1) Apostila de Desenvolvimento humano e ciclo vital I
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1) Apostila de Desenvolvimento humano e ciclo vital I


DisciplinaPsicologia do Desenvolvimento: Ciclo Vital1.557 materiais24.712 seguidores
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familiar. Quando um indivíduo é exposto a um estímulo forte ou desconhecido, ele apresenta reações como sobressalto, fixar os olhos no estímulo, alteração na taxa de batimentos cardíacos etc.; quando ocorre a habituação, o indivíduo deixa de reagir dessa forma. Por exemplo, se um bebê é colocado em um local onde tem um relógio que soa a cada hora, ele poderá se sobressaltar; entretanto, se ele for continuamente exposto a essa situação, ocorrerá à habituação.
No condicionamento clássico, um estímulo neutro provoca uma resposta originalmente produzida por outro estímulo. Por exemplo, os bebês sugam, por reflexo, água com açúcar quando é colocada em sua boca com um conta-gotas; se um som, repetidas vezes preceder a gota de água com açúcar, os bebês irão sugar quando ouvirem o som (LIPSITT, 1990 apud KAIL, 2004); e assim ocorre com inúmeras situações cotidianas do bebê, em que um estímulo neutro, como uma música, um som, um jeito específico de chamar o bebê, eliciam a mesma reação que um estímulo específico, como a amamentação ou a hora do banho, ou ainda, a hora de passear ao sol. Nesse caso, diz-se que o bebê foi condicionado ao estímulo.
O condicionamento operante se refere à relação entre as consequências do comportamento e a probabilidade de que este ocorra novamente. Skinner (1904-1990) adotou o termo reforço para designar qualquer evento que aumente a frequência de um comportamento.
A abordagem psicométrica tem como propósito medir as diferenças individuais em termos de quantidade de inteligência. Quanto mais alto o escore de uma pessoa em um teste de inteligência (QI = quociente de inteligência), mais inteligente presume-se que ela seja.
A abordagem do processamento de informações estuda os processos envolvidos na percepção e no processamento da informação, centra-se nas diferenças individuais quanto ao modo como os indivíduos usam sua inteligência, como manipulam símbolos e o que fazem com as informações que percebem.
E, por último, será apresentada a abordagem piagetiana. Jean Piaget (1896-1980), epistemólogo suíço, produziu uma das mais importantes teorias sobre o desenvolvimento cognitivo, um trabalho pioneiro que modelou o pensamento de várias gerações de psicólogos desenvolvimentais.
De acordo com Piaget (1967), o desenvolvimento cognitivo é marcado por estágios, cada um desses é caracterizado por uma forma distinta de pensar a respeito do mundo e de compreendê-lo. As idades indicadas são sempre aproximadas, há variações individuais de acordo com habilidades e experiência. A criança de zero a dois anos está no estágio sensório-motor, a criança representa o mundo pelas ações e baseia seus julgamentos nas sensações e percepções.
Piaget divide esse período em seis subestágios, cujas principais características estão resumidas a seguir:
1º subestágio (exercício dos reflexos \u2013 0 a 1 mês):
Os comportamentos globais da criança estão determinados hereditariamente e apresentam-se sob a forma de esquemas reflexos.
2º subestágio (primeiros hábitos adquiridos ou reações circulares primárias \u2013 1 a 4 meses):
Começam a aparecer as primeiras adaptações adquiridas. A aquisição de habilidades depende da repetição de ações prazerosas provocadas de forma casual. As organizações primárias (reações circulares primárias) dizem respeito ao segmento do próprio corpo. Por exemplo, o bebê chora, agita os braços/mãos; esbarra a mão na boca e começa a chupar o dedo; o dedo sai da boca e o bebê recomeça tentando reproduzir a ação; 
3º subestágio (intencionalidade; divisão meio-fim \u2013 4 a 8 meses):
Aparecem as repetições de gestos que casualmente chegaram a produzir uma ação interessante sobre as coisas, isto é, reações circulares secundárias; o movimento é meio para outro ser fim, por exemplo, apertar um bichinho (de borracha com apito) é meio, e o barulho (do apito) é o fim.
4º subestágio (hierarquia de esquemas secundários \u2013 8 a 12 meses):
Há a aplicação de meios já conhecidos para resolver situações novas. A criança domina realmente a intencionalidade para resolver cada situação, como puxar, afastar, apertar, bater etc.
