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A ação individual ganha um aspecto dinâmico e emancipador, porque seu sentido não é 
mais previamente definido pelo sistema, pela estrutura ou pelos fatos sociais, mas forma-se na 
própria situação de interação, com a contribuição de cada pessoa presente. Os diálogos que os 
agentes sociais travam no seu cotidiano alteram os cursos de ação e atualizam sempre as \u201cestru-
turas\u201d sociais, mas estas, ao serem atualizadas, não necessariamente permanecerão como sempre 
foram. Nesse sentido, a sociedade, como agregado de falantes, reflete continuamente sobre si 
mesma e pode se propor novos signos, novos relatos e novas formas de vida. Se a sociedade é 
um conjunto de indivíduos pensantes falantes e atuantes, a ação individual é visto como um im-
portante instrumento de mudança social.
Referências
COULON, A. etnometodologia.	Petrópolis: Vozes. 1995a.
__________ etnometodologia e educação.	Petrópolis: Vozes, 1995b.
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Ciências Sociais - Sociologia III
UnidAde 4
A teoria da troca social
Maria da Luz Alves Ferreira
4.1 Introdução
Nesta unidade vamos estudar uma nova matéria que é intitulada de teoria da troca social. 
Vocês já devem estar imaginando porque estudar a teoria da troca social, não é? Então vamos 
partir do princípio de que diariamente trocamos algo, sejam coisas, por exemplo, numa loja tro-
camos nosso dinheiro por uma mercadoria, seja afeto, quando relacionamos com alguém \u2013 na-
morado, mãe, pai, irmãos etc., estamos trocando afeto.
Para cumprir o objetivo desta unidade, vamos estudar, em um primeiro momento, os ele-
mentos constitutivos da teoria da troca social e as duas vertentes da teoria da troca na literatura.
4.2 A natureza da teoria da troca 
social
um dos princípios constitutivos da teoria da troca social é lembrar que a vida social é cons-
tituída de interdependências e trocas, constituindo uma trivialidade sociológica que abarca 
questões com as quais a disciplina lida desde seu surgimento, como cooperação, conflito, justiça, 
desvio, negociação, moral etc., tornando a ideia de troca uma constante na história das ciências 
sociais. Assim, apreendemos de forma mais ou menos experimental como funciona o ambiente 
ao qual temos de nos adaptar, compreendemos que o ambiente está estruturado de tal forma 
que se fizermos X o ambiente fará Y. Compreendemos, também, que as pessoas podem ser iden-
tificadas por seus valores e metas, os quais prescrevem o que elas desejam como influxos e eflu-
xos das coisas, e que são dotadas de sensores	que lhes informam sobre a realidade dos influxos e 
efluxos, e um conjunto de ações que são capazes de mobilizar para manter as discrepâncias em 
zero.
As coisas desejadas podem ser de qualquer natureza, de um amor a um sapato novo. E, em 
busca delas, as pessoas procurarão tornar ótimas suas ações, procurando ter a maior recompensa 
possível ao menor custo, mostrando-se, dessa forma, bem adaptadas à situação. 
Nessa linha, os indivíduos são concebidos como seres que agem racionalmente, avaliando 
suas preferências, calculando as probabilidades e avaliando as consequências de seus atos. Aqui, 
chamamos de racional a decisão que se guia pela preferência em estar melhor do que pior, seja 
a ação que garantirá esta sensação motivada pela tradição, pelo valor, pela emoção, ou pela ins-
trumentalidade, não se colocando em questão na teoria da troca a natureza da recompensa. Re-
sultados ótimos dependerão da escolha de um curso de ação racional, entendido como aquele 
capaz de atingir a maior recompensa ao menor custo. Eis aqui a pertinência das palavras de Bre-
demeier:
[...] é a teoria da escolha reacional. O ponto de partida da teoria da troca é uma 
tentativa de descrever as escolhas mais capazes de otimizar a adaptação \u2013 isto 
é maximizar os lucros no sentido definido \u2013 e, portanto, caracterizar os atos das 
pessoas a longo prazo (BREDEMEIER, 1980, p. 558).
