politica3
82 pág.

politica3


DisciplinaCiência Política I25.541 materiais536.705 seguidores
Pré-visualização31 páginas
domínios do Império Romano.
A formação de um vasto império proporcionou aos romanos grandes dificuldades ligadas à 
manutenção dos limites territoriais com outros povos europeus. A partir do século IV, os povos 
germânicos foram atraídos pela disponibilidade de terras férteis e o clima ameno das possessões 
romanas. Os romanos tinham o costume de chamar esses invasores estrangeiros de \u201cbárbaros\u201d. 
Essa palavra de origem grega era genericamente destinada a todo aquele que não tinha capaci-
dade de assimilar a língua e os costumes romanos. Apesar dessa distinção, as invasões bárbaras 
foram responsáveis diretas por um intenso intercâmbio cultural que modificou profundamente a 
formação étnica, política, econômica e religiosa do mundo ocidental.
14
UAB/Unimontes - 3º Período
O feudalismo \u2013 Com a derrocada do Império Romano, devida em grande parte pelas in-
vasões bárbaras, prevaleceram na Idade Média as relações de vassalagem e suserania. O suse-
rano era quem dava um lote de terra ao vassalo que deveria prestar fidelidade e ajuda ao seu 
suserano. O vassalo oferecia ao senhor fidelidade e trabalho, em troca de proteção e de um lugar 
no sistema de produção. As redes de vassalagem se estendiam por várias regiões, sendo o rei o 
suserano mais poderoso. Todos os poderes \u2013 jurídico, econômico e político \u2013 concentravam-se 
Figura 2: O Saque de 
Roma por Bárbaros em 
410, tela de Joseph-
Noël Sylvestre, 1890.
Fonte Disponível em 
http://www.latribune-
delart.com/. Acesso em 
19/05/2014.
\u25ba
15
Ciências Sociais - Política III
nas mãos dos senhores feudais. O feudalismo foi marcado pela importância da posse da terra, 
de onde todos tiravam seu sustento. Os grandes proprietários afirmavam sua independência em 
relação a qualquer autoridade maior (Estado). 
Os três fatores acima descritos determinaram as características do Estado Medieval: um po-
der exercido pelo Rei, com uma infinidade de poderes menores, sem hierarquia definida; uma 
ordem imperial e eclesiástica (religiosa) em que o Rei tinha pouco poder político, pois competia 
com os senhores feudais e com o Papa. O período medieval foi marcado por grande instabilidade 
política, que culminou na centralização da autoridade que veio a se realizar com o surgimento do 
Estado Moderno.
1.2.3 O Estado Moderno
É na Idade Moderna que aparece o termo Estado para designar a sociedade política. Coube 
a Maquiavel usar pela primeira vez o termo \u201cStatus\u201d com o sentido de Estado. Segundo Maquia-
vel (2003), todos os domínios existentes que tiveram ou têm autoridade sobre os homens são 
Estados e foram ou são Repúblicas ou Principados (Monarquias). 
A instabilidade política e social do período medieval e as transformações que ocorreram no 
final da Idade Média levaram à busca de unidade político-territorial, na qual deveria se afirmar 
um poder soberano e estável. O Estado Moderno nasceu assim, com as características básicas 
hoje conhecidas: unidade territorial, poder soberano, definição de um povo por meio da na-
cionalidade, ordenamento jurídico e finalidade; essas características se tornaram os elementos 
constitutivos do Estado (BOBBIO, 2004; DALLARI, 2001). 
Em suma, o Estado Moderno começa a ser formado no final da Idade Média, como resultado 
das crises e instabilidades do período medieval, da ascensão da burguesia e de uma redução do 
papel da igreja (o poder papal). 
Entre os séculos XV e XVIII, vigorou o absolutismo. O Estado absolutista é primeira manifes-
tação do Estado Soberano do qual falamos acima. Essa forma de Estado é uma expressão históri-
ca do grande poder dos reis que, com a entrada da modernidade, já não enfrentavam a oposição 
dos senhores feudais enfraquecidos e nem da igreja, que teve seu poder reduzido. Os reis abso-
lutistas sequer enfrentavam, ainda, o poder da burguesia, como uma classe organizada. O Estado 
absolutista era uma espécie de \u201cEstado feudal transformado\u201d, que se sustentava sobre uma enor-
me burocracia administrativa e que mantinha grandes privilégios às elites políticas, limitando o 
desenvolvimento da economia burguesa. Esse Estado absolutista é chamado na Ciência Política 
de Antigo Regime (Ancién Régime). 
