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Nesse contexto, todo este processo de individualização é capaz de fazer desenvolverem-se 
para o exterior todas as forças egoístas presentes na natureza humana e que, diferentemente de 
MARX, que vê nisso uma consequência natural da Divisão do Trabalho, entende como sendo a 
forma anômica da divisão do trabalho, a deturpação desse processo e a responsável pelos pro-
blemas de integração moral da sociedade através da solidariedade. 
A condição básica para a geração de solidariedade seria que a divisão do trabalho 
ocorresse de forma espontânea, de forma que as funções dos indivíduos seriam realiza-
das, de acordo com suas vocações naturais. A essa forma o autor chama Divisão \u201cforçada\u201d 
do trabalho.
Analisando o efeito de atração entre as pessoas, Durkheim verifica que diversas cor-
rentes na filosofia grega entram em oposição entre si. De um lado defende-se a ideia 
de que a amizade se dá devido às semelhanças que as pessoas veem entre si, de ou-
tro, defende-se a ideia de que são as diferenças. Para o sociólogo, essa oposição entre 
as doutrinas só prova que ambas são as razões pelas quais as pessoas se unem uma às 
outras. Tanto as semelhanças quanto as diferenças podem ser causas de mútua atração, 
embora não se possa considerar que sejam todo tipo de diferenças capazes de produzir 
este efeito, apenas \u201caquelas que, ao invés de se oporem e se excluírem, completam-se 
mutuamente\u201d(DURKHEIM 1974, p.26).
Dessa forma, o autor analisa que o fato de as pessoas buscarem nos amigos as qualida-
des das quais carecem se deve a um sentimento de incompletude próprio dos seres huma-
nos. Ao se unir a um outro, o ser humano se sentiria, então, menos incompleto e assim se 
formariam as associações entre amigos, onde cada qual tem seu papel, de acordo com seu 
próprio caráter,
...onde há uma verdadeira troca de serviços. Um protege, o outro consola; este 
aconselha, aquele executa, e é essa partilha de funções, ou para empregar a 
expressão consagrada, essa divisão do trabalho que determina essas relações 
de amizade. Assim somos conduzidos a considerar a divisão do trabalho sob 
um novo aspecto. Neste caso, com efeito, os serviços econômicos que ela pode 
prestar são pouca coisa ao lado do efeito moral que ela produz, e sua verdadei-
ra função é criar entre duas ou várias pessoas um sentimento de solidariedade 
(DURKHEIM 1974, p. 27).
Pode-se concluir, a partir dessa citação, que a divisão do trabalho possui um papel bastan-
te claro: é a condição de desenvolvimento econômico capitalista. Os ganhos de produtividade 
adquiridos através dela são evidentes e inegáveis. Entretanto, o autor revela outro sentido, ao 
qual atribui um caráter moral, embora o papel que desempenha tenha um caráter estranho à 
vida moral e não desempenhe um papel de desenvolvimento da vida moral. \u201cA atividade indus-
trial não existe sem razão de ser; ela corresponde a necessidades, mas essas necessidades não 
são morais\u201d (DURKHEIM 1974, p.24).
\u25c4 Figura 20: 
Expressões de 
Violência 
Fontes: Disponível 
em <http://philoso-
fia.files.wordpress.
com/2008/06/
violencia_revolver.
jpg>; <http://m326.
photobucket.com/
image/rela%2525C3%2
525A7%2525C3%2525
A3o%20individuo%20
e%20sociedade/
mogget2008/lovers1.
jpg.html?src=www>; 
<http://www.boka-
doinferno.hpg.com.br/
romepeige/filmes/L/
laranja1.jpg> data de 
acesso 17/10/2013.
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UAB/Unimontes - 2º Período
Referências
DURKHEIM, Émile. Da divisão social do trabalho, São Paulo: Martins Fontes, 1995.
_________________As regras do método sociológico. Tradução de Maria Isaura Pereira de 
Queiroz. São Paulo. Cia Editora Nacional, 1974.
 _________________. O Suicídio. 6ª edição. Lisboa: Presença, 1996.
_________________. As formas elementares da vida religiosa. São Paulo: Martins Fontes, 
1995.
________________. Sociologia e Filosofia. 2. Ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1970.
MAUSS, Marcel. Sociologia e Antropologia. São Paulo: Editora Cosac Naify, 2003.
