Psicomotricidade_Unidade I
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Psicomotricidade_Unidade I


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O autor sugere ainda outras atividades e afirma que o reconhecimento do corpo, assim como a sua 
investigação, encaminha\u2011se da parte para o corpo global e da periferia para o eixo corporal.
\u2022 Após a investigação e o reconhecimento do corpo, Coste (1978) afirma que é necessária uma 
efetiva integração do esquema corporal. Nesse patamar, a criança deve ser levada a investir em 
toda e qualquer situação desse esquema. Coste distingue dois níveis: a ação e a representação 
mental, passando desta para a simbolização. O terapeuta deve levar a criança a denominar 
os segmentos corporais de articulações e de movimentos. O profissional estimula a criança a 
descrever seu corpo, a comentar um desenho que tenha feito de si e, em seguida, descrever para 
as outras crianças. É importante que ela realize tarefas elaboradas e complexas, em que a ação 
corporal e a equilibração sejam exercitadas. Um exemplo de atividade é solicitar\u2011lhe que rasteje 
em diferentes superfícies.
Meur e Staes (1978 p. 53) propõem o uso do quadro de Bergés e Lézine (1972 apud Meur e Staes, 
1989) reproduzido a seguir, que ajudará no trabalho do terapeuta. A atividade tem como objetivo levar 
a criança, de acordo com a sua idade, a conhecer o nome das partes do corpo:
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Psicomotricidade
Quadro 1 \u2013 Conhecendo e identificando as partes do corpo
Idade Partes do corpo
Apontar Dizer o nome
Em si No educador Em si No educador
De 0 a 4 anos Cabelos
Mãos
Pés
Boca
Orelhas
Olhos
Nariz
Costas
Ventre
Joelhos
Dentes
De 4 a 5 anos Calcanhares
Bochechas
Testa
Queixo
Pescoço
Polegares
Unhas
Lábios
Ombros
De 5 a 7 anos Cotovelos
Cílios
Punhos
Sobrancelhas
Narinas
Barrigas das pernas
Pálpebras
Tornozelos
Quadril
Fonte: Bergès e Lézine (1972 apud Meur; Staes, 1989, p. 54).
É evidente que, em todo trabalho realizado com a criança, deve\u2011se levar em consideração uma série 
de fatores, como o ambiente onde o trabalho será desenvolvido, a relação da criança com o terapeuta, 
as expectativas da família e da própria criança e também as características de personalidade da criança, 
visto que ela estará num espaço novo e, até então, totalmente desconhecido.
Sobre esse tema, passamos agora para a discussão das relações no trabalho de reeducação 
psicomotora.
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3.2 Relação entre o terapeuta, o paciente e a família
Neste tópico, continuaremos nossos estudos abordando a importância da relação entre o profissional, 
a pessoa em atendimento e a família do atendido. Conforme veremos, tais relações são muito importantes, 
principalmente quando o sujeito adoece ou necessita de acompanhamento ou tratamento terapêutico, 
como no caso da reeducação psicomotora. Isso porque observamos que a participação da família é 
fundamental para o sucesso.
Vamos iniciar com a citação de Campos (2004), que afirma:
[...] a família é encarada como um organismo dinâmico, onde movimentos 
ocorrem, dependendo das variáveis que incidam sobre este mesmo 
organismo. Essa dinâmica é bastante clara, ao lidarmos com famílias que 
enfrentam a doença de um de seus membros. [...] A partir do momento em 
que a criança deixa o anonimato, passando a ser o centro das atenções 
da família nuclear, ela também passa a ser o lugar onde serão depositadas 
as fantasias, os projetos, as frustrações e as expectativas não só dos 
pais, como de seus irmãos e outros elementos componentes da família 
(CAMPOS, 2004, p. 208).
