Lombalgia
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Lombalgia


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Problema 2 
 
1- Definir dor crônica. 
 
 
 
2- Entender a fisiopatologia da dor relacionada a lombociatalgia e o quadro clínico. 
 
Segundo revisão sistemática de 2015, a prevalência anual da dor lombar atinge mais de 
50% dos adultos e os casos crônicos chegam a atingir entre 4,2 e 14,7% da população 
brasileira. Além disso, é o principal motivo de absenteísmo no trabalho. 
 
A lombalgia é definida como dor e desconforto localizados entre a margem costal e a prega 
glútea inferior, com ou sem dor na perna. Em 60% dos casos pode haver dor irradiada para 
o membro inferior, e esse quadro é chamado de lombociatalgia, que pode ser de origem 
radicular (exemplo: compressão por hérnia de disco) ou referida (exemplo: dor miofascial). 
 
A dor neuropática (DN) está presente em 37 a 55% dos pacientes com dor irradiada para o 
membro inferior. Segundo a International Association for the Study of Pain (IASP), é definida 
como a que surge como consequência direta de uma lesão ou doença que afeta o sistema 
somatossensorial. A característica neuropática está correlacionada com dor mais intensa, 
comorbidades mais graves e piora da qualidade de vida (QV). Além disso, os custos são 
67% maiores quando comparada a outras etiologias. 
 
Muitas referências consideram que a lombalgia inespecífica aguda é autolimitada, com taxa 
de recuperação de 90% no período de 4 a 7 semanas e taxa de cronificação de 2 a 7%. No 
entanto, estudos mais recentes demonstram taxa de cronificação bem maior, de 40 a 44%. 
Assim, o tratamento adequado e o acompanhamento inicial da lombalgia aguda são de 
extrema importância para se evitar os casos crônicos. 
 
EPIDEMIOLOGIA 
 
A hérnia de disco lombar ocorre em aproximada- mente 2% da população geral. É pouco 
mais prevalente em homens que em mulheres, acometendo indivíduos na faixa etária dos 
20 aos 50 anos (média de 35 anos), quando o núcleo pulposo do disco intervertebral é, ao 
menos em parte, gelatinoso. 
Noventa e oito por cento das hérnias do disco lombar ocorrem nos segmentos L4/L5 e 
L5/S1. 
A ocorrência de episódios repetidos de lombalgia prévia é frequente no histórico de 
pacientes com ciatalgia aguda por causa de hérnia discal, o que mostra ser a extrusão de 
uma hérnia de disco, na maior parte das vezes (excessão a rara hérnia discal do 
adolescente), consequência de uma degeneração discal prévia. Desse modo, entende-se 
que a hérnia de disco representa uma das possíveis etapas na evolução natural da doença 
degenerativa discal. 
Apesar de alguns pacientes, sobretudo aqueles em litígio e com problemas trabalhistas, 
frequentemente referirem um episódio de trauma e/ou levantamento de peso (esforço) 
imediatamente antes do início dos sintomas, estudos biomecânicos experimentais e 
análises estatísticas de séries de casos não comprovam a relação causal entre trauma e/ou 
carga abrupta aplicados sobre a coluna como causadores da ruptura discal aguda. 
A despeito da maior incidência de lombalgia nos pacientes tabagistas, não existe uma clara 
correlação entre tabagismo e hérnia discal. 
O diagnóstico de hérnia do disco lombar obrigato- riamente tem de ser clínico e radiológico. 
É mandatória a estrita correlação entre ambos, uma vez que a incidência de \u201calterações 
discais\u201d (protrusões, abaulamentos etc.), em indivíduos assintomáticos após os 40 anos de 
idade, ocorrem em 64% das pessoas. 
 
 
 
 
ETIOLOGIA 
 
As principais etiologias da lombociatalgia são: 
 
1. Protrusão discal 
 
Cerca de 90% dos casos de ciatalgia lombar estão relacionados a um processo inflamatório 
sobre a raiz nervosa causada pela reação inflamatória consequente a aumento de pressão 
intradiscal e protrusão do disco intervertebral no interior do canal vertebral. 
 
