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de adaptação, mas também 
saber viver em conformidade com a natureza. Além disso, mostra a espontaneidade em prestar 
atenção em cada movimento e a cada gesto, sem se prender a uma lei, a uma regra fixa. 
4.5 Huai-Nam-Tzu e Leih-
Tzu: abordagem histórica e 
hermenêutica
O texto Huai-nam-tzu recebe o nome do próprio autor mestre Huai-nam-tzu, século II a.C. 
Essa obra versa sobre \u201c(...) como o tempo, o cosmo e as ações humanas reagem entre si e estão 
interconectadas.\u201d (OLDSTONE-MOORE, 2010, p. 33). Por volta aproximadamente do século III a.C, 
o mestre Leih-Tzu escreve uma obra, que também recebera seu nome. A obra Leih-Tzu \u201c(...) des-
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Ciências da Religião - Textos Sagrados: Orientais e Ameríndias; Tradição Oral
creve o Tao e suas mudanças em várias histórias, que indicam as maravilhas encontradas na cria-
ção.\u201d (OLDSTONE-MOORE, 2010, p. 33).
Percebe-se que os textos Taoistas são escritos de forma obscura, codificadas, para que os 
ensinamentos não pudessem ser compreendidos por pessoas não iniciadas. Os ensinamentos 
eram transmitidos de forma oral para os adeptos que mostrassem dignos, merecedores das 
instruções.
Existem várias escolas ou vertente Taoista, cada um com suas ramificações e pecularieda-
des. Podemos citar cincos vertentes Taoista:
BOX 19 
Cinco vertentes taoista
A primeira delas se chama D\u101n Ding, que significa literalmente Caldeirão e Elixir; é a que 
nós chamamos no Ocidente de Escola da Alquimia; a segunda chama-se Fú Lù, Fú significa li-
teralmente Correspondência, e Lù quer dizer Ordenar. Ou seja, é a Escola da Correspondência 
e da Ordenação, referindo-se à Escola Ritualística e da Lei Cósmica; a terceira chama-se J\u12bng 
Dian, que literalmente significa Textos Clássicos. São escolas que enfatizam mais os estudos 
clássicos, podem ser chamadas de Escolas Filosóficas ou Escolas de Estudos filosóficos do 
Taoísmo; a quarta chama-se J\u12b Shàn, que significa Acumulação da Bondade: aplica os conhe-
cimentos taoístas em benefício da sociedade, da pessoa, da vida; é a escola voltada para a 
doação e para as práticas taoístas na vida quotidiana; e a última chama-se Zh\u101n Yuàn, que sig-
nifica Oráculos e Experiências, ou seja, Yi Jing (I Ching), Astrologia, Artes Marciais, Acupuntura, 
incluindo conhecimentos de cura através da ervas da medicina Taoísta e diversos trabalhos 
energéticos. 
Fonte: Disponível em <http://sociedadetaoista.com.br/blog/sociedade-taoista/jornal-tao-do-taoismo/o-tao-e-o-
taoismo/> acesso em 18 ago. 2013.
Cada um dessas escolas é responsável por um posicionamento como, por exemplo, as artes 
marciais, a astrologia e o oráculo.
Referências
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blicacao/00000000000000000000000000000000/174/Os-Escritos-de-Chuang-Tsu-Kwang-Tze-
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UAB/Unimontes - 2º Período
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Ciências da Religião - Textos Sagrados: Orientais e Ameríndias; Tradição Oral
UnidAdE 5
O livro dos Maias
Admilson Eustáquio Prates
Claudio Santana Pimentel
Jeferson Betarello
5.1 Introdução
Neste capítulo vamos conhecer um pouco sobre a origem do povo Maia através de reno-
mados autores, e a cosmovisão desse povo explicitada no livro Popol Vuh, ricamente descrita em 
linguagem mítica.
Todas as citações foram extraídas de textos em castelhano contidos nos livros da referência 
desta unidade e foram traduzidas por nós para o português, visando facilitar a leitura.
5.2 Os Maias
Os povos do continente americano já eram bastante evoluídos na época dos descobrimen-
tos. De modo geral, tinham grande conhecimento de arquitetu ra \u2013 como demonstram os tem-
plos. Construíam extensas vias \u2013 como as do Império Inca, no Peru, e dos Astecas, no México. Es-
pecialmente o povo Maia possuía conhecimentos muito precisos sobre o movimento dos astros, 
um calendário muito avançado e aptidão para trabalhos artísticos e literários (RECINOS, 1960, p. 
7). Os conquistadores espanhóis destruíram as civilizações que encontraram, arrasando as cida-
des \u2013 por vezes mais ricas e maiores que as da Europa, desprezando os tesouros culturais encon-
trados.
\u25c4 Figura 26: Ruínas 
da cidade Maia de 
Palenque
Fonte: Disponível em 
<http://www.infoescola.
com/historia/civilizacao-
-maia> acesso em 18 ago. 
2013.
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UAB/Unimontes - 2º Período
Como todos os povos do continente americano, os antepassados dos Maias vieram da Ásia 
pelo estreito de Behring. Dispersaram-se ao longo de milênios pelo continente, evoluindo e dife-
renciando-se, formando um mosaico de povos. Linguisticamente, considera-se que um pequeno 
grupo que falava um idioma denominado protomaia estabeleceu-se há 2.600 anos a.C., na Gua-
temala. Com o passar do tempo foram crescendo e dispersando-se, ocupando outras regiões. 
Adaptaram-se ao meio geográfico, foram criando seus caracteres culturais e, assim, diversifica-
ram-se. A língua também se ramificou, conservando um parentesco entre si. Atualmente, consi-
dera-se que existam cerca de trinta línguas no tronco Maia que podem ser remontadas aos tron-
cos linguísticos de outros grupos, em Honduras, El Salvador e Sul da Guatemala que comporiam 
um grupo denominado macromaia que, por sua vez, conecta-se com o macroasteca, compondo 
o complexo tecido que constitui as línguas americanas, derivadas das línguas asiáticas daqueles 
grupos que migraram para o continente americano. (RECINOS, 1960, p. 11-13) 
Os Maias eram mais um conjunto de cidades-estado do que um povo, sua história foi marca-
da por processos de expansão, conquista de territórios e grupos, alternância de poder em tenta-
tivas de centralização. O auge de poder se deu por volta de 900 d.C., e o declínio desta civilização 
ocorreu pouco antes da chegada dos espanhóis no século XVl.
A figura 27 permite que visualizemos a grande extensão que foi ocupada pela civilização 
Maia. Os Maias estavam presentes no que corresponde hoje à grande parte do Sul do México 
e os seguintes países: Guatemala, Belize, Honduras e El Salvador. O mapa destaca os principais 
sítios arqueológicos encontrados, os rios mais importantes e as subdivisões naturais e culturais.
A religião dos Maias, como em outros povos mesoamericanos, era constituída por vários 
deuses. As forças da natureza eram deificadas e, por sua importância para os povos agriculto-
res, eram especialmente veneradas. Também os diferentes ofícios tinham seus deuses específicos 
para protegê-los. A sociedade era dividida basicamente em duas classes: a) trabalhadores e es-
cravos, b) nobreza, que compreendia senhores e sacerdotes. As deidades populares eram aque-
Figura 27: Mapa da 
região Maia (sítios, 
rios, divisões naturais e 
culturais)
Fonte: SHARER, Robert J. 
the ancient maya. 3. ed. 
México: FCE, 1998,