Apostila - Formação geral - Doctum finalizado
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Apostila - Formação geral - Doctum finalizado


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de ideias, o que oferece facilidades nunca antes 
disponíveis para a expressão política da juventude." (l. 43-47) 
 
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Professora Responsável: Andréia Almeida Mendes 
 
 
Leia o texto que segue e com base nele, responda às perguntas abaixo: 
 
Um arriscado esporte nacional 
 
 Os leigos sempre se medicaram por conta própria, já que de médico e louco todos 
temos um pouco, mas esse problema jamais adquiriu contornos tão preocupantes no Brasil 
como atualmente. Qualquer farmácia conta hoje com um arsenal de armas de guerra para 
combater doenças de fazer inveja à própria indústria de material bélico nacional. Cerca de 
40% das vendas realizadas pelas farmácias nas metrópoles brasileiras destinam-se a pessoas 
que se automedicam. A indústria farmacêutica de menor porte e importância retira 80% de seu 
faturamento da venda \u201clivre\u201d de seus produtos, isto é, das vendas realizadas sem receita 
médica. 
 Diante desse quadro, o médico tem o dever de alertar a população para os perigos 
ocultos em cada remédio, sem que necessariamente faça junto com essas advertências uma 
sugestão para que os entusiastas da automedicação passem a gastar mais em consultas 
médicas. Acredito que a maioria das pessoas se automedica por sugestão de amigos, leitura, 
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fascinação pelo mundo maravilhoso das drogas \u201cnovas\u201d ou simplesmente para tentar manter a 
juventude. Qualquer que seja a causa, os resultados podem ser danosos. 
 É comum, por exemplo, que um simples resfriado ou uma gripe banal leve um 
brasileiro a ingerir doses insuficientes ou inadequadas de antibióticos fortíssimos, reservados 
para infecções graves e com indicação precisa. Quem age assim está ensinando bactérias a se 
tornarem resistentes a antibióticos. Um dia, quando realmente precisar de remédio, este não 
funcionará. E quem não conhece aquele tipo de gripado que chega a uma farmácia e pede ao 
rapaz do balcão que lhe aplique uma \u201cbomba\u201d na veia, para cortar a gripe pela raiz? Com isso, 
poderá receber na corrente sanguínea soluções de glicose, cálcio, vitamina C, produtos 
aromáticos \u2013 tudo sem saber dos riscos que corre pela entrada súbita destes produtos na sua 
circulação. 
Dr. Geraldo Medeiros \u2013 Veja \u2013 1995 
 
3) Um título apropriado é sempre um bom começo. Ele deve ser a expressão sintética do tema 
a ser discutido e deve, se possível, ser sugestivo, atraente. O título escolhido pelo autor tem 
essas propriedades? Explique sua resposta. 
 
4) A dissertação, como qualquer texto, contém um ponto de vista do autor frente à questão 
posta em debate. 
a) qual é a questão que o autor discute no texto? 
b) qual é o ponto de vista que ele assume frente a essa questão? 
 
5) Uma afirmação ganha mais peso quando em acompanhada de bom argumento. 
a) que argumento o autor usa para confirmar que a automedicação \u201cjamais adquiriu contornos 
tão preocupantes no Brasil como atualmente\u201d? 
b) trata-se de dados expressivos para provar o que se pretende? Explique sua resposta. 
c) que efeito produz esse tipo de argumento no leitor? 
 
6) Ao enunciar as causas pelas quais as pessoas se automedicam o autor introduz o enunciado 
com o verbo acredito. 
a) em termos de força argumentativa, essa passagem é mais convincente que os dados 
estatísticos apresentados anteriormente? Tente explicar sua resposta. 
b) o uso desse tipo de argumento desqualifica o resto da dissertação? 
 
