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analise economica   historia da economia aula 1

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ANÁLISE ECONÔMICA
AULA 1
Prof. Daniel Weigert Cavagnari

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CONVERSA INICIAL
Olá! Seja bem-vindo à nossa primeira aula de Análise Econômica! Hoje,
temos os seguintes objetivos a serem cumpridos:
Dominar em suas origens os conceitos relacionados ao ambiente
econômico que permeiam a conjuntura econômica no Brasil e n o
mundo, bem como aqueles que se destacaram na história
contemporânea brasileira;
Conhecer e diferenciar problemas econômicos externos de
planejamentos econômicos mal elaborado s;
Identificar as características típicas da economia brasileira, b aseadas
na história, percebendo as bases que iniciaram cada ciclo econômico,
interno e externo;
Integrar os preceitos da economia brasileira aos cenários p rovenientes
dos ambientes que os influenciaram e que permearam a concepção
de planos econômicos.
Vamos começar? Bons estudos!
CONTEXTUALIZANDO
A ciência econômica, de modo geral, é a ciência que estuda, administra
e organiza os processos produtivos, o acúmulo de riquezas, as relações d e
trocas e o uso eficiente dos diversos recursos existentes. Entretanto, acima de
tudo, é a ciência da escassez, pois seu objetivo maior é alocar, com a máxima
eficiência possível, os fatores produtivos (terra, capital, trabalho e tecnologia
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),
aproveitando ao máximo seu uso sem desperdício.
Economia é uma ciência que trata não apenas da riqueza e dos recursos
disponíveis, mas acima de tudo é uma ciência social. Partimos do pressuposto
que pessoas bem remuneradas gastam, adquirem produtos das empresas,
que, quanto mais vendem, mais empregam e melhores salários pagam. É esse
tipo de lógica matemática que aplicamos à ciência econômica.
Quando falamos de inflação
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, preços altos, diminuímos o poder de
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Função Tecnologia: entenda “Tecnologia” no sentido amplo, desde os recursos tecnológicos (máquinas
e equipamentos) disponíveis, até a especialização do indivíduo, técnico ou administrativo.
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Inflação: aum ento g eneralizado de p reços devido ao excesso de demanda (consumo) m ediante a falta
de oferta (produção), ou simplesmente pelos altos custos de matéria -prima, geralmente importada.

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compra do indivíduo. Menos empresas vendem, menos empregos florescem e ,
assim, um ciclo vicioso é criado em todo o cenário. Essa visão do indivíduo
como foco principal da fonte de riqueza de um país ve m dos primórdios do
conceito de economia como ciência, a partir dos fisiocratas.
Surgida no século XVIII e fundada por François Quesnay (1694-1774) e
Anne Robert Jacques Turgot (1727 -1781), a Fisiocracia foi uma escola de
pensamento francesa que defendia a terra (no sentido de espaço cultivável)
como fonte única de riqueza e que havia uma ordem natural regida por leis
naturais para o bem-estar
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da sociedade. Entre os trabalhos dos fisiocratas, o
que mais se destacou foi o do Dr. François Quesnay, que com sua obra
Tableau Économique (Quadro Econômico modelo de sistema econômico que
demonstrava o processo de circulação do produto líquido total da economia e
como esse se reproduzia) dividia a economia em setores e suas relações.
Esse sistema foi mais tarde aperfeiçoado, em 1940, pelo economista
russo Wassily Leontief, pesquisador da Universidade de Harvard, EUA, que o
transformou no sistema input-output
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atual.
Embora o bem-estar já fosse discutido na economia, limitava-se mais
aos estudos sociais do que aos negócios econômicos. Quando os problemas
sociais se agravaram no mundo inteiro a partir da Grande Depressão
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, causada
pelo crash
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da Bolsa de Nova York em 1929, os problemas econômicos ficaram
visivelmente críticos para os economistas e para sociedade. A “Gra nde
Depressão” gerou, por muitos anos, uma crise de proporções mundiais,
levando muitas empresas à falência e milhões de pessoas ao desemprego,
principalmente nos Estados Unidos e na Inglaterra com reflexos em toda a
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Estado de bem-estar ( welfare state): no ponto de vista econômico, b em-estar representa um sistema
econômico baseado na livre-empresa, mas com acentuada participação do Estado na pr omoção de
benefícios sociais. Seu objetivo é proporcionar ao conjunto dos cidadãos padrões de vida mínimos,
desenvolver a produção de bens e serviços sociais, controlar o ciclo econômico e ajustar o total da
produção, considerando os custos e as rendas soc iais. O estado do bem-estar corresponde
fundamentalmente às diretrizes estatais aplicadas nos países desenvolvidos por governos
socialdemocratas (SANDRONI, 2001, pág. 220).
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Input/output (insumo -produto): análise de m odelos que pretendem detalhar as impli cações de
determinada demanda ou de determinada oferta. Para isso, valem -se de u m sistema contábil que centra
sua atenção na maneira como as funções tecnológicas de produção das várias indústrias afetam as
relações entre as i ndústrias e determinam a estrutura in dustrial do sistema econômico (SANDRONI, 2 001,
pág. 305).
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Depressão econômica: fase do ciclo econômico em que a produção entra em declínio acentuado,
gerando queda nos lucros, perda do poder aquisitivo da população e desemprego. Recessão em grandes
proporções (SANDRONI, 2001, pág. 165).
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Crash (quebra): denominação dada a uma forte queda nas b olsas de valores. O crash mais famoso teve
início no dia 24/10/1929, na bolsa de valores de Nova York, inaugurando a grande crise econômica
mundial dos anos 30. Mais recentemente, em 19/10/1987, a Bolsa de Nova York voltou a s ofrer uma
queda a centuada, de cerca de 22% n um dia, mas que não teve consequências depressivas como a
de 1929, is to é, as b olsas mais importantes do mundo se recup eraram rapidamente e a s ec onomias dos
países industrializados continuaram crescendo (SANDRONI, 2001, pág. 139).

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