Liberdade Religiosa
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povos tribais. Alguns pesquisadores vêem a religião como um produto de fatores 
sociais e psicológicos. Essa explicação é conhecida como um modelo reducionista, 
pois reduz a religião a apenas um elemento das condições sociais ou da vida 
espiritual do homem. Karl Marx, por exemplo, sustentava que a religião, assim como 
a arte, a filosofia, as ideias e a moral, não passava de um dossel por cima da base, 
que é econômica. O que dirige a história, de acordo com ele, é o modo como a 
produção se organiza e quem possui os meios de produção, as fábricas e as 
máquinas. A religião simplesmente refletiria essas condições básicas. Nas modernas 
ciências da religião predomina a ideia de que a religião é um elemento 
independente, ligado ao elemento social e ao elemento psicológico, mas que tem 
sua própria estrutura. Os ramos mais importantes das ciências da religião são a 
sociologia da religião, a psicologia da religião, a filosofia da religião e a 
fenomenologia religiosa. 
 
 
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3 O ESTADO LAICO 
 
 Segundo o professor Ives Gandra da Silva Martins, O Estado laico não é ateu 
ou agnóstico. É um Estado que está desvinculado, nas decisões dos cidadãos que o 
assumem, de qualquer incidência direta das instituições religiosas de qualquer 
credo. 
 Em seu artigo 5º, a Constituição garante a inviolabilidade da liberdade de 
consciência e de crença, assegura o livre exercício dos cultos religiosos e garante, 
na forma da lei, a proteção aos locais de culto e suas liturgias: \u201cVI - é inviolável a 
liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos 
religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas 
liturgias;\u201d e mais adiante no mesmo artigo: \u201cVIII - ninguém será privado de direitos por 
motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para 
eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, 
fixada em lei;\u201d 
 É de suma importância a observância da lei constitucional, visto que a mesma 
foi promulgada mediante a vontade da nação. Neste mesmo sentido, Martins diz: \u201cO 
preâmbulo da Constituição Federal, que diz \u201cnós, representantes do povo brasileiro, 
reunidos em Assembleia Nacional Constituinte para instituir um Estado Democrático 
(...) promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte Constituição da República 
Federativa do Brasil\u201d. E mais adiante, conclui: \u201cA Igreja Católica, os evangélicos ou 
judeus não estiveram lá [na Assembleia Constituinte] como instituições. Foram os 
cidadãos, de acordo com suas convicções, eleitas pelo povo, que definiram contra o 
voto daqueles que não acreditavam em Deus\u201d. 
 Portanto, somente uma nova constituinte, de forma mais específica e 
igualmente democrática, poderá mudar esta conjuntura política e jurídica, corrigindo 
em alguns casos, a interferência de uma denominação religiosa no Estado 
Democrático de Direito. De outro modo, qualquer movimento social, político ou 
jurídico, com o intuito de ferir uma cultura religiosa de uma nação poderá incorrer, 
como se verá a seguir, numa intolerância religiosa. 
 
 
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4 LIBERDADE RELIGIOSA 
 
 Não nada mais verossímil em discorrer a respeito da liberdade religiosa do 
que conceituar a própria liberdade: \u201cLiberdade significa o direito de agir segundo o 
seu livre arbítrio, de acordo com a própria vontade, desde que não prejudique outra 
pessoa, é a sensação de estar livre e não depender de ninguém. Liberdade é 
também um conjunto de ideias liberais e dos direitos de cada cidadão. Liberdade é 
classificada pela filosofia, como a independência do ser humano, o poder de ter 
autonomia e espontaneidade. A liberdade é um conceito utópico, uma vez que é 
questionável se realmente os indivíduos tem a liberdade que dizem ter, se com as 
mídias ela realmente existe, ou não. Diversos pensadores e filósofos dissertaram 
sobre a liberdade, como Sartre, Descartes, Kant, Marx e outros.\u201d <significados.com>. 
 A liberdade religiosa só é possível mediante a tolerância de outrem, ao 
convívio pacífico de crenças diversas, e, até mesmo opostas doutrinariamente ou 
liturgicamente. Segundo o professor Gaarde, tolerância religiosa seria: 
 