Os argumentos ideológicos em favor do absolutismo apoiavam-se nas ideias de filósofos 
como Jean Bodin, Maquiavel e Thomas Hobbes (autores estudados na disciplina Política I, no pri-
meiro semestre). No entanto, o Estado absolutista foi fortemente combatido pelo pensamento 
liberal que surgia, com filósofos como Jean Jacques Rousseau, John Locke e Montesquieu; e pelo 
anseio da burguesia para ascender ao poder político e configurar um Estado que lhe fosse útil, 
menos interventor e com poderes limitados. 
1.3 Conceito de Estado
O Estado é uma das mais importantes criações humanas, é formado por um conjunto de 
instituições voltadas para a administração da vida pública \u2013 ao menos em teoria. Um elemento 
comum nos estudos contemporâneos do Estado é sua caracterização como sociedade política 
e a distinção entre sociedade política e sociedade civil. A sociedade civil é entendida moderna-
mente como o conjunto das associações de natureza privada (econômica ou familiar), voltadas 
para a realização de interesses particulares ou corporativos. As associações da sociedade civil não 
são dotadas de normas válidas para todos os indivíduos de uma dada localidade, elas dispõem 
apenas de normas válidas para seus integrantes. Caracterizam-se como sociedade civil os meios 
de comunicação, as associações de produtores, as organizações não-governamentais, os sindica-
tos e os partidos políticos. Os partidos são destinados a fins políticos, mas eles não podem impor 
seus programas e estatutos a todos os indivíduos, e sim apenas a seus membros. Há associações 
da sociedade civil, como as ONGs, que realizam promoção social ou atividades beneficentes, de 
DiCA
Quando dizemos poder 
soberano, queremos 
dizer um poder acima 
de todos dos demais. 
Se falamos que o 
Estado moderno tem 
um poder soberano, 
falamos, portanto, que 
a Igreja ou qualquer 
outra organização 
social está abaixo do 
Estado e deve obedecer 
às suas leis. Lembre-se 
de que, na Idade Média, 
por exemplo, muitas 
vezes o poder dos reis 
era questionado pelo 
Papa. Há diversos fatos 
históricos que mostram 
derrotas políticas dos 
reis frente aos papas. 
Com o surgimento do 
Estado moderno, so-
berano, essa realidade 
mudou.
DiCA
O conceito de socie-
dade civil é objeto de 
um longo debate na 
ciência social. Aqui, 
quando falamos da 
sociedade civil, esta-
mos nos referindo a 
um sentido comum na 
atualidade. Entre as vá-
rias contribuições para 
se firmar o conceito 
atual de sociedade civil, 
destacamos a obra de 
Antônio Gramsci, que 
vem sendo publicada 
no Brasil pela Editora 
Civilização brasileira 
sob o título de Cader-
nos do Cárcere em 10 
volumes.
16
UAB/Unimontes - 3º Período
interesse público, mas os beneficiários de tais associações são grupos específicos, não toda a so-
ciedade. 
A sociedade política é formada pelo conjunto das instituições públicas (estatais), é dotada 
de um ordenamento jurídico válido para todos os habitantes de determinada localidade ou ter-
ritório. Na sociedade política há normas a serem seguidas por todos, cuja desobediência acarreta 
penas previstas nas leis. A sociedade política dispõe de um ordenamento jurídico abrangente e 
de poder político limitador de todos os demais poderes existentes na sociedade: o poder político se 
sustenta no poder do Estado, que é soberano. Lembra-se de como definimos o poder soberano, 
acima?
O fenômeno estatal insere-se num campo de luta teórica e política, e isso impede de uti-
lizarmos um conceito único de Estado que seja universalmente válido. Cada uma das grandes 
correntes de pensamento apresenta uma dada explicação para a criação, as razões e a função do 
Estado. 
Há, contudo, um relativo