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mística que ninguém mais experimentou precisa ser transmitida com um teor 
de espiritualidade pelo menos aproximado. E assim o sagrado vai sendo esculpido, desenhado, 
contado, cantado, representado das mais variadas formas. 
O conteúdo bíblico, comunicado a princípio por meio da oralidade, nos contos e cantos dos 
povos antigos, tinha na arte o seu veículo de transmissão por excelência e após escrito não dei-
xou de continuar inspirando músicos, pintores escultores, arquitetos, escritores, poetas, fazendo 
surgir uma diversidade de produções artísticas com o objetivo de ilustrar, traduzir, enaltecer a 
mensagem sagrada ou mesmo de a ela se opor. 
Não poderemos aqui falar de todas as manifestações artísticas que se inspiraram na Bíblia, 
seria uma empreitada inesgotável, iremos apenas mencionar alguns exemplos para que você 
possa ter uma noção da influência exercida pela Bíblia nas artes no mundo ocidental e possa 
transpor o entendimento para o texto sagrado como manifestação do fenômeno religioso: de 
que forma a escritura inspira o homem, à medida que as letras se fazem insuficientes para comu-
nicar o sagrado. 
Conforme Proença (2001, p.44), as primeiras manifestações da arte cristã foram observadas 
nas catacumbas, galerias subterrâneas onde eram enterrados os mortos no período do Cristia-
nismo Primitivo. O local onde eram sepultados os mártires, mortos durante a perseguição por 
parte do Império Romano, passou a ser decorado nas paredes e no teto com as primeiras formas 
de pintura, feitas não por grandes artistas, mas pelos próprios fiéis, por isso apresentavam uma 
forma bastante simples. Essas pinturas retratavam, inicialmente, símbolos cristãos, depois passa-
ram a ilustrar cenas do Antigo e do Novo Testamentos e principalmente, retratar Jesus Cristo e 
seu significado para a nova religião: o redentor e Bom Pastor .
Mais tarde, quando Constantino liberou o culto cristão e Teodósio tornou o cristianismo a 
religião oficial do Império, a arte cristã ganhou novo impulso, foi quando surgiram os primeiros 
e suntuosos templos cristãos. Estes traziam externamente as características das edificações ro-
manas destinadas à função jurídico-administrativas e inclusive utilizavam o mesmo nome: eram 
as basílicas. Por dentro, esses templos traziam espaços amplos, ornamentados com pinturas e 
mosaicos que ensinavam a fé aos novos cristãos. 
dICA
Acesse o texto \u201cSúmulas 
de aulas/ História do 
Direito\u201d, disponível em 
http://www.univer-
cidade.edu/cursos/
graduacao/direito/
pdf/sumulasdeaulas/
SUMULAS_DE_HISTO-
RIA_WEB.pdf para saber 
mais sobre a influência 
do cristianismo nas 
legislações ocidentais.
Figura 30: Basílica 
de Santa Sabina. 
Construída entre 422 a 
432 em Roma. 
Fonte: Disponível em 
<http://img.galerie.chip.
de/imgserver/communi-
tyimages/886100/886116/
original_C2F14CB8286C-
53BE63D96DD3DB-
D3BC77.jpg>. Acesso em 
30 jun. 2014.
\u25ba
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Ciências da Religião - Textos Sagrados: Torá e Bíblia
Na Idade Média, o compromisso entre a arte e a doutrina cristã se acentuaria. Entretanto, 
como afirma Proença (p. 54), o período entre o fim do Império Romano até o século IX foi marca-
do por uma quase ausência de manifestações artísticas. A arte dos povos germânicos era bastan-
te simples se comparada à arte greco-romana, tinha apenas uma preocupação decorativa e não 
contribuía muito para o desenvolvimento artístico. Além disso, observou-se nesse período uma 
decadência das cidades e a predominância da vida rural, espaço desfavorável ao desenvolvimen-
to das artes. 
A Igreja Católica, que conseguira preservar-se nessa nova ordem social, era então o único re-
duto das artes, o que contribuiria para o predomínio da religião como temática artística durante 
toda a Idade Média: 
BOX 19
A IGReJA MedIeVAL: RedUTO dAS ARTeS e dA CULTURA 
O desconhecimento dos assuntos referentes à educação e à arte passou a ser tão grande 
que, no século VII, as únicas fontes de preservação da cultura Greco-romana eram as escolas 
ligadas às catedrais e mantidas pelos bispos para a formação do clero.