QUINTANEIRO, Tânia; BARBOSA, Maria Lígia de Oliveira; OLIVEIRA, Márcia Gardênia de. Um toque 
de clássicos \u2013Marx, Durkheim e Weber. (Coleção Aprender). Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2000. 
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Ciências Sociais - Sociologia II
UNiDADE iii 
Max Weber
Daniel Coelho de Oliveira 
3.1 Introdução
Após um primeiro contato com a sociologia, vocês devem ter 
notado a importância da teoria clássica sociológica. São denomina-
dos clássicos justamente porque, depois de decorridos anos de sua 
produção, ainda são essenciais para explicar os atuais fenômenos 
sociais. Agora se faz necessário aprofundar o debate iniciado no pri-
meiro semestre. Apresentaremos novos aspectos teóricos, sem, no 
entanto, deixar de dialogar com tudo que vocês já aprenderam. 
Certamente, vocês já se familiarizaram com o ilustre pensador ale-
mão Max Weber. Como já foi dito, trata-se de um intelectual extrema-
mente preocupado com os problemas sociais, políticos e econômicos de 
seu tempo. Por isso, na atual unidade, o fio condutor do debate será a tentativa do autor de interpre-
tar o surgimento do capitalismo, suas causas e suas consequências. Sua análise do capitalismo mo-
derno, desenvolvida principalmente na obra \u201cA Ética Protestante e o \u2018Espírito\u2019 do Capitalismo\u201d. Abor-
daremos também a \u201csociologia da religião\u201d weberiana, que também se relaciona diretamente com a 
busca do autor em entender a \u201cmodernidade\u201d capitalista. E, por último, veremos como Weber analisa 
fenômenos das classes sociais e sua diferenciação com o conceito de estamento. 
De nada valeria a pena estudar as obras de brilhantes intelectuais, se não pudéssemos ma-
terializar suas observações em nosso cotidiano. Seria em vão gastar horas de estudo com uma 
teoria que só tem validade explicativa na França do final do século XIX, como foi o caso da aná-
lises realizadas por Durkheim, ou da Alemanha analisada por Weber no início do século XX. Por 
isso, ao final da unidade, abordaremos alguns fenômenos atuais que podem ser analisadas a 
partir da teoria weberiana. Ressaltamos que serão apresentados somente \u201calguns\u201d de inúmeros 
outros possíveis. Então, desde já, coloco como exercício para todos vocês, o esforço de procurar 
interpretar outras realidades, além das que estão aqui descritas, que podem ser analisadas, com 
referencial teórico e metodológico do autor. 
\u2022 Emergência do capitalismo ocidental 
\u2022 De qual capitalismo estamos falando?
\u2022 A Reforma Protestante 
\u2022 O Desencantamento do Mundo 
\u2022 Conduta de Vida Ascética e o Capitalismo 
\u2022 Weber e a sociologia da religião 
\u2022 Onde nascem as Religiões
\u2022 Religiões do Oriente 
\u2022 Classes sociais e estamentos 
\u2022 Religião e racionalidade na atualidade 
\u2022 Capitalismo do século XXI e racionalidade 
\u2022 Messianismo e Crenças Mágicas 
\u2022 Religião e Prosperidade Financeira
3.2 Emergência do capitalismo 
ocidental 
Certamente, nas primeiras lições sobre metodologia científica, vocês já ouviram falar que 
um bom estudo científico nasce de uma boa pergunta. Na obra A Ética Protestante e o \u201cEspírito\u201d 
do Capitalismo, Max Weber, (2004) procura responder por que na Europa os maiores detentores 
\u25c4 Figura 20: Foto de 
Max Weber. 
Fonte: Disponível em 
https://encrypted-tbn2.
gstatic.com/images?q=t
bn:ANd9GcSzuMGS5Pd
nRY9KatUvB1k02HCmm
HuQfG3YMqoClPZfDQ
fBkH8ov__ZiQ data do 
acesso: 30/09/2013
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UAB/Unimontes - 2º Período
de capital, os principais homens de negócio, bem como os trabalhadores com melhor qualifica-
ção técnica das empresas modernas, são em sua maioria protestantes. 
Tudo indicava que havia uma relação direta entre o protestantismo e o capitalismo Europeu. 
Mas estudar a relação entre o capitalismo e a Reforma Protestante não era um fato novo, escrito-
res como Marx e Engels já se propuseram relacionar os dois fenômenos. Então por que o traba-
lho de Weber causou tanto impacto dentro das ciências sociais? É o que tentaremos responder 
na primeira