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Shape, 
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Ciências Sociais - Política III
UniDADe 5
O Estado-nação e os dilemas da 
globalização
5.1 Introdução
Caro(a) acadêmico(a), considerando o conteúdo das unidades anteriores vocês já estão cien-
tes de que chegamos nesta última unidade pautados numa perspectiva crítica do tema da nos-
sa disciplina. Vocês estudaram nas unidades anteriores conceitos e teorias gerais, como também 
tiveram acesso a uma crítica concreta sobre aquelas mesmas teorias. É nesse mesmo compasso 
que encerraremos este caderno didático. 
Nesta quinta e última unidade, dedicamo-nos a analisar o processo de globalização e o Esta-
do-nação. Aprofundaremos aqui a crítica iniciada no capítulo anterior sobre o lugar dos cidadãos 
nos estados-nação, em tempos de \u201caldeia global\u201d. Portanto, estaremos em outra direção, para 
além de ficarmos situando a globalização como um processo uniforme e benevolente com a hu-
manidade, reportando aos avanços tecnológicos da comunicação em escala planetária como o 
ápice da nossa \u201cevolução\u201d como espécie e aperfeiçoamento como sociedade global igualitária, 
\u201cuma aldeia global\u201d como muitos querem.Aqui o enfoque recairá novamente sobre as políticas 
neoliberais e seu impacto em nossas vidas, principalmente no tocante ao mercado de trabalho e 
o acesso ao conhecimento que nos é permitido. 
5.2 Neoliberalismo, reestruturação 
produtiva e centralidade do 
conhecimento
Até a década de 1980, o modelo de acumulação industrial do país apoiava-se na existência 
de uma força de trabalho desqualificada, barata e descartável. A mudança das dimensões técni-
ca e administrativa do capitalismo, que vem se operando em nível mundial desde os anos 1970, 
chegando ao Brasil por volta de 1989, produziu grandes modificações em todos os aspectos da 
sociedade, particularmente no mundo do trabalho. O trabalhador da indústria foi solicitado a 
deixar de ser um mero executor de tarefas parceladas e a participar mais ativamente do conjunto 
da produção, organizando-se em \u201cilhas\u201d de trabalhadores (e tantos outros modos de administra-
ção chamados \u201cjaponeses\u201d) e lidando com os resultados da introdução da microeletrônica na ati-
vidade fabril.
Ligada a essa nova forma de trabalho, amplamente conhecida como a transição do fordis-
mo ao pós-fordismo, emerge a questão da \u201ccentralidade do conhecimento\u201d. Evidentemente, tal 
centralidade não está circunscrita à organização industrial, mas se espalha por toda a sociedade, 
no mesmo momento em que a informática vai invadindo todos os cantos do planeta e exigindo, 
cada vez mais, novos conhecimentos para operar os mais variados aparatos que se interpõem à 
vida diária de cidadãos e cidadãs. Portanto, os novos conhecimentos exigidos dos trabalhadores 
dão forma ao que se tem chamado de \u201ccentralidade do conhecimento\u201d na sociedade moderna. 
Passam a influir na definição (ou redefinição) dos processos de qualificação profissional e, assim, 
dos requisitos para a inserção dos indivíduos na nova dinâmica da atividade produtiva, calcada 
no pós-fordismo.
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UAB/Unimontes - 3º Período
A expansão da educação no século XX esteve intimamente relacionada à evidente necessi-
dade de uma mão-de-obra alfabetizada e disciplinada. Com as mudanças em direção a uma eco-
nomia do conhecimento, a educação ganha cada vez mais importância. À medida que diminuem 
as oportunidades para os trabalhadores manuais não profissionalizados, o mercado de trabalho 
passa a exigir trabalhadores familiarizados com as novas tecnologias, com capacidade para ad-
quirirem novas habilidades e para trabalharem com criatividade.
A ênfase que é dada pelos governos à qualificação profissional, como aspecto integrante 
da formulação das políticas públicas de emprego, relaciona-se às características do processo de 
reestruturação produtiva pelo qual passa o Brasil nos anos 1990. A abertura da economia ao mer-
cado externo e as inovações técnicas e administrativas introduzidas no sistema de produção se 
realizam de modo a conferir à grande parte da economia brasileira uma conformação de tipo 
pós-fordista, particularmente nos setores estratégicos e de ponta. As inovações advindas desse 
referencial de produção afetam, sobremaneira, o mundo do trabalho, expressando-se na deman-
Figura 30: May Day V, 
2006, May Day Series, 
Andreas Gursky. 
Fonte: Disponível em 
http://nymag.com. Acesso 
em 14/05/2014.
\u25ba
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Ciências Sociais - Política III
da de um perfil de trabalhador que apresente capacitações articuladas a um preparo profissional 
mais elevado, mais consistente, especialmente quando comparado ao perfil exigido pelo chama-
do modelo fordista, que foi hegemônico até os anos 1980. 
Além disso, as inovações de tipo pós-fordista geraram outras modificações no sistema de 
profissões então conhecidos, destruindo algumas delas e criando novas, provocando mais ins-
tabilidade nas relações de trabalho e contribuindo para realçar o conhecimento como elemento 
central para a inserção dos trabalhadores no mundo produtivo. Essas inovações são também as 
que dão origem à figura da \u201cempregabilidade\u201d, tão mencionada nos documentos oficiais que sus-
tentam a importância da qualificação profissional como estratégia para as políticas públicas de 
emprego e renda.
O fim dos anos 1960 e o início da década de 1970 marcaram, nos países capitalistas desen-
volvidos, um processo de mudança de um padrão de desenvolvimento industrial denominado 
fordismo, baseado na produção em massa, para um novo paradigma produtivo denominado 
pós-fordismo. Para a \u201cescola francesa de regulação\u201d, o conceito de fordismo designa o modelo 
de desenvolvimento que marca uma determinada fase de desenvolvimento do capitalismo em 
países centrais \u2013 os anos do vigoroso ciclo expansivo do pós-guerra \u2013 cuja estratégia para o au-
mento da produtividade do trabalho é orientada pelo capitalismo de regulação \u201cmonopolista\u201d ou 
\u201cadministrado\u201d (FERREIRA, 1991).
A partir da década de 1990, os contornos de um novo tipo de organização da produção são 
identificados pelas políticas públicas de educação, principalmente no que se refere ao processo 
de qualificação dos trabalhadores, com a elevação do nível