AULA 9   MIELITE TRANSVERSA
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AULA 9 MIELITE TRANSVERSA


DisciplinaFisioterapia Neurofuncinal158 materiais576 seguidores
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como fraqueza nos membros, transtornos sensoriais, disfunções no intestino ou na bexiga, dores nas costas e dor radicular (dor na distribuição de um único nervo espinhal), e estes sintomas são, em sua maioria, bilaterais (LYNN, 1997).
A maior parte dos pacientes acabam desenvolvendo, em diferentes graus de gravidade, fraqueza nos membros inferiores. Já os membros superiores são afetados em menor quantidade, variando de acordo com o nível medular envolvido (LYNN, 1997). Sendo assim, uma paralisia flácida, podendo progredir para paralisia espástica, com sinais de lesão do primeiro neurónio (hiperreflexia, sinal de Babinski, diminuição ou ausência dos reflexos cremasteriano e/ou cutâneo-abdominal) (SAMPAIO et al, 2011).
A pessoa pode sentir dor na região de tronco e em membros inferiores e superiores. Em relação a parte sensorial, há redução abaixo do nível de envolvimento da medula espinhal na maioria dos pacientes. Pode ser encontrado a sensação de formigamento ou dormência em membros inferiores (LYNN, 1997). A parestesia é um sintoma inicial comum em adultos com MT, mas não é comum em crianças (KRISHNAN et al, 2004). O nível sensorial de parestesia mais comum em adultos é a região médio-torácica, apesar de crianças poderem ter uma frequência maior de complicações da medula espinhal cervical e de nível sensorial cervical (KRISHNAN et al, 2004).
A percepção térmica é reduzida em grande parte dos acometidos. A noção de posição das articulações e a sensação de vibração (como de um diapasão) podem também ser reduzidas ou, até mesmo, inexistentes (LYNN, 1997). O controle da bexiga e do esfíncter anal é afetado na maioria dos casos, e os sintomas autonômicos consistem variavelmente de aumento da incontinência urinária e fecal, dificuldade ou incapacidade de evacuar, evacuação incompleta ou constipação intestinal. Disfunção sexual também é um resultado comum de complicações sensoriais e autonômicas do sistema nervoso na MT (KRISHNAN et al, 2004). A sensação de \u201ccinta apertada\u201d ao redor do tronco e a grande sensibilidade ao toque na região, é relatada por muitos pacientes com mielite transversa (LYNN, 1997).
Segundo estudos, é provável a existência da manifestação de efeitos indiretos, além dos sinais e sintomas de complicações diretas da medula espinhal pelo sistema imunológico na MT, como a depressão. Esta depressão não é correlacionada de forma relevante com o grau de desabilidade física, e pode ter consequências letais resultando em suicídio em casos severos caso não seja tratada (KRISHNAN et al, 2004).
Existe uma porcentagem de pacientes acometidos pelo primeiro ataque de mielite transversa aguda, que desenvolvem a esclerose múltipla (EM), essa quantia é desconhecida na literatura; entretanto, grande parte dos estudos indicam riscos reduzidos. 
CLASSIFICAÇÕES
A Mielite Transversa pode ser classificada em 3 grupos, o primeiro pode ser denominado de mielite transversa aguda completa (MTAC), que é definido por uma inflamação idiopática da medula espinhal causando perda da função simetricamente moderada ou grave. A perda leve e assimétrica das funções da medula espinhal ocorre no segundo grupo que é a mielite transversa aguda parcial (MTAP) e a 3º classificação é a mielite transversa longitudinalmente extensa (LETM) (KAMONSEKI, 2010).
A MTAC atinge um nível específico abaixo da função da medula e na ressonância magnética (RM) mostra uma lesão de menos de 3 segmentos vertebrais. Na MTAP também há uma lesão de menos de 3 segmentos vertebrais vistos na RM. Deficiência sensorial desigual, fraqueza leve a moderada de distribuição assimétrica, e disfunção da bexiga ocasional são algumas manifestações que esses indivíduos podem apresentar. Na LETM como o nome já diz e diferentemente das outras 2 formas, ocorre uma lesão maior ou igual a 3 segmentos vertebrais visto na RM, o quadro clínico pode ser completo ou incompleto. Existe uma plausibilidade menor de apresentar recidiva com um segundo surto de mielite ou bandas oligoclonais (anticorpos anormais) e uma taxa de transição muito baixa para a Esclerose Múltipla (EM) (provavelmente <5%). As formas graves de MT têm sido explanadas com outras doenças auto-imunes, como lúpus eritomatoso sistêmico (LES), síndrome da Sjogren (SS), sarcoidose, e várias formas de vasculite.
