A-Disciplina-de-um-Maratonista
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A-Disciplina-de-um-Maratonista


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ou no 
vestibular: isso também passa. A reprovação ou a aprovação 
depende da falta ou da presença, dentre outros, dos seguintes 
elementos: preparação adequada, disciplina, vontade de vencer 
e pensamento positivo. 
Então, good luck and success in the exam.
Professor Granjeiro e Franck Caldeira na 84ª São Silvestre (dez/2008).
Classificação geral: 3.081º - Tempo: 1:15:34
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J .W.Granjeiro
Os Dois Lados de um Corredor
por Matheus Granjeiro, filho caçula
Já tive a oportunidade de ver uma pessoa com duas 
personalidades incríveis, que cresce, e cresce com respeito e 
força. José Wilson \u2013 meu pai \u2013 é um empresário que sempre foi 
honesto com todo mundo. Ele queria ser mais que isso, além 
de já ter um lado de negócios, ele queria ter um lado esportivo. 
Decidiu começar a correr e então externou esse desejo em suas 
mãos e usou-o bem. Começou a treinar como alguém nunca 
tinha visto antes. Correu em ruas, em quadras esportivas, 
areia e até fez malhação para melhorar sua musculatura para 
ter mais resistência.
Com alguns meses de experiência, decidiu correr 
minimaratonas (10 km). Chegava em casa suado, mas com 
uma medalha em seu peito, alegre e sentindo-se como um herói. 
Hoje ele consegue correr maratonas, nem meus professores 
conseguem (e eles são 10 anos mais jovens).
Aprendi com ele que não é impossível fazer algo, é só levantar 
sua cabeça, acreditar, preparar-se e entrar no caminho até a 
vitória, sem medo.
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A Disciplina de um maratonista
Disciplina de um Maratonista XI
Um Brasileiro na Maratona de Nova Iorque
Eu tinha 8 anos de idade quando a Maratona de Nova Iorque 
foi disputada pela primeira vez, em 1970. Correr, para mim, 
nada mais era do que brincadeira normal da idade, como para 
as outras crianças. Se, naquela época, alguém tivesse previsto 
meu futuro e dito que um dia eu estaria entre os participantes da 
prova, eu, provavelmente, teria respondido com outra pergunta:
\u2013 Papai, mas o que é Maratona?
Pois hoje, 37 anos depois, eis-me de malas prontas para 
participar da mais importante e charmosa de todas as mara-
tonas, entre nada menos que 45 mil corredores do mundo inteiro 
e diante de um público de 2 milhões de pessoas nas ruas, além 
de incontáveis telespectadores por todo o planeta.
Neste momento, sinto toda a ansiedade de um atleta diante 
do imenso desafio que é correr 42 km e 195 m pelas ruas da 
cidade mais cosmopolita do mundo, depois de intensa prepa-
ração de três meses nas condições mais adversas que pude 
enfrentar aqui no Planalto Central: temperaturas acima de 30 
graus, seca atroz, terrenos dos mais difíceis até mesmo para 
atletas profissionais.
Agora posso dizer que estou pronto, de corpo e alma, para o 
que me espera a partir das 10h47 do dia 4 de novembro, quando 
será dada a largada na maior ponte pênsil do mundo, ao som 
de tiro de canhão do forte Wadsworth. Não sonho com o pódio, 
que no ano passado teve no lugar mais alto nosso Marilson 
Gomes dos Santos \u2013 orgulho do atletismo nacional, e brasiliense 
em particular, que saiu da Ceilândia para alcançar as maiores 
glórias do atletismo.
Sou um atleta amador, e meu objetivo é concluir a prova 
com tempo abaixo de 4 horas, o que será um feito importante 
em minha faixa de idade, 45 anos. Não será minha primeira 
Maratona, pois a estreia foi na do Rio de Janeiro. De lá para 
cá, já participei de outras provas, entre elas algumas meias-
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J .W.Granjeiro
-maratonas e várias corridas mais curtas em outras cidades e 
em Brasília, onde, aliás, o Gran Cursos patrocina uma equipe de 
corredores que vem se destacando nas competições, com pouco 
mais de dois meses de atividade.
