A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
53 pág.
Manual de Teologia   FINAL 1

Pré-visualização | Página 2 de 14

com a Bioética, mormente aquelas questões que desafiam a consciência como é o 
caso do aborto. O quinto e último capítulo apresenta o pensamento social da Igreja, a Igreja 
 
1 Tarefa de ensinar. 
5 
 
intervindo nas questões sociais em favor do homem, porque o homem é o caminho da Igreja, como 
defende João Paulo II na sua Encíclica programática Redemptor hominis, no início do seu 
pontificado. 
Auspicia-se que esta cadeira suscite nos destinatários um interesse em matérias de natureza 
religiosa e dê uma resposta do sentido último da vida humana que, para os cristãos católicos 
encontra a sua reposta em Deus. Exclui-se das perspectivas deste projecto, o fomento do 
proselitismo, isto é, a conversão de todos ao catolicismo. 
 
6 
 
CAPÍTULO I: A FÉ CATÓLICA 
1.1. Conceito de FÉ: 
Entende-se por fé a convicção, confiança e abandono, que uma pessoa alimenta na sua relação com 
Deus. A fé é sempre uma resposta positiva à iniciativa reveladora de Deus. Diante dos sinais 
reveladores da sua presença do ser humano, este é convidado a responder por uma relação de 
confiança e fé neste Deus que se dá a conhecer. A fé consiste no escutar a palavra da pregação e 
para conduzir á obediência; vice-versa, a obediência é escuta. 
1.1.1. Crenças 
Chama-se crença a convicção ou a lógica de pensamento, a filosofia que sustenta uma cosmovisão 
e os valores apresentados por uma determinada cultura.As crenças representam sempre um sistema 
de valores adquiridos, assimilados e proclamados como absolutos em si mesmos e por isso mesmo 
inegociáveis. A crença é uma convicção arraigada na pessoa que orienta as atitudes e influencia a 
interpretação do real. 
1.1.2. Teologia ciência da fé 
Os termos: 
Teologia = teo + logiaθєōs, Deus + λοΥiα = discurso sobre Deus; arte de dirigir o espírito 
na investigação da verdade do discurso sobre Deus. 
O dicionário de teologia define a Teologia como a ciência das coisas divinas. 
1.2. Breve historial de Teologia 
1.2.1. Um pouco de história do termo Teologia 
Na antiguidade a teologia era entendida como um hino, onde Deus era glorificado mais que do 
que explicado pelo espírito humano. Era o ato mesmo de louvar a Deus. Não se tratava de explicar 
Deus, que é inexplicável, mas de o Louvar sem cessar, pela sua grandeza. 
7 
 
Este sentido continua muito vivo nos escritos dos padres da Igreja2, mesmo os que como Origines 
farão mais uso instrumental de noções tiradas da filosofia grega ou os que como os grandes 
teólogos ditos da Capadócia (São Basílio de Cesareia, São Gregório de Nazianzo e São Gregório 
de Nice) se servem das noções teológicas para lutar contra os erros resultantes de uma ilusão 
racionalista sobre a nossa capacidade de clarificar os mistérios divinos. 
 Para o pseudo- Dionísio3, a teologia mística é a única teologia plenamente digna desse 
nome, ultrapassando as analogias insuficientes numa experiência que se proclama ela 
mesma inexprimível. 
 Até antes da Idade Média latina a teologia era concebida, particularmente na ordem 
monástica, não como uma ciência propriamente dita das coisas divinas, mas como 
meditação dos mistérios. A Teologia nessa altura é considerada importante apenas pelo 
apelo que faz à razão para afastar as falsas interpretações preparar a contemplação onde a 
razão é simplesmente ultrapassada. 
 Santo Anselmo4um dos primeiros a fazer o mais rigoroso uso do pensamento dialético5 
em teologia. 
 Pedro Abelardo, no século XII - Tende a racionalizar completamente a teologia, ao 
mesmo tempo que suscita em São Bernardo de Claraval, por exemplo, uma recusa 
apaixonada. Provoca noutros pensadores, mesmo próximos deste último como Guilherme 
de Saint-Thierry, um esforço para utilizar mais sistematicamente uma crítica racional dos 
 
