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Manual de Teologia   FINAL 1

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todos os membros da sociedade: ninguém está escusado de colaborar, de 
acordo com as próprias possibilidades, na sua busca e no seu desenvolvimento. 
A responsabilidade de perseguir o bem comum compete, não só às pessoas consideradas 
individualmente, mas também ao Estado, pois que o bem comum é a razão de ser da autoridade 
política. Na verdade, o Estado deve garantir coesão, unidade e organização à sociedade civil da 
qual é expressão, de modo que o bem comum possa ser conseguido com o contributo de todos os 
cidadãos. 
O bem comum da sociedade não é um fim isolado em si mesmo; ele tem valor somente em 
referência à obtenção dos fins últimos da pessoa e ao bem comum universal de toda a criação. 
Deus é o fim último de suas criaturas e por motivo algum se pode privar o bem comum da sua 
dimensão transcendente, que excede, mas também dá cumprimento à dimensão histórica. 
5.1.3. Subsidiariedade 
É o princípio que preconiza a entreajuda entre as pessoas, instituições e sociedades salvaguardando 
a autonomia que lhes é devida. A subsidiariedade entendida em sentido positivo, como ajuda 
económica, institucional, legislativa oferecida às entidades sociais menores, corresponde uma série 
de implicações em negativo, que impõem ao Estado abster-se de tudo o que, de fato, restringir o 
espaço vital das células menores e essenciais da sociedade. Não se deve suplantar a sua iniciativa, 
liberdade e responsabilidade. 
O princípio de subsidiariedade protege as pessoas dos abusos das instâncias sociais superiores e 
solicita estas últimas a ajudar os indivíduos e os corpos intermédios a desempenhar as próprias 
funções. Este princípio impõe-se porque cada pessoa, família e corpo intermédio tem algo de 
original para oferecer à comunidade. A experiência revela que a negação da subsidiariedade, ou a 
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sua limitação em nome de uma pretensa democratização ou igualdade de todos na sociedade, limita 
e, às vezes, também anula, o espírito de liberdade e de iniciativa. 
Com o princípio de subsidiariedade estão em contraste formas de centralização, de burocratização, 
de assistencialismo, de presença injustificada e excessiva do Estado e do aparato público. 
5.1.4. Solidariedade 
A solidariedade confere particular relevo à intrínseca sociabilidade da pessoa humana, à igualdade 
de todos em dignidade e direitos, ao caminho comum dos homens e dos povos para uma unidade 
cada vez mais convicta. 
A solidariedade se apresenta sob dois aspectos complementares: o de princípio social e o de virtude 
moral 
A solidariedade deve ser tomada antes de mais nada, no seu valor de princípio social ordenador 
das instituições, em base ao qual devem ser superadas as «estruturas de pecado», que dominam os 
relações entre as pessoas e os povos, devem ser superadas e transformadas em estruturas de 
solidariedade, mediante a criação ou a oportuna modificação de leis, regras do mercado, 
ordenamentos. 
A solidariedade é também uma virtude moral, não um sentimento de compaixão vaga ou de 
enternecimento superficial pelos males sofridos por tantas pessoas próximas ou distantes. Pelo 
contrário, é a determinação firme e perseverante de se empenhar pelo bem comum; ou seja, pelo 
bem de todos e de cada um, porque todos nós somos verdadeiramente responsáveis por todo 
 O termo «solidariedade» exprime em síntese a exigência de reconhecer, no conjunto dos laços 
que unem os homens e os grupos sociais entre si, o espaço oferecido à liberdade humana para 
prover ao crescimento comum, de que todos partilhem. 
5.1.5. Boa governação 
Esta caracteriza-se pela capacidade de ter um projecto, orientado a favorecer uma convivência 
social mais livre e mais justa, em que vários grupos de cidadãos, mobilizando-se para elaborar e 
exprimir as próprias orientações, para fazer frente às suas necessidades fundamentais, para 
defender legítimos interesses. 
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A comunidade política e a sociedade civil, embora reciprocamente ligadas e interdependentes, não 
são iguais na hierarquia dos fins. A comunidade política está essencialmente ao serviço da 
sociedade civil e, em última análise, das pessoas e dos grupos que a compõem. A sociedade civil, 
portanto, não pode ser considerada um apêndice ou uma variável da comunidade política: antes, 
ela tem a preeminência, porque justifica radicalmente a existência da comunidade política. 
O Estado deve fornecer um quadro jurídico adequado ao livre exercício das actividades dos sujeitos 
sociais e estar pronto a intervir, sempre que for necessário, e respeitando o princípio de 
subsidiariedade, para orientar para o bem comum a dialéctica entre as livres associações activas 
na vida democrática. A sociedade civil é heterogénea e articulada, não desprovida de ambiguidades 
e de contradições: é também lugar de embate entre interesses diversos, com o risco de que o mais 
forte prevaleça sobre o mais indefeso. 
5.1.6. A Paz: fruto da justiça e da caridade 
A paz é um valore um dever universal e encontra o seu fundamento na ordem racional e moral da 
sociedade que tem as suas raízes no próprio Deus, fonte primária do ser, verdade essencial e bem 
supremo. A paz não é simplesmente ausência de guerra e tampouco um equilíbrio estável entre 
forças adversárias, mas se funda sobre uma correcta concepção da pessoa humana e exige a 
edificação de uma ordem segundo a justiça e a caridade. 
A paz é fruto da justiça (cf. Is 32,17), entendida em sentido amplo como o respeito ao equilíbrio 
de todas as dimensões da pessoa humana. A paz está em perigo quando ao homem não é 
reconhecido aquilo que lhe é devido enquanto homem, quando não é respeitada a sua dignidade e 
quando a convivência não é orientada em direcção para o bem comum. 
Para a construção de uma sociedade pacífica e para o desenvolvimento integral dos indivíduos, 
povos e nações, é necessária a defesa e a promoção dos direitos humanos. A paz é fruto também 
do amor. 
A Igreja proclama, com a convicção da sua fé em Cristo e com a consciência de sua missão, que a 
violência é um mal, que a violência é inaceitável como solução para os problemas, que a violência 
não é digna do homem. A violência é mentira, pois que se opõe à verdade da nossa fé, à verdade 
da nossa humanidade. A violência destrói o que ambiciona defender: a dignidade, a vida, a 
liberdade dos seres humanos. 
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5.1.7. Defesa da cultura 
 
