cosmovisao-religioes-africanas-orientais
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doutrina con-
fucionista por meio dos escritos feitos por seus 
discípulos.
Para ele, as decisões dos oráculos (para-
digma i) são menos importantes do que as 
decisões éticas do ser humano (paradigma 
ii). Entre seus propósitos, Confúcio objetivava 
despertar as forças morais do ser humano ao 
invés das forças mágicas da natureza. Portan-
to, o ponto central da Doutrina de Confúcio é 
a Humanidade, visto que suas reflexões se vol-
tam para o comportamento do ser, bem como 
para seus relacionamentos de ordem natural, 
social e familiar, de forma que o ser humano 
não está para ser transformado em santida-
de, mas sim, em uma pessoa nobre (não com 
posse de nobrezas e sim uma nobreza ética e 
moral). A fim de chegar-se a uma sociedade 
mais pacífica, mais justa e estável e mais efi-
ciente, Confúcio considera, a partir de dentro, 
dos antigos ritos, costumes e normas de com-
portamento. De acordo com o pesquisador 
Smith (2007, p.158), \u201cNada havia de sobrena-
tural nele. Confúcio gostava de estar com as 
pessoas, de jantar fora, de cantar em coro uma 
bela canção e de beber, mas não em excesso\u201d. 
Notadamente, o Mestre Confúcio tinha uma 
vida normal, embora fosse uma pessoa que al-
mejava o engajamento na vida política.
Portanto, na religião ou filosofia de Vida 
Confucionista, não há cultos a qualquer ser 
supremo, não há a Vida após a morte como 
sendo um dos pontos centrais da doutrina, 
Nesse sentido, também são realizadas algu-
mas funções psicossociais básicas da religião, 
tendo a doutrina sociopolítica com qualida-
des religiosas. Um dos pontos principais do 
Confucionismo, que o aproxima do Cristia-
nismo, é a ética de Humanidade, ou seja, o 
amor ao próximo não se restringindo apenas 
ao seio familiar, mas, sobretudo, de pais para 
filhos, e pais idosos dos outros, o que de acor-
do com a filosofia confucionista coloca todos 
os humanos como sendo irmãos \u201cdentro dos 
quatro mares\u201d.
5.3 História
A China, uma questão histórica milenar 
no tocante às Dinastias, em que pai e filhos são 
pertencentes a uma única família, ultrapassam 
as 76ª e 77ª geração. Com isso, uma das famílias 
consideradas como a mais célebre do país é a 
família de Confúcio, com mais de dois mil e qui-
nhentos anos de existência. A china é, portanto, 
o país que possui a cultura há mais tempo exis-
tente no planeta, conservaram-se, assim, todas 
as rupturas.
Até o ano de 1911, a China foi uma potên-
cia imperial, onde o imperador reinava acima 
de tudo. Este era considerado o representan-
te do país diante do supremo deus Céu. Ao 
mesmo tempo, era também o filho do Céu na 
Terra. Era o próprio imperador que realizava o 
sacrifício ao Céu no Templo do Céu, situado na 
capital, Pequim. Fazia, ainda, sacrifícios às mon-
tanhas e aos rios sagrados da China. O Império 
chinês era uma sociedade hierárquica, com 
líderes estritamente permanentes. Já à frente 
da administração imperial havia uma elite de 
funcionários extremamente letrados, os man-
darins. Sua ideologia era o Confucionismo, um 
conjunto de pensamentos, regras e rituais so-
ciais desenvolvidos pelo filósofo K\u2019ung-Fu-Tse 
(ou, na forma latina, Confúcio) cujas doutrinas 
prevaleceram no território chinês até a queda 
DiCA
Segundo Oliveira 
(2006), o termo K\u2019ung-
-fu-tzu significa \u201cLíder 
chinês\u201d e no Ocidente 
ganhou fama com seu 
nome latinizado de 
Confúcio. Foi talvez 
o primeiro grande 
defensor na história 
da Etocracia, ideo-
logia que, segundo 
Murad (2009), busca a 
elevação do poder dos 
\u201cvalores\u201d éticos, morais 
e educacionais, funda-
mentalmente tendo os 
líderes do povo como 
exemplos para seus 
subordinados, o que 
reforça o seu caráter 
pedagógico, especial-
mente para a infância e 
juventude.
