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povo seria o \u201cPovo Eleito\u201d, o 
povo predileto, o povo escolhido por esse Deus entre todos os povos da Terra. 
Iahweh disse a Abraão: Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai, 
para a terra que te mostrarei. Eu farei de ti um grande povo, eu te abençoarei, 
engrandecerei teu nome; sê uma bênção (GÊNESIS 11, 1-2).
De Abraão teria nascido Isaac, de Isaac Jacó, de Jacó doze filhos e da descendência desses 
filhos, doze tribos ou clãs. Eram os hebreus:
BOX 01
COnSIdeRAÇÔeS de SMITH (1998) ACeRCA dA nARRATIVA dAS ORIGenS dO POVO 
HeBReU, COnTIdA nO LIVRO GÊNESIS
A narrativa tem como introdução um prólogo admirável (os capítulos 1 a 11 do Gêne-
sis), que descreve como o mundo foi deteriorando e se afastando cada vez mais da bondade 
original. A desobediência (comer o fruto proibido) é seguida pelo assassinato (Caim matando 
Abel), pela promiscuidade (entre os filhos de Deus e as filhas dos homens) e pelo incesto (dos 
filhos de Noé), até ser necessário um dilúvio universal para pôr fim à devassidão dos costu-
mes. Deus não fica inativo diante da corrupção. É contra esse pano de fundo, nos últimos dias 
do império universal sumério, que Deus chama Abrão. Ordena-lhe que siga para uma nova 
terra e ali crie um novo povo. O momento é decisivo. Por responder ao chamado, Abraão dei-
xa de ser anônimo. Torna-se o primeiro hebreu, o primeiro homem de um \u201cpovo eleito\u201d 
Fonte: SMITH, 1998, p. 272
Esse povo, continua a narrativa bíblica, migrou para o Egito por ocasião de uma seca prolon-
gada, em busca de alimentos e terras férteis, a convite de um deles, José, um dos doze filhos de 
Jacó que, outrora vendido como escravo para os egípcios, ascendera-se a uma posição importan-
te junto ao governo egípcio (com auxílio divino). Ao reencontrar os irmãos algozes, perdoou-os e 
chamou-os, juntamente com todo o seu povo, a viver junto de si. Viveram em paz e com fartura 
até a morte de José e a assunção ao governo egípcio de um faraó hostil, que os teria escraviza-
dICA
Recomendamos 
uma leitura crítica do 
Pentateuco, na ótica 
da Ciência da Religião, 
sobretudo os livros 
de Gênesis, Êxodo e 
Levítico, nos quais se 
encontram na íntegra a 
narrativa das origens do 
Povo Eleito, a marcha 
rumo à Terra Prometida 
e as condições da Alian-
ça com Javé.
14
UAB/Unimontes - 3º Período
do. Após um período de opressão e sofrimento, aquele mesmo Deus que outrora se revelara a 
Abraão teria se revelado a Moisés, um hebreu criado no palácio egípcio, para libertar seu povo da 
escravidão e reconduzi-lo à Palestina, a \u201cTerra Prometida\u201d. 
Iahweh disse: Eu vi, eu vi a miséria do meu povo que está no Egito. Ouvi seu 
grito por causa dos seus opressores; pois eu conheço as suas angústias. Por isso 
desci a fim de libertá-lo da mão dos egípcios, e para fazê-lo subir desta terra 
para uma terra boa e vasta, terra que mana leite e mel, o lugar dos cananeus, 
dos heteus, dos amorreus, dos fereseus, dos heveus e dos jebuseus. Agora, 
o grito dos israelitas chegou até mim e também vejo a opressão com que os 
egípcios os estão oprimindo. Vai, pois, e eu te enviarei a Faraó, para fazer sair 
do Egito o meu povo, os israelitas (ÊXODO 3, 7-10).
Tendo retirado o povo do Egito, sob milagrosos feitos divinos, Moisés o teria conduzido por 
quarenta anos pelo deserto do Sinai, onde se deu uma trama de muitos atos. Esse Deus ali ins-
tituíra suas leis ao povo, estabelecendo com este uma aliança. Esse povo, entre tropeços (trans-
gressão à aliança) e recomeços (arrependimento e perdão divino), foi caminhando à sombra do 
seu Deus até vislumbrar a Terra Prometida. Tendo Moisés falecido antes de nela pisar, o seu su-
cessor na liderança do grupo, Josué, teria reconquistado a terra após uma triunfante batalha com 
outros povos que ali se encontravam instalados, logicamente com auxílio divino. 
