A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
315 pág.
Apostila - Formação geral - Doctum finalizado

Pré-visualização | Página 1 de 50

1 
Formação Geral – Rede de ensino Doctum 
Professora Responsável: Andréia Almeida Mendes 
 
Rede de Ensino DOCTUM 
Disciplina: FORMAÇÃO GERAL 
Professora Responsável: Drd. Andréia Almeida Mendes 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FORMAÇÃO GERAL 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Caratinga 
2014 
2 
Formação Geral – Rede de ensino Doctum 
Professora Responsável: Andréia Almeida Mendes 
 
Rede de Ensino DOCTUM 
Disciplina: FORMAÇÃO GERAL 
Professora Responsável: Drd. Andréia Almeida Mendes 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FORMAÇÃO GERAL 
 
 
 
Apostila com o conteúdo das aulas da 
disciplina de Formação Geral das faculdades 
da Rede de Ensino Doctum, elaborada pela 
professora Andréia Almeida Mendes. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Caratinga 
2014 
3 
Formação Geral – Rede de ensino Doctum 
Professora Responsável: Andréia Almeida Mendes 
Aula 1 Análise de textos 
 
Objetivo: Analisar os diferentes níveis de leitura de um texto 
 
Análise de textos 
 
 Segundo Platão e Fiorin (2002), sempre que lemos um texto, por mais simples que ele 
possa parecer, o leitor se defronta com a dificuldade de encontrar unidade por trás de todos os 
significados de sua superfície. Às vezes, em uma primeira leitura, parece impossível encontrar 
algum ponto para o qual convirjam tantas variáveis, acabando assim com o caos aparente. Os 
autores utilizam da fábula abaixo para explicar a busca por essa unicidade. 
 
O galo que logrou a raposa 
 
Um velho galo matreiro, percebendo a aproximação da raposa, empoleirou-se numa árvore. A 
raposa, desapontada, murmurou consigo: “...Deixa estar, seu malandro, que já te curo!...” E 
em voz alta: 
-Amigo, venho contar uma grande novidade: acabou-se a guerra entre os animais. Lobo e 
cordeiro, gavião e pinto, onça e veado, raposa e galinha, todos os bichos andam agora aos 
beijos, como namorados. Desça desses poleiros e venha receber o meu abraço de paz e amor. 
-Muito bem! –exclamou o galo. Não imagina como tal notícia me alegra! Que beleza vai ficar 
o mundo, limpo de guerras, crueldades e traições! Vou já descer para abraçar a amiga raposa, 
mas... como lá vem vindo três cachorros, acho bom esperá-los, para que eles também tomem 
parte da confraternização. 
Ao ouvir falar em cachorros, dona raposa não quis saber de histórias, e tratou de pôr-se a 
fresco, dizendo: 
- Infelizmente, amigos Có-ri-có-có, tenho pressa e não posso esperar pelos amigos cães. Fica 
para outra vez a festa, sim? Até logo. 
E rapou-se. 
Com esperteza, - esperteza e meia. 
(LOBATO, Monteiro. Fábulas. 19. ed. São Paulo: Brasiliense, s.d.) 
 
 Três níveis de leitura seriam propostos pelos autores: 
 
4 
Formação Geral – Rede de ensino Doctum 
Professora Responsável: Andréia Almeida Mendes 
Primeiro nível: uma estrutura superficial, em que ocorrem os significados mais concretos e 
diversificados relativos ao narrador, aos personagens, aos cenários, ao tempo e às ações 
concretas. 
 
No exemplo acima, teríamos: um galo espertalhão que se protege, pois sabe que a raposa é 
inimiga; a raposa que tenta convencer o galo de que a paz se instaurou entre os animais; o 
galo que finge acreditar e convida a raposa a esperar os três cães que se aproximam; a raposa 
que alega ter pressa e vai embora. 
 
Segundo nível: uma estrutura intermediária, em que aflorariam os valores com que os 
diferentes sujeitos entram em acordo ou desacordo. 
 
No exemplo, teríamos: o galo que dá mostras de ter consciência de que os animais estão em 
guerra; a raposa que, em contrapartida, dá mostras de que os animais estão em estado de paz; 
ambos fingem entrar em acordo, mas continuam em desacordo. 
 
