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de sociedade sustentada por este 
autor, bem como sua análise acerca da relação entre instituições sociais e indivíduos.
Para tanto, dedicaremos especial atenção aos conceitos de Divisão do Trabalho Social, Soli-
dariedade Social, Coesão Social e Anomia. 
Antes de entrarmos na discussão desses tópicos, entretanto, gostaríamos de rever as ideias 
e conceitos centrais constituintes do campo analítico construído por esse autor. Trata-se de uma 
breve revisão, uma vez que tais ideias e conceitos já foram trabalhados na disciplina Sociologia I, 
no primeiro módulo do curso. Nossa intenção é apenas relembrar, junto com vocês, esse conteú-
do, a fim de engatilhar a discussão que se seguirá.
Este percurso nos ajudará a entender como Durkheim (1995), fundamentou uma análise so-
ciológica que, além de estabelecer as bases cientificas e objetivas da sociologia como uma ci-
ência social particular, tem sido considerada uma abordagem clássica para o entendimento de 
como se constitui a vida em sociedade. 
Esperamos que esses breves comentários sobre as contribuições do pensamento durkhei-
miano para a sociologia despertem o interesse dos leitores, e que as reflexões aqui expostas mo-
tivem seus estudos.
 
A unidade será apresentada através dos seguintes tópicos:
\u2022 Contexto social no qual emerge a sociologia de Émile Durkheim. 
\u2022 Concepção de sociedade sustentada por Émile Durkheim.
\u2022 Socialização, coesão social e anomia.
\u2022 Relação indivíduo x sociedade. 
\u2022 Consciência coletiva e Divisão do trabalho social.
\u2022 Solidariedade social.
Esperamos que vocês aproveitem bem esta unidade e, assim como na unidade de Karl Marx, 
relacionem o que aprenderam sobre Durkheim na Sociologia I com o que vamos estudar agora 
no segundo período.
 Bom estudo!
2.2 Contexto social no qual emerge 
a sociologia de Émile Durkheim 
Émile Durkheim produziu sua análise sociológica na \u201cvirada\u201d do século XIX para o século XX, 
tendo como pano de fundo um contexto social e intelectual marcado pelo otimismo e pela ide-
ologia do progresso. Belle époque é a denominação dada pelos historiadores a este período, no 
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UAB/Unimontes - 2º Período
qual ocorreram grandes avanços: a utilização de eletricidade; o aparecimento de máquinas mo-
dernas; a invenção do avião, do submarino, do cinema e do automóvel, entre outros.
Todavia, por mais que a sociedade euro-
peia daquele tempo vivesse uma belle épo-
que, as contradições e problemas emergiam 
na forma de pobreza, criminalidade e migra-
ções. A decadência de antigas formas de or-
ganização social dava lugar às novas relações, 
práticas e valores, impulsionados pelas trans-
formações econômicas, tecnológicas e sociais 
associadas à chamada Revolução Industrial e à 
consolidação do capitalismo. 
Ao mesmo tempo em que o capitalismo 
se consolida, cresce o volume de uma nova 
classe social: o proletariado. Com o desenvol-
vimento da indústria na Europa, a partir do fi-
nal do séc. XVII e início do séc. XVIII, é grande 
o número de pessoas, principalmente entre os 
mais pobres, que são forçados a deixar seus la-
res no campo e rumam para as cidades, a fim 
de encontrar novas formas de sobrevivência. 
Nesse período, as transações se multiplicam 
e a demanda de mão-de-obra nas minas, nas 
usinas siderúrgicas e nas fábricas aumenta 
substancialmente. Em algumas fábricas, a jor-
nada ultrapassa 15 horas, os descansos e as fé-
rias não são cumpridos e mulheres e crianças 
não têm tratamento diferenciado. 
Essas transformações proporcionam o 
nascimento de um novo estilo de vida, base-
ado na vida urbana e na sociedade de consu-
mo, que tornava a sobrevivência de cada um 
totalmente dependente da produção dos ou-
tros, obrigando progressivamente ao consu-
mo para esta sobrevivência. Mesmo que este 
consumo não esteve de fato ao alcance da 
maioria da população trabalhadora. 
