ADM.2
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Fundamentos de 
Sociologia Aplicada às 
Organizações 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Material teórico 
Positivismo, Marxismo e Sociologia Compreensiva 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Positivismo, Marxismo e 
Sociologia Compreensiva 
Atenção 
Para um bom aproveitamento do curso, leia o material teórico atentamente antes de realizar 
as atividades. É importante também respeitar os prazos estabelecidos no cronograma. 
 
Nessa unidade, vamos tratar do tema \u201cPositivismo, 
Marxismo e Sociologia Compreensiva\u201d. 
Trataremos do \u201cPositivismo\u201d: primeiro modelo teórico 
aplicado ao estudo da sociedade e dos fenômenos sociais. 
O Positivismo tem grande importância para o 
pensamento social no Brasil, pois muito influenciou alguns de 
nossos pensadores, principalmente, os do século XIX e início do 
século XX. 
Trataremos também do tema \u201cMarxismo\u201d, não só uma 
das mais expressivas correntes teóricas dentro das Ciências 
Humanas, não apenas da Sociologia; mas indubitavelmente da 
mais significativa força política que ascendeu da nova ordem 
industrial da primeira para a segunda metade do século XIX. 
Já a parte final, que trata de Max Weber, aborda um 
nome de grande importância dentro do pensamento social. 
Suas contribuições teóricas criaram as bases da Sociologia 
moderna, juntamente com Durkheim e Marx. 
 
 
 
 
 
 
O Positivismo e os Primeiros Movimentos Sociológicos 
 
Quando falamos em pensamento sociológico, podemos dizer que a primeira corrente 
teórica sistematizada foi o positivismo, para demonstrar e definir a particularidade do estudo 
científico da sociedade, distinguindo-se das demais ciências existentes e definindo os 
contornos de uma nova ciência, cujo objeto primordial anunciava-se como a sociedade. Com 
isso, o positivismo definiu o objeto, o método e os conceitos fundamentais da nova disciplina. 
A sociologia desenvolveu-se quando a racionalidade das ciências naturais alcançava status de 
substituta da religião e da tradição na explicação do mundo e da realidade, trata-se do 
chamado cientificismo. 
 
O cientificismo caracteriza-se pela crença no poder absoluto, e praticamente 
exclusivo, da razão humana para compreender a realidade e traduzi-la sob a 
forma de leis naturais. Tais leis representariam regras para o funcionamento e 
desenvolvimento da natureza e do ser humano. \u201cO emprego sistemático da 
razão, do livre exame da realidade, representou um grande avanço para 
libertar o conhecimento do controle teológico, da tradição e da \u2018revelação\u2019\u201d... 
 
(MARTINS, 1990, P. 18) 
 
Podemos dizer que o positivismo foi, enquanto teoria que propôs uma ciência da 
sociedade fundada a partir de um modelo científico natural, fruto do movimento iluminista, 
mesmo frente ao fato de seu principal formulador, Auguste Comte, vê-lo como reação às 
ideias revolucionárias do Iluminismo. 
Foi provavelmente o francês Condorcet (1753 -1794) o primeiro a formular a proposta 
de uma ciência da sociedade estruturada conforme o modelo das ciências naturais, uma 
matemática social, isto é, precisa, numérica e rigorosa que permitiria um conhecimento 
verdadeiramente objetivo dos fatos sociais. Segundo Condorcet, toda ciência e conhecimento 
sobre a sociedade, até então, estiveram submetidos aos interesses e preconceitos das classes 
poderosas. Esta seria uma marca do positivismo, já colocada por Condorcet, a ciência da 
sociedade, assim como as ciências naturais, deveria desvencilhar-se das paixões e dos 
interesses, elementos que perturbam a produção do conhecimento. 
O primeiro a utilizar o termo positivo ao tratar dessa nova ciência, ao propor uma 
ciência positiva, foi Saint-Simon (1760-1825), discípulo direto de Condorcet do qual 
apreendeu parte de suas principais ideias. Saint-Simon buscou inspiração em outra ciência 
natural que se destacava no período, a biologia; por sua vez, sua ciência da sociedade teria 
por modelo a fisiologia, uma espécie de fisiologia social. 
Material Teórico 
 
