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Apostila GRA0074 MÉTODOS DE PREÇO CUSTOS E CUSTEIO PNA unidade 3 FMU 2019

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METODOLOGIA DE PREÇOS, CUSTOS E 
CUSTEIO
CAPÍTULO 3 – COMO A COMPREENSÃO DOS 
CUSTOS PODE TORNAR-SE UMA 
FERRAMENTA DE GESTÃO?
Adriano da Silva Guimarães
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Introdução
É relevante ter conhecimento sobre custos? E se você for o diretor de uma empresa, muda alguma coisa? Claro
que sim. Em tempos de grandes mudanças, crises econômicas, concorrência acirrada e uma gama de produtos
semelhantes com qualidade elevada, ser competitivo depende de conhecer o cliente, ofertar produtos inovadores
e ter preços favoráveis. Aos gestores atuais é exigido que tenham uma formação em “Y”, isto é, eles precisam ter
uma sólida formação técnica e também formação gerencial, incluindo o conhecimento de Gestão de Custos.
Os Planejamentos Estratégicos são alimentados com muitas informações que nascem dentro do Departamento
de Custos. Em mercados competitivos, a principal estratégia adotada pelas empresas é a de ouLow Cost Fare
Liderança em Custos, o que obriga a empresa a conseguir gerenciar custos sem prejudicar o preço. Reflita um
pouco: como a Gestão de Custos pode tornar a empresa mais competitiva? Ou melhor, podemos afirmar que
existem empresas que superam a concorrência por serem altamente competentes em gerir custos?
A resposta é sim. Muitas empresas conseguem ter custos tão baixos que acabam por criar verdadeiras barreiras
de entradas a novos concorrentes que até conseguem ter um produto melhor, porém sem chances de competir
em preço. Conhecer custos para a tomada de decisão deve estar na pauta de qualquer planejamento de
desenvolvimento profissional, seja de finanças, engenharia, marketing ou gestão de pessoas. Todos devem
conhecer custos para implementar suas decisões.
Neste capítulo, vamos estudar a Gestão de Custos a partir da dimensão da Gestão Estratégica e como a área de
custos auxilia com informações para a tomada de decisão.
Acompanhe a leitura e bons estudos!
3.1 Margem de Contribuição por unidade de fator limitante
Em algumas situações, é difícil identificar qual produto apresenta maior lucratividade para a empresa. Suponha
que uma firma venda três produtos, conforme demonstrado abaixo.
Quadro 1 - Apresentação da Lucratividade Absoluta mensurada em moeda e obtida pela diferença entre o Preço 
de Venda e o Custo Total Unitário, sendo este a soma entre o Custo Fixo e o Custo Variável Total.
Fonte: Elaborado pelo autor, 2018.
Considere que o Lucro Unitário foi obtido da subtração entre o Preço de Venda e o Custo Total Unitário. Com
base nessas informações, qual produto seria o mais “lucrativo”? Você poderia rapidamente escolher o XA 35 F,
não é? E se agora você tivesse acesso a outras medidas de lucratividade, como as apresentadas no Quadro a
seguir.
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Quadro 2 - Apresentação da Lucratividade Absoluta mensurada em moeda e obtida pela diferença entre o Preço 
de Venda e o Custo Total Unitário e da Lucratividade Relativa, produto da divisão entre o Lucro Unitário pelo 
Preço de Venda.
Fonte: Elaborado pelo autor, 2018.
Antes de iniciar a análise do Quadro acima, vamos compreender o que significa a Lucratividade Relativa e como é
calculada. O Lucro Relativo representa qual a porcentagem do preço está destinada à empresa, excluída os custos
diretos e indiretos. Vamos supor que uma empresa comercialize dois produtos, sendo que o produto A é vendido
por $ 200 e apresenta lucro de $ 30 por unidade, e o produto B tenha preço de $ 5.000 e lucro unitário de $ 400.
Qual apresenta o maior lucro? O produto A tem o maior lucro que o B, porém quem apresenta o maior retorno
em termos percentuais? Agora seria o produto B. Vamos ao cálculo:
A partir dos resultados, é possível verificar que o produto B tem a maior lucratividade monetária, porém investir
no produto A seria mais lucrativo. E agora, voltando ao caso anterior, você escolheria o produto KT 62 P?
Embora a Lucratividade Absoluta seja de $ 300,00, a menor entre todos, a Lucratividade Relativa é de 28%, a
melhor de todos. Toda a dificuldade na escolha do melhor produto reside no fato que o Custo Total é composto
de Custo Fixo e Custo Variável. O variável é alocado diretamente e reflete o real consumo dos recursos pelos
produtos, o mesmo não ocorre com a alocação do Custo Fixo que, em muitos casos, segue critérios de rateio que
distorcem os custos dos produtos.
A solução para esse problema é adotar o conceito de Margem de Contribuição (MC) que é a diferença entre o
Preço de Venda e o Custo Variável Unitário.
Vamos supor ainda que os produtos, que apresentamos no último Quadro, tenham volumes de vendas de 2.000,
VOCÊ O CONHECE?
O site Dicionário Financeiro (2018) é um portal virtual que apresenta conceitos breves e
exemplos práticos de diversos assuntos relativos a área contábil, financeira, gestão de custos e
gestão estratégica. É uma fonte de consulta rápida e vale a pena você conhecer. Acesse: <
>.https://www.dicionariofinanceiro.com/
- -4
Vamos supor ainda que os produtos, que apresentamos no último Quadro, tenham volumes de vendas de 2.000,
4.000 e 8.000 unidades, respectivamente, com Custo Fixo de $ 10.000.000,00. Considere também que o Custo
Variável Unitário por produto seja de $ 890,00, $ 625,00 e $ 310,00, respectivamente. Poderíamos, de posse
desses dados, apurar o resultado conforme traz o Quadro a seguir.
