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Manual de Teologia   FINAL 1

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razão e se deixar interpelar por ela. 
1.2.2. Diferentes estilos de reflexão teológica 
Existem diferentes estilos de reflexão teológica, tanto no que se refere ao conteúdo, como ao 
género literário. Assim, podemos distinguir diferentes estilos de acordo com a época. 
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No primeiro século do cristianismo podemos encontrar 3 estilos principais: a Teologia narrativa 
dos evangelhos, a literatura epistolar e a apocalíptica. Em seu núcleo conjugam-se facto e 
interpretação, compreensão e anúncio, sob notório influxo do judaísmo. Lentamente a comunidade 
de fé se desprega da religião de Israel mas esta permanece o ponto de referência básica, mesmo 
para os grupos advindos da genialidade. Esta teologia é: 
 Pneumática (embebida pelo espírito que suscita a continuidade dos seguidores de Jesus) 
 Eclesial, nascida no seio de uma comunidade 
 Missionária, destinada a transmitir e recriar fé crista 
 Vivencial, repleta de sentimentos, conotações afectivas e força convocatória, proveniente 
da experiência do seguimento do ressuscitado 
 Contextualizada na história da comunidade em que foi elaborada. Não retrata desejo 
explícito de fazer reflexão única e universal, válida igualmente para todos como anamnese 
da palavra, torna presente o dado revelado emdiversas situações. 
 Aberta ao futuro estimulando assim interpretações enriquecedoras, novas releituras 
situadas. 
Na época patrística que abarca o período de seis séculos, compreendendo desde a geração 
imediatamente posterior aos apóstolos até a dos que prepararam a teologia medieval, encontramos 
um outro estilo de teologia devido ao objectivo do discurso: esclarecer a identidade da fé cristã no 
seu encontro com as culturas, helénica, romana e mesmo a judaica. 
O cristianismo vê-se às voltas com o imenso desafio de traduzir para a cultura helénica, a sua boa 
nova. Necessita também justificar-se diante daqueles que, utilizando a filosofia grega, consideram 
o cristianismo e a fé cristã algo secundário ou de pouco valor. Após o período das perseguições, 
com o reconhecimento do império romano a Igreja corre dois riscos helenizar a sua doutrina (por 
uma união entre fé e pensamento grego) e secularizar-se (entrando nas estruturas do império pelo 
caminho das honras, privilégios, apoio do poder político). 
a) Helenizar a doutrina 
A teologia grega tem sede de explicar a unicidade do universo, explicar como tudo tem um 
fundamento uma αρχή, uma unidade, uma λοΥiα que dá sentido ao múltiplo. Por isso a fé carrega 
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a marca da preocupação do fundamento, e anuncia que em Cristo se recapitulam todas as coisas, e 
particularmente tudo o que e verdadeiro, bom e belo. (ciência, moral e estática). 
Da cultura grega, a reflexão teológica leva como empréstimo os valores, os instrumentos e 
desenvolve a questão da relação entre o humano e o divino. 
A adoção de expressões de fé, categorias e esquemas mentais da teologia e filosofia grega leva a 
imprecisões e dúvidas. Surgem grupos radicais que com o seu radicalismo ferem a identidade 
trazida na mensagem cristã e assim nascem as primeiras heresias. 
 A tentativa de responder a estas heresias estimula e permite o avanço da teologia porque obriga a 
uma reflexão mais precisa e mais fiel ainda que criativa, à Sagrada Escritura. 
Temos assim vários concílios ecuménicos ao serviço da verdade que deve ser proclamada (Niceia, 
Éfeso, Calcedônia, Constantinopla) regionais (Elvira, Orange). 
O princípio patrístico é: “crer para entender, e entender para crer”intellige ut credas, crede ut 
intellegas (Agostinho in Sermão 43,7,9). 
Não separa inteligência e fé: a fé nos torna inteligentes! 
b) Secularização 
Quando no ano 313 foi proclamado o Edito de Milão pelo imperador Constantino, o 
cristianismo se tornou “Religião de Estado”, no Império Romano. Assim foram adoptados 
progressivamente, maneiras e princípios seculares que contrariavam a simplicidade do 
Evangelho. Nasce a hierarquização da Igreja sob o modelo do Império, a liturgia é 
fortemente influenciada pelo culto pagão. Esta situação se arrastou até à reforma trazida 
pelo Concílio Vaticano II. 
