antropologia1
50 pág.

antropologia1


DisciplinaAntropologia I8.496 materiais61.492 seguidores
Pré-visualização19 páginas
2000, p. 16), é aceitável dizer 
que isso não pode ser alcançável por um úni-
co cientista. Portanto, durante seu desenvolvi-
mento, a Antropologia se consolidou a partir 
de múltiplos enfoques, criando campos espe-
cializados do saber antropológico. Especiali-
dades estas com um corpo teórico e técnicas 
próprias.
Nesses termos, podemos situar algumas 
áreas principais da Antropologia:
\u2022	 a Antropologia Biológica: campo de es-
tudo outrora chamado de Antropologia 
física. Atualmente, dedica-se ao estudo 
das relações entre o patrimônio genético 
e o meio (geográfico, ecológico, social). 
Tomando técnicas e métodos comuns ao 
ramo da Biologia, os especialistas desse 
campo de estudo buscam analisar as par-
ticularidades morfológicas e fisiológicas 
ligadas a um meio ambiente, bem como 
a evolução estas particularidades. Interes-
sando-se pela genética das populações, 
procura-se discernir o que diz respeito ao 
inato e ao adquirido para compreender as 
diferenciações de populações e não mais 
de raças (LAPLANTINE, 2000, p. 17);
\u2022	 a Arqueologia: estudo das sociedades 
desaparecidas, através dos vestígios que 
deixaram. Com métodos e técnicas espe-
cíficas, os arqueólogos analisam restos ou 
vestígios deixados por grupos ou socie-
dades já desaparecidas, com a intenção 
de reconstruir suas técnicas e produções 
materiais, as suas organizações sociais e 
as suas produções culturais;
\u2022	 a Antropologia Linguística: estudo das 
línguas como expressão de valores, preo-
cupações, ideias, pensamentos, enfim, 
como produção cultural e, ao mesmo 
tempo, como produto da cultura; 
\u2022	 a Antropologia Social, Cultural ou Etno-
logia: esta é a esfera do conhecimento 
antropológico que nos interessa mais de 
perto, pois é a ela que estávamos nos re-
ferindo o tempo todo quando falávamos 
em Antropologia. E é dela que continua-
remos falando. Essa esfera da Antropolo-
gia tenciona tomar como foco de estudo 
o Homem enquanto membro de uma 
sociedade e de um sistema de valores. 
Portanto, o antropólogo focaliza a pers-
pectiva da sociedade humana como um 
conjunto de ações ordenadas, de acordo 
com um plano e regras que ela própria 
inventou e que é capaz de reproduzir e 
projetar em tudo aquilo que fabrica (DA 
MATTA, 2000, p. 32).
Além dessas esferas mais amplas do co-
nhecimento antropológico, verificam-se, ain-
da, variadas especialidades dentro da Antro-
pologia Social que se pratica no Brasil. Assim, 
de acordo com os processos sociais concretos 
que cada especialista em Antropologia incor-
pora como foco de investigação, é possível fa-
lar em Etnologia Indígena, Antropologia Rural, 
Antropologia Urbana, Antropologia das Popu-
lações Afro-brasileiras. Dentro desses campos, 
incluem-se, ainda, temas mais específicos, 
como Antropologia do campesinato; Antropo-
logia da religião, Antropologia da política, An-
tropologia do corpo, Antropologia da saúde, 
Antropologia do gênero, Antropologia da dor, 
entre outras linhas de pesquisa.
diCA 
Vocês devem ter per-
cebido a recorrência 
dos termos etnografia, 
etnologia, pesquisa 
de campo, observação 
participante e cultura. 
Pois bem, aproximada-
mente, podemos defi-
ni-los assim: etnografia, 
descrição detalhada de 
uma cultura específica 
baseada em pesquisa 
de campo; etnologia, 
\u201cestudo e análise de 
culturas diferentes, de 
um ponto de vista com-
parativo ou histórico, 
empregado etnógrafos 
e desenvolvendo teorias 
antropológicas que 
ajudem a explicar por 
que certas diferenças ou 
semelhanças ocorrem 
entre os grupos\u201d; obser-
vação participante; \u201cem 
etnografia, a técnica 
usada para entender 
uma cultura por meio 
da observação pes-
soal e da participação 
social na comunidade 
investigada, assim como 
através das entrevis-
tas e discussões com 
membros do grupo 
durante um determi-
nado período\u201d, cultura, 
valores, ideias, percep-
ções socialmente parti-
lhadas pelos indivíduos 
de uma determinada 
sociedade (HAVILAND, 
et al., 2011, p. 10).