A disciplina de maratonista foi para mim a descoberta de 
novo estilo de vida. O desafio pode ser comparado ao que o 
mestre Sun Tzu definiu em seu livro, hoje mundialmente famoso, 
\u201cA Arte da Guerra\u201d:
Aquele que conhece o inimigo e a si mesmo, 
ainda que enfrente cem batalhas, jamais correrá 
perigo. Aquele que não conhece o inimigo, mas 
conhece a si mesmo, às vezes ganha. Aquele que não 
conhece nem o inimigo, nem a si mesmo, está fadado 
ao fracasso e correrá perigo em todas as batalhas.
Para mim, o inimigo a ser batido é a Maratona de Nova 
Iorque, com seus 42.195 metros, num terreno traiçoeiro, 
com várias subidas e descidas que exaurem o corredor, obri-
gado, ainda, a suportar temperatura normalmente abaixo dos 
dez graus centígrados. Para poder combater esse inimigo com 
chance de derrotá-lo, fui conhecer o percurso há alguns meses e 
tenho gravada na mente toda a minha tática de batalha. Por não 
ser marinheiro de primeira viagem em provas de longa distância, 
creio que levo grande vantagem. Aliado a isso, usarei todo o 
poder de concentração para atingir o objetivo: cruzar a linha de 
chegada no tempo que programei e em boas condições físicas.
A disputa de maratona atlética exige a mesma dedicação, 
pertinácia e obsessiva vontade de vencer necessárias ao candi-
dato a concurso público, que se prepara durante meses a fio 
para enfrentar a maratona de quatro a cinco horas de prova. 
Essa é a lição que costumo passar aos alunos nas aulas de 
Administração Pública e Direito Administrativo.
Esses princípios sempre nortearam minha vida e me levaram 
ao sucesso pessoal e profissional. Agora, eu os estou aplicando 
também no esporte, em minha atividade de maratonista, igual-
mente com êxito. Espero que isso se repita no próximo domingo 
em Nova Iorque. Com a leitura do livro \u201cO Segredo\u201d, de Rhonta 
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A Disciplina de um maratonista
Byrne, aprendi que \u201cacreditar implica em agir, falar e pensar 
como se já tivesse recebido o que pediu. Quando você emite a 
frequência de ter recebido, a lei de atração move pessoas, acon-
tecimentos e situações para que você os receba\u201d.
Concordo com quem disse que não se pode passar a vida 
sem plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro. Já 
realizei as três missões. Quem gosta de correr e adotou a corrida 
como esporte não pode deixar de participar da Maratona de Nova 
Iorque. Essa é a quarta meta de minha vida. Por isso, estarei lá.
Concluo com pensamento do escritor norte-americano Tom 
Hopkins. A meu ver, trata-se de bela síntese da experiência que 
viverei daqui a uma semana:
Se você quer realmente alguma coisa, isto fará uma diferença 
em sua vida. Trabalhará para satisfazer essa necessidade. Por 
ela, sacrificará prazeres. Sentir-se-á mesmo disposto a mudar e 
a crescer para atendê-la.
Até a volta, e aguardem o relato desta grande aventura.
Maratona de Nova Iorque (2007).
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J .W.Granjeiro
Disciplina de um Maratonista XII
O Sonho Virou Realidade
Concluí, no dia 4 de novembro de 2007, os 42.195 metros 
da Maratona de Nova Iorque, com o tempo de 4h18, sem descon-
forto, dores ou inconvenientes do grande esforço que se emprega 
para alcançar a reta final da mais desgastante das provas do 
gênero. E posso dizer que valeu a pena: se fosse um concurso 
público, eu teria sido aprovado e classificado.
Já escrevi e repito, agora com mais convicção ainda, que 
a disciplina de maratonista é fundamental para o sucesso de 
quem realmente deseja conquistar um cargo público por meio de 
concurso, em que enfrentará não apenas a maratona das provas, 
mas também milhares de concorrentes que têm o mesmo obje-
tivo. Para alcançá-lo, é necessário pensar, agir e se dedicar à 
preparação como um corredor de maratonas.
Fui a Nova Iorque depois de preparação que durou um ano 
e três meses, com treinamentos duríssimos várias vezes por 
semana, além de participação em diversas provas semelhantes, 
entre elas a Maratona do Rio de Janeiro. Se não fosse isso, difi-
cilmente teria conseguido chegar ao final desses pouco mais de 
42 quilômetros e conquistar a medalha que agora tem lugar de 
honra em minha galeria de troféus.
O dia do maratonista em
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