Terceiro nível: uma estrutura profunda, em que surgem os significados mais abstratos e 
simples que costumam garantir unicidade ao texto inteiro. 
 
No exemplo: afirmação da guerra X negação da guerra; afirmação da paz. 
 
 A esperteza do galo foi resultado de o galo fingir entrar em acordo com a raposa; 
preservando assim a paz. Pelo que ficou exposto, pode-se concluir que o leitor, fazendo essas 
associações, passaria da estrutura superficial (discursiva) para a intermediária (narrativa) e, 
daí, para o nível profundo (profunda). 
 
Atividades 
 
1) (Unicamp 2012) Leia os textos abaixo: 
 
Texto I 
 
 Entre 1995 e 2008, 12,8 milhões de pessoas saíram da condição de pobreza absoluta 
(rendimento médio domiciliar per capita até meio salário mínimo mensal), permitindo que a 
5 
Formação Geral – Rede de ensino Doctum 
Professora Responsável: Andréia Almeida Mendes 
taxa nacional dessa categoria de pobreza caísse 33,6%, passando de 43,4% para 28,8%. No 
caso da taxa de pobreza extrema (rendimento médio domiciliar per capita de até um quarto de 
salário mínimo mensal), observa-se um contingente de 13,1 milhões de brasileiros a superar 
essa condição, o que possibilitou reduzir em 49,8% a taxa nacional dessa categoria de 
pobreza, de 20,9%, em 1995, para 10,5%, em 2008. 
 
(Dimensão, evolução e projeção da pobreza por região e por estado no Brasil, Comunicados do IPEA, 
13/07/2010, p. 3.) 
 
Texto II 
 
 
Fonte: BENETT, chargesdobenett.zip.net. 21/10/2011. 
 
a) Podemos relacionar os termos miséria e pobreza, presentes no TEXTO II, a dois conceitos 
que são abordados no TEXTO I. Identifique esses conceitos e explique por que eles podem 
ser relacionados às noções de miséria e pobreza. 
 
b) Que crítica é apresentada no TEXTO II? Mostre como a charge constrói essa crítica. 
 
2) (Unesp 1995) 
 
Capítulo VII 
Figura, Vestido, E Outras Coisas Do Homem. 
 
6 
Formação Geral – Rede de ensino Doctum 
Professora Responsável: Andréia Almeida Mendes 
 Assim que os personagens dos romances começam a ganhar a estima ou aversão de 
quem lê, vem logo ao leitor a vontade de compor a fisionomia do personagem plasticamente. 
Se o narrador lhe dá o bosquejo, a imaginativa do leitor aperfeiçoa o que sai muito em sombra 
e confuso no informe debuxo do romancista. Porém, se o descuido ou propósito deixa ao 
alvedrio de quem lê imaginar as qualidades corporais de um sujeito importante como Calisto 
Elói, bem pode ser que a intuição engenhosa do leitor adivinhe mais depressa e ao certo a 
figura do homem, que se lhe a descrevessem com abundância de relevos e rara habilidade no 
estampá-los na fantasia estranha. 
 Não devo ater-me à imaginação do leitor neste grave caso. 
 Calisto Elói não é a figura que pensam. Estou a adivinhar que o enquadraram já em 
molde grotesco, e lhe deram a idade que costuma autorizar, mormente no congresso dos 
legisladores, os desconcertos do espírito, exemplificados pelo deputado por Miranda. Dei azo 
à falsa apreciação, por não antecipar o esboço do personagem. 
(Castelo Branco, Camilo. A QUEDA DUM ANJO in: Obra Seleta - I. Rio de Janeiro: Aguillar, 1960, p.807.) 
 
 Embora seja bastante frutífera a consulta ao dicionário, em muitos casos não temos 
necessidade de buscar os significados de certas palavras ou expressões, pois é possível 
entendê-los no contexto. Com base nesta observação, releia o trecho de Camilo e, a seguir: 
 
a) Escreva os significados de "bosquejo" e "alvedrio". 
 
b) Cite a frase do segundo parágrafo em que o narrador admite que, por não ter dado o 
bosquejo de Calisto Elói, ofereceu ao leitor o ensejo de um entendimento errado do 
personagem. 
 
3) (Fuvest 2011) Leia o seguinte texto e responda ao que se pede. 
 
Em