Aspectos Juridicos Abordagem Policial completo
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em 10/10/2009 
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- Por sua vez, o Decreto nº 678/1992 promulgou a Convenção Americana sobre 
Direitos Humanos (Pacto de São José da Costa Rica), em 22/11/1969. 
Em suma, tais pactos estabelecem regras e princípios em favor da pessoa que é 
submetida \u201cà apuração de qualquer acusação de caráter penal formulada contra 
ela ou na determinação de seus direitos e obrigações de caráter civil\u201d, tais como: 
 
\u25cf Presunção de inocência; 
\u25cf Direito a um julgamento justo por autoridade competente e imparcial; 
\u25cf Direito à privacidade; 
\u25cf Direito a não ser submetido à tortura, nem a penas ou tratamentos cruéis, 
desumanos ou degradantes; 
\u25cf Direito a não produzir prova contra si mesmo e o de permanecer calado; 
\u25cf Direito à comunicação prévia e pormenorizada da acusação formulada contra si; 
\u25cf Direito de defender-se e de constituir defensor; e 
\u25cf Qualquer pessoa presa ou encarcerada em virtude de infração penal deverá ser 
conduzida, sem demora, à presença do juiz ou de outra autoridade habilitada por lei 
a exercer funções judiciais e terá o direito de ser julgada em prazo razoável ou de 
ser posta em liberdade, dentre outras. 
 
 
Aula 2 \u2013 Direitos e garantias fundamentais 
 
Nesta aula, você estudará os direitos e garantais fundamentais da dignidade da 
pessoa humana, como verdadeiros parâmetros de limitação dos agentes do Estado 
na consecução de suas atribuições. É imprescindível que você leia o artigo 5º, da 
Constituição Federal. 
 
Reflita sobre as questões abaixo antes de começar esta aula. 
 
Os excessos na atuação policial, frequentemente, são objetos de severas críticas 
que, invariavelmente, vinculam-nos à falta de preparação. De outro lado, 
empregando o provérbio \u201ca polícia é uma presença que incomoda, mas, 
principalmente, uma ausência sentida\u201d, sabe-se que o uso da força, a abordagem, a 
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efetivação de uma prisão, constituem procedimentos necessários para se alcançar os 
objetivos dos órgãos da Segurança Pública. 
 
Pensando na sua realidade e experiência profissional, qual sua ideia a respeito? 
Você acredita que seja possível minimizar e até eliminar as críticas sobre a 
legitimidade de uma intervenção policial? 
Direitos e garantias fundamentais 
 
Você estudou na aula passada que a Constituição Federal estabelece as normas de 
organização e estruturação do Estado, de seus poderes (Executivo, Legislativo e 
Judiciário) e de seus órgãos, para que possa atingir a finalidade pública e atender os 
interesses da coletividade. Também foi dito que a Carta Magna traça os direitos e 
garantias fundamentais com o intuito de limitar a atuação estatal, evitando as 
arbitrariedades, próprias de quem ocupa o poder. 
 
A partir de agora serão delineadas as bases do tema \u2013 direitos e garantias 
fundamentais \u2013, para que se possa entender a razão pela qual tanto se fala em 
limitação de poderes e o porquê de sua existência. 
 
O Estado, através dos representantes do povo, quando age no sentido de decidir os 
rumos da nação, recebe poderes como verdadeiros instrumentos para atingir suas 
finalidades. Como ensina Alexandre de Moraes (2007), tais poderes delegados pelo 
povo não são absolutos, encontrando limitações nos direitos e garantias 
fundamentais. 
 
A concepção sobre o tema está vinculada à ideia básica de que o detentor do poder, 
invariavelmente, pode exorbitar suas finalidades, agindo com arbitrariedade.Vale 
lembrar que os poderes são os de editar leis (Legislativo), aplicá-las em favor e 
sobre os cidadãos, disciplinando as relações em sociedade (Executivo) e resolver 
as controvérsias decorrentes de conflitos nas relações sociais e a inobservância do 
direito (Judiciário). É bom dizer, empregando os ensinamentos do professor Paulo 
Gonet Branco (2008), que os direitos fundamentais constituem um núcleo, um 
conjunto de regras e princípios que visam proteger a dignidade da pessoa 
humana. 
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Essa concepção é fruto de uma evolução histórica desde a origem do homem, ser 
eminentemente gregário que se reúne em grupos a fim de aumentar sua força e 
possibilidades para perpetuar sua existência, para que possa assegurar sua 
sobrevivência. 
 
Esse conjunto de regras e princípios que tutelam a dignidade da pessoa humana 
possui algumas características que devem ser observadas. Segundo Paulo Gonet 
(2008), por maior que seja a dificuldade de se fixar as características desse instituto, 
é possível elencar as principais. Veja estas características a seguir. 
 
Características do conjunto de regras e princípios que tutelam a dignidade da 
pessoa humana 
 
\u25cf Universais: Atingem a todos os seres humanos, independentemente de idade, sexo, 
cor, escolaridade, posição socioeconômica. 
\u25cf Absolutos: Estão situados no patamar máximo da hierarquia jurídica, gozando de 
prioridade absoluta sobre qualquer interesse estatal ou coletivo. 
\u25cf Inalienáveis: Não podem ser submetidos à transmissão, venda ou negociação.- 
\u25cf Indisponíveis: Mesmo que o indivíduo renuncie o seu gozo, o Estado deve atuar no 
sentido de respeitá-lo e de protegê-lo. 
\u25cf Consagrados na ordem jurídica: Servem de traço distintivo em face dos direitos 
humanos, fruto de uma evolução histórica, de lutas, de valores e princípios de índole 
essenciais para o homem, ligados à sua existência, com bases jusnaturalistas, que 
antecedem às leis escritas. Os direitos fundamentais constituem-se na inserção dos 
direitos humanos na ordem jurídica concreta, que o Estado os reconhece como sendo 
essenciais e fundamentais, motivo pelo qual os vincula no sentido de dar especial 
proteção. 
\u25cf Limitativos dos poderes constituídos: Serão trabalhados mais adiante. 
\u25cf De aplicabilidade imediata: Não precisa de uma regulamentação 
infraconstitucional, ou seja, uma vez inserido na norma constitucional, o Estado 
deverá respeitá-lo. 
 
 
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Diferença entre direitos e garantias fundamentais 
 
De uma forma bem geral, os direitos representam por si bens, isto é, algo que está 
inserido no patrimônio ou tem como objeto imediato um bem específico da 
pessoa (vida, honra, liberdade, integridade física, etc.). Ao passo que as garantias 
representam um instrumento posto à disposição dos indivíduos para assegurar os 
direitos e limitar os poderes do Estado. Nessa medida, vários são os dispositivos 
contidos no art. 5º, da Constituição, que comportam esse conceito. 
 
Constituição - Art. 5º 
III - Ninguém será submetido à tortura nem a tratamento desumano ou degradante; 
LVIII - O civilmente identificado não será submetido à identificação criminal, salvo 
nas hipóteses previstas em lei (vide Lei nº 10.054/2000); 
LXI - Ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e 
fundamentada de autoridade judiciária competente, salvo nos casos de transgressão 
militar ou crime propriamente militar, definidos em lei; 
LXII - A prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão comunicados 
imediatamente ao juiz competente e à família do preso ou à pessoa por ele indicada; 
LXIII - O preso será informado de seus direitos, entre os quais o de permanecer 
calado, sendo-lhe assegurada a assistência da família e de advogado; 
LXIV - O preso tem direito à identificação dos