2.3 Concepção de sociedade 
sustentada por Émile Durkheim
Este foi o cenário que inspirou a produção sociológica de Émile Durkheim. Disposto a tentar 
entender as mudanças sociais e individuais que se processavam na sociedade de seu tempo, ele 
desenvolveu um vasto campo conceitual e metodológico, influenciado pelo avanço das diversas 
ciências, especialmente as físicas e naturais. Derivam dessa influência as analogias para comparar 
a sociedade com outros sistemas desenvolvidos nessas ciências. 
Em sua concepção, assim como a física estabeleceu as leis da mecânica, a ciência social de-
veria investigar e formular as leis que regem o funcionamento do mundo social. 
A ideia de corpo social, derivada da biologia, também é utilizada por Durkheim (1984), para 
descrever a sociedade como produto de uma complexa relação entre órgãos sociais que cum-
prem funções específicas e mutuamente dependentes. 
Conforme vimos na disciplina Sociologia I, as instituições sociais assumem esse papel, na te-
oria durkheimiana. A família, a escola, o governo, a polícia, são alguns exemplos de instituições 
sociais que cumprem a função de organizar as práticas, pensamentos e sentidos da vida dos indi-
víduos em sociedade.
Figura 14: Émile 
Durkheim (1858 - 
1917)
Fonte: Disponível em 
<http://www.phillwebb.
net/Topics/Society/
Durkheim/Durkheim2.
jpg>. data de acesso: 10 
de outubro de 2013
\u25ba
Figura 15: O trabalho 
infantil: comum 
nas indústrias no 
período da Revolução 
Industrial na 
Inglaterra.
Fonte: Disponível em 
<http://www.pime.org.
br/imagens/mjjun2005-
-f9c.jpg>. Acessado em 
junho de 2009..
\u25ba
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Ciências Sociais - Sociologia II
Vimos também que as instituições sociais 
funcionam como guardiãs e difusoras dos fa-
tos sociais, isto é, de tudo aquilo que foi esta-
belecido pela sociedade e que orienta como 
os indivíduos devem pensar, sentir e agir. Os 
fatos sociais são experimentados como regras 
morais, normas, leis, costumes, rituais, tradi-
ções, expectativas de comportamentos, práti-
cas burocráticas, oficiais, etc. Portanto, existem 
e atuam sobre os indivíduos, independente-
mente de sua vontade ou de sua adesão cons-
ciente. Isso só é possível graças à mediação 
das instituições sociais que sustentam e legiti-
mam o papel coercitivo assumido pelos fatos 
sociais. Nas palavras do próprio Durkheim:
Os fatos sociais são for-
mados por representa-
ções coletivas, produto 
de uma imensa coope-
ração que se estende 
não apenas no espaço, mas no tempo; para fazê-las, uma multidão de espíri-
tos diversos associaram, misturaram e combinaram suas idéias e sentimentos; 
longas séries de gerações acumularam aqui sua experiência e seu saber. Uma 
intelectualidade muito particular, infinitamente mais rica e mais complexa do 
que do indivíduo está aí concentrada (DURKHEIM 1974, p. 216). 
Estava claro para Durkheim, portanto, que a sociedade é um conjunto integrado de fatos so-
ciais. Partindo desse pressuposto teórico, ele formula suas grandes questões de pesquisa: Quais 
as lógicas e dinâmicas que regem a organização da sociedade, ou seja, o que comanda os fatos 
sociais? O que faz com que se tenha coesão social?
Propondo uma sociologia que concentre os esforços analíticos na tentativa de responder às 
questões relativas às regras de funcionamento das sociedades, Durkheim (1974) desenvolve ricas 
proposições teóricas em sua tentativa de responder a estas questões. Os conceitos que mais cla-
ramente condensam as ideias desenvolvidas por ele nesse sentido são os conceitos de Socializa-
ção, Solidariedade Social e Divisão Social do Trabalho, sobre os quais falaremos a partir de agora.
2.4 Socialização, coesão social e 
anomia
Segundo Durkheim (1974), nosso processo de humanização se torna possível na medida 
em que participamos do convívio humano e somos introduzidos num mundo de cultura. O 
processo de interiorização dessa cultura, chamado por ele de socialização, é que nos possi-
bilitaria incorporar os fatos sociais