A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
61 pág.
Licitações e Contratos Administrativos

Pré-visualização | Página 9 de 24

anos, salvo na
condição de aprendiz, a partir de quatorze anos, conforme disposto na Constituição
Federal.
Jurisprudência sobre o assunto:
⇒ É vedado exigir em licitações Certidões Negativas de Débito Salarial e de Infrações
Trabalhistas (Acórdão 87/2006-TCU-Segunda Câmara)
⇒ É vedado exigir certificado ISO para habilitação (Acórdão 1292/2003-TCU-
Plenário)
I – Habilitação Jurídica:
Nas palavras de MEIRELLES (2005), “é a aptidão efetiva para exercer direitos e contrair
obrigações”. Consiste, conforme o caso, na seguinte documentação:
a) cédula de identidade;
b) registro comercial (no caso de empresa individual);
c) ato constitutivo, estatuto ou contrato social em vigor;
d) inscrição do ato constitutivo (no caso de sociedades civis);
e) decreto de autorização (no caso de empresa ou sociedade estrangeira em
funcionamento no país).
II – Regularidade Fiscal: 
Representa o cumprimento das exigências relacionadas a aspectos fiscais. Consiste,
conforme o caso, na seguinte documentação:
a) prova de inscrição no CPF ou no CNPJ;
b) prova de inscrição no cadastro de contribuintes estadual ou municipal da sede do
licitante, se houver;
c) prova de regularidade para com a Fazenda Federal (Certidões Negativas – Dívida
Ativa/PFN e Tributos Administrados pela Receita Federal), Estadual e Municipal da
sede do licitante;
d) prova de regularidade relativa à Seguridade Social (CND) e ao FGTS (Certificado de
Regularidade).
III – Qualificação Técnica: 
Compreende a verificação do atendimento de exigências relativas à capacidade técnica de
cumprimento do objeto licitado. Segundo o art. 30, da Lei n.º 8.666, tal exame deve limitar-se aos
seguintes itens:
a) Registro ou inscrição na entidade profissional competente;
b) Comprovação de aptidão para desempenho de atividade pertinente e compatível em
características, quantidades e prazos com o objeto da licitação, e indicação das
instalações e do aparelhamento e do pessoal técnico adequados e disponíveis para a
realização do objeto da licitação, bem como da qualificação de cada um dos
membros da equipe técnica que se responsabilizará pelos trabalhos;
Segundo o art. 30, § 1.º, da Lei n.º 8.666/93, no caso de obras e serviços a comprovação
de aptidão será feita mediante atestados fornecidos por pessoas jurídicas de direito público ou
privado, devidamente registrados nas entidades profissionais competentes. 
A comprovação de tal aptidão, no entanto, envolve aspectos inerentes ao pessoal técnico
que integra o corpo de funcionários do licitante (capacitação técnico-profissional) e ao potencial
técnico da própria empresa em executar o objeto do contrato (capacitação técnico-operacional),
cujas peculiaridades serão detalhadas a seguir:
Capacitação técnico-profissional:
No caso de capacitação técnico-profissional, as exigências ficam limitadas a
comprovação de se possuir, em seu quadro permanente, na data prevista para entrega da proposta,
profissional de nível superior ou outro devidamente reconhecido pela autoridade competente,
detentor de atestado de responsabilidade técnica por execução de obra ou serviço de características
semelhantes, limitadas estas exclusivamente às parcelas de maior relevância e valor significativo do
objeto da licitação (definidas no edital), vedadas as exigências de quantidades mínimas ou prazos
máximos. Também é vedada a exigência de comprovação de atividade ou de aptidão com
limitações de tempo ou de época ou ainda em locais específicos, ou quaisquer outras não previstas
na Lei n.º 8.666/93, que inibam a participação na licitação. Os profissionais indicados pelo licitante
para fins de comprovação da capacitação técnico-profissional deverão participar da obra ou serviço
objeto da licitação, admitindo-se a substituição por profissionais de experiência equivalente ou
superior, desde que aprovada pela administração.