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Ciências da Religião - Cosmovisão das Religiões Africanas e Orientais
do imperador. Confúcio também formulou nor-
mas para a vida religiosa, para os sacrifícios e 
também para os rituais. 
O Confucionismo era uma religião estatal 
praticada pela elite e pelas classes dominantes, 
a qual, no entanto, nunca se disseminou muito 
entre as massas ou entre as camadas mais am-
plas da população chinesa. Da mesma forma 
que o imperador, em seu palácio em Pequim, 
ficava remotamente afastado das pessoas co-
muns, o Céu era remoto e impessoal para a 
grande massa dos chineses de classe pobre, os 
trabalhadores e camponeses. Dessa forma, a re-
ligião dos pobres era a adoração dos espíritos, 
particularmente dos antepassados, uma religio-
sidade carregada de magia com traços de ou-
tras religiões (sincretismo). 
China é um continente que possui uma 
vasta massa de terra, chegando a ser quase trin-
ta vezes maior do que a Alemanha, sendo dois 
terços dessas terras montanhosas. Situada de 
forma isolada por entre desertos, montanhas e 
estepes, tem também barreiras que contribui 
para este isolamento, sendo no lado ocidental a 
imensa barreira do Himalaia, do lado norte um 
amplo cinturão de estepes desérticas, e para 
completar, nos lados Sul e Leste o Oceano Pací-
fico. Lembrando que há três rios que cortam o 
país: o rio Amarelo, o Yang-tse e o Si-Kiang.
As grandes potências da Europa constituí-
am uma ameaça para a independência econô-
mica e política do país. O que explica, em parte, 
a tendência isolacionista e o ceticismo em face 
dos impulsos vindos do exterior. Alguns intelec-
tuais tinham o costume de atacar a religião po-
pular, acreditando que esta era um obstáculo 
para a entrada da ciência moderna e também 
do moderno pensamento político. Com isso, al-
guns tentaram um reavivamento e uma moder-
nização das antigas religiões, ao passo em que 
outros desenvolveram um interesse maior por 
ideias não religiosas vindas do Ocidente. Em 
1911, governantes imperiais foram derrubados 
e a China acabou se tornando uma república. 
As condições políticas se mantiveram instáveis 
por causa de uma guerra civil e da guerra con-
tra o Japão. No ano de 1949, os comunistas to-
maram o poder.
Confúcio teve um efeito decisivo no de-
senvolvimento da China. Após sua morte, os 
discípulos começaram a difundir e ampliar suas 
ideias. O Confucionismo acabou se tornando, 
portanto, uma espécie de religião estatal da 
China, chegando muitas vezes a atacar outras 
religiões, tais como o Budismo e o Taoísmo. Fo-
ram construídos templos em honra ao mestre 
Confúcio e eram oferecidos sacrifícios a ele, no 
período da primavera e no outono, assim como 
se ofereciam sacrifícios ao Céu. Apesar disso, 
deve-se enfatizar que o Confucionismo nunca 
havia sido uma religião independente, uma vez 
que o termo Confucionismo abrange uma sé-
rie de ideias filosóficas e também políticas que 
formavam os pilares do governo e da burocra-
cia da China imperial, muito embora a ética do 
Confucionismo também permeasse amplas ca-
madas da população chinesa.
A China, por sua vez, é considerada um 
país de muitos povos, inclusive possui um as-
pecto que chama muita atenção da humanida-
de, que o fato da escrita comum a todos os po-
vos chineses. É um país multiétnico, visto que, 
sob a ótica do fundador da China republicana 
\u201cSun Yatsen\u201d, essa nação é constituída de man-
chus, mongóis, tibetanos, muçulmanos e do 
povo han.
Contudo, há uma situação que é típica 
dessa tradição confucionista, tendo esta uma 
visão política pragmática e interesse pelas 
questões sociológicas, como a educação dos fi-
lhos, o papel do indivíduo na sociedade e as re-
gras corretas de conduta. Assim, o seu interesse 
pelas questões religiosas e metafísicas é muito 
menor. 
5.4 Sistema simbólico e ritos
O rito para o ser humano, etimologica-
mente, vindo do latim ritus, indica ordem es-
tabelecida. Segundo sua etimologia sânscrita 
(rita), a palavra \u201crito\u201d designa o que é conforme 
à ordem. O rito está presente em todas as so-
ciedades desde aquelas consideradas primiti-
vas, arcaicas,