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lugar, a suposição de que existe uma economia de trocas, na qual os produtos 
são trocados por produtos, e a moeda é um mero instrumento de troca, sem qualquer efeito so-
bre as variáveis reais, como produção e emprego. Keynes, ao contrário, ressaltou que o capitalis-
mo é uma economia monetária, e a moeda é uma das responsáveis pelas flutuações no nível de 
atividade econômica. 
Em segundo, o pressuposto clássico de que a economia está em equilíbrio de pleno em-
prego, garantindo assim a ocupação de todos os recursos. Keynes, de modo diferente, destacou 
que o equilíbrio de pleno emprego é uma situação excepcional no capitalismo. O normal no ca-
pitalismo seria a existência de recursos ociosos \u2013 capital e, sobretudo, trabalho \u2013 e a ocorrência 
de equilíbrio, mas abaixo do pleno emprego. Ou seja, nos momentos de crise, o capitalista tende 
sempre a diminuir a sua produção, equilibrando-a com a demanda para evitar acumulação de 
estoques, ainda que tenha de operar com capacidade ociosa. Em períodos de crises agudas \u2013 
como a grande depressão \u2013 cujo problema se encontraria do lado da demanda e não da oferta. A 
flexibilidade de preços e salários poderia empurrar a economia para uma crise sem precedentes. 
A demanda por trabalho não seria explicada pelo custo da mão de obra e nem reduções dos sa-
lários para baixar custos e preços dos produtos poderiam estimular a demanda. Ao invés disso, 
diminuições salariais acentuariam a queda da demanda e afetariam negativamente as expecta-
tivas, deprimindo ainda mais a produção. A ênfase no pleno emprego pelos economistas \u201cclássi-
GlOSSáRIO
Assista ao vídeo Quem 
é Keynes, que está 
disponível no acervo 
da Biblioteca Central 
Prof. Antônio Jorge na 
Unimontes.
GlOSSáRIO
New Deal: Programa 
econômico implemen-
tado pelo presidente 
americano Franklin 
Roosevelt, em 1933, 
para enfrentar os 
efeitos da Grande 
Depressão. O pro-
grama consistiu em 
grandes investimentos, 
em obras públicas, 
destinados a gerar 
emprego e estimular 
setores importantes da 
economia, debilitados 
pela crise. O New Deal 
foi, em grande medida, 
inspirado nas ideias de 
Keynes.
DICA
Para aprofundar seus 
estudos reflitam sobre 
as questões:
Será que existem seme-
lhanças entre a quebra 
da bolsa, em 1929, e 
a Grande Depressão 
da década de 1930 e 
os acontecimentos 
recentes que causaram 
quedas nas bolsas 
de todo o mundo e a 
grave crise atualmente 
enfrentada pela maioria 
dos países?
Será que as medi-
das adotadas pelos 
diversos governos para 
combater a crise atual 
também são semelhan-
tes àquelas adotadas 
na década de 1930?
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Ciências Sociais - Economia Política
cos\u201d provocava uma perversa omissão quanto ao problema do desemprego involuntário, mesmo 
num momento em que milhões de trabalhadores sucumbiam ao flagelo da desocupação. Sobre 
esse problema, Keynes destacou: 
[...] o argumento de que o desemprego que caracteriza um período de depres-
são se deva à recusa da mão-de-obra em aceitar uma diminuição dos salários 
nominais não está claramente respaldado pelos fatos. Não é muito plausível 
afirmar que o desemprego nos Estados Unidos em 1932 tenha resultado de 
uma obstinada resistência do trabalhador em aceitar uma diminuição dos sa-
lários nominais, ou de uma insistência obstinada de conseguir um salário real 
superior ao que permitia a produtividade do sistema econômico (1983, p. 49).
Em terceiro, Keynes inverte a 
causalidade: é a demanda que deter-
mina a produção, ao invés de a pro-
dução determinar a demanda \u2013 como 
preconizava a Lei de Say. Isto é, Key-
nes inverte o problema clássico: a for-
ça motora do sistema não está do lado 
da produção, mas do lado da deman-
da. A instabilidade foi apontada como 
um traço marcante do capitalismo, 
que se manifesta por meio de crises 
periódicas, relacionadas à insuficiên-
cia de demanda efetiva. O comporta-
mento egoísta, movido pelo desejo de 
ganhar cada vez mais, é um elemento 
determinante dessas crises. A deman-
da agregada no capitalismo é dividida 
em demanda por bens de consumo e 
demanda por bens de investimento. 
