cosmovisao-religioes-africanas-orientais
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nismo, se ausenta a ideia de \u201cestado de graça\u201d 
individual, pois os homens nobres não estão 
distintamente qualificados em um sentido re-
ligioso e dependem especificamente das rela-
ções de parentesco e do culto aos antepassa-
dos, ou seja, do \u201ccarisma familiar\u201d. Entretanto, 
a versão ortodoxa do Confucionismo é o resul-
tado de uma burocracia patrimonial que prova 
seu racionalismo prático mediante cargos lu-
crativos, podendo se desenvolver amplamen-
te, sem restrições impostas por outras eventu-
ais racionalizações da vida.
No fundo de toda a situação verdadeiramente religiosa encontra-se a referên-
cia aos fundamentos últimos do homem: quanto à origem, quanto ao fim e 
quanto à profundidade. O problema religioso toca o homem em sua raiz on-
tológica. Não se trata de fenômeno superficial, mas implica a pessoa como um 
todo. Pode caracterizar-se o religioso como zona do sentido da pessoa. Em ou-
tras palavras, a religião tem a ver com o sentido último da pessoa, da história e 
do mundo (ZILLES, p. 5-6).
O confucionista possui, portanto, um va-
lor estético e por isso não se posiciona como 
\u201cinstrumento\u201d de um deus. A teoria ética do 
Confucionismo clássico pressupõe a igualda-
de entre os homens e explica as diferenças em 
relação à diversidade dos desenvolvimentos 
harmônicos individuais. O homem é conside-
rado naturalmente bom, e o mal se interioriza 
por meio dos sentidos orgânicos. Na doutrina 
confucionista, a veneração feita a uma pessoa 
depois de morta se fundamenta em méritos 
pessoais. Por conseguinte, o culto aos antepas-
sados tem seu lugar privilegiado nos ritos con-
fucionistas. O culto é presidido pelo chefe da 
família ou do clã e realizado em uma sala-tem-
plo ou simplesmente diante do altar, colocado 
no interior da casa, sobre o qual são expostas 
as tábuas com os nomes dos antepassados.
Portanto, para o confucionista, isso ali-
menta a piedade filial, a qual se prolonga 
além da morte; não simplesmente como ma-
neira de superar o trauma da dor, mas, so-
bretudo, como forma de reintegrar o falecido 
à unidade familiar. Com isso, o antepassado 
continua sobrevivendo e tendo seu lugar nas 
gerações futuras.
Referências 
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UAB/Unimontes - 2º Período
Sites
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fucionsmo.> Acessado em 23 dez. 2013
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Ciências da Religião - Cosmovisão das Religiões Africanas e Orientais
UniDADE 6
Taoísmo
Harlen Cardoso Divino
6.1 Introdução
O Tao é outra religião ou apenas mais 
uma filosofia? Literalmente é um caminho que 
tem como princípios básicos na sua doutrina, 
a ordem junto à natureza. Nesta unidade dis-
cutiremos aspectos que retratam sua origem, 
bem como as justificações que a coloca em 
grau de importância no cenário popular da 
China. Por que será a razão do nome Taoísmo, 
uma derivação apenas do nome Tao? Desco-
briremos no decorrer desta unidade os misté-
rios que cercam o Taoísmo, de forma que as 
respostas sejam claras e concisas, permitindo 
uma hermenêutica de fácil compreensão por 
parte do leitor, a fim de que se entenda a sua 
cosmovisão.
O Taoísmo, assim como o Confucionis-
mo, faz parte do contexto antropológico e 
sócio-histórico da China que, através da sua 
cultura, possui uma lendária e significativa 
importância para a sociedade chinesa, no 
tocante ao campo religioso. Nesse sentido, 
será pertinente nosso olhar atento voltado 
para seu contexto, de forma geral, para en-
tendermos seu simbolismo, que estará volta-
do e direcionado para o centro da sabedoria 
chinesa.
6.2 Taoísmo
O Taoísmo persegue sempre um modelo único e exemplar: o Tao. Uma realidade última e 
misteriosa, \u201cfons et origo\u201d, de toda a criação. Segundo Mircea Eliade:
[\u2026] tal como Confúcio, que propunha o seu ideal do \u201chomem perfeito\u201d, tanto 
nos soberanos como a qualquer indivíduo desejoso de instruir-se, Lao Tsé con-
vida os chefes políticos e militares a se comportar como taoístas, ou, em outras 
palavras, a seguir o mesmo modelo exemplar: aquele proposto pelo Tao. Mas é 
essa a única semelhança entre os dois Mestres. Lao Tsé critica e rejeita o siste-
ma confuciano, ou seja, a importância dos ritos, o respeito aos valores sociais e 
o racionalismo [\u2026]. [Enquanto] Para os confucionistas, a caridade e a justiça são 
as maiores virtudes. Lao Tsé, no entanto, vê nelas atitudes artificiais, portanto, 
inúteis e perigosas. (ELIADE, 1979, p. 40-41).
O Taoísmo tem como base principal o 
sistema politeísta e filosófico de crenças que 
assimilam antigos elementos místicos e enig-
máticos da religião popular chinesa, por exem-
plos: culto aos ancestrais, rituais de exorcis-
mo, alquimia e também magia. Dessa forma, 
a origem da filosofia do Taoísmo é atribuída 
aos ensinamentos do mestre chinês \u201cLaozi\u201d ou 
Lao Tsé (velho mestre), qu viveu no século IV, 
foi contemporâneo de Confúcio, segundo rela-
tos de alguns dos historiadores, por volta dos 
anos (550 a.C.). 
Apesar dessa não ser uma religião popu-
lar em nível mundial, ainda assim seus ensi-
namentos têm influenciado muitas seitas mo-
dernas. O Taoísmo vem a ser muito mais que 
uma filosofia e, devido às suas características, 
tornou-se, de certa forma, um verdadeiro mo-
vimento religioso, por ter assumido elementos 
das primitivas, ou antigas religiões chinesas. 
Por volta de 600-500 a.C., Lao-Tsé escreveu 
um livro denominado \u201cTao Tê Ching\u201d ou, como 
é considerado, Livro da Lei do Universo e Sua 
Virtude. O termo Taoísmo é formado pelos 
dois ideogramas chineses: \u201cTao\u201d, que significa 
caminho, mas também o Ser supremo ao qual 
o caminho conduz, e \u201cDiao\u201d, que significa en-
sinamento. A religião corresponde à tradição 
que vem do passado, que revela a origem e, 
nesse sentido, é atribuída ou concebida como 
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UAB/Unimontes - 2º Período
o Caminho da Imortalidade. É uma força mís-
tica, impessoal e imanente que dá a vida e a 
harmonia. Sendo então um caminho de obser-
vação da natureza, de seus ritmos e fluxos.
Esse livro, Tao Te Ching, nome pelo qual 
é grafado no Brasil, já é conhecido por alguns 
leitores brasileiros. Um dos estudiosos do Tao, 
inclusive que fez parte das primeiras traduções 
dessa obra, Rohden, (2003, p.12), afirma que 
\u201cessa obra imortal recebeu várias traduções\u201d 
no Brasil e iniciou-se por volta dos anos 1970. 
\u201cSeus primeiros tradutores foram: um mon-
ge budista (!), tradutores anônimos de grupos 
macrobióticos e o próprio Rohden, que tra-
duziu acrescentando comentários filosóficos 
e ilustrações\u201d (COSTA, 2013, p.3). Sobretudo, 
houve outras