Apostila - Formação geral - Doctum finalizado
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Apostila - Formação geral - Doctum finalizado


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boca fechada bem-te-vi não faz ninho 
 
 Campos de Melo passou todos os anos de sua vereança sem dar uma palavra. Era o 
boca-de-siri da câmara municipal de Cuité. Até que, uma tarde, ergueu o busto, como quem ia 
falar. O presidente da Mesa, mais do que depressa, disse: 
 \u2014 Tem a palavra o nobre vereador. 
 Então, em meio do grande silêncio, o grande mudo falou. 
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 \u2014 Peço licença para fechar a janela, pois estou constipado. 
 
 Tendo em vista o contexto, é correto afirmar que, tanto do ponto de vista da estrutura 
quanto da mensagem, o título do texto constitui um provérbio? 
 
4) (Fuvest 2011) Examine esta propaganda de uma empresa de certificação digital 
(mecanismo de segurança que garante a autenticidade, confidenciabilidade e 
integridade às informações eletrônicas. 
 
 
 
Aponte a relação de sentido entre a mensagem verbal e a imagem. 
 
5) (UNICAMP 2004) Por ocasião da comemoração do dia dos professores, no mês de 
outubro de 2003, foi veiculada a seguinte propaganda, assinada por uma grande 
corporação de ensino: 
 
Parabéns. (Pl. de parabém). S. m. pl. 1. Felicitações, congratulações. 2. Oxítona terminada 
em ens, sempre acentuada. Acentuam-se também as terminadas em a, as, e, ES, o, os e 
em. 
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Para a homenagem ao Dia do Professor ser completa, a gente precisava ensinar alguma 
coisa. 
 
a) Observe os itens 1 e 2 do verbete Parabéns no interior do quadro. Há diferenças entre 
eles. Aponte-as. 
a) Levando em conta o enunciado que está abaixo do quadro, a quem se dirige essa 
propaganda? 
b) Diferentes imagens da educação escolar sustentam essa propaganda. Indique pelo 
menos duas dessas imagens. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Aula 2 As várias possibilidades de leitura de um texto 
 
Objetivo: Demonstrar que um texto pode ter diversas leituras, bem como pode jogar com 
leituras distintas para criar efeitos literários e/ou humorísticos. 
 
As várias possibilidades de leitura de um texto 
 
 Como já citado, um texto pode apresentar mais de uma leitura, desde que essas leituras 
estejam amparadas em marcas deixadas pelo autor em seu texto. Platão e Fiorin (2003) 
analisam o seguinte texto: 
 
O Lobo e o Cordeiro 
 
 Um cordeiro estava bebendo água num riacho. O terreno era inclinado e por isso havia 
uma correnteza forte. Quando ele levantou a cabeça, avistou um lobo, também bebendo da 
água. 
 - Como é que você tem a coragem de sujar a água que eu bebo - disse o lobo, que 
estava alguns dias sem comer e procurava algum animal apetitoso para matar a fome. 
 - Senhor - respondeu o cordeiro - não precisa ficar com raiva porque eu não estou 
sujando nada. Bebo aqui, uns vinte passos mais abaixo, é impossível acontecer o que o senhor 
está falando. 
 - Você agita a água - continuou o lobo ameaçador - e sei que você andou falando mal 
de mim no ano passado. 
 - Não pode - respondeu o cordeiro - no ano passado eu ainda não tinha nascido. O lobo 
pensou um pouco e disse: 
 - Se não foi você foi seu irmão, o que dá no mesmo. 
 - Eu não tenho irmão - disse o cordeiro - sou filho único. 
 - Alguém que você conhece, algum outro cordeiro, um pastor ou um dos cães que 
cuidam do rebanho, e é preciso que eu me vingue. Então ali, dentro do riacho, no fundo da 
floresta, o lobo saltou sobre o cordeiro, agarrou-o com os dentes e o levou para comer num 
lugar mais sossegado. 
 