Quadro 3 - Apuração do resultado com base na Margem de Contribuição Unitária do produto e lançamento dos 
Custos Fixos Direto na apuração do resultado.
Fonte: Elaborado pelo autor, 2018.
Vamos analisar agora quando há fatores que limitam a produção. Suponha que uma empresa tenho um Custo
Fixo orçado de $ 220.000,00 e utilize a sua unidade fabril para produzir quatro produtos:
Quadro 4 - Apresentação do cálculo da composição do Custo Variável Total, sendo este a soma do Custo Direto 
Variável e Custo Indireto Variável.
Fonte: Elaborado pelo autor, 2018.
O Quadro acima apresenta as fontes de Custo Variável Direto e Indireto que compõem o Custo Total. Vamos
agora calcular a Margem de Contribuição Absoluta e a Relativa.
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Figura 1 - Apresentação do cálculo da Margem de Contribuição Absoluta que se dá pela subtração entre o preço e 
o custo variável; e da Margem de Contribuição Relativa que é o resultado da divisão entre o Margem de 
Contribuição Absoluta pelo Preço de Venda.
Fonte: Elaborado pelo autor, 2018.
A Margem de Contribuição Absoluta é definida pela subtração entre o Preço de Venda do produto e o Custo
Variável Total, representando o quanto de unidades monetárias cada produto efetivamente dispõe para a
empresa após a dedução dos Custos Variáveis. Por ser uma medida absoluta (em moeda) dificulta a análise de
qual produto seria o mais lucrativo. Daí, surge o conceito de Margem de Contribuição Relativa, definida na
fórmula:
Perceba que nem sempre quem tem a maior Margem de Contribuição Absoluta tem, necessariamente, a maior
Margem de Contribuição Relativa. E agora, qual produto escolher sempre que houver uma restrição ou limitação
na produção? Calma, veremos a resposta no decorrer do capítulo.
A empresa tem uma quantidade disponível de horas-máquina de trabalho de 120.000 horas que deve ser
distribuída entre os quatro produtos. O mercado está demandando as seguintes quantidades.
Quadro 5 - Apresentação da quantidade total de horas-máquina de trabalho como fator limitante para atender a 
demanda de mercado dos quatro produtos.
Fonte: Elaborado pelo autor, 2018.
Comparando o total de horas-máquina necessário para atender a demanda de mercado e o total de horas-
máquina que a empresa pode realizar, percebe-se que não é possível a fabricação de todos os produtos pedidos
pelo mercado, cabendo ao administrador uma decisão: quais produtos podem maximizar o Lucro Total e a
Margem de Contribuição Total? Inicialmente, devemos identificar o excedente com o seguinte cálculo:
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Se utilizarmos a Margem de Contribuição Absoluta como a base de fundamentaçãoda nossa decisão, deveremos
sacrificar o produto DT66 por ter a menor margem de todos. Assim, iremos fabricar e atender a demanda de
todos os produtos, exceto do DT66 que precisamos saber o quanto produzir. O DT66 consome 3,2 horas-
máquina e deveremos reduzir 2.000 unidades, fabricando apenas 3.000. A decisão de fabricar apenas 3.000 é
resultado de identificar a quantidade que deve ser reduzida, a partir da fórmula:
Em seguida, devemos subtrair da demanda de mercado a quantidade de 2.000 unidades encontrando o valor de
3.000. A empresa então deverá executar o seguinte plano de produção e venda.
Quadro 6 - Plano de Produção e Vendas considerando uma redução na produção do produto DT 66 devido ao 
Fator Limitante de Produção.
Fonte: Elaborado pelo autor, 2018.
Após esse procedimento, devemos apurar a Margem de Contribuição Total como você pode conferir no Quadro
abaixo.
Quadro 7 - Apresentação da apuração do resultado da Margem de Contribuição Global considerando uma 
redução na produção do produto DT 66 devido ao Fator Limitante de Produção.
Fonte: Elaborado pelo autor, 2018.
O processo de apuração do resultado se inicia com a identificação da receita de vendas de cada produto,
resultado do produto entre o preço de vendas e a quantidade fabricada e vendida. O Custo Variável é o resultado
da multiplicação entre o Custo Variável por unidade e a quantidade produzida. Já a Margem de Contribuição é a
subtração entre a Receita de Vendas e o Custo Variável Total. Apuramos a Margem de Contribuição de cada
produto e, em seguida, somamos todas para obter a Margem de Contribuição Total relativa aos quatro produtos.
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produto e, em seguida, somamos todas para obter a Margem de Contribuição Total relativa aos quatro produtos.
Em seguida, lançamos o Custo Fixo Direto na apuração do resultado e encontramos um líquido de $ 700.000,00.
A Margem de Contribuição será utilizada para identificação da quantidade de equilíbrio servindo de base para o
planejamento da Gestão de Custos, Gestão de Vendas e Gestão Estratégica da organização. A seguir, vamos
conhecer a aplicação dos conceitos de Margem de Contribuição no cálculo do Ponto de Equilíbrio Contábil,
Econômico, Financeiro e Econômico e Financeiro.
