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Manual de Teologia   FINAL 1

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que a exerce através da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina 
dos Sacramentos; compete também nos limites previstos pelo Direito, às Conferências episcopais 
e ao Bispo diocesano. Nenhum outro, absolutamente, mesmo se é sacerdote, acrescente, tire ou 
mude algo de sua iniciativa, em matéria litúrgica. A inculturação não é portanto, deixada à 
iniciativa pessoal dos celebrantes, nem à iniciativa colectiva da assembleia (CCDDS, 37). A nível 
de uma nação, o processo da Inculturação Litúrgica é da responsabilidade da Conferência 
Episcopal a qual apoiando-se de peritos em diversas áreas, como é a da Bíblia, Liturgia e Teologia 
e expoentes das religiões não cristãs, pode discernir, avaliar e legitimar, em consonância com a 
Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos,uma dada experiência de 
inculturação ou o que deve modificado nas celebrações litúrgicas de acordo com as tradições e da 
mentalidade do povo (CCDDS, 30, 62-66). 
 
 
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CAPÍTULO III: A PESSOA HUMANA À LUZ DA FÉ CRISTÃO 
 
3.1. Conceito 
A pessoa humana é uma criatura de Deus, justificada por Jesus Cristo e prometida à divinização. 
A visão cristã do ser humano supõe uma estrutura própria de quem crê, espera e ama. 
Crer, esperar e amar são 3 operações reunidas que têm uma significação religiosa e designam a 
verdadeira relação ao Deus verdadeiro, o Deus de Jesus Cristo. 
Ora a relação dos homens a Deus é sempre de ordem activa, da classe do fazer e introduz sempre 
uma dinâmica. 
Esta visão do ser humano, não deve ser confundida com outras maneiras de abordar a questão do 
homem. Trata-se do que o cristianismo confessa e compreende do comportamento humano quando 
ele considera que a maneira de ser homem não é sem relação a Deus. O cristianismo confessa que 
a condição humana é, como tal, vocação a crer, esperar e amar. 
3.1.1. O protótipo do ser humano é Jesus Cristo 
a) ECCE HOMO – Eis o Homem 
O cristianismo aprende a olhar a Jesus Cristo e descobrir quem é o ser humano e o que está 
chamado a ser. É agora e aqui que em Jesus Cristo aprendemos o que significa “tornar-se homem”. 
Quando nós dizemos de Jesus “Eis O Homem” confessamos e afirmamos que Ele é aquele em 
quem o sentido tem sentido, o homem novo que dá à humanidade sua razão de ser. 
Jesus Cristo é alguém que pertenceu à história dos homens, que pertenceu a nossa história, que é 
um dos nossos. Porquê Jesus? 
A resposta é que na história humana Jesus é o único homem, o único verdadeiro, que foi sempre 
verdadeiro com a sua humanidade. Jesus foi desde a sua encarnação – do princípio ao fim de sua 
vida – totalmente homem e verdadeiro com a sua humanidade. Jesus não brincou com a nossa 
humanidade, não fez de contas que era homem; ele foi até ao fim, até as consequências do seu ser 
Homem. 
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No seu caminho de humanidade Jesus é aquele em quem se manifesta a graça da criação que 
consiste em ser Filho de Deus, vivendo a dependência a Deus e a autonomia da responsabilidade 
pessoal. 
Ele reconhece e aceita a sua condição de filho e não quer de modo algum tomar o lugar do Pai. 
É analisando o comportamento de Jesus que nós chegaremos a conhecer nele o HOMEM: “EIS O 
HOMEM”. O justo sem pecado – o homem, o verdadeiro sem pecado, aquele que soube guardar a 
todo custo a sua relação filial absolutamente plena de humanidade – a excepção que confirma a 
regra porque todos os homens são pecadores. Ele é o único de entre todos, Ele é o único por todos, 
ele não é o solitário mas o solidário. 
b) O Homem, é Jesus Tentado 
(Uma leitura de Lc 4,1-13) 
Podemos afirmar que Jesus Cristo é protótipo do Homem justamente no momento em que é 
tentado. O texto de Lucas deixa claro que Jesus é tentado na sua qualidade de «filho» e que as 
tentações sugerem que um «filho» pode encontrar a sua felicidade abandonando a sua condição de 
filho, alguém dependente do seu progenitor, e tomando a condição de «Pai». As três tentações 
apresentam três falsos apelos que levam ao uso de um poder sobre as coisas, sobre os outros e 
sobre Deus. Tal poder só é possível quando a pessoa deixa de ocupar o seu lugar na sua relação 
com as coisas, com os outros e com Deus. 
Jesus permanece homem, permanece filho na sua relação com Deus e nos mostra que ser homem 
é ocupar o seu lugar na criação sem jamais se cansar de ser filho e de se relacionar correctamente 
de modo a compor com o universo e com os outros. 
Na primeira tentação S. Lucas coloca em evidência que ser humano é respeitar uma estrutura 
antropológica que diz que ninguém é humano sozinho. O ser humano faz-se por via da relação 
saudável com os outros. Não se pode ser só. Ao falar do pão, o texto sublinha: 
3.1.2. O Laço biológico da vida humana 
O homem tem necessidade de pão para viver mas ele pode também morrer quando come demais 
(excesso de pão). 
 
