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Manual de Teologia   FINAL 1

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ter um longínquo começo em 
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que todas as radiações e toda a matéria estavam numa bola primordial de fogo, e do materialismo 
dialéctico, encontramos outros escolhos (o dualismo, o panteísmo e o problema do mal) contra os 
quais sempre embate a reflexão da Igreja, no que toca à doutrina da criação. 
Santo Irineu afirmou que a criação é uma iniciativa do Pai: “A vontade de Deus Pai é o 
substrato de todas as coisas” (Irineu, p.44). O Deus criador é o Pai de Jesus Cristo e toda a Trindade 
opera na criação. Para ele, há somente um Deus em quem tudo tem origem. A economia salvífica 
una de Deus se estende da criação até a sua consumação final, e a chave para ela é o Filho eterno, 
o Verbo que se fez carne e por sua encarnação, resume em si toda a humanidade e até o universo. 
O Filho, Logos de Deus é o ápice de toda a revelação, corporalmente humano em Jesus Cristo nele 
se experimenta a salvação de Deus a vida em liberdade, amor e Imortalidade. 
Hoje, a teologia no seu dever, apresenta-nos a criação no quadro dos escritos 
neotestamentários, que também são a base dos ensinamentos do concílio Vaticano II. 
Substancialmente, a criação se nos apresenta com significação da história da salvação cujo centro 
é mistério da Incarnação. Segundo as Escrituras, Cristo é a perfeita «imagem de Deus invisível, o 
primogénito de toda a criatura» (Cl 1, 15.18). Ele foi predestinado por Deus antes da criação 
mundo, para recapitular consigo todas as coisas, as do céu e da terra (Cf. Ef 1,3.10). Isto quer dizer 
que no plano de Deus, a criação e a salvação estão entrelaçadas de modo que se identificam. Assim, 
a protologia tem na escatologia a sua concretização. Estes são os elementos teológicos na definição 
da criação que nos levam a entender a criação como um mistério da fé em torno da qual ocorrem 
discussões sobre a sua relação com a conservação, pois, «depois da criação, Deus não abandona 
as coisas e as pessoas ao seu destino, sem se preocupar mais com elas» (Frosini, 2011, p.121). Esta 
relação nunca se pode interromper. 
 
1.6. A dimensão trinitária da criação 
Na concepção cristã, a criação do mundo é um acontecimento trinitário: o Pai cria pelo 
Filho e no Espírito santo. Durante muito tempo, a tradição teológica compreendeu a criação como 
obra do Pai, Senhor de sua criação (monoteísmo).Posteriormente, desenvolveu-se uma doutrina 
especificamente cristológica da criação, com ênfase na criação através da Palavra. Diz o CIC 229 
«Insinuada no Antigo Testamento, revelada na Nova Aliança, a acção criadora do Filho e do 
Espírito Santo, inseparavelmente unida à do Pai, é claramente afirmada pela regra de fé da Igreja 
“existe um só Deus. Ele é o Pai, o Criador, o Autor, o Organizador. Ele fez todas as coisas por Si 
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próprio, quer dizer, pelo seu Verbo e pela sua Sabedoria, pelo Filho e pelo Espírito Santo” “que 
são como as suas mãos” (Santo Ireneu). A Criação é a obra comum da Santíssima Trindade» 
(Frosini, 2011, p.124). 
 
