Aspectos Juridicos Abordagem Policial completo
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Aspectos Juridicos Abordagem Policial completo


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Aliando a técnica policial com os 
parâmetros jurídicos, o resultado será uma atuação legítima, adequada, necessária e 
razoável. 
 
Observe que está sendo discutida a ponderação de valores que, através do princípio 
da proporcionalidade, constitui instrumento capaz de solucionar os problemas mais 
cruciais ou triviais do dia-a-dia enfrentados pelos agentes estatais. 
 
Lembra o professor Thiago André Pierobom de Ávila (2007) que essa concepção é 
própria da estrutura das normas de direitos fundamentais, esculpida no Estado 
constitucional contemporâneo. Com essas palavras ele apresenta os ensinamentos de 
Robert Alexy, para quem o direito, que existe para disciplinar as relações sociais, se 
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expressa por meio de normas e essas, por sua vez, abrangem as regras e os 
princípios. 
 
As regras proíbem ou permitem algo em termos categóricos, são cumpridas na 
lógica do tudo ou nada. 
 
Os princípios constituem espécies normativas que traduzem valores da sociedade 
inseridos na ordem jurídica (vida, honra, intimidade, liberdade, dignidade, moral, 
etc.), que devem ser aplicados na medida do possível, de acordo com as 
possibilidades fáticas e jurídicas. Em consequência, são considerados como 
mandados de otimização. Lembrem que são esses valores que o Estado deve proteger 
e respeitar. Mas, na consecução de suas atribuições esses valores podem ser 
relativizados, como já foi dito anteriormente. 
 
É nesse momento que entra a questão da ponderação. A questão é crucial. Tanto que 
o professor Paulo Gonet (2008) indaga: O que acontece quando duas posições 
protegidas como direitos fundamentais diferentes brigam por prevalecer numa 
mesma situação? Pode uma prostituta invocar o direito de ir e vir para justificar 
pedido de salvo conduto que lhe assegure fazer o trottoir? 
 
Tendo por base a questão anterior, o agente do Estado, diante de eventual conflito 
de direitos fundamentais, deve promover um juízo de valor, principalmente frente a 
uma fundada suspeita, uma ponderação de valores que se assenta sobre o princípio 
da proporcionalidade, que abrange três critérios: o da adequação, necessidade e 
proporcionalidade em sentido estrito. 
 
A adequação exige que as medidas interventivas, adotadas pelo agente do Estado, 
sejam aptas a atingir os objetivos pretendidos. A necessidade, também conhecida 
por exigibilidade, diz respeito à escolha, dentre os vários meios existentes, do menos 
gravoso para o indivíduo sujeito à atuação estatal. A proporcionalidade em sentido 
estrito (também mencionada por alguns como razoabilidade) constitui um juízo 
definitivo da medida sobre o resultado a ser alcançado, ponderando-se a intervenção 
e os objetivos perseguidos, sobre o fundamento do equilíbrio entre um e outro. 
 
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Imagine... 
 
É irradiado pela central de operações a existência de um veículo automotor, com três 
indivíduos em seu interior, portando entorpecentes e arma de fogo. Em dado 
momento, uma viatura se depara com um veículo com as exatas características 
transmitidas pela central. Diante disso, os agentes devem começar a promover juízos 
de valor, ponderações para que possam atuar. 
 
É necessário abordar? 
Qual a técnica a ser utilizada na abordagem? 
O número de policiais garante a segurança da guarnição, da população e dos 
próprios indivíduos a serem submetidos à atuação estatal? 
Dentre os meios disponíveis para a busca, qual é o menos gravoso? 
A atuação técnica mostra-se suficiente e equilibrada para neutralizar qualquer 
tipo de reação e atingir os objetivos? 
 
As respostas a essas indagações, em observância aos requisitos da necessidade, 
adequação e razoabilidade, representam a legítima atuação dos agentes policiais, 
assegurando a todos os cidadãos um agir estatal eficiente no âmbito da Segurança 
Pública, mostrando-se adequado com a dignidade da pessoa humana, com o devido 
respeito aos direitos e garantias fundamentais. 
 
 
 
 
Aula 4 \u2013 Os órgãos de Segurança Pública: limites e atribuições 
 
Nesta aula, você vai encontrar uma abordagem que traz as consequências pelas quais 
o Estado e seus agentes se submetem a uma responsabilização quando os limites de 
seus atos são extrapolados. Ao final, fechando este módulo, você terá a oportunidade 
de conhecer as principais atribuições dos órgãos de Segurança Pública. 
 
Antes de começar, reflita sobre as questões abaixo. 
 
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Pela terceira teoria de Isaac Newton \u201cpara cada ação há sempre uma reação, oposta 
e de mesma intensidade\u201d. Diante dessa teoria, você teria condições de estabelecer 
uma relação entre ela e a extrapolação de limites pelo Estado, quando atua através 
de seus agentes públicos?Em outro contexto, considerando sua experiência 
profissional, você consegue enxergar os contornos da atividade exercida em sua 
instituição? 
 
Responsabilidade civil do Estado decorrente da atuação policial 
 
Na atuação estatal eventualmente o agente público se desvia de suas atribuições, 
podendo gerar danos aos indivíduos, à população e à sociedade. 
 
Quando não são observados os direitos e as garantias fundamentais, quando o juízo 
de ponderação de valores (adequação, necessidade e razoabilidade) não se cumpre, 
gerando danos morais e/ou materiais às pessoas, o Estado, por seu agente, pratica 
ato ilícito. 
 
No sistema jurídico, a prática de atos ilícitos enseja o dever de indenizar. Nesse 
sentido, veja o que estabelece o Código Civil. 
 
 
 
 
 
 
Código Civil 
Art. 186 Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar 
direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito. 
Art. 187 Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo, excede 
manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou pelos 
bons costumes. 
Art. 927 Aquele que, por ato ilícito (artigos 186 e 187), causar dano a outrem, fica obrigado a 
repará-lo. 
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Parágrafo único. Haverá obrigação de reparar o dano, independentemente de culpa, nos casos 
especificados em lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano 
implicar, por sua natureza, risco para os direitos de outrem. 
Vale dizer que, em face do Estado, existem regras peculiares. Em outras palavras, o que se 
pretende dizer é que a responsabilidade civil do Estado é objetiva. De acordo com o 
estabelecido na Constituição Federal: 
Art. 37 A Administração Pública direta e indireta de qualquer dos poderes da União, dos 
estados, do Distrito Federal e dos municípios obedecerá aos princípios de legalidade, 
impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: (Redação dada 
pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Emendas/Emc/emc19.htm#art3 
§ 6º - As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços 
públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, 
assegurado o direito de regresso contra o