A afirmativa do autor é pertinente, pois podemos notar que a doença traz, em si, transtornos para 
a rotina da família, que, na maior parte das vezes, não está preparada para enfrentá\u2011los. Apesar disso, a 
família passa a ter de conviver com eles e, dependendo do tipo de diagnóstico, mobilizará sentimentos 
e emoções como o medo e a insegurança, pois, muitas vezes, não tem preparo e, a princípio, sente que 
não tem a quem recorrer.
Sobre a doença na família, Mello Filho (2007) afirma:
As interações doença\u2011família e família\u2011doença vêm sendo cada vez mais 
observadas nas práticas de saúde, permitindo uma percepção mais integral 
da medicina e do advento de novos enfoques terapêuticos, centrados 
em conhecimentos psicossociais. Todavia, em muitos centros médicos e 
biológicos, mormente naqueles de definição organicista, a importância da 
família do paciente nas questões de saúde ainda não é de todo reconhecida 
(MELLO FILHO, 2007, p. 53).
Nesse caso, a colocação do autor é pertinente, e com certeza os centros de atendimento \u2013 e, 
por conseguinte, os profissionais \u2013 que não estiverem preparados para acolher e orientar as famílias 
poderão enfrentar dificuldades no trato com o paciente e no desenvolvimento da terapia de reeducação 
psicomotora.
Assim, é necessário que os profissionais estejam atentos para as questões familiares e para a 
dinâmica em que a pessoa está inserida, pois, além de ter seu diagnóstico e demandar um tratamento, 
esse indivíduo é também um ser que, nesse momento, vive uma situação fora da sua rotina habitual.
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Vamos passar ao estudo breve da família e buscar compreender sua constituição.
3.2.1 Família
É importante o profissional que irá trabalhar com a reeducação psicomotora entender o conceito 
de família, para que possa ter um olhar distinto do apresentado pelo senso comum e interprete as 
dimensões do adoecimento e seus reflexos na dinâmica familiar.
Vamos iniciar com a definição social de família, de acordo com o dicionário Michaelis (2009):
Conjunto de ascendentes, descendentes, colaterais e afins de uma 
linhagem. [...] Pessoas do mesmo sangue, que vivem ou não em comum. [...] 
Descendência, linhagem. [...] O pai, a mãe e os filhos. [...] Sectários de um 
sistema. [...] Instituição social básica que compreende um ou mais homens, 
vivendo maritalmente com uma ou mais mulheres, os descendentes vivos, e, 
às vezes, outros parentes ou agregados. [...] Grupo constituído por marido, 
mulher e filhos menores ou solteiros (MICHAELIS, 2009).
Para Mioto (1997), a família pode ser entendida como o conjunto de pessoas que possuem ou não 
grau de parentesco entre si e estabelecem uma relação de afetividade em que cada membro pode 
confiar no outro e ajudar o outro. Esse autor segue afirmando que:
A família pode ser definida como núcleo de pessoas que convivem em 
determinado lugar, durante um lapso de tempo mais ou menos longo e que se 
acham unidas (ou não) por laços consanguíneos. Ela tem como tarefa primordial 
o cuidado e a proteção de seus membros, e se encontra dialeticamente articulada 
com a estrutura social na qual está inserida (MIOTO, 1997, p. 114).
O autor nos apresenta uma questão que é importante considerarmos, pois, ao nos referimos à 
família, devemos estar atentos a todos os membros que, pela proximidade, independentemente do grau 
de parentesco ou dos laços sanguíneos, convivem diretamente e influenciam o núcleo principal, ou 
aquele que assim o consideramos: pai, mãe e filhos.
Devemos considerar que, em meio às relações presentes no ambiente familiar e diante de uma situação que 
foge ao contexto daquilo que era esperado, ou seja, uma criança que apresenta dificuldades na área psicomotora, 
muitas vezes, a família interrompe sua vida para zelar e proteger a vivência do processo daquilo que ela considera 
como doença, o que pode gerar problemas pessoais, profissionais e até mesmo físicos e psicossomáticos.
 observação
Práticas de saúde, assim como o adoecer, é um campo de pesquisa e, 
ao mesmo tempo, envolve