DIAGNÓSTICO
Muitas vezes o exame físico não traz pistas sobre as causas reais da lesão, mas é imprescindível realizá-lo e ouvir a história do paciente pois o diagnóstico da MT baseia-se em achados clínicos e radiológicos. Exames como a ressonância magnética (RM) ou mielografia devem ser realizados para descartar uma lesão de massa como hérnia de disco, estenose, abscesso ou tumor que podem estar ocupando e comprimindo a medula espinhal (LYNN, 1997).
A fim de servir como um guia para o reconhecimento da mielite inflamatória, para permitir unificar as classificações e garantir uma linguagem comum para a prática clínica foi criado em 2002 pelo The Transverse Myelitis Consortium Working Group (TMCW) um conjunto de critérios diagnósticos para a MTA idiopática e a MTA secundária ou associada a uma doença específica. (CHAVES, et. al. 2011).
Além das manifestações clínicas o diagnóstico fundamenta-se na comprovação de inflamação medular que muitas vezes pode não estar presente no início do quadro mas aparecer entre o 2º e 7º dia de doença. Essa comprovação pode ser feita através da punção lombar onde pode aparecer marcadores indicativos de inflamação no líquido cefalorraquidiano (LCR) como a pleocitose (aumento do número de leucócitos), aumento de proteínas específicas e glóbulos brancos, aumento do índice IgG, aumento da captação de contraste na RM medular (edema medular, sinal hiperintenso na ponderação T2 (com menor frequência, sinal iso ou ligeiramente hipointenso em T1) sendo que esses dois últimos achados são a marca cardinal de todo esse processo, que é a quebra da barreira hematoencefálica (BHE) (SAMPAIO, et. al., 2011).
Além disso, mais testes são propostos para reconhecer a causa subjacente do processo inflamatório e assim avaliar a presença de uma doença inflamatória sistêmica - como a síndrome de Sjögren, o lúpus eritematoso sistêmico (LES) e a neurossarcoidose. É importante testar a infecção por HIV, sífilis, a vitamina B12 e os níveis de cobre para descartar as possíveis causas de mielopatia. Uma ressonância magnética do cérebro é realizada para rastrear lesões sugestivas de esclerose múltipla (EM). Se nenhum destes testes for sugestivo de uma causa específica, o diagnóstico é mielite transversa idiopática. As mielopatias não-inflamatórias incluem aquelas causadas por isquemia arterial ou venosa (bloqueio), malformações vasculares, radiação, embolia fibrocartilaginosa ou causas nutricionais/metabólicas e trabalhos adequados sob estas situações podem incluir ultrassonografia aórtica, angiografia espinhal ou avaliação de fatores de risco pró- trombóticos (Transverse Myelitis Association, 2018).
A MT pode levar a confusão diagn\ufffd\ufffdstica com outros fatores de debilidade crescente como a Síndrome de Guillain \u2013 Barré (SGB) porque geralmente se manifesta inicialmente de forma rápida como paraparesia, tetraparesia grave ou arreflexia, mas sinais de hiperreflexia e sinal de babinski podem estar presentes e assim confirmar uma causa central e não periférica de fraqueza muscular (FROHMAN, et. al., 2010).
Para uma maior facilidade no diagnóstico diferencial, o profissional deve estar atento às manifestações e saber que pacientes com MT apresentam dificuldade de urinar ou o começo de incontinência (disfunção da bexiga) e uma reclamação de desconforto sensorial intenso e consistente. Enquanto que na SGB esses sinais estão ausentes e apresentam paralisia do nervo cranial, o que não é visto na MT (Transverse Myelitis Association, 2018). Para se confirmar o diagnóstico de MT idiopática o indivíduo deve ter todos os critérios de inclusão e nenhum dos critérios de exclusão. Um diagnóstico da MT associada à uma doença deve requerer que todos os critérios de inclusão sejam satisfeitos e que