 
1.2.3. Síntese da Teologia da época Patrística: 
 Ponto de partida a experiência intensa do mistério proclamado, celebrado e vivido, 
exercitada na leitura do texto sagrado e das realidades mundanas. 
 Quem faz teologia? – Bispos, sacerdotes e leigos (homilias, textos litúrgicos, comentários 
de textos de escritura, catequese...). no inicio do século III, formam-se “escolas teológicas”. 
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As mais conhecidas foram Antioquia (exegese literal de Escritura), Alexandria (exegese 
espiritual “sentido”). 
Características teológicas: teologia bíblica, litúrgica, Cristológica, eclesial, inculturada e plural 
Foi um tempo de verdadeiro esforço de inculturação da fé. As escolas teológicas testemunham de 
um pluralismo teológico sadio, que contribui para o aprofundamento da verdade revelada. 
A liturgia é o berço da teologia patrística, e mostra como se deve articular o pensar e o celebrar a 
fé. 
Limites pouca atenção ao concreto histórico fraco traço profético devido ao compromisso com o 
poder temporal, progressiva des-escatologização e des-historização da teologia; Deficiência do 
instrumento teológico utilizado (o seu dualismo neoplatônico, o rigor ético de outras correntes 
como por exemplo os epicureus, ...e cépticos. 
1.2.4. A teologia escolástica medieval 
A teologia escolástica medieval atravessou oito (8) séculos, três (3) fases importantes: A dialéctica 
(Sto. Anselmo) a grande escolástica e a escolástica tardia. 
1) Fase – A teologia se limita a leitura e comentário da Palavra de Deus. Pouco a pouco (VIII – X) 
esta maneira de fazer teologia é influenciada pelas mudanças significativas verificadas na 
sociedade e na igreja. 
O surgimento de associações, corporações, ordens religiosas, movimento das ordens mendicantes 
e também universidades vai influenciar positivamente a maneira de fazer teologia. 
Do século X – XII, mas concretamente de 1120-1160, o pensamento de Aristóteles é redescoberto 
e sua metodologia é posta em relevo – usa-se a sua dialéctica (“Sicet nom”) = recolhem-se 
argumentos aparentemente contraditórios, discute-se a questão e depois se tiram conclusões. Santo 
Anselmo (1033- 1109) une a teologia monástica agostiniana, favorável a absoluta suficiência de 
fé, ao pensamento especulativo dialéctico. Trabalha para transformar a verdade criada em verdade 
sabida, pensada e expressa. A fé em busca da inteligência (fides quarens intellectum) conclusões 
deduzíveis. 
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Em 1054, temos o primeiro grande cisma Ocidente/ Oriente com Miguel Cerulário. A teologia 
Oriental não assimila a dialética, ela conserva o aspeto contemplativo e simbólico, privilegiando a 
dimensão apofática, misteriosa, o silêncio da teologia. 
A figura mais alta da escolástica é Tomás de Aquino combina rigor teórico, criatividade e ousadia. 
Desenvolve uma teologia obediente à revelação que responde às exigências da epistemologia de 
Aristóteles e por conseguinte ela é chamada ciência. A suma teologia durante séculos foi texto 
base da elaboração teológica. 
Com Tomás de Aquino saímos do credere- crer para compreender (da patrística) e passamos ao 
crer e compreender. A elaboração sistematizante do pensamento é feito por via da relação 
afirmação, negação e síntese – o movimento de pensamento é uma elipse e não um círculo. Temos 
um duplo foco da teologia: ciência que Deus comunica e ciência que o homem alcança pela 
reflexão autónoma, ela conjuga o ponto de vista de Deus e o ponto de vista do homem, concilia fé 
e razão. 
1.2.5. Teologia anti- moderna – da Idade Média até Vaticano II cinco (5) séculos 
Época de mudanças sócias rápidas