2. Hérnia de disco 
 
Condição em que além do processo inflamatório sobre a raiz nervosa há uma compressão 
mecânica dessa raiz pelo disco intervertebral, com prevalência de 5%. Tal condição tem 
maior incidência entre a terceira e quarta décadas de vida. Isso, pois nessa fase da vida o 
processo degenerativo do disco intervertebral encontra-se em um momento em que ainda 
há pressão no interior do núcleo pulposo, porém o ânulo fibroso já apresenta redução de 
sua capacidade de resistir a essa pressão interna. Com isso ocorrem rupturas no ânulo 
fibroso e consequente compressão de uma raiz nervosa no interior do canal vertebral ou no 
forâmen intervertebral. 
 
3. Estenose de canal vertebral 
 
Condição que pode ser congênita, na minoria dos casos e degenerativa, na maioria, em que 
o diâmetro do canal vertebral está entre 10 e 12mm secundário ao espessamento ósseo 
das lâminas e facetas articulares, hipertrofia do ligamento amarelo, ossificação do ligamento 
longitudinal posterior e hiperlordose. Tal condição está relacionada à compressão nervosa 
mecânica e também a insuficiência vascular e isquemia relativa. 
 
4. Síndrome pós-laminectomia 
 
Cerca de 10 a 40% dos pacientes que são submetidos a cirurgia de coluna lombar para 
alívio de dor, independente da técnica cirúrgica utilizada, evoluem com dor crônica 
neuropática no membro inferior que é responsável por perda da QV. Tal condição tem 
etiologia multifatorial e está relacionada a eventos pré, intra e pós-operatórios. 
 
5. Síndrome do piriforme 
 
Cerca de 6% dos casos de ciatalgia lombar podem ser relacionados à síndrome do 
piriforme. Tal condição está relacionada à compressão do nervo ciático pelo músculo 
piriforme ou mesmo pelo tendão desse músculo no assoalho pélvico. Isso ocorre quando há 
hipertrofia, inflamação ou variação anatômica do músculo. 
 
FISIOPATO 
 
*Funcionalmente, a coluna lombar pode ser dividida em compartimentos anterior, médio e 
posterior. Cada compartimento constitui uma unidade mecânica funcional. O compartimento 
anterior é constituído dos corpos vertebrais e do disco intervertebral. Está adaptado à 
absorção de choques e à sustentação de peso. O compartimento médio é formado pelo 
canal medular e pelos pedículos. O compartimento posterior protege os elementos neurais e 
é o responsável pelo direcionamento das unidades funcionais nos movimentos de flexão 
anterior e extensão, flexão lateral e rotação. 
A quantidade de força aplicada ao segmento lombar depende do tipo de atividade e da 
postura do indivíduo. O disco intervertebral sofre maior pressão na posição sentada com 
flexão do tronco. 
O suporte dinâmico da coluna lombar é realizado por quatro grupos musculares: os 
extensores, os flexores anteriores, os flexores laterais e os rotadores. Em condições 
normais, os músculos extensores e os rotadores são os principais responsáveis pelo 
suporte da coluna vertebral. Os músculos eretores da espinha, os semiespinais e os 
interespinais resistem à ação da gravidade na posição ereta. 
A persistência da dor lombar pode ser decorrente de fattores psicossociais e de distúrbios 
vasculares e da neuromodulação central da dor. A lesão tecidual ou a inflamação podem 
causar estímulos nociceptivos contínuos que se dirigem à medula espinal. Isso determina o 
aumento da atividade no corno posterior da medula espinal, com períodos prolongados de 
descarga de longa duração que persistem mesmo após a cessação dos estímulos 
nociceptivos. A repercussão clínica desse fenômeno é que os pacientes podem continuar a 
sentir dor por tempo prolongado, mesmo após a resolução da causa primária da dor. A 
sensibilização de neurônios no corno posterior da medula espinal, fenômeno denominado 
sensibilização central, caracteriza-se pela redução do seu limiar de disparo, provocando 
alodinia, aumento das descargas espontâneas e aumento da resposta aos impulsos 
aferentes, determinando a hiperalgesia, o aumento da resposta a estímulos repetidos e a 
expansão dos seus campos receptivos. Os pacientes podem, então, apresentar uma 
experiência dolorosa desproporcional à causada pela lesão tecidual, caracterizada pelos 
fenômenos de