textos-sagrados-orientais-amerindias
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de não contradição e 
o principio do terceiro 
excluído.
1. O Princípio de Iden-
tidade expressa uma 
tautologia, demonstra 
que algo é idêntico a si 
mesmo, sendo sempre 
verdadeiro.
Por definição, a tautolo-
gia é um enunciado que 
é verdadeiro, indepen-
dentemente dos valores 
de verdade, sendo, 
portanto, sempre ver-
dadeira.
Assim, a identidade é 
uma tautologia.
Sendo, P = E, portanto 
E = P. 
2. O Princípio da Não 
Contradição diz que 
uma proposição verda-
deira não pode ser falsa 
e uma proposição falsa 
não pode ser verda-
deira.
Portanto, nenhuma 
proposição pode ser os 
dois ao mesmo tempo.
O que é confirmado pe-
los contraditórios \u201cLaura 
é psicóloga\u201d e \u201cLaura 
não é psicóloga\u201d.
Já que ela \u201cé\u201d ou \u201cnão é\u201d, 
os dois ao mesmo tem-
po nunca, pois entraria 
em contradição.
3. O Princípio do Tercei-
ro Excluído afirma que 
toda proposição ou é 
verdadeira ou é falsa, e 
não há um terceiro caso 
possível.
O que confirma as tau-
tologias e o princípio da 
não contradição, além 
dos chamados contin-
gentes.
Os ditos contingentes, 
apesar de serem enun-
ciados que dependem 
do valor de verdade 
de suas partes mais 
elementares, cabendo 
analisar cada valor obti-
do, tem como resultado 
final apenas duas possi-
bilidades, verdadeiro ou 
falso, não existindo um 
terceiro caso.
Fonte: Disponível em 
<http://fabiopestana-
ramos.blogspot.com.
br/2011/10/introducao-
-logica-aristotelica.
html> acesso em 18 
ago. 2013.
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Ciências da Religião - Textos Sagrados: Orientais e Ameríndias; Tradição Oral
A tradição oral é a grande escola da vida, e dela recupera e relaciona todos os 
aspectos. Pode parecer caótica àqueles que não lhe descortinam o segredo e 
desconcertar a mentalidade cartesiana acostumada a separar tudo em catego-
rias bem definidas. Dentro da tradição oral, na verdade, o espiritual e o material 
não estão dissociados. Ao passar do esotérico para o exotérico, a tradição oral 
consegue colocar-se de acordo com as aptidões humanas. (...) sempre nos per-
mite remontar à Unidade primordial (HAMPÂTÊ BÂ, 1982, p.183).
Assim, a tradição oral é um processo dinâmico que arranja e reorganiza as impressões vi-
venciadas pela dinâmica da palavra anunciada, incorporada e expressa no modo de vida: hábitos 
mentais, modo de pensar, modo de sentir. Ou seja, a palavra orienta o comportamento e pro-
move a experiência de estar vivo. É assim na tradição africana do Mali, conforme confirma Ham-
pâtê Ba (1982, p. 182), \u201cSe formulássemos a seguinte pergunta a um verdadeiro tradicionalista 
africano: \u2018O que é tradição oral?\u2019, por certo ele se sentiria embaraçado. Talvez respondesse, sim-
plesmente, após longo silêncio: \u2018É o conhecimento total\u2019\u201d.
Por \u201ctradição africana\u201d, entende-se uma cultura específica que não é possível generalizar, 
\u201cQuando se fala da \u2018tradição africana\u2019, nunca se deve generalizar\u201d (HAMPÂTÊ BA, 2003, p. 14). Para 
não cair nessa armadilha, Hampâtê Bâ nos alerta sobre o perigo:
AtiVidAdE
Fazer uma pesquisa so-
bre estrutura cartesiana 
e relacionar com as difi-
culdades para compre-
ender a tradição oral da 
África Negra. Postar no 
fórum de discussão.
GLoSSáRio
Eurocêntrico: Que ou 
aquele que se centra 
na Europa ou nos 
europeus. 
Fonte: Disponível em 
<http://www.pribe-
ram.pt/dlpo/Default.
aspx?pal=euroc%
C3%AAntrico> acesso 
em 18 ago. 2013. 
\u25c4 Figura 31: Tradição 
africana
Fonte: Disponível em 
<http://kukalesa.word-
press.com/> acesso em 
18 ago. 2013.
\u25c4 Figura 32: Mapa de 
Mali
Fonte: Disponível em 
<http://historiaafrica-
na8a.blogspot.com.
br/2013/04/reino-de-
-gana-reino-de-mali-e-
-reino-do.html> acesso 
em 18 ago. 2013.