5º subestágio (exploração ativa \u2013 12 a 18 meses):
A criança faz experiências com os objetos do meio externo e descobre novos meios para resolver certas situações. Ela começa a conhecer o objeto por ele mesmo: o que o objeto faz. Vai ativamente ver o que acontece com as \u201ccoisas\u201d. Por exemplo, depois de tanto jogar os objetos no chão, percebe que todos caem, rolam, ou seja, a criança generaliza.
6º subestágio (aparecimento da imagem mental/invenção \u2013 18 a 24 meses):
Aparece a possibilidade da invenção de novos meios por combinação mental ou por combinação de ações. Esse estágio já prevê uma mudança qualitativa na organização da inteligência, que passa de sensória e motora à mental, isto é, representativa e interiorizada. A criança começa a visualizar a situação, o pensamento é altamente visual e difícil, a criança percebe que você não vê a mesma coisa que ela.
As investigações de Piaget (1967) mostram que a criança não percebe o universo em seu redor como se fosse construído por objetos substanciais, permanentes e de dimensões constantes; pelo contrário, ela se comporta como se estivesse frente a um mundo sem objetos no qual o próprio espaço constituísse um meio sólido. Trata-se de um mundo de quadros perceptivos, cuja única realidade é a própria criança e suas ações. Partindo da não distinção entre ela mesma e os objetos, a criança passa a distinguir progressivamente os objetos que estão em sua presença e, depois, começa a relacionar entre si os vários objetos que aparecem em espaços já diferenciados, ora presentes, ora ausentes.
DESENVOLVIMENTO PERCEPTIVO DA CRIANÇA DE 0 A 2 ANOS
Antes dos dois meses, a criança já é capaz de diferenciar visualmente a mãe de um estranho e de esquadrinhar visualmente o ambiente para identificar os objetos (MOURA, 2004).
Aos seis meses, o bebê distingue expressões faciais, consegue perceber as diferenças entre várias expressões, como rostos felizes, surpresos e assustados (NELSON, 1987 apud BEE, 1996).
Os bebês diferem na velocidade ou eficiência dos processos perceptuais, como a habituação a estímulos repetidos. Essas variações estão correlacionadas a medidas posteriores de inteligência e à linguagem (ROSE et. al. apud PAPALIA; OLDS; FELDMAN, 2006).
A percepção permite à criança aprender e explorar o ambiente.
DESENVOLVIMENTO DA LINGUAGEM DA CRIANÇA DE 0 A 2 ANOS
De acordo com BEE (1996) e PAPALAIA & OLDS (2006), a linguagem pode ser definida como um sistema arbitrário de símbolos que nos permite falar, e compreender, uma infinita variedade de mensagens. Ela é governada por regras e é muito criativa.
A fala pré-linguística, a qual precede a primeira palavra, inclui choro, arrulhos, balbucio e imitação de sons da língua. Os neonatos são capazes de distinguir os sons da fala: aos seis meses, os bebês já aprenderam os sons básicos de sua língua.
Antes de dizerem sua primeira palavra, os bebês usam gestos, que incluem apontar, gestos sociais convencionais, gestos representacionais e simbólicos.
Aos nove ou 10 meses, os bebês começam a compreender a fala com significado. Durante o segundo ano de vida, a criança já começa a falar a língua da cultura. A primeira palavra tipicamente aparece em algum ponto entre 10 e 14 meses, iniciando a fala linguística. As primeiras palavras isoladas podem ser holofrases, as quais expressam um pensamento completo numa única palavra (PAPALIA & OLDS, 2006).
Diferente da fala pré-linguística, a fala linguística não está diretamente ligada à idade cronológica. Uma \u201cexplosão de nomes\u201d ocorre tipicamente em algum ponto entre 16 e 24 meses de idade.
Historicamente, duas teorias antagônicas acerca de como as crianças adquirem a linguagem são a teoria da aprendizagem (a qual enfatiza o papel do reforço e a imitação) e o inatismo (o qual sustenta que as pessoas têm uma capacidade inata para adquirir a linguagem). Atualmente, a maioria dos psicólogos do desenvolvimento afirma que as crianças têm uma capacidade inata
Liliany
Liliany fez um comentário
Vocês conseguiram as referências?
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Eduardo
Eduardo fez um comentário
qual a referência bibliográfica da Rosa 1994 ?
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Thamires
Thamires fez um comentário
Preciso referenciar o arquivo, poderia me passar os dados de referência?
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Edna Cristina
Edna Cristina fez um comentário
Teoria do apego
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Cristiane
Cristiane fez um comentário
basta abrir e clicar em download
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