3.2. Custeio Direto: Ponto de Equilíbrio
Suponha que uma firma tenha um Custo Fixo de $ 40.000,00 e Despesas Fixas de $ 30.000,00. Os Custos
Variáveis são de $ 4,00 e as Despesas Variáveis de $ 2,00 com Preço de Venda de $ 20,00. Suponha ainda que o
Administrador Geral da empresa esteja planejando as suas atividades e queira calcular o Ponto de Equilíbrio
Contábil (PEC). Como ele deverá proceder? Simples, bastará fazer o seguinte cálculo:
O Gasto Fixo é a soma dos Custos Fixos com as Despesas fixas, e a Margem de Contribuição é a diferença entre o
Preço de Venda e o Gasto Variável Unitário. Gasto Variável Unitário é a soma entre o Custo Variável Unitário e a
Despesa Variável Unitária. Podemos calcular da seguinte forma:
E o Gasto Variável pode ser obtido por:
Com isso, podemos calcular a Margem de Contribuição:
Por fim, encontra-se o Ponto de Equilíbrio Contábil substituindo os valores na fórmula já apresentada:
Portanto, temos que o Ponto de Equilíbrio Contábil da empresa é de 5.000 unidades. O que isso significa? Se a
empresa produzir e vender as 5.000 unidades, o seu lucro será igual a zero. Podemos representar a situação no
Gráfico do Ponto de Equilíbrio.
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Figura 2 - Ponto de Equilíbrio Contábil e identificação da quantidade de equilíbrio a ser utilizada na apuração do 
resultado e Lucro Operacional.
Fonte: Elaborado pelo autor, 2018.
Analisando o Gráfico, podemos identificar um ponto preto que marca o encontro entre a reta vermelha, o Custo
Total, e a reta azul que representa a Receita de Vendas. Nesse ponto a receita é igual ao Gasto Total, e como o
lucro seria a Receita de Vendas subtraída do Gasto Total, concluímos que o lucro na quantidade de equilíbrio é
zero.
Na apuração do resultado, podemos verificar que o Lucro Operacional da Empresa será igual, como observado na
Demonstração do Resultado do Exercício – DRE.
Quadro 8 - Apuração do Resultado do Exercício utilizando a Quantidade de Equilíbrio Contábil.
Fonte: Elaborado pelo autor, 2018.
A Receita de Vendas é o produto entre o preço de venda e a quantidade de equilíbrio, assim teremos que: Receita
de Venda = $ 20 5.000 unidades = $ 100.000,00. O Custo Total é resultado da soma do Custo Fixo com o Custox
Variável Total, obtido do Custo Variável Unitário multiplicado pela quantidade de equilíbrio. A fórmula seria:
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Variável Total, obtido do Custo Variável Unitário multiplicado pela quantidade de equilíbrio. A fórmula seria:
Custo Total = $ 40.000 + ($ 4 5.000) = $ 60.000,00 e, analogamente, podemos utilizar o mesmo pensamentox
para calcular a Despesa Total: Despesa Total = $ 30.000 + ($ 2 x 5.000) = $ 40.000,00. O Lucro Bruto é resultado
da subtração entre a Receita Total e o Custo Total, e o Lucro Operacional é resultado da subtração entre o Lucro
Bruto e a Despesa Total. 
Agora, reflita um pouco. Qual é a empresa cujo objetivo é ter lucro igual a zero? Nenhuma, não é mesmo? Toda
empresa deve ter um alvo, uma meta que algumas vezes se traduz em um valor, representando o desejo de
alcançar denominado de Lucro Líquido que é definido como Lucro Meta. Suponha agora que a empresa do
exemplo anterior tenha um Lucro Meta de $ 31.500,00 e que a alíquota do Imposto de Renda seja de 10%. A
pergunta é: quantas unidades seriam necessárias produzir e vender para pagar todos custos, despesas, imposto
de Renda e ainda garantir o Lucro Líquido? Para responder a essa pergunta, vamos utilizar o Ponto de Equilíbrio
Econômico (PEE), cuja a fórmula é:
Mas antes precisamos definir dois termos semelhantes e distintos: Lucro Meta e Lucro Meta Ajustado. Para
começar, o Lucro Meta é o Lucro Líquido que a empresa espera obter por meio das suas atividades e é o
resultado da receita deduzidos os custos, despesas e impostos. Já o Lucro Meta Ajustado é o Lucro Operacional
da empresa antes do Imposto de Renda. Analisando a fórmula do Ponto de Equilíbrio Econômico percebemos
que não incluímos o imposto de renda na equação explicitamente, temos apenas os Custos Fixos, Despesas e o
Lucro Meta que a empresa deseja, certo? Então fica a pergunta, como incluir o Imposto de Renda? A resposta é
simples, basta fazer um ajuste no Lucro Meta e chamá-lo de Lucro Meta Ajustado. E como faremos isso? Vamos
embutir o Imposto de Renda no Lucro Meta, como representado na fórmula:
Agora que encontramos o Lucro Meta Ajustado, podemos calcular o Ponto de Equilíbrio Econômico:
O PEE é de 7.500 unidades, significando que para empresa ter Lucro Líquido de $ 31.500,00, ela deverá produzir
e vender 7.500 unidades do produto.
VOCÊ QUER VER?
O filme (ZAILLIAN; SORKIN, 2011) conta a história de Billy Beane,O homem que mudou o jogo
gerente de um time de beisebol, que está às voltas com uma grave crise financeira enfrentada
pelo seu clube. Ele conhece um jovem estudante que o ajuda a cortar custos estrategicamente e
formar um time competitivo que chega ao vice-campeonato da liga América.
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Figura 3 - Ponto de Equilíbrio Contábil e identificação da quantidade de equilíbrio a ser utilizada na apuração do 
resultado e Lucro Operacional.
Fonte: Elaborado pelo autor, 2018.
Analisando o Gráfico acima, percebemos que o eixo horizontal representa as quantidades produzidas e vendidas
e quando está no valor de 7.500 (quantidade de equilíbrio) a reta azul está acima da reta vermelha. Se você se
lembra, no Ponto de Equilíbrio Contábil, as retas se encontram no ponto de equilíbrio. Já aqui isso não ocorre. A
diferença entre o ponto vermelho e o ponto azul é o lucro de $ 31.500,00 projetado pela empresa. A nossa
próxima etapa é apurar o resultado na Demonstração do Resultado do Exercício – DRE.
