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o que foi transmitido, que procura ouvir com pie-
dade, guardar santamente e expor com fidelidade. Vai assim buscar, no depósito da fé, tudo 
quanto propõe como divinamente revelado. 
Tradição, Escritura e Magistério da Igreja, de acordo com a sabedoria divina, estão arti-
culados e de tal forma associados que um não tem consistência sem o outro. Cada um deles 
contribui eficazmente para a salvação das almas, sob a ação do único Espírito Santo. 
Fonte: DEI VERBUM, Nº 10. In: CONCÍLIO VATICANO (2.: 1962-1965). Vaticano II: mensagens, discursos e documentos / 
tradução Francisco Catão. - São Paulo: Paulinas, 1998.
Considera-se Tradição da Igreja as formas de interpretação e transmissão da escritura radica-
das na liturgia, nos sacramentos, na oração e na pregação. A Igreja acredita que o Espírito Santo 
continua incessantemente instruindo a humanidade por meio da Tradição, legada pelos apósto-
los aos bispos da Igreja, como afirma o Catecismo da Igreja Católica:
BOX 12
A TRAdIÇÃO dA IGReJA e A eSCRITURA SAGRAdA
77. «Para que o Evangelho fosse perenemente conservado íntegro e vivo na Igreja, os 
Apóstolos deixaram os bispos como seus sucessores, «entregando-lhes o seu próprio ofício de 
magistério»». Com efeito, «a pregação apostólica, que se exprime de modo especial nos livros 
inspirados, devia conservar-se, por uma sucessão ininterrupta, até à consumação dos tempos».
78. Esta transmissão viva, realizada no Espírito Santo, denomina-se Tradição, enquanto 
distinta da Sagrada Escritura, embora estreitamente a ela ligada. Pela Tradição, «a Igreja, na 
sua doutrina, vida e culto, perpetua e transmite a todas as gerações tudo aquilo que ela é e 
tudo em que acredita». «Afirmações dos santos Padres testemunham a presença vivificadora 
desta Tradição, cujas riquezas entram na prática e na vida da Igreja crente e orante».
79. Assim, a comunicação que o Pai fez de Si próprio, pelo seu Verbo, no Espírito Santo, 
continua presente e activa na Igreja: «Deus, que outrora falou, dialoga sem interrupção com a 
esposa do seu amado Filho; e o Espírito Santo \u2013 por quem ressoa a voz do Evangelho na Igre-
ja, e, pela Igreja, no mundo \u2013 introduz os crentes na verdade plena e faz com que a palavra de 
Cristo neles habite em toda a sua riqueza» (45).
II. A relação entre a Tradição e a Sagrada escritura
UMA FONTE COMUM...
80. «A Tradição sagrada e a Sagrada Escritura estão intimamente unidas e compenetra-
das entre si. Com efeito, derivando ambas da mesma fonte divina, fazem como que uma coisa 
só e tendem ao mesmo fim». Uma e outra tornam presente e fecundo na Igreja o mistério de 
Cristo, que prometeu estar com os seus, «sempre, até ao fim do mundo» (Mt 28, 20).
Fonte: Disponível em <http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p1s1c2_50-141_po.html>. Acesso 
em 26 jun.2014.
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UAB/Unimontes - 3º Período
A abertura da Igreja, implementada pelo Concílio Vaticano II, sem dúvida se deu em face da 
necessidade de fazer frente aos desafios com os quais a Igreja se deparou na entrada do século 
XX. O avanço ininterrupto do Protestantismo, as múltiplas formas de apropriação, interpretação 
e utilização dos textos bíblicos, a marcha secularizante da ciência e da técnica estão entre esses 
desafios.
Porém, o livre acesso ao texto bíblico fez surgir novas questões à Igreja na contemporanei-
dade:
[...] a partir da DV o uso da Bíblia na comunidade cristã depara-se com novos 
desafios: o problema da verdade bíblica dá lugar a questão da eficácia; a leitura 
histórico-crítica precisa articular-se com as novas ciências humanas (psicanáli-
se e materialismo); o diálogo ecumênico vê-se ante a questão da paternidade 
do texto sagrado; a necessidade de coerência entre as diversas interpretações 
e a profissão de fé; o perigo de banalizar ou fazer uma interpretação errônea. 