Foi assim que a Igreja passou a exercer sua influência sobre toda a sociedade e até mes-
mo sobre o Estado, pois as escolas monásticas eram as únicas instituições educacionais para 
onde as famílias podiam mandar seus filhos. Além de cuidar do ensino, foi também a Igreja 
que continuou a contratar artistas, construtores, carpinteiros, marceneiros, vitralistas, deco-
radores, escultores e pintores, pois as igrejas eram os únicos edifícios públicos que ainda se 
construíam. 
Fonte: PROENÇA, 2001, p.55
No chamado Império Carolíngio, nome atribuído ao período que sucedeu à coroação do im-
perador Carlos Magno, ocorrida em 800, houve um intenso desenvolvimento cultural, com um 
maior incentivo às artes e à literatura e a criação de oficinas ligadas ao palácio. Após a morte de 
Carlos Magno, as atividades intelectuais centralizaram-se nos mosteiros. As oficinas monásticas 
tornaram-se escolas de arte e desenvolveram a arquitetura, pintura, cerâmica, ourivesaria, produ-
ção de vidros, encadernação e ilustração de manuscritos.
A partir do século XII, a intensificação do comércio desloca o centro da vida social do campo 
para as cidades, fazendo destas lugares de produção de conhecimento e de arte. Nesse período, 
o estilo gótico salientou o esplendor da Igreja na arquitetura, na escultura e na pintura. A pintura 
gótica caracterizou-se por uma procura pelo realismo ao reproduzir as imagens, buscando tornar 
os temas retratados os mais verossímeis possíveis.
\u25c4 Figura 31: A 
Lamentação, pintura 
em estilo gótico de 
Giotto di Bondonne 
(1266-1337), um 
importante pintor 
medieval.
Fonte: Disponível em 
<http://goo.gl/IY0Ycc>. 
Acesso em 29 jun. 2014.
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UAB/Unimontes - 3º Período
A partir do Renascimento, entre os séculos XIV e XVI, a pintu-
ra se destacou entre as artes e, naquele momento de efervescência 
cultural, com o aumento do interesse pela cultura greco-romana, 
os temas bíblicos passaram a ser associados a figuras da mitologia 
clássica. A busca pela perfeição, harmonia, equilíbrio e graça, ca-
racterística da arte naquele período, se fazia presente também na 
arte sacra. É importante destacar que nesse momento começa a se 
romper a preponderância dos temas religiosos e outros interesses, 
como o homem e a natureza, ganharam corpo também nas artes. 
Surgiram aí grandes nomes da pintura, como Leonardo da Vinci 
(1542-1519) e Michelangelo (1475-1564) que, embora tenham se dedicado também a outras te-
máticas, se destacaram no retrato de temas bíblicos.
Figura 32: Arte gótica: 
vitrais da Capela de 
Saint-chapelle, Paris, 
França, século XIII. 
Fonte: Disponível em 
<http://goo.gl/sKVX6S>. 
Acesso em 29 jun. 2014.
\u25ba
Figura 33: Escultura 
gótica, datada de 1510.
Fonte: Disponível em 
<http://goo.gl/apCfwu>. 
Acesso em 29 jun. 2014.
\u25bc
Figura 34: O 
fruto proibido de 
Michelangelo, 1509. A 
perfeição nos corpos 
indica a influência da 
arte greco-romana.
Fonte: Disponível em 
<http://goo.gl/iSeB2r>. 
Acesso em 29 jun. 2014.
\u25ba
Figura 35: A última Ceia, 
de Leonardo da Vinci.
Fonte: Disponível em 
<http://goo.gl/yW7bPp>. 
Acesso em 29 jun. 2014.
\u25ba
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Ciências da Religião - Textos Sagrados: Torá e Bíblia
A partir do século XVII, o estilo barroco reacendeu com força a temática religiosa. Conforme 
Proença (2001, p.102), a Reforma Protestante e a Contrarreforma foram fatores que contribuíram 
para um novo esplendor da arte sacra. Nesse período, a Igreja Católica intensificou os trabalhos 
missionários e construiu grandes igrejas a fim de recuperar o seu vigor. Novamente a arte é vista 
como meio de propagar e fortalecer o Catolicismo. O estilo barroco caracterizou-se pela predo-
minância da emoção e a representação intensificada dos sentimentos, com obras carregadas de