Capacitação técnico-operacional:
Embora não taxativamente inserida no texto legal (o dispositivo que tratava do assunto
foi vetado), a exigência de requisitos de capacitação técnico-operacional tem sido aceita por boa
parte da doutrina e em vasta jurisprudência. O Tribunal de Contas da União entendeu, inclusive, ser
lícito o estabelecimento de limites e quantidades mínimas, ao contrário do que ocorre com relação a
capacitação técnico-profissional7. Assim, a vedação de quantidades mínimas e prazos máximos fica
restrita ao profissional (capacitação técnico-profissional) e não à empresa (capacitação técnico-
operacional). Nesse sentido, também caminha o entendimento de JUSTEN FILHO (2004):
Uma interpretação que se afigura excessiva é aquela de que a capacitação
técnico-operacional não pode envolver quantitativos, locais ou prazos máximos...
... Logo, se o objeto for uma ponte com quinhentos metros de extensão, não é
possível que a Administração se satisfaça com a comprovação de que o sujeito já
construiu uma ‘ponte’ – eventualmente, com cinco metros de extensão. Sempre que a
dimensão quantitativa, o local, o prazo ou qualquer outro dado for essencial à
satisfação do interesse público ou retratar algum tipo de dificuldade peculiar, a
Administração estará no dever de impor requisito de qualificação técnico-operacional
fundado nesses dados
Importante ponto que também merece ser destacado, diz respeito à verificação quanto a
interdependência na consecução dos serviços, que, se não configurada, impede a exigência aos
participantes de tarefas executadas em um único contrato.
Jurisprudência sobre o assunto:
⇒ Não se deve exigir atestados de capacitação técnico-profissional em nome da
empresa licitante, pois tal comprovação deverá se dar com relação ao profissional
de nível superior (TCU - Acórdão 3053/2006 – Primeira Câmara)
⇒ É permitido exigir atestado de capacitação técnica, tanto do profissional de nível
superior ou outro devidamente reconhecido por entidade competente, como das
empresas participantes da licitação (Decisão 767/1998-TCU-Plenário);
⇒ Devem ser juntados, aos processos licitatórios, os pareceres técnicos que justifiquem,
em detalhes, as exigências de qualificação técnica dos licitantes, nos termos do art.
38, inc. VI da Lei nº 8.666/93, em especial quando envolvam requisitos de
experiência na execução simultânea de mais de um item de serviço, tendo em vista
7 Decisão 285/2000 – TCU – Plenário 
que tais exigências somente podem ser impostas na estrita medida da sua
compatibilidade e necessidade frente às características individuais de cada obra a
licitar (Acórdão nº 63/2006-TCU-Plenário). 
⇒ Deve-se limitar as exigências de qualificação técnico operacional para contratação
conjunta de diversos itens de prestação de serviços administrativos, aos itens de
maior relevância e em percentuais razoáveis, de modo a evitar a restrição indevida à
competitividade do certame (Acórdão nº 1.159/2007-TCU-2ª Câmara)
⇒ Predomina no TCU o entendimento de que exigir CTPS ou contrato social para
comprovar o vínculo profissional de que trata art. 30, § 1º, inciso I, da Lei n.º
8.666/93, restringe o caráter competitivo da licitação (Acórdãos TCU 2297/2005;
361/2006 e 291/2007 – todos do Plenário)
a) Comprovação de que recebeu os documentos e tomou conhecimento de todas as
condições da licitação;
b) Prova de atendimento de requisitos previstos em lei especial, quando for o caso.
Exemplos de situações que poderão caracterizar restrição à competitividade quanto à
qualificação técnica:
a) Exigência de comprovação de aptidão para execução dos serviços em um único
contrato, sem que haja interdependência dos mesmos;
b) Fixação de quantidades mínimas e prazos máximos para a capacitação técnico-
profissional;