 
A ideia de que a ciência e a razão seriam capazes de captar a dinâmica das sociedades 
e de que existiriam leis naturais regulando seu desenvolvimento vai ganhando força durante o 
século XVIII e, aos poucos, minando os antigos princípios de autoridade oriundos da tradição 
e da religião. Neste momento, diversos pensadores conservadores, voltados a restabelecer o 
passado, consideram que o caos e a ausência de moralidade e solidariedade que as 
sociedades nascidas das duas grandes revoluções (francesa e industrial) revelavam eram fruto 
do enfraquecimento das antigas instituições protetoras, destacadamente a Igreja, que haviam 
promovido e sustentado a estabilidade e a coesão social anteriores. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Comte e o Positivismo 
 
A transição do positivismo de concepção crítica e de oposição à ordem estabelecida 
para filosofia da ordem e da harmonia social completou-se com Auguste Comte (1798-1857). 
Discípulo direto de Saint-Simon em seus primeiros anos de estudo, rompeu com seu mestre 
por considerá-lo, juntamente com Condorcet, demasiadamente crítico e negativo. Na 
concepção comteana, o pensamento teria que ser totalmente positivo, não havendo dimensão 
crítica ou negativa na análise social, acreditando que Condorcet não descobriu, como ele fez, 
as leis da sociologia devido a sua postura e preconceitos revolucionários. 
Comte, com o positivismo, foi o primeiro a sistematizar o pensamento sociológico, 
definindo seu objeto, estabelecendo conceitos e métodos de investigação. Acreditava no 
poder exclusivo da razão, sua capacidade de conhecer a realidade e traduzi-la na forma de 
leis naturais; tais leis permitiriam regular e controlar o comportamento e a vida humana. 
Inicialmente, Comte denominou a sociologia de física social, sob a influência do êxito e 
reconhecimento obtidos pelas ciências naturais, aplicando seus métodos de investigação às 
ciências da sociedade. 
Fonte: HULTON DEUTSCH/Stock Photos 
 
Ao promover a Revolução 
Francesa com a qual 
alcança o almejado poder 
político a burguesia deixa 
de ser uma classe 
revolucionária para se 
tornar a classe dominante 
na França. 
A desordem e a anarquia 
social denunciada por 
diversos pensadores 
correspondem aos novos 
conflitos gerados agora 
entre a burguesia e o 
proletariado. 
 
 
Conforme indicou Löwy (1985), são três as ideias principais do positivismo: 
1. A hipótese fundamental de que a sociedade humana é regulada por leis naturais, 
portanto, invariáveis e independentes da vontade e da ação humana. Assim como a lei 
da gravidade, não é possível impedir ou modificar as leis da sociedade. Deste modo, \u201co 
que reina na sociedade é uma harmonia semelhante à da natureza, uma espécie de 
harmonia natural\u201d (LÖWY, 1985, p. 36) 
2. Em consequência da primeira hipótese, os métodos e procedimentos para se conhecer 
a sociedade são exatamente os mesmos utilizados para conhecer a natureza. 
3. Assim como as ciências da natureza são ciências objetivas, neutras, livres de juízos de 
valor, também as ciências da sociedade devem funcionar segundo este modelo de 
objetividade científica 
 
A idéia fundamental do método positivista é de que a ciência só pode ser objetiva e 
verdadeira quando eliminar totalmente qualquer interferência de preconceitos e prenoções. 
Para os positivistas, portanto, as ciências sociais não teriam vínculo com classes 
sociais, posições políticas ou ideologias. 
Ao estudar a história da humanidade para compreender melhor as leis que regulam seu 
desenvolvimento, Comte, herdeiro das idéias de Condorcet de que a humanidade está em 
permanente desenvolvimento ou evolução, formulou o que