18
UAB/Unimontes - 1º Período
Referências
COPANS, J. et al. Antropologia: Ciência das sociedades primitivas? Lisboa: Edições 70, 
1971.
DA MATTA, R. Relativizando: uma introdução à Antropologia social. Rio de Janeiro, 
2000.
HAVILAND, William A. [et al.]. Princípios de Antropologia. São Paulo: Cengage Lear-
ning, 2011.
LAPLANTINE, F. Aprender Antropologia. São Paulo: Editora Brasiliense, 2000.
MERCIER, P. História da Antropologia. São Paulo: Editora Moraes, 1974. 
SANCHIS, P. A Crise dos Paradigmas em Antropologia. In: DAYRELL, Juarez (org.). Múlti-
plos Olhares Sobre educação e Cultura. Belo Horizonte: Editora UFMG, 1999.
19
Ciências Sociais - Antropologia I
UnidAde 2
O surgimento da antropologia
2.1 Introdução
Assim como muitos ramos do saber, a An-
tropologia como uma forma de conhecimento 
vem se constituindo numa base histórica com-
posta por pessoas que contribuíram, em cada 
tempo específico, para sua formação e disse-
minação por vários cantos do mundo.
Concordando com o que diz o antropó-
logo Roberto da Matta (2000, p.86), acredita-
mos que não seria fértil a postura de começar 
falando da história da Antropologia a partir de 
um \u201cnascimento\u201d na Grécia, tomando a figura 
e os trabalhos de Heródoto e de outros gre-
gos. Posição também defendida pelo etnólo-
go Jean Copans (1971, p.53) ao afirmar que \u201ca 
história da Antropologia é também a história 
das relações entre as sociedades europeias e 
as sociedades não europeias\u201d.
Portanto, o que você verá aqui, no primei-
ro momento, é o entendimento de que falar 
da história da formação da Antropologia \u201cé 
especular sobre o modo pelo qual os homens 
perceberam suas diferenças ao longo de um 
dado período de tempo\u201d (DA MATTA, 2000, p. 
87), principalmente a partir das investidas no 
espaço social entendido como \u201cNovo Mundo\u201d. 
A constituição da Antropologia como discipli-
na, então, se enquadra no momento em que 
alguns pensadores procuraram analisar as di-
ferenças vistas sob uma forma sistematizada, 
possibilitando uma descrição e entendimento 
mais elaborado sobre a alteridade, principal-
mente em sociedades específicas.
Sendo assim, note que perceber as di-
ferenças e elaborá-las como um exercício da 
alteridade é, a primeiro modo, um esboço de 
um pensamento antropológico. Dessa forma, 
aqui veremos então como se deu as primeiras 
reflexões sistematizadas sobre o \u201cconfronto 
visual com a alteridade\u201d (LAPLANTINE, 2000, 
p. 37), passando pelo contexto de surgimento 
das primeiras descrições sobre o \u201cOutro\u201d por 
viajantes, cronistas, comerciantes, soldados, 
missionários sobre outros povos, outras po-
pulações. Veremos, então, como se deu, pela 
visão de pensadores, o tratamento mais siste-
matizado sobre \u201cas diferenças\u201d que iniciaram 
o movimento de constituição da Antropologia 
como ciência.
2.2 Um contexto: o \u201cnovo 
mundo\u201d visto pelos cronistas, 
viajantes, comerciantes, soldados, 
missionários
Pode-se ter em mente que a novidade de 
um \u201cNovo Mundo\u201d no cenário europeu do sé-
culo XVI marcou e criou atração não somente 
pelos recursos naturais e novas terras \u201cdesco-
bertas\u201d, mas por inúmeros tipos populacionais 
que ali se encontravam. Veja que, no século 
XVI, ocorria na Europa o movimento huma-
nista e, posteriormente, o Renascimento, nos 
principais centros universitários que se cons-
tituíam. Já eram muitas as nações na Europa 
que se formavam e de onde saíam os navios 
para exploração e encontro com outros luga-
res, como a terra que hoje se conhece como 
Brasil. Também por volta dessa época, já era 
grande o comércio de especiarias e demais 
produtos com outros povos no oriente.
20
UAB/Unimontes - 1º Período
O etnólogo Jean Copans (1971) chama a 
atenção de que a Idade Média (período que 
antecede o Renascimento na Europa) possi-
bilitou o estabelecimento de uma diferença 
(entre
Priscila
Priscila fez um comentário
Muito obrigada
0 aprovações
Carregar mais