economia-politica
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2) identificar os elementos 
determinantes do desenvolvimen-
to das forças produtivas capitalis-
tas; 3) apontar as condições que 
levariam à superação desse siste-
ma e 4) construir uma Teoria Eco-
nômica alternativa que pudesse 
inserir a ciência na perspectiva de 
transformação do mundo, ou seja, 
conciliar objetividade com ideais 
de liberdade.
Marx se apoiou no método 
dialético para analisar a história da 
humanidade. Partindo da dialética 
hegeliana, Marx formulou a concepção do materialismo histórico, segundo a qual a base material 
da sociedade alicerça toda a organização social. As relações de produção - definidas pelas for-
mas de propriedade e as classes sociais - constituem o sustentáculo das instituições jurídicas e 
políticas e da ideologia e das formas de consciência, costumes, comportamento, arte, religião. A 
sucessão de modos de produção e das formações sociais (asiático, antigo, feudal e burguês mo-
derno) é determinada pela dialética entre forças produtivas e relações de produção, bem como 
entre superestrutura política, jurídica, institucional e ideológica. Por isso, o capitalismo (a socie-
dade burguesa) é concebido como um estágio transitório de organização social, rumo a uma so-
ciedade sem classes e antagonismos sociais. 
Além disso, Marx criticou a Economia Política Clássica por conceber como naturais as leis 
econômicas, produtos da evolução histórica. O capitalismo não é uma ordem natural, mas uma 
fase do desenvolvimento da humanidade que deve ser superada.
\u25c4 Figura 11: Karl Marx 
permanece como um 
dos mais influentes 
críticos do capitalismo.
Fonte: Disponível em 
http://en.wikipedia.org/
wiki/File:Karl_Marx_001.
jpg. Acesso em 
25/08/2014.
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UAB/Unimontes - 3º Período
3.2 Os elementos da teoria 
econômica de Marx
A Teoria Econômica de Marx possui quatro componentes fundamentais: o primeiro, a Teo-
ria do Valor-trabalho. No seu livro, O Capital, Marx iniciou a sua análise do valor pela forma 
mais elementar, a célula da produção capitalista, a mercadoria. O capitalismo se caracteriza pela 
\u201cimensa coleção de mercadorias\u201d (1985, v. 1, p. 45). Aqui, ele também fez a distinção entre valor 
de uso (utilidade) e o valor de troca. O valor de uso de uma mercadoria consiste na sua capacida-
de de satisfazer necessidades humanas e serve ainda como portador do valor de troca. O valor 
de troca, por sua vez, é a qualidade que permite que uma mercadoria seja trocada por outras 
mercadorias. A grandeza do valor de uma mercadoria deve ser medida em termos de trabalho, 
ou seja, \u201co quantum de trabalho socialmente necessário ou o tempo de trabalho socialmente ne-
cessário para a produção de um valor de uso o que determina a grandeza do valor\u201d (MARX,1985, 
v. 1, p. 48). Ao utilizar o trabalho como determinante do valor, Marx segue a mesma trilha de 
Smith e Ricardo. Pelo caráter dúplice da mercadoria, que ao mesmo tempo é valor de uso e valor 
de troca, há o caráter dúplice do próprio trabalho, que é, simultaneamente, trabalho concreto 
e trabalho abstrato. Trabalho concreto é o trabalho útil que cria objetos com qualidades físicas 
específicas que satisfazem necessidades humanas. O trabalho abstrato é o trabalho de cada pro-
dutor de mercadoria que constitui uma partícula de todo o trabalho social, um gasto de trabalho 
humano nas suas mais diferentes formas, ou, conforme Marx,
De um lado, todo o trabalho humano é um dispêndio de força de trabalho hu-
mano, no sentido fisiológico, e é nessa qualidade, de trabalho humano igual, 
ou abstrato, que ele constitui o valor das mercadorias. Por outro lado, todo tra-
balho é um dispêndio de força de trabalho humano de uma determinada for-
ma e com um objetivo definido e é nessa qualidade de trabalho concreto, útil 
que produz valores de uso (MARX, 1985, v. 1, p. 53).
