cosmovisao-das-religioes
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esse tipo de atividade costuma contribuir para a exposição 
didática do objeto e, por isso, continua a ser praticada. Para o judaísmo, estabelecem-se suas 
eras da seguinte maneira:
\u2022	 Era bíblica: inicia-se ao redor do século XX a.C. e termina entre 520 e 516 a.C. com a re-
construção do Templo de Jerusalém.
\u2022	 Era talmúdica: de 520-516 a.C. a 500 d.C., data que marca o fim da redação do Talmud, 
na Babilônia.
\u2022	 Era medieval: de 500 d.C. a 1506, ano do massacre aos cristãos-novos em Portugal.
\u2022	 Era moderna: de 1506 a 1787, quando os judeus conquistaram sua emancipação na 
América.
\u2022	 Era contemporânea: de 1787 até os dias de hoje.
O termo Egito Antigo baliza geográfica e cronologicamente uma das civilizações mais 
complexas conhecidas pela história; até por isso, é difícil explicá-la em poucas linhas. Contu-
do, para entender a relação que se estabeleceu entre os hebreus e os egípcios, faz-se necessá-
rio um esforço. 
Os egípcios formavam uma civilização que se iniciou por volta de 4000 a.C. e chegou ao 
fim em 525 a.C., quando Cambises, rei dos persas, derrotou o faraó Psamético III, na batalha de 
Pelusa. Em mais de três mil anos de história, teve vinte e seis dinastias e foi um Estado autôno-
mo. No entanto, desde que caiu nas mãos dos persas, sua sorte mudou e sua autonomia só foi 
reconquistada em 1954, quando declarou sua independência do Reino Unido.
De forma geral, sua história divide-se em dois grandes períodos, pré-dinástico (de 4000 
a.C. a 3200 a.C.) e dinástico (de 3200 a.C. a 525 a.C.) O período dinástico, por sua vez, subdi-
vide-se em três: Antigo, Médio e Novo Império. Esses três momentos são separados por fases 
intermediárias, ligadas a invasões. 
Foi durante o segundo período intermediário, conhecido pela presença dos hicsos, que 
os hebreus se estabeleceram no Egito. Na época, governava o Império a XVII Dinastia, cujo fa-
raó, hicso, mantinha controle central sobre o país, mas lidava também com rebeldes egípcios 
apoiados pela casta sacerdotal. A título de curiosidade, os hebreus permaneceriam no Egito 
até a XIX Dinastia, com Moisés guiando-os à Canaã.
Fonte: FELTRIN, Ricardo. Conheça um pouco da história do judaísmo. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/
folha/mundo/2001-religiao-judaismo.shtml>. Acesso em 22 de mai. 2014.
1.3 Estrutura sociocultural e 
religiosa do judaísmo
Discutir a organização sociocultural e religiosa de uma fé cujas raízes estão tão distantes dos 
dias de hoje significa falar de diferentes períodos históricos e, portanto, de pluralidade de orga-
nizações. Nesse sentido, o que se pretende aqui é procurar por denominadores comuns que tra-
zem algum tipo de homogeneidade à religião.
Originalmente, como dissemos, os hebreus eram um povo nômade e tribal. Isso implica em 
dizer que sua organização era também tribal e, portanto, bastante imbricada às relações de pa-
rentesco. Seus líderes originais, os patriarcas, exerciam funções civis (políticas) e também religio-
sas \u2013 Abraão, Isaac e Jacó, os mais famosos patriarcas hebreus são também figuras que represen-
tam passagens-chave na história religiosa desse povo.
Essa organização baseada no parentesco manteve-se durante o período em que os he-
breus estiveram na Palestina. No período que se espalha desde seu estabelecimento, no Egito 
até o Êxodo, organizaram-se em 12 tribos \u2013 cada uma delas correspondendo, grosso modo, a um 
clã composto por patriarca, filhos, mulheres e trabalhadores não livres. O poder e o prestígio de 
cada uma dessas tribos derivavam diretamente do patriarca e as relações entre elas eram bastan-
te frágeis.
diCA
Leia: DOLADER, Miguel 
Angel Motis. Estudio 
de los objetos liturgi-
cos de las sinagogas 
zaragozanas embar-
gados por la corona 
en el año 1492. Fonte: 
Disponível em <C:\
Users\Tati\Downloads\
Dialnet-EstudioDeLo-
sObjetosLiturgicos-
DeLasSinagogasZara-
goz-2366230.pdfdialnet.
unirioja.es/descarga/
articulo/2366230.pdf>. 