Quadro 9 - Apuração do Resultado utilizandoa Quantidade de Equilíbrio Econômico.
Fonte: Elaborado pelo autor, 2018.
- -11
Fonte: Elaborado pelo autor, 2018.
Apurando o resultado da empresa, a partir das Quantidades de Equilíbrio do Ponto de Equilíbrio Econômico,
encontramos como Lucro Meta o Lucro Líquido de $ 31.500. Perceba que o Lucro Meta Ajustado que utilizamos
no cálculo Ponto de Equilíbrio aparece na Demonstração do Resultado como o Lucro Operacional antes do
Imposto de Renda. O Imposto de Renda é calculado aplicando-se a alíquota de 10% sobre o Lucro Operacional e,
em seguida, subtraindo-se do próprio Lucro Operacional.
Figura 4 - Apresentação do Lucro Líquido no Ponto de Equilíbrio Econômico.
Fonte: Elaborado pelo autor, 2018.
Com auxílio do Gráfico, vemos que o eixo horizontal representa as quantidades e podemos perceber que a
empresa atinge o lucro de $ 35.000,00 com a produção e venda de 7.500 unidades. Lembre-se de que se a
empresa deseja lucro de $31.500,00, e a alíquota do Imposto de Renda for de 10%, então deverá utilizar o Lucro
Meta Ajustado no cálculo do Ponto de Equilíbrio para encontrar as quantidades de equilíbrio.
Agora o próximo passo é o cálculo do Ponto de Equilíbrio Financeiro, cuja finalidade é apontar as quantidades
necessárias para que se garanta o pagamento de todas as saídas, eliminando-se os itens não financeiros que não
representam efetivas saídas de caixa. Suponha agora que a empresa em questão tenha realizado um
financiamento para a modernização e com isso deva pagar juros e amortizações no valor total de $ 80.000,00.
Verifica-se também que incluída na Despesa Fixa existe uma parcela que se refere à Despesa com Depreciação,
no valor de $ 10.000,00, e que deve ser excluída da despesa por não representar um item financeiro, isto é, não
representa um efetivo desembolso para a empresa. Assim, para o cálculo do Ponto de Equilíbrio Financeiro
(PEF), vamos usar a seguinte fórmula:
Note que a fórmula original sofre uma pequena alteração, pois incluímos a Despesa Financeira, que são os juros e
- -12
Note que a fórmula original sofre uma pequena alteração, pois incluímos a Despesa Financeira, que são os juros e
amortizações, e excluímos as depreciações do período por não representarem efetivas saídas de caixa.
Considerando todos os valores anteriormente apresentados, agora podemos calcular o Ponto de Equilíbrio
Financeiro:
Ao encontrarmos no Ponto de Equilíbrio Financeiro a quantidade de equilíbrio de 10.000 unidades,
identificamos que a empresa precisa produzir e vender 10.000 para garantir que suas entradas sejam suficientes
para pagar todas as suas saídas efetivas. O lucro da empresa neste período, caso a venda seja de 10.000
unidades, será igual a zero, como pode ser visto na apuração do Resultado do Exercício.
Quadro 10 - Apresentação do Ponto de Equilíbrio Financeiro em quantidade e em valor corrente.
Fonte: Elaborado pelo autor, 2018.
Você pode verificar no Gráfico que ao produzir e vender 10.000 unidades consegue-se pagar todas as saídas de
caixa da empresa. O que é comprovado ao apurar o resultado do período na Demonstração do Resultado do
Exercício – DRE.
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Quadro 11 - Apuração do Resultado utilizando a Quantidade de Equilíbrio Financeiro.
Fonte: Elaborado pelo autor, 2018.
Vale reforçar que foi excluída a Depreciação da Despesa Fixa por não ser um desembolso de caixa. A apuração do
resultado considera uma quantidade de equilíbrio de 10.000 unidades e representa o exato ponto em que todas
as saídas são pagas e qualquer unidade vendida a mais irá gerar lucro para a empresa.
Um ajuste a mais deveria ser feito aqui, uma vez que essa quantidade de equilíbrio não considera os lucros que
efetivamente a empresa possa ter nesse período e, como já sabemos, tendo lucro haverá de pagar o imposto
sobre a renda. Para sanar esse problema, bastaria acrescentar o Lucro Meta Ajustado ao Ponto de Equilíbrio
Financeiro, obtendo a seguinte fórmula:
Ao inserir o Lucro Meta Ajustado na equação, passamos a denominar este ponto como o Ponto de Equilíbrio
Financeiro e Econômico. É válido ressaltar que devemos considerar apenas a parcela do lucro que será
efetivamente recebida dentro do período, uma vez que esse ponto de equilíbrio tem a finalidade de garantir o
equilíbrio de caixa da empresa e ainda uma certa margem de lucro.
VOCÊ SABIA?
A tecnologia da informação pode ser um investimento muito lucrativo para as empresas, uma
vez que ajuda a melhorar os processos, eliminando as ineficiências e aumentando a
produtividade. As empresas do segmento bancário são tidas como líderes em tecnologia,
investindo pesado em TI para garantir custos baixos, segurança, qualidade e lucratividade.
- -14
Utilizando os dados anteriormente apresentados, obtemos 12.500 unidades como o Ponto de Equilíbrio. A
próxima etapa é a apuração do resultado na Demonstração do Resultado do Exercício (DRE), em que devemos
encontrar o Lucro Líquido de $ 31.500,00 após o efetivo pagamento dos Custos Fixos e Variáveis, Despesas Fixas
e Variáveis, Juros e Amortizações, Imposto de Renda e ainda garantir uma lucratividade de $ 31.500,00.