O segundo componente, a Teoria Geral da Acumulação Capitalista. Para Marx, a acumu-
lação de capital é causa e efeito do capitalismo, pois \u201ccom a acumulação de capital desenvolve-
se, portanto, o modo de produção especificamente capitalista e, com o modo de produção espe-
cificamente capitalista, a acumulação de capital\u201d (1985,v.2, pp. 195-196). A acumulação de capital 
proporciona a valorização do capital - capital é valor que se valoriza. Isto é, \u201ca finalidade da pro-
dução capitalista [...] é a valorização do capital, isto é, a apropriação de mais-trabalho, produção 
de mais-valia, de lucro\u201d (1985, v. 5, p. 190). E a evolução do capitalismo gera tanto a tendência 
à concentração do capital, que corresponde à concentração dos meios de produção (máquinas, 
utensílios, propriedades, dinheiro), nas mãos de capitalistas individuais, quanto a tendência à 
centralização do capital, que corresponde à concorrência entre os capitais, de tal modo que as 
empresas maiores eliminam e absorvem as empresas menores.
Para Marx, \u201ca circulação de mercadorias é o ponto de partida do capital\u201d. No estágio não ca-
pitalista, de produção simples de mercadoria, o produtor produzia uma determinada quantidade 
de mercadorias para venda, com o único objetivo de adquirir outras mercadorias para o próprio 
uso, ou seja, trocava mercadorias com valores de uso diferentes. Inexistia, portanto, o objetivo 
da acumulação. Assim, trocava a mercadoria por dinheiro que, por sua vez, era trocado por mer-
cadoria: Mercadoria - Dinheiro - Mercadoria (M - D - M). Entretanto, com o advento do capitalis-
mo, ocorre uma transformação radical no processo, pois, na circulação, o dinheiro é trocado por 
mercadoria e, depois, novamente transformado em dinheiro: D - M - M\u2019 - D\u2019, em que D\u2019 terminava 
com um valor superior ao existente inicialmente. Do mesmo modo, M\u2019 seria uma mercadoria com 
valor superior a M. A diferença entre M\u2019 e M é a mais-valia. Entretanto, \u201ca formação de mais-valia 
e, daí, a transformação de dinheiro em capital não pode ser, portanto, explicada por venderem os 
vendedores as mercadorias acima do seu valor, nem por os compradores as comprarem abaixo 
de seu valor\u201d (1985, v. 1, p. 135). 
Dessa forma, a mais-valia não tem origem na esfera da circulação. Ao contrário, a mais-valia 
é criada na esfera da produção, onde o capitalista encontra uma mercadoria que tem \u201ca caracte-
rística peculiar de ser fonte de valor\u201d, que é \u201ca capacidade de trabalho ou força de trabalho\u201d (Idem, 
Ibidem, pp. 138-139), cujo consumo ou uso permite a produção de um valor maior que o contido 
no salário. A mais-valia é, por conseguinte, o trabalho não pago apropriado pelos capitalistas. 
DICA
A partir da visão ma-
terialista da história, 
de Marx, reflita sobre 
o modo de produção 
capitalista e tente 
responder às seguintes 
questões:
a) O capitalismo é 
um modo de pro-
dução definitivo?
b) Qual é o papel da 
economia para 
a formação dos 
sistemas políticos, 
jurídicos e para a 
ideologia de uma 
sociedade?
c) Reflita sobre a 
passagem abaixo, 
contida no célebre 
Prefácio do Livro 
Para a Crítica da 
Economia Política, 
escrito por Marx 
em 1859: 
\u201cO modo de produ-
ção da vida material 
condiciona o processo 
em geral de vida social, 
política e espiritual. 
Não é a consciência dos 
homens que determi-
na o seu ser, mas, ao 
contrário, é o seu ser 
social que determina 
sua consciência\u201d (1986, 
p. 25).
DICA
Assista ao vídeo A Vida 
de Karl Marx, que está 
disponível no acervo 
da Biblioteca Central 
Prof. Antônio Jorge na 
Unimontes.
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Ciências Sociais - Economia Política
No processo de trabalho, o trabalhador recebe apenas o suficiente para a sua subsistência, 
mas trabalha um tempo muito superior ao exigido para realizar tal tarefa. No esquema de repro-
dução ampliada (fase capitalista), parte da mais-valia obtida pelo capitalista é reinvestida no ciclo 
produtivo seguinte, permitindo, assim, que o volume de capital cresça, ampliando a capacidade 
de extração de mais-valia. A valorização do capital implica