ADM.6
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característica dessa revolução tecnológica é a crescente convergência de 
tecnologias para um sistema altamente integrado. Assim, a microeletrônica, as 
telecomunicações, a optoeletrônica e os computadores são todos integrados nos sistemas de 
informação. As telecomunicações agora são apenas uma forma de processamento da 
informação. As tecnologias de transmissão e conexão estão cada vez mais diversificadas e 
integradas na mesma rede operada por computadores: a internet (CASTELLS, 2005). 
 
 
A empresa horizontal e as Redes Globais de Empresas 
 
 
 
 
 
A própria empresa mudou seu modelo organizacional para adaptar-se às condições de 
imprevisibilidade introduzidas pela rápida transformação econômica e tecnológica. A principal 
mudança pode ser caracterizada como a mudança de burocracias verticais para a empresa 
horizontal. A empresa horizontal é uma rede dinâmica e estrategicamente planejada de 
unidades autocomandadas com base na descentralização, participação e coordenação. Essa 
transformação do modelo corporativo, especialmente visível nos anos 1990 em algumas 
importantes empresas norte-americanas, acompanha a percepção dos limites do modelo da 
produção enxuta experimentado na década de 1980. Esse modelo enxuto (chamado pelos 
seus críticos de enxuto e perverso) dependia fundamentalmente da economia de mão de obra, 
usando uma combinação de automação, controle computadorizado de trabalhadores, 
terceirização de trabalho e redução da produção (CASTELLS, 2005). 
Para operar na nova economia global, caracterizada pela onda de novos concorrentes 
que usam novas tecnologias e capacidade de redução de custos, as grandes empresas tiveram 
de se tornar principalmente mais eficientes que econômicas. As estratégias de formação de 
redes dotaram o sistema de flexibilidade, mas não resolveram o problema da adaptabilidade 
da empresa. Para conseguir absorver os benefícios da flexibilidade das redes, a própria 
empresa teve de tornar-se uma rede e dinamizar cada elemento de sua estrutura interna: 
esse é na essência o significado e o objetivo do modelo da empresa horizontal, 
frequentemente estendida na descentralização de suas unidades e na crescente autonomia 
dada a cada uma delas, até mesmo permitindo que concorram entre si, embora dentro de 
uma estratégia global comum. 
 
 
Empresa em Rede 
 
 
As novas trajetórias organizacionais não foram consequências automáticas da 
transformação tecnológica. Algumas delas precederam o surgimento das novas tecnologias da 
informação. Por exemplo, o sistema kan-ban foi introduzido na Toyota pela primeira vez em 
1948 e sua implantação não precisou de conexões eletrônicas on-line. As instruções e as 
informações eram escritas em cartões padronizados, colocados em diferentes pontos de 
trabalho e trocados entre fornecedores e operadores da fábrica. A maior parte dos métodos de 
envolvimento de trabalhadores experimentados pelas empresas japonesas, suecas e norte-
americanas exigia mais mudança de mentalidade do que mudança de máquinas. O 
obstáculo mais importante na adaptação da empresa vertical às exigências de flexibilidade da 
economia global era a rigidez das culturas corporativas tradicionais. Na década de 
1980, nos Estados Unidos, uma tecnologia nova era com frequência considerada um 
dispositivo para economizar mão de obra e oportunidade de controlar os trabalhadores e não 
um instrumento de transformação organizacional (CASTELLS, 2005). 
Desse modo, a transformação organizacional ocorreu independentemente da 
transformação tecnológica, como resposta à necessidade de lidar com um ambiente 
operacional em constante mudança. No entanto, uma vez iniciada, a realização da 
transformação organizacional foi intensificada pelas novas tecnologias da informação. 
A capacidade de empresas de pequeno e médio porte de se conectarem em redes, 
entre si e com grandes empresas, também passou a depender da disponibilidade de novas 
tecnologias, uma vez que as redes e as operações diárias tornaram-se global. 
As grandes empresas ficariam simplesmente impossibilitadas de lidar com a 
complexidade da rede de alianças estratégicas, dos acordos de subcontratação e do processo 
decisório descentralizado sem o desenvolvimento da internet. Foi devido à necessidade de 
utilização de redes pelas novas organizações \u2013 grandes e pequenas \u2013 que os computadores 
pessoais e as redes de computadores foram amplamente difundidos. E em razão da 
necessidade geral de manipulação flexível e interativa de computadores, o segmento de 
software tornou-se o mais dinâmico do setor e da atividade ligada à produção de informação 
e está moldando os processos de produção e gerenciamento (CASTELLS, 2005). 
Nessas condições, a cooperação e os sistemas de rede oferecem a única possibilidade 
de dividir custos e riscos, bem como de manter-se em dia com a informação constantemente 
renovada. Mas as redes também atuam como porteiros. Dentro delas, novas oportunidades 
são criadas o tempo todo. Fora das redes, a sobrevivência fica cada vez mais difícil. Com a 
rápida transformação tecnológica, as redes \u2013 não as empresas \u2013 tornaram-se a 
unidade operacional real. Em outras palavras, mediante a interação entre a crise 
organizacional e a transformação e as novas tecnologias da informação, surgiu uma nova 
forma organizacional como característica da economia informacional global: a empresa em 
rede. 
 
 
 
 
Por que a empresa em rede é a forma organizacional da economia informacional 
global? Uma resposta fácil é dizer que é o que surgiu no período de formação da nova 
economia e é o que parece estar atuando. Mas é intelectualmente mais satisfatório entender 
que essa atuação parece estar de acordo com as características da economia informacional: 
organizações bem-sucedidas são aquelas capazes de gerar conhecimentos e processar 
informações com eficiência; adaptar-se às flutuações da economia global; ser flexível o 
suficiente para transformar seus meios tão rapidamente quanto mudam os objetivos sob o 
impacto da rápida transformação cultural, tecnológica e institucional; e inovar, já que a 
inovação torna-se a principal arma competitiva. Essas são, na verdade, as características do 
novo sistema econômico. Nesse sentido, a empresa em rede concretiza a cultura da economia 
informacional global: transforma sinais em commodities, processando conhecimentos 
(CASTELLS, 2005). 
 
 
Novas estratégias organizacionais das empresas 
 
A reestruturação econômica dos anos 1980 induziu várias estratégias 
reorganizacionais nas empresas. Alguns analistas dizem que a crise econômica da década 
de 1970 resultou da exaustão do sistema de produção em massa. Para outros, a difusão de 
novas formas organizacionais foi a resposta à crise de lucratividade do processo de 
acumulação de capital. Outros sugerem uma evolução de longo prazo do fordismo ao pós-
fordismo como expressão de uma transformação das relações entre produção e produtividade 
de um lado e consumo e concorrência de outro. Outros ainda salientam a inteligência 
organizacional, o aprendizado organizacional e a administração dos conhecimentos como 
elementos principais das novas empresas da Era da Informação (CASTELLS, 2005). 
 
 
Essas interpretações das principais transformações organizacionais nas últimas décadas 
mostram uma excessiva propensão a fundir em uma única tendência vários processos de 
transformação que são diferentes. É preciso considerar o desenvolvimento de diferentes 
trajetórias organizacionais, ou seja, de procedimentos voltados para o aumento da 
produtividade e competitividade no novo paradigma tecnológico e na nova economia 
informacional global. 
Vejamos abaixo algumas dessas novas trajetórias