Paulo Bonavides - Curso de Direito Constitucional - 15º edição
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Paulo Bonavides - Curso de Direito Constitucional - 15º edição


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ela Leis 
Constitucionais, elaboradas em ocasiões distintas de atividade legislati­
va, como as leis de estabelecimento dos poderes públicos, de organiza­
ção do Senado e de relações entre os poderes. Tomadas em conjunto 
passaram a ser designadas como a Constituição da Terceira República.
Com a expressão Constituição legal designa-se também uma Cons­
tituição escrita não formal.
7. As Constituições outorgadas, as Constituições pactuadas 
e as Constituições populares
Classificação usual entre os autores é do mesmo passo a que distin­
gue, pelo aspecto histórico, três m odalidades básicas de Constituição: 
a Constituição outorgada, a Constituição pactuada e a Constituição p o ­
pular.
A Constituição outorgada representa na tela do constitucionalismo 
um largo esboco de limitação da autoridade do governante. O rei, prín­
cipe ou Chefe de Estado enfeixa em suas m ãos poderês""ãEsolutos, mas 
consente unilateralmente em desfazer-se de um a parcela de suas prerro­
gativas ilimitadas, em proveito do povo, que entra assim no gozo de di­
reitos e garantias, tanto jurídicas como políticas, aparentemente por obra 
apenas e graça da munificência real.
Do ponto de vista jurídico, a Constituição, outorgada é ato unilate- 
_.ral de um a vontade política soberana - a do outorgante, mas do ponto de 
\u201e vista político, representa quase sempre um a inelutável concessão feita 
por aquela vontade aó poder popular ascendente, sendo pois o produto 
de duas forças antagônicas que se m edem em te rn o s políticos de con­
servação ou tom ada do poder. Essas duas forças em conflito dialético 
são o princípio monárquico do absolutismó è o princípio democrático 
do consentimento. Um decadente, o outro emergente.
O Chefe de Estado, outorgando a Constituição, a ela se sujeita, ju rí­
dica e politicam ente, embora alguns pretendam possa ele depois, no 
exercício da vontade soberana, que ficara latente, modificar a seu alve- 
drio a ordem constitucional outorgada.
São exemplos de Constituição outorgada a Carta de Luís XVIII res­
taurando, em 1814, a monarquia francesa:|^C onstituiçâo jm perial brasi­
leira de 25 de março de 1824. outorgada por D. P ed ro l ;i o chamado Es­
tatuto Albertino de 1848, na Itália, que teve vigência por um século; a 
Constituição japonesa de 1889; as Constituições da Etiópia de 1931 e 
1955; e a Constituição da Arábia Saudita, de 1950.
A Constituição pactuada é aquela que exprime um compromisso 
instável de duas forças políticas rivais: a realeza absoluta debilitada, de 
uma parte, e a nobreza e a burguesia, em franco progresso, doutra. Sur­
ge então como termo dessa relação de equilíbrio a forma institucional da 
monarquia limitada.
Entendem alguns publicistas que as Constituições pactuadas assi­
nalam o momento histórico em que determinadas classes disputam ao
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rei um certo grau de participação política, em nome da comunidade, com 
o propósito de resguardar direitos e am parar franquias adquiridas.
Na Constituição pactuada o equilíbrio é precário. Uma das partes 
se acha sem pre politicam ente em posição de força. O pacto selado ju ri­
dicamente mal encobre essa situação de fato, \u201ce o contrato se converte 
por conseguinte num a estipulação unilateral camuflada\u201d, conforme se 
deu com a M agna Carta ou a Constituição francesa de 1791: ali, a su­
premacia dos barões; aqui, a supremacia dos representantes da Nação 
reunidos em assembléia constituinte.
Foram igualmente formas de Constituição pactuada diversos docu­
mentos constitucionais ingleses, como o Bill o fR ights, de 1689, e o Ací 
o f Settlement, de 1701, bem como as Constituições da Espanha de 1845 
e 1876, a da Grécia dè 1844 e a da Bulgária, de 1879.
As Constituições populares ou democráticas são aquelas que expri- 
mem em toda a extensão o princípio político e jurídico de que todo go- 
vemo deve apoiar-se no consentimento dos governados e traduzir a von- 
tade soberana 35 povo.