Acesso em 22 de mai. 
2014.
SPITZKOVSKY, Jaime. 
Sinagogas do Brasil. 2. 
ed. São Paulo: Banco 
Safra, 2010.
GloSSário
Kosher: é o nome dado 
ao alimento que está 
em conformidade às 
regulações kashrut. 
Quando um alimento 
não foi preparado 
de acordo com esses 
preceitos dietéticos é 
chamado de treif. Há 
uma lista de alimentos 
kosher e regras para 
preparo tanto no Leví-
tico (11: 1-47) quanto 
no Deuteronômio (14: 
3-20). Um alimento é 
treiftanto quanto entre 
seus ingredientes há 
animais não kosher 
quanto quando há 
animais kosher que não 
tenham sido abatidos 
de forma apropriada. 
Também não ékosher o 
alimento em que se en-
contre mistura de carne 
e leite, vinho e suco de 
uva (ou seus deriva-
dos) ou que tenha sido 
preparado sem o uso de 
utensílios e maquinaria 
não kosher.
Shabbat: é o nome 
dado ao dia de descan-
so da semana, o sétimo 
dia. Paraos judeus 
religiosos, ele lembra a 
Criação do mundo por 
Deus, o Êxodo, e traduz 
a esperança em uma 
futura Era Messiânica. 
Durante o Shabbat, não 
se realizam atividades 
ligadas ao trabalho e se 
engaja no descanso.
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Ciências da Religião - Cosmovisão das Religiões: Judaísmo e Cristianismo
A Guerra da Reconquista, porém, alterou essa configuração, pois exigiu o surgimento de 
um poder unificado acima dos lideres tribais. Esse papel coube aos juízes. Eles, entretanto, não 
puderam manter-se no controle indefinidamente. Fato é que, embora dividissem vários marca-
dores culturais, como língua, costumes e, principalmente, religião, os hebreus tinham profundas 
diferenças políticas. Assim, o surgimento de uma monarquia foi uma saída viável para manter 
a unidade recém conquistada. Essa unidade se refletiu em termos políticos, econômicos e, com 
a construção do Templo de Salomão, religioso. Contudo, como vimos, instabilidades econômi-
cas implicaram, pouco tempo depois, na divisão do reino em dois: ao norte, o Reino de Israel foi 
conquistado pelos Assírios logo depois de se tornar autônomo; e ao sul, o Reino de Judá que, em 
598 a.C., foi conquistado pelos Babilônios e viu seu rei e muitos de seus habitantes serem levados 
em cativeiro para a Babilônia e, pouco tempo depois, seu templo saqueado e destruído.
Sabemos que, em algum momento entre 538 e 537 a.C., depois que Ciro II, rei dos persas, 
conquistou a Babilônia, os judeus exilados receberam autorização para regressar à Judá e para 
reconstruir seu templo, o que de fato aconteceu. Contudo, durante o tempo que permaneceram 
expatriados, precisaram reestruturar sua comunidade \u2013 daí o surgimento das sinagogas. Além 
disso, mesmo depois de terem voltado à Palestina, nunca mais contaram com autonomia política 
completa. Nesse sentido, desapareceu para sempre a figura política central, fosse ela patriarca, 
juiz ou rei.
Foi nesse período que a classe sacerdotal se fortaleceu. Desde então, foi com esse grupo 
que os Impérios conquistadores (principalmente Macedônia e Roma) negociaram. Foram eles 
também que, depois da Diáspora, constituíram \u2013 em maior ou menor grau \u2013 a espinha dorsal das 
comunidades judaicas espalhadas pelo mundo, fazendo valer as leis que regem o comportamen-
to cotidiano dos judeus e transformando as sinagogas em núcleo de cada um desses grupos.
De forma geral, é possível dizer que as leis que regem o comportamento cotidiano dos ju-
deus são chamadas de Halakak. Compõem-se de 613 mitzvoth (no singular, mitzvah) ou man-
damentos (conforme prescritos na Torah; ver 1.6. Tora). Esses mandamentos também podem 
conter costumes derivados da tradição e leis outras determinadas pelos rabinos (discutidas ex-
tensamente no Talmud; ver 1.2 nascimento do judaísmo e 1.6 Principais correntes.
É comum que os judeus guardem o Shabbat (dia de descanso). Esse é um aspecto bastan-
te importante do judaísmo; assim como seus preceitos dietéticos (kashrut). Essa importância se 
dá não apenas