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Apostila HISTORIA

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industrializados. Há uma paralisia da indústria nacional. 
Outra medida que do governo Dutra foi a questão de congelar os salários dos trabalhadores. 
Com esse tipo de medida percebemos que ele rapidamente perdeu o apoio da população. 
Começa a encontrar problemas frente à população que acostumada com quinze anos de 
desenvolvimento, não consegue conceber um governo que em benefício de uma pequena minoria 
( a burguesia nacional- esta era beneficiada pois pagava menos aos trabalhadores e assim teria 
mais lucros), causa arroxo salarial9. 
Dutra da preferência a modernizar o Brasil de uma outra forma instaurando uma nova forma 
de consumo da população. Ele estimula o que atualmente chamamos de CONSUMISMO. Para o 
 
7 PSD-Partido Social Democrático, era ligado basicamente aos antigos oligarcas, suas tradições eram ligadas ao mundo rural. Lembramos 
que o Brasil naquela fase tinha uma população que vivia em grande maioria na zona rural e em cidades pequenas. Com isso o PSD tinha 
maior expressão nacional como partido. Devido a isso e ao apoio de Vargas dado a Dutra sua vitória nas urnas foi simples. 
8 Vargas era um defensor da industria nacional, criou a política de substituição de importações. Quer dizer que ele queria que ao invés de se 
importasse produtos industrializados, a saída seria produzi-los no país. Essa medida geraria empregos, rendas e por fim desenvolveria o 
país. 
9 Arrocho salarial: o salário é congelado ou não acompanha a inflação. Resultado disso é que a população perde o poder de compra. 
 
 ...................................................... Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais – Campus VIII – Varginha 
 
Curso Pró-Técnico – Disciplina: História. Professor Hércules Alfredo Batista Alves. 24 
Brasil são trazidos rádios em grande quantidade, gomas de mascar, calças jeans, veículos em 
quantidades maiores, geladeiras e até mesmos televisores (lembramos que nessa fase ainda não 
existiam emissoras de TV no país, esse televisores ficaram apenas como enfeite nas casas das 
famílias mais ricas). Obviamente não estamos discutindo se essas medidas trouxeram ou não 
mais conforto para uma pequena parcela da população. O problema e perceber qual o custo 
desse conforto? 
As reservas cambiais que durante o governo Vargas foram duramente conseguidas vão ser 
dilapidadas rapidamente por Dutra. Com essa onda de consumismo, o Brasil não consegue mais 
honrar os seus compromissos. Para pagar as contas e aplicar em serviços básicos para a 
população, o país necessita de recorrer a empréstimos. 
Com isso perdemos a possibilidade de continuar na rota traçada por Vargas que era o de 
um desenvolvimento gradual, autônomo e independente. A população mais pobre é quem 
sofre com essa política, pois perde seu poder de compra e o país paralisa o seu crescimento 
econômico. 
Um fator de importância para o desenvolvimento institucional do país foi a constituição de 
1945. Lembramos que a constituição anterior era feita em moldes autoritários. Dutra convoca 
uma Assembléia Constitucional em 1946. 
 
4.2 - Constituição de 1946 
 
Para conseguir mostrar seu ar de democrático, Dutra busca fazer uma nova Constituição 
no Brasil. O objetivo era simples: acabar com a influência que Vargas exercia na condução dos 
rumos do país. Com isso ele busca descentralizar o poder reavivando o FEDERALISMO. 
 Na constituição poucas são as inovações práticas. Os estados da união passaram a ter 
maior autonomia em todos os aspectos. Na questão estrutural o país continuou a ter três poderes 
(Legislativo, Executivo e Judiciário). 
 As eleições para a Presidência da República foram consolidadas como diretas, para um 
mandato de cinco anos sem direito a reeleição, incluindo agora um vice - presidente. Essa última 
medida tinha como objetivo descentralizar o poder político, pois havia alianças e disputas 
existiriam pelo cargo de Vice-Presidente. Um outro ponto que merece destaque diz respeito a 
questão da composição do Congresso Nacional. Com o objetivo de atender os interesses dos 
grandes estados da federação, a composição do Congresso seguiu critérios proporcionais. 
 Funcionava da seguinte forma: a cada 150 mil habitantes o estado tinha direito a um 
representante no Congresso. Esse fato vai beneficiar os estados com maior número de habitantes, 
pois eles sempre teriam mais representantes e assim conseguiriam aprovar as suas emendas. Já 
a questão do senado situação não se alterou de forma significativa. Cada estado independendo do 
número de eleitores conseguiu ter três senadores. Essa medida foi tomada para amenizar os 
transtornos causados pela questão do número de deputados por estado. 
 
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 Um outro fator importante foi a questão do voto. Pela nova Constituição todos os 
brasileiros alfabetizados maiores de 18 anos podiam vota. O curioso que na Constituição instituía 
o voto feminino, quer dizer que as mulheres tinham o direito de votar, porém o voto era facultativo. 
 Nessa Constituição os direitos trabalhistas não foram tocados, o trabalhador ainda podia 
usufruir as benesses das leis trabalhistas. 
 Um outro ponto menor mais não menos importante foi a questão da mudança do nome do 
nosso país que deixou de se chamar: Estados Unidos do Brasil e passou a ter o nome atual que é 
República Federativa do Brasil. 
 O saldo do governo Dutra para o Brasil foi péssimo, pois como vimos ele debilitou a renda 
do trabalhador e os cofres da união. Curvou-se a política dos E.U.A., esmagou os movimentos 
sindicais e socialistas e por fim fez com que o Brasil perdesse a oportunidade de crescer. 
4.3- A sucessão de Dutra e a volta de Vargas 
 
 Em 1949 a questão da sucessão a Dutra começa a entrar na pauta das discussões da 
sociedade brasileira. Dutra (PSD) não conseguiria fazer seu sucessor devido a péssima forma em 
que conduziu a política nacional. O nome de Vargas (PTB) ganhava força na sociedade brasileira, 
mas seria impensável que ele voltasse ao poder. A UDN10 queria tomar o poder e colocar em 
prática o seu plano de governo que não tinha cunho popular e era o que chamaremos mais tarde 
de “Entreguista”. 
 Nessa conjuntura realizou-se a eleição para a sucessão presidencial. Era nítido que 
Vargas era o forte candidato a vitória, porém também era nítido que as forças da elite nacional não 
iriam aceitar a sua volta. A campanha foi tensa. No final do pleito o resultado foi o seguinte: 
1ºGetúlio Dornelles Vargas (PTB), em 2º Brigadeiro Eduardo Gomes e por último o candidato do 
presidente Cristiano Machado. 
 Com o resultado das eleições a UDN já deu mostras claras que não estava disposta a 
aceitar a volta de Vargas. Segundo o partido Vargas não havia alcançado 50% dos votos válidos, 
assim não poderia tomar posse. O ponto central é que a Constituição de 1946 não dizia nada a 
respeito. Nesse fato podemos ter idéia de como a UDN vai se comportar diante do governo 
Vargas. 
 Outro ponto fundamental diz respeito a questão do Congresso, Vargas não conseguiu ter 
a maioria absoluta para governar e assim teria de negociar com a oposição para colocar em 
prática o seu plano de governo que teria novamente como ponto de preocupação de apoio o povo 
pobre e humilde do Brasil. Vencer a eleição não foi tarefa árdua, a questão de governar o país que 
seria muito desgastante. 
 Diferentemente do primeiro governo Vargas tinha um Vice - Presidente que era Café Filho, 
um político sem expressão que vai compor a chapa com Vargas.