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de política monetária 
e fiscal para reduzir os 
efeitos adversos dos 
ciclos econômicos \u2013 
recessão e depressão 
econômica.
Fonte: Disponível em 
http://content.time.com.
Acesso em 08/05/2014.
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UAB/Unimontes - 3º Período
importantes. O que os primeiros teóricos do socialismo afirmaram \u2013 que a classe operária iria 
crescer e tornar-se a maioria absoluta da população e tomaria consciência de seus interesses \u2013 
estava sendo confirmado pela prática, a cada eleição crescia o número dos eleitores dos partidos 
socialistas europeus.
A burguesia apresentava seus interesses como interesses universais, pregando um raciona-
lismo individualista. Os socialistas trataram de opor a esse individualismo e universalismo uma 
noção de interesses de classe, apresentando a organização das massas operárias sob a condição 
de classe explorada e com interesses comuns entre si e opostos aos da burguesia. Em muitos 
momentos da história, os operários, no entanto, não se identificaram prontamente com o discur-
so dos socialistas, pois desejavam melhores condições de vida e melhores salários, enquanto os 
socialistas falavam mesmo em abolição do sistema salarial (PRZEWORSKI, 1989).
A decisão de participar das eleições e realizar as transformações pela via eleitoral impôs 
uma mudança, os socialistas passaram a buscar apoio em outras classes além dos operários, pas-
sando a representar outras classes e tendo de expressar os interesses dessas outras classes. Os 
partidos socialistas operários passaram a oscilar entre os interesses da classe operária e das de-
mais classes (camadas médias), não podendo mais ser apenas partidos operários e não podendo 
deixar de ser partidos operários.
O dilema descrito acima está na base do desenvolvimento da social-democracia nos séculos 
XIX e XX. Partidos socialistas ou comunistas, de origem operária e sindical, com uma ideologia 
socialista revolucionária, passaram a disputar eleições e com grandes possibilidades de vitória. 
A questão deixada no ar era se esses partidos poderiam realizar as transformações radicais pre-
vistas no programa socialista. A história tratou de demonstrar que isso não era possível. Na prá-
tica, tal desenvolvimento originou a social-democracia, em que governos de partidos socialistas 
passaram a conviver com uma economia de mercado capitalista, apenas conquistando melhores 
condições de vida para os trabalhadores e demais camadas médias da sociedade.
A nova situação dos partidos social-democratas impôs a adoção de um programa de refor-
mas que visava emancipar a humanidade pela criação de uma sociedade de cooperação, abo-
lindo as injustiças sociais para o livre desenvolvimento da personalidade. O programa visava a 
um conjunto de melhorias imediatas, afastando-se dos fins idealizados anteriormente. O mar-
xismo original passava pelo que muitos estudiosos desig-
naram de revisionismo, ajustando-se à nova situação. As 
reformas imediatas constituiriam etapas para se chegar à 
completa transformação da sociedade. Na concepção dos 
social-democratas, reforma e revolução não era uma ques-
tão de escolha, mas um caminho a seguir. Pelas reformas, 
de forma cumulativa, se chegaria a uma transformação: a 
revolução social (PRZEWORSKI, 1989).
A revolução social antevista pelos social-democra-
tas era necessária para pôr fim à propriedade privada dos 
meios de produção, causa de todos os males, desigualda-
de e injustiça. A conquista do poder deveria ser seguida 
pela socialização ou nacionalização dos meios de pro-
dução. Os movimentos de ocupação de fábricas levaram 
à criação de comitês de socialização e a questão foi che-
gando aos parlamentos. Embora os social-democratas te-
nham chegado aos governos ou tenham parte deles, a so-
cialização dos meios de produção nunca ocorreu de fato.
Na impossibilidade de realizar a socialização ou a na-
cionalização dos meios de produção, os social-democratas 
passaram a promover melhorias nas condições de vida 
dos trabalhadores, programas habitacionais, salário míni-
mo, proteção contra desemprego, tributação sobre renda 
e herança, pensão para idosos, etc. Essa realidade configu-
rou o Estado de bem-estar social (o Welfare State) em qua-
se toda a Europa Ocidental.
