considerada como implícita em todo contrato de transporte.”[4: TARTUCE, Flavio. Direito Civil, v. 2: direito das obrigações e responsabilidade civil. 9ª ed. – Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: Método, 2014. Pagina 493]
A responsabilidade do transportador nem sempre é contratual, podendo este se relacionar, além dos passageiros, com empregados ou terceiros. Com relação aos empregados, trata-se da órbita do acidente de trabalho. No que tange a terceiros, a responsabilidade é aquiliana e objetiva, por força do art. 37, § 6°, da CF, bem como pela aplicação do art. 17 do CDC.
Dos profissionais liberais:
A teoria utilizada na responsabilidade dos profissionais liberais é a subjetiva, conforme aduz Flávio Tartuce: [5: TARTUCE, Flavio. Direito Civil, v. 2: direito das obrigações e responsabilidade civil. 9ª ed. – Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: Método, 2014. Pagina 351.]
Certo é que o legislador fez a opção de responsabilização mediante culpa do profissional liberal (responsabilidade subjetiva), particularmente para proteger pessoas que na maioria das vezes também se encontram em posição de vulnerabilidade diante do mercado. Outro argumento relevante é o de que nessas relações, ao contrário do que ocorre naquelas intentadas com empresas, o elemento da confiança pessoal faz-se presente.
No entanto, é necessário observar também o tipo de obrigação do profissional:
Obrigação de meio – aquela em que o devedor não está vinculado ao resultado final, porém utiliza-se de todos os meios possíveis para alcança-lo: aplica-se a teoria subjetiva;
Obrigação de resultado ou fim – aquela em que o devedor está vinculado à obtenção do resultado final: teoria subjetiva, em regra.
Pode ser, no entanto, que seja aplicada a teoria subjetiva, com presunção de culpa, aos profissionais liberais que possuam obrigação de fim, quando esta assim for reconhecida pela jurisprudência, como por exemplo, os cirurgiões plásticos embelezadores. 
Na relação de consumo:
A teoria que fundamenta o dever que o fornecedor possui