Quadro 12 - Apuração do Resultado utilizando a Quantidade de Equilíbrio Financeiro e Econômico.
Fonte: Elaborado pelo autor, 2018.
O gestor que utilizar a quantidade de equilíbrio encontrada no Ponto de Equilíbrio Financeiro e Econômico irá
gerar um Lucro Líquido oriundo das vendas à vista e dos recebimentos realizados dentro do período. Este é
regido pelo Regime de Caixa que considera apenas os itens financeiros, isto é, aqueles que tem impacto efetivo
no caixa da empresa.
O Ponto de Equilíbrio, também chamado de Ponto de Ruptura, aponta a quantidade de equilíbrio que uma
organização deve vendar para garantir o funcionamento da organização, isto é, o pagamento dos custos,
despesas, tributos e lucro dos acionistas. Agora vamos usar os conceitos de Ponto de Equilíbrio para apresentar
o que é Margem de Segurança e como utilizá-la no processo de Gestão Organizacional.
3.3. Custeio Direto: Margem de Segurança
A Margem de Segurança Contábil ou Operacional é o indicador gerencial que demonstra a situação das vendas
atuais da empresa ao Ponto de Equilíbrio Contábil prioritariamente, não havendo qualquer impedimento de que
essa comparação seja realizada com o Ponto de Equilíbrio Econômico ou Ponto de Equilíbrio Financeiro. Esse
indicador pode ser calculado em quantidade, em moeda ou em percentual. Para demonstrar a operacionalização,
vamos supor que uma empresa tenha Custo e Despesas Fixas de $ 20.000,00, Preço de Venda de $ 15,00, Custo
Variável Unitário de $ 10,00 e a Margem de Contribuição seja de $ 5,00 por produto. Logo, seu Ponto de
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Variável Unitário de $ 10,00 e a Margem de Contribuição seja de $ 5,00 por produto. Logo, seu Ponto de
Equilíbrio Contábil poderá ser calculado da seguinte forma:
Suponha agora que você, como Gerente Geral da empresa, tenha definido no plano de vendas um volume de
4.520 unidades discriminada por região conforme o Quadro a seguir.
Quadro 13 - Demanda de Vendas identificada a partir da pesquisa realizada pelo Departamento de Marketing da 
empresa.
Fonte: Elaborado pelo autor, 2018.
A demanda de mercado é de 4.680 unidades, o volume de vendas da empesa é de 4.520 unidades e o Ponto de
Equilíbrio Contábil de 4.000 unidades. Nesse caso, como você calcularia a Margem de Segurança da empresa?
Basta efetuar o seguinte cálculo:
A Margem de Segurança em quantidade da empresa é de 520 unidades, isto significa que a empresa está
operando acima do Ponto de Equilíbrio Contábil e em uma zona de lucro. Mas se nosso desejo for descobrir a
Margem de Segurança em Faturamento, como faríamos? Basta aplicar a fórmula dada:
E o que significa Margem de Segurança em Faturamento de $ 7.800,00? Que a empresa está operando $ 7.800,00
acima do Ponto de Equilíbrio Contábil. Agora, para finalizar o estudo sobre Margem de Segurança, nos restacalcular a Margem de Segurança Relativa: 
A Margem de Segurança Relativa demonstra que a empresa está operando 11,50% acima do Ponto de Equilíbrio
Contábil. A empresa vende 11,50% de quantidades a mais que o Ponto de Equilíbrio e tem faturamento de
11.50% a mais que o Ponto de Equilíbrio Contábil. Podemos analisar o resultado no Ponto de Equilíbrio Contábil,
no Volume Atual de Vendas e na Margem de Segurança.
- -16
Quadro 14 - Apuração do resultado compara Volume de Vendas Atual, Ponto de equilíbrio Contábil e Margem de 
Segurança.
Fonte: Elaborado pelo autor, 2018.
A apuração do resultado comprova que a Margem de Segurança é o indicador que demonstra o quão distante o
volume de venda em quantidade ou faturamento está do Ponto de Equilíbrio Contábil. Ressaltamos que se a
Margem de Segurança for positiva, afirmamos que a empresa opera em zona de lucro, caso seja negativa, indica
que a empresa está operando em zona de prejuízo.
Margem de Contribuição, Ponto de Equilíbrio e Margem de Segurança são utilizados pela empresa no
planejamento organizacional e são suporte para adoção do sistema de custeio direto ou variável. A partir de
agora, vamos estudar o Custo Padrão e diferenciá-lo de Custo Real e Estimado. Dominar esses conceitos é
fundamental para o Gestor de Custo que deseje criar uma cultura de melhoria de processos, redução de custos e
produtos de qualidade.
3.4. Custeio Direto: definição de Custo Padrão e variação 
do Custo Real
As empresas atuais precisam ser eficazes e eficientes, missão nem sempre muito fácil. Ser eficaz significa
alcançar os objetivos que em alguns casos é ofertar aos clientes produtos com benefícios capazes de suprir suas
necessidades. Por outro lado, a grande concorrência ofertando produtos semelhantes, impõe coercitivamente
que os processos internos devem ser enxutos, ao mesmo tempo que ofertam produtos com alta qualidade e
preços mais baixos, ou seja, ser eficiente. Eficácia é entender o cliente, eficiência é a utilização racional dos
recursos.