Instalados na Terra Prometida, os doze clãs teriam se organizado em uma federação tribal 
e ali consolidaram as normas para uma vivência comunitária e para o exercício da aliança com o 
seu Deus: o Código da Aliança. Esse Deus (a quem chamavam de Javé) era o seu governante e, 
em momentos de crise, suscitava líderes carismáticos para auxiliar, orientar ou defender o povo, 
os chamados \u201cJuízes\u201d.
Figura 2: Moisés, 
intermediário da antiga 
aliança, abrindo o Mar 
Vermelho com auxílio 
divino para travessia dos 
hebreus, como narra a 
tradição (Êxodo 14, 15-
31). Os acontecimentos 
históricos, nesse caso 
a saída do Egito, eram 
discernidos à luz da fé. 
Fonte: Disponível em 
<http://goo.gl/a7IuTy>. 
Acesso em 18 abr. 2014.
\u25ba
Figura 3: Conquista 
da terra de Canaã. 
Conforme relata o livro 
de Josué, o território 
teria sido conquistado 
rapidamente, de forma 
uma ofensiva militar 
liderada por Josué com 
auxílio divino.
Fonte: Disponível em 
<http://goo.gl/yFGjha>. 
Acesso em 12 mai. 2014.
\u25ba
15
Ciências da Religião - Textos Sagrados: Torá e Bíblia
A partir desse momento, podemos dizer que o mito se encontrou com a história, pois é o 
período tribal o ponto de partida da historiografia na difícil tarefa de desvendar a história dos 
judeus. Aliás, grande parte dessa história, ao menos no que diz respeito aos costumes, à forma 
de organização social, à cultura e a mentalidade da época só podem ser conhecida graças a essas 
narrativas. 
Aqui, vale a pena mencionar o que diz Kung (2004, p.184) sobre essas histórias. Para esse 
autor, narrativas como a dos patriarcas de Israel (Abraão, Isaac e Jacó), são historicamente impos-
síveis de serem verificadas quanto à sua factualidade, não há como comprová-las. Mas também 
não devem ser desprezadas, pois não são puras lendas, são sagas: narrativas simples, sobre um 
pequeno número de pessoas, utilizando, talvez, nomes de figuras conhecidas popularmente. Es-
sas narrativas são, pois, possuidoras de um núcleo histórico que, embora seja difícil de datar, não 
é destituído de fundamento.
Continuando nosso trajeto pelas narrativas bíblicas, com o passar do tempo, conflitos inter-
nos e as constantes e violentas investidas de povos vizinhos começaram a minar a paz e a har-
monia entre as tribos e estas optaram por um governo centralizado, a exemplo de outros povos 
vizinhos, que tinham seus reis e pareciam mais prósperos, melhor organizados e mais fortes mili-
tarmente. 
Assim, Deus lhes concedeu um rei. Formou-se, então, um pequeno reino, primeiramente 
entre as tribos do sul, governado pelo rei Saul, que teria sido ungido pelo profeta e último juiz, 
Samuel. Após a morte de Saul, outro ungido de Samuel (a mando divino), Davi, teria assumido 
o governo e unificado as demais tribos, formando o reino de Israel (nome outrora dado por um 
anjo ao patriarca Jacó). 
Seu sucessor, Salomão, dotado de uma grande sabedoria (também concedida por Deus) e 
habilidade diplomática, teria construído o templo a Javé em Jerusalém e inaugurado uma fase 
áurea do reino de Israel. Contudo, o seu filho e sucessor, Roboão, não tão hábil político quanto o 
pai, nem sábio, nem honesto e muito menos fiel à aliança (esta última a mais fatal de todas as fa-
lhas que se poderia cometer), levara o reino à decadência. O descontentamento popular ocasio-
nou um cisma: as tribos do norte se separam das tribos do sul, formando o reino de Israel, com 
capital em Samaria, e as tribos sulinas formaram o reino de Judá. 
Enfraquecido, o antigo reino, tanto o seu lado norte quanto o sul, caiu facilmente nas mãos 
dos seus inimigos. Dito de outra maneira, foi conquistado por outros povos que contra eles in-
vestiram em combates (muito comuns naquela época) por novos territórios.
Nas tramas dos textos bíblicos, este povo, quando não era fiel à aliança, era severamente pu-
nido pelo seu Deus e, quando sinceramente arrependido, era perdoado, voltava à amizade com o 
divino e prosperava. Assim eram compreendidas as reveses da História. 
dICA
O nome Javé