A demanda por bens de consumo é 
determinada, sobretudo, pela renda 
dos indivíduos e apresenta um com-
portamento relativamente estável. A 
demanda por bens de investimento, 
por sua vez, é condicionada pela ex-
pectativa de retorno \u2013 denominada 
de eficácia marginal do capital \u2013 e pela 
taxa de juros. O investimento possui 
um comportamento instável, pois as 
incertezas quanto ao futuro podem afetar as perspectivas de retorno e os juros, repercutindo nas 
decisões dos agentes quanto ao investimento. Nos momentos de incerteza, os empresários po-
dem preferir entesourar o dinheiro a investir. Portanto, as flutuações do capitalismo \u2013 igualmente 
chamadas de ciclos econômicos \u2013 podem ser explicadas principalmente pelas oscilações no nível 
de investimentos. Expectativas negativas também atingem os consumidores que, igualmente, 
podem preferir entesourar dinheiro ao invés de gastá-lo. Queda nos investimentos e no consumo 
pode gerar demanda efetiva em nível inferior ao de equilíbrio do pleno emprego. 
5.3 A revolução Keynesiana
O caráter instável do capitalismo mostra que o livre jogo do mercado é incapaz de equilibrar 
oferta e demanda, como afirmavam os adeptos da Lei de Say. Por isso, seria inevitável a interven-
ção do Estado para garantir demanda efetiva e assegurar a plena ocupação dos recursos produ-
tivos, especialmente da força de trabalho. Keynes abalou a crença no Estado mínimo, ao advogar 
que \u201cos controles centrais necessários para assegurar o pleno emprego exigirão, naturalmente, 
uma considerável extensão das funções tradicionais de governo\u201d (KEYNES, 1983, p. 346). 
\u25c4 Figura 21: 
Trabalhadores 
empregados em obras 
públicas, durante a 
implementação do 
New Deal.
Fonte: Disponível em 
http://en.wikipedia.org/
wiki/File:Wpa1.JPG. Aces-
so em 25/08/2014.
\u25c4 Figura 20: 
Desempregados na 
fila para receberem 
uma refeição gratuita 
durante a Grande 
Depressão.
Fonte: Disponível em 
http://www.constelar.
com.br/constelar/85_ju-
lho05/novadepres-
sao1.php. Acesso em 
25/08/2014.
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UAB/Unimontes - 3º Período
Embora as ideias de Keynes tenham sus-
tentado o aparecimento de um movimento 
que foi chamado de Revolução Keynesiana, o 
seu propósito não foi a ruptura da ordem capi-
talista; longe disso, o seu verdadeiro propósito 
foi reformar o sistema para salvá-lo, expandin-
do as funções do Estado para superar a gra-
ve crise que atravessava na década de 1930, 
como se segue: 
Por isso, enquanto a ampliação das fun-
ções do governo [...] poderia parecer a um 
publicista do século XIX ou a um financista 
americano contemporâneo uma terrível trans-
gressão do individualismo, eu a defendo, ao 
contrário, como o único meio exeqüível de 
evitar a destruição total das instituições eco-
nômicas atuais e como condição de um bem-
sucedido exercício da iniciativa individual 
(KEYNES,1983, p. 347).
As medidas advogadas por Keynes tiveram grande impacto nos países capitalistas desenvol-
vidos, especialmente a expansão da intervenção do Estado. Os gastos públicos ampliaram o ní-
vel de demanda da economia, permitindo que todos os equipamentos, máquinas e mão de obra 
fossem plenamente empregados, afastando assim a possibilidade do desemprego e de crises de 
superprodução e subconsumo. Após a Segunda Guerra, a maioria dos países capitalistas, particu-
larmente os desenvolvidos, passou a adotar políticas visando ao pleno emprego. 
Ao mesmo tempo em que ganharam forças as políticas keynesianas, foi se consolidando, nos 
países desenvolvidos, o modelo fordista - em homenagem ao fabricante de carros Henry Ford - 
de produção. O fordismo implicava a introdução de métodos de racionalização da produção, com 
controle dos tempos e movimentos dos trabalhadores,