PSICOLOGIA DA PERSONALIDADE - Resumo das aulas 6 a 10
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PSICOLOGIA DA PERSONALIDADE - Resumo das aulas 6 a 10


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ou um comportamento semelhante relacionado aos nossos sucessos e fracassos do passado;
2 - De observarmos outras pessoas realizando esses comportamentos semelhantes, chamados por Bandura de experiências vicariantes;
3 - Da persuasão verbal, ou seja, das pessoas nos encorajando ou desencorajando para manifestar determinado comportamento;
4 - Do como nos sentimos em relação ao comportamento, ou seja, das reações emocionais vinculadas ao comportamento.
Atenção: Nós utilizamos essas quatro fontes para verificarmos se, em nossa opinião, podemos ou não levar adiante determinado comportamento de forma competente. Esta é considerada uma característica essencial da personalidade, já que é um determinante cognitivo essencial para as nossas ações.
George Kelly: teoria dos constructos pessoais
Segundo Kelly, nós construímos uma ideia sobre como nosso mundo funciona, portanto para Kelly, somos como cientistas. Esse é o princípio básico da teoria de Kelly sobre a personalidade, segundo a qual cada pessoa tenta compreender o mundo e fazemos isso de forma única, ou seja, cada um de nós terá sua concepção distinta acerca do mundo. Sua teoria, denominada teoria do constructo pessoal, foi desenvolvida principalmente a partir do seu contato com os clientes na terapia.
Sua teoria interpreta o comportamento em termos cognitivos; ou seja, ele enfatiza:
- A maneira como percebemos os eventos;
- A maneira como interpretamos esses eventos em relação às estruturas existentes;
- A maneira como nos comportamos em relação a essas interpretações.
Um constructo pode ser então entendido como uma forma de perceber, construir ou interpretar o mundo. É um conceito utilizado pelo indivíduo para categorizar eventos e estabelecer um curso de comportamento.
Segundo Kelly, nós experimentamos eventos, interpretamos esses eventos e damos a eles uma estrutura e um significado, distinguindo similaridades e contrastes. Essa construção de uma semelhança e de um contraste leva à formação de um constructo; sem os constructos, não seríamos capazes de organizar nosso mundo.
Principais características da teria dos constructos pessoais de Kelly
- Enfatiza a maneira como os indivíduos interpretam o mundo;
- Considera que a pessoa é um agente ativo em seu envolvimento com o mundo;
- Enfatiza coisas que as pessoas podem fazer para mudar a maneira como pensam;
- Enfatiza os processos cognitivos.
O pressuposto de Kelly sobre a natureza humana é que somos cientistas, prevendo e controlando comportamentos. Algumas pessoas são capazes de ver a vida de muitas formas diferentes, enquanto outras se prendem rigidamente a uma interpretação definida.
Entretanto, as pessoas somente conseguem perceber os eventos dentro dos limites das categorias (constructos) que estão disponíveis para elas. Segundo Kelly, somos livres para interpretar os eventos, mas estamos presos a nossas construções. Para Kelly, o método clínico é útil porque leva a novas ideias e concentra a atenção em questões importantes. Ainda, uma boa teoria da personalidade deveria nos ajudar a resolver os problemas das pessoas e da sociedade. 
Sendo assim, para Kelly, a personalidade de um indivíduo é formada pelo seu sistema de constructos. Os constructos que uma pessoa usa, portanto, definem seu mundo.
Caso hipotético: Por muito tempo, a Psicologia utilizou a ideia de estímulo-resposta proposta pelo Behaviorismo para explicar os fenômenos psicológicos. Você acredita ser de fato essa a única forma de explicar a ocorrência dos fenômenos psicológicos? Reflita sobre essa ideia.
Resposta: O behaviorismo considera que todos os fenômenos psicológicos podem ser explicados através do estímulo resposta, porém muitos teóricos começaram a questionar tal posicionamento trazendo então teorias que buscassem entender a personalidade e outros fenômenos psicológicos através dos aspectos cognitivos e não somente do comportamento observável.