A probabilidade de um indivíduo desempenhar qualquer ação dependerá do atendimento 
das seguintes variáveis de recompensa, custo e capacidade de recursos: julgamento de que as 
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UAB/Unimontes - 3º Período
consequências são recompensadoras, que esta recompensa ocupe um lugar de destaque na sua 
escala de valores, que essa recompensa não tenha sido abundantemente oferecida ao agente no 
passado recente, que a probabilidade do ato resultar em recompensa seja alto e que esta recom-
pensa ocorra prontamente após o ato, que o ator não tenha consciência dos custos ou estes se-
jam julgados pequenos ou que serão cobrados no futuro distante e o ator acreditar que dispõe 
dos recursos e capacidade para desempenhar o ato necessário para a obtenção da recompensa.
Para Bredemeier:
Mais detalhadamente podemos relacionar onze variáveis que a lógica da teoria 
da troca mostra como controladores da probabilidade que a pessoa pratique 
determinada ação. Chamaremos essa ação X, e suponhamos que seja qualquer 
coisa, desde a afundar com um navio até plantar maçãs ou praticar a magia. [...] 
a pessoa provavelmente fará X na medida em que: 1) considerar as consequên-
cias potencialmente recompensadoras; 2) o sinal referencial que indica serem 
estas consequências recompensadoras ocupar um lugar elevado na sua hierar-
quia de sinais de referência; 3)o erro que percebe no seu sinal de referência e 
seu sinal de percepção for grande. 4) sua estimativa subjetiva da probabilidade 
de que fazer X resultará em vantagens for alta; 5) achar que a recompensa se 
seguirá prontamente ao ato. Estas cinco variáveis relacionam-secom as recom-
pensas. (BREDEMEIER, 1980, p. 559-560).
Figura 24: Feira 
simbolizando a troca 
material, ou seja, a 
troca na concepção 
individualista de 
inspiração norte-
americana, em que 
as pessoas trocam 
produtos por dinheiro.
Fonte: Disponível em: 
http://esqueletocole-
tivo.files.wordpress.
com/2008/05/escambo_
esqueletos-07.jpg. Acesso 
em 03 out.2009.
\u25ba
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Ciências Sociais - Sociologia III
Deve-se ainda considerar que as pessoas farão tudo que puderem para tornar ótima sua 
adaptação, seja agindo sobre o ambiente de tal forma a este responder favoravelmente, seja 
agindo sobre si mesmo de forma tal a obter uma adaptação ótima segundo o ambiente. Suas 
escolhas serão norteadas pelos seus valores, os quais dependem de interações anteriores de-
las com o ambiente. As pessoas de uma forma geral se sacrificam muito por coisas às quais dão 
grande valor e são capazes de modificar seus valores para se ajustarem às adaptações que fazem 
na realidade, ou seja, são as trocas que fazem dos controles internos o que são. Estes determi-
nam os atos adaptativos subsequentes segundo a resposta que encontrarem no ambiente.
4.3 Enfoques da teoria da troca 
social
existem diversos modos de troca, os quais operam nos mercados, nas burocracias, nos gru-
pos de solidariedade e nas equipes de cooperação e os quais constituem estruturas sociais que 
fornecem diferentes regras para operação dessas trocas.
A teoria das trocas comporta ainda dois enfoques: o primeiro toma a forma de duas pes-
soas em uma interação e considera que elas procuram atingir seus objetivos de forma racional, 
trocando recursos de valor com outras pessoas; a imagem que melhor se ajusta a seus pressu-
postos é a do mercado. As ações seriam motivadas por ganhos pessoais no curso de atividades 
econômicas que estimulam os atores à tomada de decisões em contexto de recursos escassos.
Já o segundo enfoque está vinculado à tradição coletivista e enfatiza que as pessoas não 
buscam maximizar seu lucro em sentido econômico, mas se ajustar às normas por razões sociais, 
seus valores não são utilitários, mas simbólicos e cerimoniais. Essa visão chama atenção para a 
ocorrência da troca entre indivíduos, grupos ou outros sistemas sociais como um todo. Dessa 
forma, os indivíduos têm recompensas e dão contribuições por meio de sua participação geral 
no sistema através