Na falta de uma teoria econômica própria, os so-
cial-democratas acabaram aceitando os pressupostos da 
teoria de John Maynard Keynes, pois era uma teoria que 
conferia um caráter universalista aos interesses dos tra-
balhadores. O keynesianismo possibilitou aos social-de-
Figura 18: Propaganda 
de guerra norte 
americana, 1943, 
Segunda Guerra. 
Similarmente aos 
soviéticos, o governo 
americano determina 
a não comunicação. 
Diz o cartaz: \u201cConto 
com você! Não discuta: 
movimentos de tropas, 
cruzeiros de navios, 
equipamentos guerra\u201d.
Fonte: Disponível em 
http://www.usmm.org/. 
Acesso em 08/05/2014
\u25bc
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Ciências Sociais - Política III
mocratas a instituição do Estado de bem-estar. O novo projeto implicava um compromisso de 
classes: os trabalhadores e os partidos social-democratas abriram mão de lutar pelo fim da pro-
priedade privada dos meios de produção, aceitando manter a sociedade capitalista fundada na 
exploração do trabalho e no lucro, e os empresários aceitaram conviver com a tributação, pro-
teção do trabalho e intervenção do Estado para realizar distribuição de renda. Eis aqui a pedra 
fundamental da orientação social-democrata: a forte intervenção do Estado na sociedade, nas 
decisões políticas e, principalmente, econômicas.
O compromisso ou pacto de classes que permitiu o desenvolvimento da social-democracia 
pode ser assim caracterizado: (1) o Estado se responsabilizava pelas atividades não lucrativas, 
mas necessárias para a economia; (2) o governo regulava o funcionamento do setor privado; (3) 
o Estado, aplicando os princípios do bem-estar, atenuava os efeitos distributivos do funciona-
mento do mercado e efetuava uma redistribuição de renda através de políticas sociais.
Os social-democratas tiveram de consentir com os lucros dos capitalistas para preservar os 
investimentos e o aumento da produção, seguindo as leis do capitalismo. Ainda que, em oposi-
ção às reivindicações históricas dos trabalhadores, a proteção dos lucros era fundamental para 
possibilitar ao Estado de bem-estar social a capacidade tributária de que necessitava para reali-
zar justiça social através de políticas sociais.
Em síntese, o Estado de bem-estar social, também conhecido como Estado-providência, é 
um tipo de organização política e econômica que coloca o Estado como agente da promoção 
social e organizador da economia. Nessa orientação, o Estado é o agente regulador de toda vida 
social, política e econômica do país em parceria com sindicatos e empresas privadas. Cabe ao 
Estado do bem-estar garantir serviços públicos e proteção à população. O Estado de bem-estar 
social desenvolveu-se principalmente na Europa, onde seus princípios foram defendidos pela 
social- democracia, tendo sido implementado com maior intensidade nos estados Escandinavos 
(ou países nórdicos), tais como: a Suécia, a Dinamarca, a Noruega e a Finlândia; e com menor in-
tensidade em países como: a Alemanha, a França, a Inglaterra, a Espanha, a Holanda e a Bélgica.
Pelos princípios do Estado de bem-estar social, todo indivíduo teria o direito, desde seu nas-
cimento até sua morte, a um conjunto de bens e serviços que deveriam ter seu fornecimento ga-
rantido, seja diretamente através do Estado, seja indiretamente, mediante seu poder de regula-
mentação sobre a sociedade. Esses direitos incluiriam a educação em todos os níveis, a assistência 
médica gratuita, o auxílio aos desempregados, a garantia de uma renda mínima, recursos adicio-
nais para a criação dos filhos, além de programas de habitação e garantia do pleno emprego.
3.5 O Estado e o neoliberalismo 
A ideologia neoliberal ou o neoliberalismo tem suas origens