Aqui já não se trata de equilíbrio nem de acordo entre os dois bra­
ços do poder que, conforme observamos, se vinham defrontando numa 
pugna histórica pela supremacia política: a m onarquia abalada e a de­
mocracia ascendente.
Tendo se afirmado vitorioso o princípio democrático, a Constituição 
surge a seguir por obra de um a assembléia constituinte (Convenção), que 
primeiro submete por via do referendum à apreciação soberana do povo 
o projeto constitucional por ela elaborado. Traduz esse processo a in- 
contrastável hegemonia política das forças populares, que fazem legítimas 
as bases da nova ordem jurídica e do sistema representativo consagrado 
pela vontade dos cidadãos.
As Constituições aprovadas mediante o sistema de Convenções re­
montam à Constituição Federal dos Estados Unidos. No século XIX as 
Constituições francesas de 1848 e 1875 têm a m esm a procedência, bem 
como num erosas C onstituições que surgiram entre as duas G randes 
Guerras Mundiais.
A via do referendum foi também adotada para o estabelecimento de 
diversas Constituições desde o século XVIII. A Constituição inaplicada. 
de 1793, da Revolução Francesa, previa essa form a de consulta popular. 
O mesmo se deu com a de 1795. Depois da Segunda Grande Guerra 
M undial, vários Estados de Constituição popular se serviram do refe­
rendum como fonte de legitimidade para a organização social.
A CONSTÍTUIÇÀO 91
8. Constituições concisas e Constituições prolixas
Quanto à extensão, classifícam-se as Constituições em concisas e 
prolixas.
As Constituições concisas tomam por igual a denominação de bre­
ves, sumárias, sucintas e básicas, ao passo que as Constituições prolixas 
aparecem ainda sob a designação de longas, amplas, extensas, desenvol­
vidas, largas etc.
D iz-se em geral que um a Constituição é concisa quando abrange 
apenas princípios gerais ou enuncia regras básicas de organização e fun­
cionamento do sistem a jurídico estatal, deixando a parte de pormenori­
zação à legislação complementar ou orgânica. Via de regra nesses textos 
deve entrar somente, de modo sucinto, o que é matéria constitucional, 
em sentido estrito. \u2022
As Constituições concisas ou breves resultam numa maior estabili­
dade do arcabouço constitucional, bem como numa flexibilidade que 
permite adaptar a Constituição a situações novas e imprevistas do de­
senvolvimento institucional de um povo, a suas variações mais sentidas 
de ordem política, econômica e financeira, a necessidades, sobretudo, 
de improvisar soluções que poderiam, contudo, esbarrar na rigidez dos 
obstáculos constitucionais.
A virtude constitucional da concisão é atestada pelo exemplo da 
Constituição dos Estados Unidos, admirável paradigma de Constituição 
sucinta. F iguram ainda entre as Constituições concisas ou breves a da 
França, de 1946, as do Chile de 1833 e 1925 e a da República Domini­
cana de 1947.
As Constituições prolixas, cada vez mais numerosas, são em geral 
aquelas que trazem matéria por sua natureza alheia ao direito constitucio­
nal propriamente dito. Trata-se ora de minúcias de regulamentação, que 
melhor caberiam em leis complementares, ora de regras ou preceitos até 
então reputados pertencentes ao campo da legislação ordinária e não do 
Direito Constitucional, em cuja esfera entram apenas formalmente, por 
arbítrio do legislador constituinte, para auferir garantias que só a Cons­
tituição proporciona em toda a amplitude.
Pode ainda ocorrer um alargamento das Constituições, quando estas 
entram a conter não somente referência rápida a matéria nova, mas toda 
uma minudente e copiosa regulamentação de princípios relativos à maté­
ria recém-inclusa, dantes tida como de caráter meramente ordinário, mas 
agora reconhecida e proclamada de natureza constitucional pela impor­
tância básica que a consciência política e social de um povo lhe imprimiu.
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Taylisi
Taylisi fez um comentário
está com sombra, impossível de ler
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André
André fez um comentário
Tem como disponibilizar para download? Ou envia-ló por e-mail? andrexnunc@live.com
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JOICE
JOICE fez um comentário
Olá, pode me enviar por e-mail?
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Guilherme
Guilherme fez um comentário
2004
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