Qualidade e preço justos são fatores fundamentais para vencer a concorrência e dependendo estrutura de
mercado (monopólio, oligopólio ou concorrência pura) o preço passa a ser questão de sobrevivência. Nesse
ínterim, o estabelecimento de controle de processo e de resultados é um dos caminhos para a garantia de
produtos com qualidade, preço justo e competitivos. O estabelecimento de sistemas de controles eficientes
possibilita que as empresas consigam executar suas estratégias, ao mesmo tempo que guiam as ações
empresariais para a melhoria gradual de desempenho. O controle é formado por quatro etapas: estabelecimento
de padrões de desempenho; observação de desempenho; comparação entre padrão e desempenho e, se
necessário, ação corretiva.
A primeira etapa de qualquer unidade de controle é o que pode ser definido comoestabelecimento de padrão
a base de comparação adotada para a execução de uma tarefa, atividade ou desenvolvimento de um produto ou
serviço. O “padrão” é utilizado em Contabilidade de Custos com a finalidade de controlar o comportamento dos
custos ao mesmo tempo que exerce papel de medida de desempenho. Na Gestão de Custos tem duas espécies:
padrão de quantidade e padrão de preço de aquisição.
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O serve para mensurar a quantidade exata de insumo consumida por cada produto. Parapadrão de quantidade
exemplificar, vamos supor uma empresa que fabrica e vende bolos de laranja. Para cada bolo está definido um
padrão de quantidade que será de 6 ovos, 200 ml de suco de laranja e 250 gramas de trigo. Perceba que todos os
bolos, em média, deverão ter essas quantidades de insumos. O é umapadrão de preço de aquisição de insumo
medida para mensurar o custo de cada insumo por produto fabricado. Ainda considerando o exemplo anterior,
suponha que cada ovo custe $ 0,50, o litro do suco de laranja $ 5,00 e o quilo do trigo $ 10,00. Assim, o padrão de
preço de cada bolo seria de $ 3,00 dos ovos, $ 1,00 do suco de laranja e $ 2,00 do trigo, perfazendo um total de $
6,00 por cada bolo.
Outro conceito a ser desenvolvido é o de , isto é, o controle exercido a partir dasgerenciamento de exceções
comparações entre os padrões de quantidade e preço com o desempenho real ocorrido após os processos.
Suponha agora que no lote de produção de bolo de laranja do dia 01/05/201X, o consumo tenha sido de 8 ovos,
250 ml de suco e 300 gramas de trigo. Comparando o padrão com o desempenho real seria possível observar que
houve uma variação no consumo de insumos que afeta os preços dos produtos.
Quadro 15 - Gerenciamento das exceções pela comparação entre padrão de quantidade e desempenho real na 
produção de bolo de laranja.
Fonte: Elaborado pelo autor, 2018.
Verifique que houve um consumo maior de todos os recursos. O que você faria? Se respondeu que a ação
seguinte é a de analisar o que gerou essa ineficiência, então você acertou. A próxima fase do Gerenciamento de
Exceções é compreender o que ocorreu e, se necessário, tomar as para eliminar as ineficiênciasações corretivas
que surgem ao longo do processo.
VOCÊ QUER LER?
Valor Econômico (2018) é um jornal que trata de economia, finanças e negócios apresentando
o cenário brasileiro e mundial. Para o Gestor de Custo, a leitura é indicada, uma vez que o
coloca em contato com as notícias sobre negócios, aumentando o entendimento sobre o
ambiente ao qual a empresa está inserida. Acesse o site em: < >.https://www.valor.com.br/
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Figura 5 - Sistema de Gerenciamento de Exceções composto das etapas de identificação de padrão, desempenho, 
comparação de padrão e desempenho e ação corretiva.
Fonte: Elaborado pelo autor, 2018.
A determinação do Custo Padrão é uma forma de melhorar o desempenho, conhecer o processo de produção,
criar sinergia entre os departamentos de Controladoria e Engenharia da Produção e de motivar os funcionários.
É um gênero com duas espécies. A primeira é o , método tradicional de definição do custoPadrão de Custo Ideal 
do produto que só pode ser alcançado se a empresa eliminar todas as ineficiências, utilizando os equipamentos
necessários e mais adequados, operando sempre sobre ótimas condições. Os Padrões Ideais são impossíveis e
sempre apresentam grande distância do desempenho real, dificultando o gerenciamento por exceções.
A segunda espécie é o , método contemporâneo de definição do custo padrão que Padrão de Custo Corrente
considera as ineficiências que podem ocorrer durante o processo. É um custo difícil de ser alcançado, porém não
impossível.
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Quadro 16 - Características, convergências e divergências entre o Custo Padrão Ideal e Custo Padrão Corrente.
Fonte: Elaborado pelo autor, 2018.
O Custo Padrão Ideal (CPI) não é mais utilizado pelas empresas, sendo o Custo Padrão Corrente (CPC) o adotado.
Nesse sentido, a partir de agora, toda vez que utilizarmos o termo Custo Padrão estamos nos referindo ao Custo
Padrão Corrente.
O Custo Padrão não substitui o Custo Real no processo de formação do preço de venda servindo apenas para
planejar os processos, identificando e eliminando as ineficiências e posterior melhora no desempenho. O CPC é
utilizado como medida de comparação entre o real e o planejado, apontando as distorções que devem ser
corrigidas para garantir a validade do processo.
O processo de adoção do Custo Padrão envolve os departamentos de Controladoria que estabelece o Padrão de
Preço, e o de Engenharia de Produção, responsável pelo estabelecimento do Padrão de Quantidade. O sucesso do
processo depende da sinergia gerada entre os departamentos que devem trabalhar lado a lado na definição dos
padrões a serem utilizados. O CPC será uma meta difícil de ser alcançada, porém não impossível. Deve ser
entendido como um alvo estabelecido pela empresa que deve ser buscado diariamente. O sucesso depende da
análise das variações e das correções das ineficiências.