2Padres da Igreja, Santos Padres ou Pais da Igreja foram influentes teólogos, professores e mestres cristãos e 
importantes bispos. Seus trabalhos académicos foram utilizados como precedentes doutrinários para séculos 
vindouros. Os padres da Igreja são classificados entre o século II e VII.O estudo dos escritos dos Padres da Igreja é 
denominado Patrística. 
3Pseudo-Dionísio, o Areopagita ou simplesmente Pseudo-Dionísio é o nome pelo qual é conhecido o autor de um 
conjunto de textos (Corpus Areopagiticum) que exerceram, segundo os historiadores da filosofia e da arte, uma forte 
influência em toda a mística cristã ocidental na Idade Média. Até o século XVI, os textos tinham valor quase 
apostólico, já que Dionísio fora o primeiro discípulo de Paulo de Tarso. Nessa época surgiram as primeiras 
controvérsias a respeito da sua autenticidade. Argumentava-se que os textos continham marcada influência 
de Proclo, da escola neoplatônica de Atenas, e portanto não poderiam ser anteriores ao século V. Mas somente 
a partir do século XIX essa tese foi aceita e o autor desconhecido passou e ser chamado Pseudo-Dionísio. Apesar 
disso, por sua linguagem poética e pela coerente exposição de ideias, o Corpus permanece considerado como 
expressão autêntica do neoplatonismo ateniense e da tradição mística cristã. 
4Anselmo escreveu uma obra sobre a fé que busca a razão. É considerado um dos iniciadores da tradição escolástica. 
"Não só a habilidade dialética fez de Anselmo o precursor da Escolástica, como também o princípio teológico 
fundamental que adotou: fidesquarensintelectum "a fé em busca da inteligência". Foi ele também quem forjou uma 
nova orientação à teoria dos universais e que reverteu em grande proveito para os intuitos da Teologia racional". 
5 Dialética conjunto dos meios postos em obra na discussão em vista a demonstrar ou refutar. Ex.: tese e anti- tese + 
resolução em síntese. 
8 
 
conceitos e uma construção racionalmente ajustada das verdades da fé num sistema 
ordenado. 
 S. Alberto Magno no século XIII e S. Tomás de Aquino definem a Teologia como a 
ciência sagrada, que coloca o conjunto das verdades da fé num sistema racional, à partir de 
um reconhecimento mais claro das verdades propriamente sobrenaturais, e como tais 
recebidas da revelação unicamente, por oposição às verdades sobre Deus que podem ser 
atingidas pela razão sozinha. 
Sustentam que a teologia é a ciência é ciência da fé. E como tal não pode prosseguir e se 
desenvolver senão na luz da fé. Esta teologia exige que o rigor racional do pensamento dialético 
seja constantemente associado a uma exploração não somente alargada mas também penetrante de 
todo o dado revelado e tradicional, sob a salvaguarda do magistério vivo da Igreja e num espírito 
de uma fé viva e vivida. 
Como Ciência Sagrada, a Teologia tomista não alimenta a pretensão temerária e fútil de se 
substituir a Palavra de Deus confiada à Igreja, em particular nas Santas Escrituras, mas alimenta 
somente a esperança de explorar respeitosamente as profundidades, não esvaziando o mistério mas 
permitindo-nos de melhor o situar em relação aos nossos conhecimentos simplesmente naturais. 
É uma teologia sistemática e por isso é reflexiva e crítica. Alimenta se constantemente da teologia 
positiva, que se contenta de fazer o inventário e a exegese da palavra de Deus nos documentos 
autênticos. Deve guardar e cultivar o contacto com os desenvolvimentos do pensamento 
simplesmente humano, mas permanecendo sempre na escola viva da Igreja em profunda comunhão 
de fé com ela. 
Assim se compreende a Teologia como um discurso sistemático, reflexivo e crítico, sobre Deus e 
tudo o que a Ele se refere. Uma Teologia que se alimenta da revelação divina contida na Palavra 
de Deus, proclamada e anunciada pela Igreja em seu Magistério. Um discurso aberto ao 
pensamento humano e capaz de iluminar a