\u201c[...] respeito pelas pessoas que têm pontos de vista diferentes do 
nosso, é uma palavra-chave no estudo das religiões. Não significa 
necessariamente o desaparecimento das diferenças e das 
contradições, ou que não importa no que você acredita, se é que 
acredita em alguma coisa. Uma atitude tolerante pode perfeitamente 
coexistir com uma sólida fé e com a tentativa de converter os outros. 
Porém, a tolerância não é compatível com atitudes como zombar das 
opiniões alheias ou se utilizar da força e de ameaças. A tolerância 
não limita o direito de fazer propaganda, mas exige que esta seja 
feita com respeito pela opinião dos outros.\u201d (p.14). 
 
 Um dos grandes óbices da liberdade religiosa tem sido a intolerância. Os 
registros da história mostram inúmeros exemplos de fanatismo e intolerância. Já 
houve lutas de uma religião contra outra e se travaram diversas guerras em nome da 
religião. Muitas pessoas já foram perseguidas por causa de suas convicções, e isso 
continua acontecendo nos dias de hoje. Com frequência, a intolerância é resultado 
do conhecimento insuficiente de um assunto. Quem vê de fora uma religião, enxerga 
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apenas suas manifestações, e não o que elas significam para o indivíduo que a 
professa. 
 
4.1 Intolerância Religiosa 
 
 O respeito pela vida religiosa dos outros, por suas opiniões e seus pontos de 
vista, é um pré-requisito para a coexistência humana. Isto não significa que devemos 
aceitar tudo como igualmente correto, mas que cada um tem o direito de ser 
respeitado em seus pontos de vista, desde que estes não violem os direitos 
humanos. Para tanto, é de imperiosa necessidade discutir a respeito da justiça. Não 
seria a intolerância uma injustiça? 
 É de consenso universal que é impossível que uma justiça perfeita exista e 
que alguma civilização plenamente justa, seja de qualquer tempo, existiu ou que 
existirá, devido à complexidade da natureza humana. Haja vista os grandes filósofos 
que de forma exaustiva debateram e debatem até hoje acerca da justiça, de como 
se alcançar o justo e o bem comum. Dentre eles, Aristóteles, que em sua obra \u201cÉtica 
a Nicômaco\u201d, definiu genericamente que a justiça é aquela disposição de caráter que 
torna as pessoas propensas a fazer o que é justo, que as faz agir justamente e a 
desejar o que é justo. É preciso, portanto, tolerar a religião de outrem em nome da 
justiça, do bem comum. O professor Gaarder, a respeito da complexidade da busca 
do transcendental, apresenta a seguinte reflexão: 
 
\u201c[...] de que maneira o mundo foi criado? Quais as forças que 
controlam o curso dos eventos mundiais? Existe Deus? As respostas 
a essas três perguntas nos dão nossa compreensão da realidade. 
Nós mesmos somos parte dessa realidade. Mas como tudo isso 
surgiu? Será que o homem é algo mais que um animal superior? O 
homem é bom ou mau? O que dá significado à vida humana? O que 
acontece conosco quando morremos? Aos poucos, vamos formando 
uma atitude para com a humanidade. Não escolhemos nascer. Mas, 
dentro de certos limites, escolhemos como iremos viver. O que é 
mais importante na vida? O dinheiro, a amizade, a experiência 
própria, a liberdade? O que desejamos conservar? Pelo que 
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desejamos lutar? O que é certo e o que é errado? Cada pessoa tem 
um conjunto de valores, ou uma ética.\u201d 
 
 A intolerância religiosa, proveniente de religiosos, normalmente, está ligada 
ao fanatismo, ao ver aquela crença (normalmente