Aula 7: A abordagem humanista de Maslow
Em muitas fases da vida, nos questionamos sobre quem somos e para onde vamos. Não só na adolescência, como em fases como a chamada \u201ccrise dos 30\u201d e a \u201ccrise da meia-idade\u201d. Essas incertezas são características unicamente humanas e constituem a essência do trabalho das abordagens humanistas e existenciais da personalidade.
Na década de 60, alguns psicólogos estavam insatisfeitos com as teorias de Freud consideradas negativas, já que enfatizavam o que havia de errado com as pessoas. Este fato, combinado com a insatisfação com as teorias de aprendizagem propostas pelos behavioristas, fez com que alguns estudiosos \u2013 os psicólogos humanistas \u2013 tomassem uma direção contrária. Eles voltaram sua atenção não para as motivações básicas das pessoas \u201cdoentes\u201d, mas para buscar entender como as pessoas saudáveis se esforçam para obter a autorrealização.
Dois importantes teóricos foram os pioneiros nesta vertente que enfatiza o potencial humano: Muito da Psicologia atual vem das ideias propostas por Abraham Maslow e Carl Rogers, em especial o conceito de que \u201cum autoconceito positivo é a chave para a felicidade e o sucesso, de que a aceitação e a empatia ajudam a nutrir sentimentos positivos sobre si mesmo e de que as pessoas são basicamente boas e capazes de se aperfeiçoar\u201d (MYERS, 2006, p. 431).
As abordagens humanistas enfatizam a natureza criativa, espontânea e ativa dos seres humanos. Normalmente, elas são otimistas, como ao concentrarem-se na nobre capacidade humana de superar a privação e a desesperança. 
Contudo, não raro essas abordagens são pessimistas, como ao contemplarem a futilidade dos atos de uma pessoa. Todavia, essas abordagens tendem a adotar os aspectos espirituais e filosóficos da natureza humana (RYCLAK, 1997, citado por FRIEDMAN SCHUSTACK, 2004, p. 305).
Fica claro, portanto, que a perspectiva humanista procurou desviar a atenção da Psicologia, que estava muito vinculada aos condicionamentos ambientais e suas motivações. Segundo essa perspectiva, o ser humano tem um grande potencial e deveríamos então estudar esse potencial de crescimento a partir das experiências das pessoas saudáveis. 
Na perspectiva humanista, a avaliação da personalidade se dava por meio de questionários, em que as pessoas descreviam seus autoconceitos, e também através da terapia, em que se buscava compreender as experiências subjetivas.
De acordo com Maslow, somos motivados por uma hierarquia de necessidades. Para ficar mais claro, os psicólogos costumam fazer uma distinção entre os conceitos de motivo, necessidade, impulso e instinto.
- Necessidades: estão relacionadas exatamente ao que o conceito quer nos dizer. Ou seja, deficiências; tudo aquilo de que precisamos e que está nos faltando em determinado momento. Podem ser exigências corporais específicas, por exemplo.
- Motivo ou motivação: refere-se a um estado interno que pode resultar de uma necessidade. É descrito como ativador, ou despertador, de um comportamento geralmente dirigido para a satisfação da necessidade instigadora. Motivos estabelecidos principalmente pela experiência são conhecidos simplesmente como motivos. Aqueles que surgem para satisfazer necessidades básicas relacionadas com a sobrevivência e derivadas da fisiologia são geralmente chamados de impulsos. (DAVIDOFF, 2001, p. 325). A motivação é a energia e a orientação do comportamento, a força que há por trás da nossa ânsia por alimento, do nosso anseio por intimidade sexual, da nossa necessidade de pertencimento e do nosso desejo de realização (MYERS, 2006, p. 333).
- Impulso: os motivos relacionados à sobrevivência, e que são derivados da fisiologia, são o que chamamos de impulsos. Eles são modelados pela experiência, obviamente sem deixar de levar em consideração sua origem biológica. Nós seres humanos experimentamos impulsos por água, comida, oxigênio, sono, esquiva da dor, oxigênio e regulação da temperatura. Segundo a teoria da redução do impulso, uma necessidade fisiológica cria um estado de excitação que impulsiona o organismo a reduzir tal necessidade, digamos, comendo ou bebendo. Com poucas exceções,