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A CONSTRUÇÃO DO OUTRO COMO NÃO SER COMO FUNDAMENTO DO SER    Tese de Doutoramento

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APARECIDA SUELI CARNEIRO 
 
 
 
 
 
 
 
A CONSTRUÇÃO DO OUTRO COMO NÃO-SER COMO FUNDAMENTO DO SER 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Tese apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Educação 
da Universidade de São Paulo como parte dos requisitos para a 
obtenção do título de Doutora em Educação junto à Área Filosofia 
da Educação, sob a orientação da Professora Doutora Roseli 
Fischmann. 
 
 
 
 
 
 
 
 
São Paulo 
2005 
 
 2 
Aparecida Sueli CARNEIRO. A Construção do Outro como Não-Ser como fundamento do Ser. 
Feusp, 2005. (Tese de doutorado) 
 
Esta tese consiste numa aplicação dos conceitos de dispositivo e de biopoder elaborados por 
Michel Foucault ao domínio das relações raciais. É um estudo de cunho reflexivo especulativo 
com o qual pretende-se averiguar a potencialidade daqueles conceitos para a apreensão e 
análise da dinâmica das relações raciais no Brasil. Para tanto construímos, a partir deles, a 
noção de dispositivo de racialidade/biopoder com a qual buscamos dar conta de um duplo 
processo: da produção social e cultural da eleição e subordinação racial e dos processos de 
produção de vitalismo e morte informados pela filiação racial. Da articulação do dispositivo de 
racialidade ao biopoder emerge um mecanismo específico que compartilha da natureza dessas 
duas tecnologias de poder: o epistemicídio, que coloca em questão o lugar da educação na 
reprodução de poderes, saberes, subjetividades e “cídios” que o dispositivo de 
racialidade/biopoder produz. 
O que se intenta nesse trabalho é inscrever a problemática racial no campo analítico dos 
conceitos de dispositivo e do biopoder tal como formulados por Foucault, privilegiando 
discursos, práticas e resistências que o dispositivo de racialidade/biopoder produz e reproduz 
com foco na dimensão epistemicida que ele contêm. 
Unitermos: dispositivo e raça, racialidade e educação, biopoder e raça, raça e epistemicídio, 
resistências e educação. 
 
Linha de pesquisa: Filosofia e Educação 
 
Banca Examinadora: Orientadora: Roseli Fischmann 
Examinadores: Antônio Joaquim Severino, Kabengele Munanga, 
Conceição Aparecida de Jesus, Rosangela Costa Araújo. 
 
Data da Defesa: 09/Agosto/2005. 
 
Aparecida Sueli Carneiro é natural de São Paulo. É filósofa, pela Universidade de São Paulo e 
co-fundadora e diretora do Geledés – Instituto da Mulher Negra. 
Contato: scarnei@uol.com.br. 
 
 3 
Aparecida Sueli CARNEIRO – The construction of the Other as No-Being as Being foundation 
 
Abstract 
 
 
This work consists of an application of the notions of dispositif and biopower as presented by 
Michel Foucault in the context of racial relationships. It is a study of a reflexive and speculative 
character whose purpose is to investigate the potential use of these concepts to apprehend and 
analyse the dynamics of racial relationships in Brazil. With a view to that, we constructed, from 
them, the notion of the raciality/biopower dispositif with which we tried to comprehend a double 
process: of social and cultural production of selection and racial subordination, and of forms of 
production of vitalism and death informed by racial affiliation. From the articulation of the 
dispositif of raciality to biopower rises out a specific mechanism that shares the nature of these 
two power technologies: epistemicide, that questions the role of education in the reproduction of 
powers, knowings, subjectivities and “cides” produced by the dispositif of raciality/power. 
 The purpose of this work is to inscribe the racial problematic into the analytical field of the 
concepts of dispositif and biopower as formulated by Foucault, emphasizing discourses, 
practices and resistances produced and reproduced by the dispositif of raciality/power focused 
on the epistemicide dimension of raciality/power it has. 
 
 
 
 
Uniterms: dispositif and race, raciality and education, biopower and race, race and 
epistemicide, resistances and education. 
 
 4 
SUMÁRIO 
 
Dedicatória ............................................................................................................... 05 
In Memoriam ............................................................................................................ 06 
Agradecimentos ....................................................................................................... 07 
Apresentação .......................................................................................................... 08 
Introdução ............................................................................................................... 20 
Parte I – Poder, Saber e Subjetivação 
Capítulo 1 – Do Dispositivo .................................................................................... 38 
Capítulo 2 – O Biopoder: negritude sob o signo da morte ..................................... 72 
Capítulo 3 – Do Epistemicídio ................................................................................ 96 
Capítulo 4 – Das Interdições .................................................................................. 125 
Parte II – Das Resistências 
Prólogo ................................................................................................................... 149 
Capítulo 5 – Edson Cardoso ................................................................................. 159 
Capítulo 6 – Sonia Maria Pereira Nascimento ....................................................... 192 
Capítulo 7 – Fátima Oliveira ................................................................................... 227 
Capítulo 8 – Arnaldo Xavier (in memoriam) ........................................................... 271 
Parte III – Educação e o Cuidado de Si 
Prólogo .................................................................................................................... 277 
Capítulo 9 – Educação: Negação e Afirmação ........................................................ 279 
Capítulo 10 – Educação e o Cuidado de Si ............................................................. 302 
Considerações finais ............................................................................................... 323 
Bibliografia.............................................................................................................. 326 
 
 
 5 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Para minha mãe Eva Alves Carneiro 
 que me obrigou a ser livre 
 
Para minha filha Luanda, pura beleza, 
art nouveau da natureza, 
a herdeira dos meus sonhos de liberdade 
 
 
Para minhas irmãs e irmãos 
 que carregam alma quilombola e insurgente 
 
 
 
 6 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
In Memoriam 
 
Para meu pai José Horácio Carneiro 
com quem aprendi o sentido de comunidade 
 
Para Arnaldo Xavier 
que me espera para novas tertúlias 
 
 
 7 
Agradecimentos 
 
Às companheiras e companheiros do Geledés - Instituto da Mulher Negra que me 
permitiram a ausência necessária para a dedicação a esse trabalho. 
A Carlos Eugênio Marcondes de Moura pela revisão de meus escritos. 
À Conceição Aparecida de Jesus pela escuta generosa. 
À Liv Sovik pelas provocações teóricas. 
A Carlos Alberto Correia