1.7. A Revelação em Abraão, Moisés e profetas 
O projecto da revelação obedeceu um plano. “A seu tempo Deus chamou Abraão, para fazer dele 
um grande povo, povo esse que depois dos Patriarcas, ensinou por meio de Moisés e dos Profetas 
para que O reconhecessem como único Deus, vivo e verdadeiro, Pai providente e justo juiz, e para 
que esperassem o Salvador prometido” (Concílio Vaticano II, O.C, 3). Como se pode depreender 
do texto conciliar, Deus se revelou primeiro a Abraão, em seguida a Moisés, sucessivamente aos 
profetas e quando chegou a plenitude dos tempos, depois de ter falado muitas vezes e de muitos 
modos falou por meio do seu Filho, Jesus Cristo (Heb 1,1-2), o profeta por excelência. Neste 
projecto estão envolvidos a palavra, o encontro, a experiência num percurso histórico. Os padres 
conciliares não deixam margens para dúvidas que “a economia cristã, como nova e definitiva 
aliança, jamais passará, e não se há-de esperar outra revelação pública antes da gloriosa 
manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo” (Concílio Vaticano II, O.C, 4). 
Abraão respondeu à chamada de Deus e obedeceu ao seu projecto partindo sem saber para onde 
ia (Gen 12). Confiou-se aos desígnios de Deus. O resultado dessa sua confiante abertura é ser pai 
de um grande povo. É nosso pai na fé. É patriarca, isto é, arquétipo da fé. O Deus que se revela 
em Abraão é o Deus da promessa. Um Deus que promete e cumpre a sua promessa de salvação. 
Deus revelou se a Moisés oferecendo a libertação ao povo escravo no Egipto. O Seu nome “ Sou 
Aquele que Sou” revela uma solicitude de liberdade para o ser humano. Por isso o Deus de Moisés 
é o Deus Libertador. 
Os Profetas foram um momento importante na revelação de Deus. Eles testemunham o cuidado 
de Deus pela justiça no seio da humanidade. Eles aparecem como os defensores dos pobres e dos 
vulneráveis da sociedade. Assim se revela um Deus que toma partido dos pobres e injustiçados. 
Nos últimos tempos Deus se revelou em Jesus Cristo como o centro e o ponto definitivo da história 
de Salvação (Fisichella, 2002, p. 81). A Lei e os profetas são orientados a ele e somente nele 
encontram pleno cumprimento. 
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De facto toda a vida de Jesus foi marcada por eventos que revelam algo transcendente. O seu 
Baptismo, a sua pregação, os milagres, a sua morte por amor e finalmente a sua gloriosa 
Ressurreição só podem ser revelação de Deus. 
Os Sinópticos descrevem a actividade reveladora de Jesus com os verbos pregar e ensinar. Jesus 
pregou o reino de Deus e testemunhou com a sua própria vida: “Convertei-vos porque o reino de 
Deus está próximo” (Mt 4, 17). 
No Evangelho de São João Jesus é o Logos como sinónimo de Palavra de Deus. Deus não fez ouvir 
a sua voz mas a sua palavra que se pode reconhecer somente em Cristo (Jo 5, 37-38). A 
invisibilidade do Pai torna-se visível na glória do Filho, pois este é o unigénito, isto é, o único que 
possui a vida mesma do Pai, o único que pode revelar o Pai dada a sua preexistência junto de Deus 
(Jo 1,1-2). 
Com S. Paulo pode se afirmar que quando chegou a plenitude dos tempos Deus enviou o seu Filho 
nascido duma mulher […] para resgatar aqueles que estavam sob o domínio da Lei, para que 
recebessem a adopção de filhos (Gal 4,4-5). Paulo identifica o tempo último esperado com o tempo 
e a história de Cristo. 
Na carta aos Hebreus Deus que tinha já falado nos tempos antigos muitas vezes e de muitos modos 
aos pais por meio dos profetas, ultimamente, nestes dias, falou a nós por meio do Filho que 
constitui herdeiro de todas as coisas e por meio do qual fez também o mundo (Heb 1, 1-2). 
1.7.1. Transmissão da Revelação divina 
Cristo mandou os Apóstolos que pregassem a todos os homens o Evangelho, prometido pelos 
profetas e por ele cumprido e promulgado pela sua própria boca, como fonte de toda a verdade 
salvadora e de toda a disciplina de costumes, comunicando-lhes assim os dons divinos (Concílio 
Vaticano II, Dei Verbum, 7). Os Apóstolos foram fiéis ao mandato e anunciaram o Evangelho 
com palavras e a própria vida. 
Para que o Evangelho permanecesse para sempre integro e vivo na Igreja, os Apóstolos deixaram 
os Bispos como seus sucessores, “entregando-lhe o seu próprio magistério” (Irineu, III,3). 
Portanto, a sagrada Tradição e a Sagrada Escritura de ambos os Testamentos são como que um 
espelho, no qual a Igreja, peregrinando na terra contempla a Deus, de quem tudo recebe, até chegar 
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a vê-lo face a face, tal qual Ele é (1Jo 3,2).Assim a sucessão Apostólica ininterrupta ou a sagrada 
Tradição é a garantia da integridade do depositum fidei. 
No ensinamento dos padres conciliares, a sagrada Tradição e a sagrada Escritura, estão 
intimamente unidas e aglutinadas entre si; porque brotando ambas da mesma