(JUNQUEIRA, 2013, p. 70)
A Igreja Católica adentrou o século XXI com a preocupação de tornar a escritura novamente 
o centro da vida cristã. As novas questões advindas do livre acesso à Bíblia acentuaram o com-
promisso dessa instituição com a formação dos leigos. Além disso, a formação de uma rede glo-
bal de informação e comunicação, transportando para todos os lugares uma profusão de ideias 
das mais variadas origens, coloca mais uma vez a Igreja diante do desafio de conservar sua orto-
doxia em um mundo cada vez mais secularizado e plural.
No enfrentamento desse desafio, a Igreja continua recorrendo à sua Tradição, da qual não 
abdica, mesmo quando busca adequar-se a novas ideias e descobertas. Recentemente, o Papa 
Francisco reafirmou o texto da Dei Verbum ao afirmar a Tradição da Igreja como única capaz de 
interpretar corretamente o texto bíblico, atestando que, apesar de todas as concessões realiza-
das, a Igreja não abre mão da primazia sobre a escritura, que vem afirmando desde a sua institu-
cionalização.
Veja no Box a seguir trechos do discurso do Papa Francisco, proferido no dia 12 de abril de 
2013.
BOX 13
TReCHO dO dISCURSO dO PAPA FRAnCISCO AOS MeMBROS dA POnTIFÍCIA CO-
MISSÃO BÍBLICA
Como bem sabemos, as Sagradas Escrituras constituem o testemunho escrito da Palavra 
divina, o memorial canônico que corrobora o acontecimento da Revelação. Por conseguinte, a 
Palavra de Deus precede e excede a Bíblia. É por este motivo que a nossa fé não tem no cen-
tro unicamente um livro, mas uma história de salvação e sobretudo uma Pessoa, Jesus Cristo, 
Palavra de Deus que se fez carne. Precisamente porque o horizonte da Palavra divina abrange 
e se estende para além da Escritura, para a compreender de maneira adequada é necessária a 
presença constante do Espírito Santo, que «ensina toda a verdade» (Jo 16, 13). É preciso inse-
rir-se na corrente da grandiosa Tradição que, com a assistência do Espírito Santo e a orienta-
ção do Magistério, reconheceu os escritos canônicos como Palavra dirigida por Deus ao seu 
povo e jamais cessou de meditar neles e descobrir as suas riquezas inesgotáveis. O Concílio 
Vaticano II reiterou-o com grande clarividência na Constituição dogmática Dei Verbum: «Tudo 
quanto diz respeito à interpretação da Escritura está sujeito ao juízo último da Igreja, que tem 
o mandato divino e o ministério de guardar e interpretar a palavra de Deus» (Papa Francisco, 
2013. n. 12).
Como nos recorda ainda a mencionada Constituição conciliar, existe uma unidade inse-
parável entre Sagrada Escritura e Tradição, porque ambas derivam de uma mesma fonte: «A 
sagrada Tradição, portanto, e a Sagrada Escritura estão intimamente unidas e compenetradas 
entre si. Com efeito, derivando ambas da mesma fonte divina, formam como que uma só rea-
lidade e tendem para o mesmo fim. A Sagrada Escritura é a palavra de Deus, enquanto foi es-
crita por inspiração do Espírito Santo; a sagrada Tradição, por sua vez, transmite integralmen-
te aos sucessores dos Apóstolos a palavra de Deus confiada por Cristo Senhor e pelo Espírito 
Santo aos Apóstolos, para que eles, com a luz do Espírito de verdade, a conservem, exponham 
e difundam fielmente na sua pregação; daqui resulta, assim, que a Igreja não haure só da Sa-
grada Escritura a sua certeza a respeito de todas as coisas reveladas. Por isso, ambas devem 
ser recebidas e veneradas com igual espírito de piedade e reverência» (Ibid.,n. 9).
GLOSSáRIO
Secularizante: Relativo 
a secularizar, tornar 
temporal, profano, civil 
aquilo que era eclesiás-
tico, religioso. 
dICA
Saiba mais sobre o lugar 
da Bíblia no catolicismo 
lendo o texto na íntegra 
do artigo de Sérgio 
Junqueira (2013), intitu-
lado \u201cO texto bíblico e a 
Igreja: construção e re-
construção na História\u201d, 
disponível em <http://
revistas.pucsp.br/index.
php/culturateo/article/
view/15571> Acesso em 
25 jun. 2014.
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Ciências da Religião - Textos Sagrados: Torá e Bíblia
Portanto, o exegeta deve estar atento a sentir a Palavra de Deus presente nos textos bí-
blicos, situando-nos