MORAL: A razão do mais forte é sempre a melhor 
(La Fontaine, Fables Tours, Alfred Mame et Fils, 1918. v.1) 
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 Ao realizar a análise, a primeira questão colocada pelos autores é a de que o texto é 
uma fábula, um texto que conta histórias de seres humanos representados por animais, plantas 
etc.; essa afirmação pode ser feita com base no \u201cfato de que há nos textos uma reiteração de 
traços semânticos, isto é, de elementos que compõem o significado das palavras, que obriga a 
ler o texto de uma dada maneira.\u201d (PLATÃO e FIORIN, 2003, p. 126). 
 Na fábula acima, inicialmente, parece-nos tratar de uma história de animais: um lobo e 
um cordeiro. Segundo os autores, poderia-se pensar que se trata de uma história de bichos; 
mas, ao se analisar esse texto, percebe-se procedimentos próprios de seres humanos (dizer, 
castigar, responder, etc.), qualidades e estados exclusivos dos homens (enfurecido, 
temeridade, ter irmãos), formas de tratamento usadas nas relações sociais de seres humanos 
(Senhor, Vossa Majestade, você). Ao perceber essa reiteração do traço semântico humano, um 
novo plano de leitura é desencadeado. 
 Assim, o texto assume dois planos de leitura distintos: no primeiro plano, é uma 
história de animais; em segundo plano, à medida que o traço semântico humano se afirma, a 
fábula deixa de ser uma simples história de bichos e passa a ser uma história de homens (o 
lobo representaria o homem forte que oprime o povo \u2013 cordeiro). 
 As possíveis leituras de um texto são determinadas pela recorrência destes traços 
semânticos. \u201cUma leitura não tem origem na intenção do leitor de interpretar o texto de uma 
dada maneira, mas está inserida no texto como virtualidade, como possibilidade.\u201d (PLATÃO 
e FIORIN, 2003, p. 126). Cumpre lembrar que um texto não aceita qualquer leitura, um leitor 
não pode atribuir ao texto os sentidos que bem entender; só serão consideradas corretas as 
leituras que estiverem amparadas nos traços de significado reiterados, repetidos, recorrentes 
ao longo do texto. 
 O texto possui duas principais \u201cmarcas de possibilidade de mais de um plano de 
significação\u201d: a primeira marca são os relacionadores de leitura, palavras com mais de um 
significado; a segunda marca são os desencadeadores de leitura, palavras ou expressões que 
desencadeiam outro plano de sentido. (PLATÃO e FIORIN, 2003, p. 129). 
 
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Professora Responsável: Andréia Almeida Mendes 
 
Disponível em: http://amarelosupremo.wordpress.com/tag/interpretacao/. Acesso em: 19/02/2014. 
 
 
Disponível em: http://www.gargalhando.com/2011/08/22/tudo-questao-de-interpretacao/. Acesso em: 
19/02/2014. 
 
 
Atividade: 
 
1 Analise as possibilidades de leitura do texto abaixo: 
 
A noite dissolve os homens (Carlos Drummond de Andrade) 
 
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A noite desceu. Que noite! 
Já não enxergo meus irmãos. 
E nem tão pouco os rumores 
que outrora me perturbavam. 
 
A noite desceu. Nas casas, 
nas ruas onde se combate, 
nos campos desfalecidos, 
a noite espalhou o medo 
e a total incompreensão. 
A noite caiu. 
Tremenda, sem esperança... 
Os suspiros acusam a presença negra 
que paralisa os guerreiros. 
 
E o amor não abre caminho 
na noite. A noite é mortal, 
completa, sem reticências, 
a noite dissolve os homens, 
 diz que é inútil sofrer, 
a noite dissolve as pátrias, 
apagou os almirantes cintilantes! 
nas suas fardas. 
A noite anoiteceu tudo... 
O mundo não tem remédio... 
Os suicidas tinham razão. 
 
Aurora, entretanto eu te diviso, ainda tímida, 
inexperiente das luzes que vais ascender 
e dos bens que repartirás com todos os homens. 
Sob o úmido véu de raivas, queixas e
Kevin
Kevin fez um comentário
tem o gabarito?
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Helbert
Helbert fez um comentário
Alguem mim passa as respostas
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Helbert
Helbert fez um comentário
um titulo apropriado é sempre um bom começo perguntas e respostas apostilha
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