O processo de fixação do Custo Padrão deve ser adotado demodo gradual, sendo aplicado inicialmente em
alguns produtos e depois se expandindo para os demais. Não é obrigatório aplicar para todos, se for conveniente,
a empresa pode adotar o CPC apenas para os produtos que julgar relevantes. Outra vantagem da adoção do custo
padrão é que ele será utilizado como a base para a construção do orçamento global, uma vez que bastará
multiplicar o custo padrão pela quantidade a ser produzida e vendida, havendo assim uma sinergia entre o custo
padrão e orçamento. Uma preocupação que deve existir na adoção do CPC é quanto à inflação. Ambientes com
VOCÊ QUER LER?
A leitura do artigo intitulado “Utilização do custo-meta por empresas brasileiras como
estratégia de gestão: alguns estudos setoriais utilizando o método da causalidade de Granger”
(SOUZA; ZANELLA; NASCIMENTO, 2005) é indicada para aqueles que desejam conhecer mais
sobre custo padrão. O autor aborda as principais características do Custo Padrão, vantagens e
desvantagens e sua importância para a Gestão Estratégia da empresa. O texto está disponível
em: < >.http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1519-70772005000300004
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padrão e orçamento. Uma preocupação que deve existir na adoção do CPC é quanto à inflação. Ambientes com
altas e constantes variações devem ser ajustados periodicamente para evitar análises equivocadas.
Para exemplificar, suponha agora que uma empresa fabricante de celulares esteja produzindo o Modelo XA53L9
que tem o seguinte Custo Padrão e Custo Real.
Quadro 17 - Fixação do Custo Padrão Corrente e comparação com o Custo Real para identificação, análise e 
eliminação de ineficiências na produção de um modelo de celular.
Fonte: Elaborado pelo autor, 2018.
O custo padrão para o celular está fixado em $ 455,00 e o Custo Real de fabricação para este lote é de $ 559,50,
ocorrendo uma variação maior de $ 104,50 e variação percentual de 22,97%. No Quadro é possível identificar
duas colunas em que são calculadas as variações em moeda e em percentual. A variação em moeda é dada pela
diferença entre o Custo Real e o Custo Padrão, e a variação relativa pela divisão da variação em moeda pelo Custo
Padrão. A etapa seguinte consiste em analisar a variação dos materiais diretos com a finalidade de identificar as
ineficiências e posterior eliminação.
Quadro 18 - Análise da variação em moeda a partir da comparação entre o Custo Padrão e o Custo Real dos 
materiais diretos.
Fonte: Elaborado pelo autor, 2018.
A análise desmembrada do Custo Padrão e do Custo Real é uma forma de analisar cada etapa do processo,
identificando os pontos de variação e, a partir deles, realizar estudos com equipes especializadas para conhecer e
propor soluções exequíveis para otimização das ineficiências. Analisando cada componente dos materiais
diretos, fica fácil perceber que o Custo Padrão é o resultado da multiplicação entre o padrão de preço do insumo
pela quantidade de recurso que cada produto consome. O Custo Real, base para a formação do preço de venda, é
obtido seguindo o mesmo procedimento e, em seguida, estabelecendo a comparação.
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As variações podem ocorrer apenas nas quantidades, nos preços ou em ambos. Quando a variação ocorre apenas
nas quantidades são denominadas de Variação de Eficiência ou de Uso. Para as Variações de Preço, são
denominadas de Variação de Taxa e para a variação nas quantidades e nos preços denominamos de Variação
Mista. Ainda no exemplo na empresa fabricante de celular, vamos agora analisar as variações existentes na mão
de obra, analogamente.
Suponha que a fabricação do produto esteja estruturada em quatro departamentos e cada um apresenta o
seguinte Custo Padrão e Custos Reais.
Quadro 19 - Análise da variação da mão de obra direta a partir da comparação entre o Custo Padrão e o Custo 
Real com valores em horas de trabalho.
Fonte: Elaborado pelo autor, 2018.
A análise da mão de obra está baseada em quantas horas o produto consome de cada departamento. Essa análise
pode ainda ser desmembrada em atividades por departamento com a finalidade de verificar os pontos em que as
variações ocorrem e por quais motivos. Outra análise de variação interessante seria a dos custos indiretos de
fabricação.
A estrutura de mercado tem influência sobre a formação do preço de venda, podendo ser para cima ou para
CASO
Como a cultura organizacional pode ajudar a empresa a ser mais produtiva, melhorar o
desempenho e a reduzir seus custos? Primeiro, precisamos conhecer o que significa o termo
Cultura Organizacional, concorda? Pois é definida como a maneira de pensar e sentir de uma
pessoa ou grupo e que é utilizada para resolver problemas organizacionais e de integração
interna. Cultivar uma cultura de redução de custos, produtos de qualidade e de clientes
satisfeitos é a estratégia utilizada pela empresa varejista Wal-Mart que tem 4.414 lojas
instaladas nos EUA e faturaram, em 2012, a cifra de 246 bilhões de dólares. Fundada em 1962.
Ao oferecer os preços mais baixos que seus concorrentes, a Wal-Mart atrai inúmeros clientes
para comprarem em suas lojas e acaba por realizar a venda de outros artigos com margem de
contribuição mais elevadas. Alguns analistas afirmam que a empresa consegue ter custo baixo
devido ao seu porte, o que não é verdade. A Wal-Mart usa a tecnologia para integrar toda a sua
cadeia logística, possibilitando sempre manter suas gôndolas abastecidas com produtos
desejados pelos clientes e eliminado aqueles de baixa rotatividade. Os colaboradores da Wal-
Mart respiram uma cultura de tecnologia, custos e preços baixos e clientes satisfeitos.