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UAB/Unimontes - 2º Período
Não há uma África, não há um homem africano, não há uma tradição africana 
válida para todas as regiões e todas as etnias. Claro, existem grandes constan-
tes (a presença do sagrado em todas as coisas, a relação entre os mundos visí-
vel e invisível e entre os vivos e os mortos, o sentido comunitário, o respeito re-
ligioso pela mãe etc.), mas também há numerosas diferenças: deuses, símbolos 
sagrados, proibições religiosas e costumes sociais delas resultantes variam de 
uma região a outra, de uma etnia a outra; às vezes, de aldeia para aldeia. (HAM-
PÂTÊ BÂ, 2003, p. 14)
As perspectivas simbólicas africanas sobre o mundo e as relações do mundo com os hu-
manos, isto é, como os africanos organizam o universo simbólico, deixam o pesquisador oci-
dental em uma situação desconfortável, sabedor da dificuldade que irá enfrentar. O olhar de 
herança europeia comparado ao africano parece ser um olhar limitado, que enxerga fatias, ou 
seja, vê o mundo composto de pedaços, sendo que, para os africanos, existe uma unicidade. 
Outra questão com a qual nos deparamos é o movimento \u201cforçado de\u201d visualizar a África Negra 
como se fosse uma só. 
6.4 Tradição oral e memória
Quando nos dispomos a escrever sobre tradição oral, é necessário antes de tudo discorrer 
sobre a memória. Não a memória pensada no Ocidente, eurocêntrico, mas a memória dos povos 
iletrados, analfabetos, segundo a perspectiva da civilização ocidental.
Figura 33: Oralidade
Fonte: Disponível em 
<http://africasaberese-
praticas.blogspot.com.
br/2009/10/simbolos-afri-
canos.html> acesso em 18 
ago. 2013.
\u25ba
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Ciências da Religião - Textos Sagrados: Orientais e Ameríndias; Tradição Oral
Por não terem a ferramenta da escrita alfabética, as populações da África Negra, como Bam-
bara, Peul e Mandiga, guardam e transmitem os seus saberes de forma oral. Assim Vansina escre-
ve sobre a oralidade:
BOX 24
A oralidade
A oralidade é uma atitude diante da realidade e não a ausência de uma habilidade. As 
tradições desconcertam o historiador contemporâneo \u2013 imerso em tão grande número de 
evidências escritas, vendo-se obrigado, por isso, a desenvolver técnicas de leitura rápida \u2013 
pelo simples fato de bastar à compreensão a repetição dos mesmos dados em diversas men-
sagens. As tradições requerem um retorno contínuo à fonte. Fu Kiau, do Zaire, diz, com razão, 
que é ingenuidade ler um texto oral uma ou duas vezes e supor que já o compreendemos. 
Ele deve ser escutado, decorado, digerido internamente, como um poema, e cuidadosamente 
examinado para que se possam apreender seus muitos significados \u2013 ao menos no caso de se 
tratar de uma elocução importante. O historiador deve, portanto, aprender a trabalhar mais 
lentamente, refletir, para embrenhar-se numa representação coletiva, já que o corpus da tra-
dição é a memória coletiva de uma sociedade que se explica a si mesma. Muitos estudiosos 
africanos, como Amadou Hampate-Ba ou Boubou Hama muito eloquentemente têm expres-
sado esse mesmo raciocínio. O historiador deve iniciar, primeiramente, nos modos de pensar 
da sociedade oral, antes de interpretar suas tradições. 
Fonte: VANSINA, 1982, p.140.
Para que a tradição seja preservada recorre-se à estrutura que apreende o passado e torna-o 
presente quando narrado, falado, contado perante a comunidade. A essa ferramenta denomina-
mos memória. Assim, é na tradição africana do Mali, conforme confirma Hampâtê Bâ:
Entre todos os povos do mundo, constatou-se que os que não escreviam, pos-
suíam uma memória mais desenvolvida. (...) conseguem reter uma inacredi-
tável quantidade de elementos, mas poderíamos mencionar também o caso 
de certos comerciantes iletrados (ainda conheço muito deles) que dirigem 
negócios envolvendo por vezes dezenas de milhões de francos, e emprestam 
dinheiro a muitas pessoas no curso das suas viagens, guardando de memória 
a mais precisa contabilidade de todos esses movimentos de mercadorias e di-
nheiro, sem uma única nota escrita e sem cometer o menor engano (HAMPÂTÊ 
BÂ, 1982, p. 214).
A memória não se limita em recortar o real, fragmentar os fatos, dividir os acontecimentos,