A palavra «cultura» indica, em geral, todas as coisas por meio das quais o homem apura e 
desenvolve as múltiplas capacidades do seu espírito e do seu corpo; se esforça por dominar, 
pelo estudo e pelo trabalho, o próprio mundo; torna mais humana, com o progresso dos 
costumes e das instituições, a vida social, quer na família quer na comunidade civil; e, 
finalmente, no decorrer do tempo, exprime, comunica aos outros e conserva nas suas obras, 
para que sejam de proveito a muitos e até à inteira humanidade, as suas grandes experiências 
espirituais e as suas aspirações (GS, 53). 
Daqui se segue que a cultura humana implica necessariamente um aspecto histórico e social e 
que o termo «cultura» assume frequentemente um sentido sociológico e etnológico. É neste 
sentido que se fala da pluralidade das culturas. 
 
5.1.8. A Família 
 A íntima comunidade da vida e do amor conjugal, fundada pelo Criador e dotada de leis próprias, 
é instituída por meio da aliança matrimonial, ou seja pelo irrevogável consentimento pessoal. Deste 
modo, por meio do acto humano com o qual os cônjuges mutuamente se dão e recebem um ao 
outro, nasce uma instituição também à face da sociedade, confirmada pela lei divina. Em vista do 
bem tanto dos esposos e da prole como da sociedade, este sagrado vínculo não está ao arbítrio da 
vontade humana. O próprio Deus é o autor do matrimónio,

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