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7) As ressalvas e concessões introduzidas no interior do texto dissertativo têm a função 
argumentativa importante: servem como uma forma de defesa do autor contra possíveis 
contra-argumentos do seu interlocutor. 
No segundo parágrafo, após dizer que \u201co médico tem o dever de alertar a população para os 
perigos ocultos em cada remédio\u201d, o autor faz a seguinte ressalva: \u201csem que, necessariamente, 
faça junto com essas advertências uma sugestão para que os entusiastas da automedicação 
passem a gastar mais em consultas médicas.\u201d 
Ao fazer essa ressalva, contra que objeção o autor está tentando prevenir-se? (Observe, ao 
responder a questão, que o autor é conhecido médico de São Paulo e se assina com o título de 
doutor.) 
 
8) Muitas vezes, a forma de linguagem escolhida interfere positiva ou negativamente no peso 
argumentativo, isto é, o modo de dizer confere maior ou menor confiabilidade àquilo que se 
diz. A respeito disso, observe as duas passagens que seguem: 
a) \u201cCom isso poderá receber na corrente sanguínea soluções de glicose, cálcio, vitamina C, 
produtos aromáticos \u2013 tudo isso sem saber dos riscos que corre pela entrada súbita destes 
produtos na circulação\u201d. 
b) com isso poderá passar para o sangue um monte de drogas, sem noção do prejuízo que isso 
dá. 
Qual das duas passagens confere mais autoridade à pessoa que a produziu? Explique sua 
resposta. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Aula 25 Lugares da argumentação 
 
Objetivo: analisar os recursos utilizados para reforçar a adesão do receptor 
 
Lugares da argumentação 
 
Os lugares da argumentação são técnicas utilizadas desde a Antiguidade para re-
hierarquizar valores. \u201cSão premissas de ordem geral utilizadas para reforçar a adesão a 
determinados valores.\u201d(ABREU, 1999, p. 79). Os gregos utilizavam esse nome \u201clugares\u201d para 
denominar locais virtuais que eram acessíveis ao orador durante a argumentação. Os lugares 
da argumentação são os seguintes: lugar de quantidade, lugar de qualidade, lugar de ordem, 
lugar de essência, lugar de pessoa e lugar do existente 
 
Lugar de Quantidade \u2013 afirma-se \u201cque qualquer coisa vale mais que outra em função de 
razões quantitativas.\u201d (ABREU, 1999, p. 80). Assim o bem que atinge um número maior de 
pessoas é mais valorizado do que o que atinge menos pessoas; um bem com uma durabilidade 
maior vale mais do que um menos durável etc.. Uma das características desse lugar é a 
utilização de números e estatísticas. A própria democracia se fundamenta nesse lugar, pois 
quem ganha a eleição é aquele que obtiver o maior número de votos. 
 Abreu (1999) cita um texto de autoria do jornalista Gilberto Dimenstein, para ilustrar 
esse lugar: 
 
Vítimas por Hora 
Um documento elaborado pelo Ministério da Saúde mostra como as discussões nacionais 
estão longe dos traumas que ocorrem nos subterrâneos de nossa sociedade. Segundo 
estatísticas oficiais, foram registradas, no ano passado, 391 911 internações hospitalares de 
vítimas de abortos - 950 mulheres por dia. São 39 por hora. E qual a reação do país? 
Um estúpido e criminoso silêncio. 
É alto, altíssimo até, o preço que se paga pela falta de coragem de se enfrentar um problema. 
Vivemos uma situação terrível: não temos um projeto de planejamento familiar, o que em si, 
já é crime. E um dos resultados - apenas um - são as 39 internações por hora. (Folha de São 
Paulo, 14.11.1992, p. 2.) 
 
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 Como se vê, o autor afirma que o brasileiro é despreparado para conduzir automóveis 
com base nos 50000 mortes por acidente de trânsito a cada ano. Outro exemplo desse lugar, 
citado por Abreu (1999) é o poema oriental abaixo de Challita: 
 
Grãos de Arroz 
Que faz o pássaro quando o grão de arroz que se 
preparava para bicar é removido pelo 
vento da borda da janela? 
Põe-se a procurar outro grão, pois os celeiros estão cheios. 
Deixa,