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fabricação.
A estrutura de mercado tem influência sobre a formação do preço de venda, podendo ser para cima ou para
baixo. Se a empresa atuar em mercado de monopólio, significa que ela é única, os produtos são exclusivos e com
isso a percepção de valor tende a ser maior. Se, por ventura, a empresa estiver inserida em um mercado de
concorrência pura, a característica fundamental é que os produtos são muitos e semelhantes, existem muitas
empresas concorrentes e o preço é definido pelo mercado, sendo o cliente muito sensível a mudanças nos
preços. Em tese, concluímos que o preço de venda é definido pelo mercado e a empresa, para conseguir chegar
no preço justo, deverá ter uma meta de custo para cada produto.
O lucro desejado, quando consideramos que o preço é definido pelo mercado, passa por identificar e
operacionalizar um Custo Alvo, Custo Meta ou Target Cost definido por:
Suponha que uma empresa esteja atuando em um mercado competitivo que tem preço médio de $ 259,50 para o
produto e que os sócios definiram que o lucro desejado seja de $ 65,30, qual, então, seria o Custo Meta? Para
defini-lo, basta realizar o seguinte cálculo: 
O máximo de custo que a empresa deve aceitar por produto é de $ 194,20, por isso que alguns autores
denominam o Custo Meta de Custo Máximo Permitido. O Custo Meta não pode ser considerado como um sistema
de custeio e sim como uma filosofia da empresa que, se adotada, irá gerar resultados a médio e longo prazo. Não
podemos confundir o Custo Meta com o Custo Padrão e muito menos com o Custo Estimado ou até mesmo com o
Custo Real.
Síntese
Vimos no capítulo, os conceitos de Margem de Contribuição, Margem de Segurança, Ponto de Equilíbrio e Custo
Padrão. Com isso, foi proporcionado a você o conhecimento necessário para o desenvolvimento do pensamento
gerencial e, ao mesmo tempo, aprofundar nas técnicas e nos sistemas de custeio contábil. O capítulo foi
estruturado utilizando exemplos práticos e que ocorrem no dia-a-dia das empresas.
Neste capítulo, você teve a oportunidade de:
• reconhecer como o custeio varável pode ser utilizado em situações que apresentam gargalos;
• resolver cálculos de custos totais e unitários dos produtos em situações limitantes;
• empregar a relação custo x volume x lucro em situações limitantes;
• estruturar combinações de mix de produtosque garantam maior rentabilidade;
• calcular os conceitos de Ponto de Equilíbrio Contábil, Econômico e Financeiro;
• avaliar como as alterações nos preços de vendas, nos custos variáveis e fixos alteram as relações do 
Ponto de Equilíbrio;
• interpretar os diferentes tipos de pontos de equilíbrio e suas aplicações;
• calcular a Margem de Segurança;
VOCÊ SABIA?
Nos últimos anos, inúmeras empresas estão investindo em tecnologia como mecanismo de
melhorar o desempenho, a produtividade e reduzir os custos? Um exemplo de custo que pode
ser reduzido são os gastos com viagens que passaram a ser substituídas por reuniões via Skype
. A digitalização de documentos é outra forma de reduzir custos pelo uso da tecnologia.
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• calcular a Margem de Segurança;
• avaliar como as alterações nos preços de vendas, nos custos variáveis e fixos alteram as relações da 
Margem de Segurança;
• interpretar as implicações da Margem de Segurança e suas aplicações;
• esquematizar o custeio padrão;
• empregar as definições de Custo Padrão e Custo Ideal;
• interpretar as variações entre Custo Padrão e Custo Real;
• conceituar Custo Meta.
Bibliografia
DICIONÁRIO FINANCEIRO. . 2018. Disponível em: <Home Page >. Acessohttps://www.dicionariofinanceiro.com/
em: 13/07/2018.
GARRISON, R. H.; NOREEN, E. W.; BREWER, P. C. 14. ed. São Paulo: AMGH editoraContabilidade Gerencial.
Ltda.
HORNGREN, C. T.; DATAR, S. M.; FOSTER, G. Contabilidade de Custos. Volume 1. 11. ed. São Paulo: Pearson
Prentice Hall, 2004.
MARTINS, E. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2010.Contabilidade de custos. 
ROCHA, W.; MARTINS, E. Custos e Margens Analisados sob DiferentesMétodos de Custeio Comparados: 
Perspectivas 2. ed. São Paulo: Atlas, 2015.. 
SOUZA, M. A.; ZANELLA, F. C; NASCIMENTO, A. M. Utilização do custo-meta por empresas brasileiras como
estratégia de gestão: alguns estudos setoriais utilizando o método da causalidade de Granger. Rev. contab.
finanç., São Paulo, v. 16, n. 39, p. 33-46, dez 2005. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?
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VALOR ECONÔMICO. . 2018. Disponível em: <Home Page >. Acesso em: 13/07/2018.https://www.valor.com.br/
WERNKE, R. Análise de custos e preços de venda: ênfase em aplicações e casos nacionais. São Paulo: Saraiva,
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ZAILLIAN, S.; SORKIN, A. . Direção: Bennett Miller. Produção: Michael De Luca;O Homem que Mudou o Jogo
Rachael Horovitz; Brad Pitt. EUA, 2011.
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	Introdução
	3.1 Margem de Contribuição por unidade de fator limitante
	3.2. Custeio Direto: Ponto de Equilíbrio
	3.3. Custeio Direto: Margem de Segurança
	3.4. Custeio Direto: definição de Custo Padrão e variação do Custo Real
	Síntese
	Bibliografia

Outros materiais