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3.1.3. O Laço social como lugar cultural 
O pão é um alimento transformado e não bruto, por isso evoca a realidade do homem em sociedade 
e sempre em cultura. O homem é um animal bio-cultural. 
3.1.4. O Laço social como laço ético 
O pão evoca uma situação política, onde a justiça impõe o dar a cada um o necessário para viver e 
subsistir a justiça social. As necessidades que fazem o homem são as mesmas que fazem a história: 
comer, beber, vestir – condições de justiça elementar (Cfr. Mt 25 e Karl Marx). 
3.1.5. O Laço social como laço simbólico e laço religioso 
A nossa relação a Deus passa sempre pela relação aos outros. O laço religioso é interno ao laço 
social. Ele permite uma abertura ilimitada ao outro. Nesta resposta de Jesus há uma espécie de lei, 
princípio: 
NÃO ...SEM; NÃO há laço religioso SEM laço biológico-social; NÃO há justiça para mim SEM 
justiça para meu irmão. 
A segunda tentação deixa um recado sobre a relação humana e humanizadora entre as pessoas. 
Quando o tentador diz que viver é dominar os outros, é exercer violência sobre os outros, é ser 
totalitário, dominando e subjugando, Jesus responde que ser homem é aceitar que viver é entrar 
em comunhão, é estar ao serviço da comunhão e da paz enquanto renúncia á dominação e á 
violência. 
A terceira tentação sugere que ser plenamente humano é viver sem Deus, é recusar assumir as 
limitações humanas, é recusar a morte. Jesus diz-nos que ser homem é consentir a viver como 
homens que conhecem a dor, o sofrimento e a morte. 
 
3.2. O homem é um ser com dignidade 
3.2.1. Conceito da Dignidade 
A dignidade da pessoa humana radica na noção de criação a imagem e semelhança de Deus. 
Perante Deus, cada indivíduo representa a dignidade de género humano. A motivação mais 
profunda da dignidade da pessoa humana está na revelação oferecida pelo Verbo encarnado. Jesus 
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veio revelar que o pai ama todos os homens independentemente das suas condições sociais (Mt. 
16,26; Lc 12,23). Por isso a igreja ensina que: O homem imagem vivente de Deus vale por si 
mesmo, não por aquilo que sabe, produz ou que possui. É a sua dignidade de pessoa que confere 
valor aos bens que ele usa para se exprimir e realizar-se7. 
O homem atinge esta dignidade quando, libertando-se da escravidão das paixões, tende 
para o fim pela livre escolha do bem e procura a sério e com diligente iniciativa os meios 
convenientes (Gs. nº 17). 
 
3.3. O homem é um ser de Consciência 
3.3.1. Conceito 
A consciência é o núcleo mais secreto e o santuário da pessoa. Ela não é uma função, mas é a 
estrutura do ser humano e pode ser identificada com a essência do ser humano. Ela revela, de modo 
admirável, a lei do imperativo categórico8, que se cumpre pelo amor a Deus e ao próximo (GS, 
16).“Na intimidade da sua consciência, a pessoa humana descobre uma lei que ela não impõe a si 
mesma,