Pensarcomtipos LETRA redux
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Pensarcomtipos LETRA redux


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forte 
contraste grossofmo. 
Os impressores e tip6grafos 
do skulo XIX chamavam essas 
fontes resplandecentes de 
"modernas". 
Ambas as p6ginasforam 
reproduzidas do livro 
de William Dana Orcutt, 
In Quest of the Perfect 
Book (Nova York: Little, 
Brown and Company, 1926); 
as margens nao sao precisas. 
LA THEBAIDE, 
ou 
LES FRERES ENNEMIS, 
TRAGEDIE. 
----------------------·--------------------------
ACTE PREMIER. 
SCENE I. 
.J OCASTE, OLYMPE. 
.IOCA.STL 
ILS sont sortis, Olympe? Ah! mortelles douleurs! 
Qu'un moment de repos me va couter de pleurs! 
Mes yeux depuis six mois etoient ouverts aux larmes., 
Et le sommeilles ferme en de telles alarmes! 
Puisse plut6t Ia mort les fermer pour jamais, 
Et m'emp~cher de voir le plus noir des forfaits! 
Mais en sont-ils aux mains? 
1 8 J :S; 
A t 10 o'Clock Ita 1M Mtlf'rting: 
l QUANTITY OF OLI 
ORDAGI 
Salls m~!!ji;" 
~the rema 
,k of the Sch' 
nome dado ao estilo tipogrtijico 
injlado e ltiper-negritado que 
apareceu 1w infcio do stculo 
X IX. Essasfontes exaguaram 
a polariza¢o das letras em 
componentes grossos e }it1os 
vistas 11a tipograjia formal de 
Bodoni e Didot. 
ECl PC tAS ou retangulares. essas 
fontes jizeram com que a serifa 
passasse de detalhe rejitw.do a 
laje estnllural. Componente 
arquiletonico independente, a 
serifa retangular ajirma seu 
peso e massa. Apresentado em 
\u2022Bo6. esse estilo foi rapidamente 
denunciado por puristas: · uma 
monstruosidade tipogrtijica". 
... 
espa;;os estreitos. Anulll:ios 
do stwlo XIX costumavam 
combinar Jontes de proporfdes 
e estilos variados na mesma 
ptigina, mas essas misturas 
bombtisticas eram tipicamente 
alit1lwdas em composifdeS 
csttiticas e centralizadas. 
c6nco t wn termo do stculo 
xtx criado para designar 
letras sem serifa. Tais Jontes 
clwmavam a alenfdO por sua 
frontalidade macifa. Embora 110 
stculo xx essas fontcs ten ham 
servido freqilttl temente para 
transmitir neutralidade, g6ticas 
extravagantementt: decoradas jti 
foram comuns . 
LETRA I 2.0 
Minha pessoa era horrenda, rninha estatura gigante. 0 que isso queria dizer? Quem era eu? 
0 que era eu? ( ... ) Criador maldito! Por que criaste urn monstro tao medonho 
que ate mesmo tu te afastaste de mim em desgosto? Mary Shelley, Frankenstein, 1831 
I r'rRA 21 
0 historiador da 
11pograjia Rob Roy Kelly 
(1916- 1004) l<Siudou llS 
estratt!gias mecanizada5 
que propiciaram uma 
vlll'iedadt espctacular 
de tipos display 110 
st!culo XIX. 0 dwgrama 
mostra como a serifa 
retcmgular belsica, lamblm 
chamada de cgtpcia. 
fo i cortatla. belisclldt\u2022. 
rmpurrada c &quot;&quot;olada 
para desovllr novas 
especics de ornamcnto. 
De lrclf OS de acabamento 
caligrdjico. as strifas 
foram trcmifonnadas rm 
elementos geomt tricos 
indcpe1Hiellte5 c livremeo1te 
ajust4vtl ~. 
FONTES MONSTRUOSAS 
Embora Bodoni e Didot tenham abastecido seus projetos com os habitos 
caligraficos de seu tempo. eles criaram formas que colidiam com a tradir;ao 
tipografica e desencadearam urn estranho mundo novo, no qual os atributos 
estruturais da letra- seri fa e haste, trar;os grossos e finos. enfase vertical e 
horizontal - seriam submetidos a experimentos bizarros. Perseguindo uma 
beleza tao racional quanto sublime, am bos criaram urn monstro: uma 
abordagem abstrata e desumanizada do desenho de letras. 
Com a ascenr;ao da industrializar;ao e do consumo de massas no 
seculo x1x veio a explosao da propaganda- uma nova forma de comunicar;ao 
que exigia novas fmmas tipograficas. Fontes grandes e pesadas foram feitas 
com a distorr;ao dos elementos anat6micos das letras classicas. Fontes com 
altura, largura e profundidade assombrosas apareceram: expandidas, 
contraidas, sombreadas, vazadas. engordadas, lapidadas e Aoreadas. As serifas 
deixaram de ser acabamento para tornarem-se estruturas independentes e 
a tensao vertical das letras tradicionais enveredou por novos caminhos. 
0 chum bo. material com o qual se fundem tipos de metal, e mole demais 
para manter a forma em tamanhos grandes sob a pressao da prensa 
tipografica. Os tipos talhados em madeira, por outro lado, podiam ser 
impressos em forma tos gigantes. A ador;ao do pant6grafo combinado com a 
fresa, em 1834. revolucionou a fabricar;ao de tipos de madeira. 0 pant6grafo 
e urn instrumento de c6pia de trar;o que, ao combinar·se com a fresa, permite 
a urn desenho original gerar variantes com infuneras proporr;oes, pesos e 
excrescencias decorat:ivas. 
Essa forma mecanizada tratava o alfabeto como urn sistema Aexivel 
mas divorciado da tradjr;ao cal igrafica . A busca por formas arquetlpicas e 
perfeitamente proporcionais foi substituida por uma visao da tipogralia como 
urn sistema elastico de qualidades formais (peso, tensao, haste, barras. serifas, 
angulos, curvas, ascendentes, descendentes). A relar;ao entre as letras de uma 
fon te tornou-se mais importante que a identidade de cada caractere. 
Analiscs e exemplos extens1vos de tipos decorados podem ser encontrados em 
Rob Roy Kelly. America n Wood Type: t828-1900, Notes on the Evoh<tion of Duorated 
ancl Large Letters (Nova York: Da Capo Press, 1969). Ver tambem Ruari Mcl ean . 
&quot;An Examination of Egyptians,&quot; Texts 011 Type: Critical Writi11gs on Typography, 
Steven Heller e Philip B. Meggs (ed.) (Nova York: Allworth Pre~s. 2001), pp 70-76. 
LETRA I 22 
DURYEA'S IMPORTED 
CORNSTARCH [ESQ.] 
Cartao comercial litografico, r878 
A ascenfilo da propaganda no 
siculo XIX estimulou a demanda 
por letras em grande escala, que 
pudessem chamar a aten¢o 
no ambiente urbana. Aqui, r~m 
homem aparece colando um cartaz 
em flagrante desrespeito d lei, 
enquanto um policial aproxima-se 
na esquina. 
FULL MOON [DIR. j 
Cartaz tipografico, 1875 
Uma duzia de fontes diforentes 
e utilizada nesse cartoz de 
um cruzeiro a vapor. Em cada 
linha, tamanhos e estilos diforentes 
foram escolhidos para ampliar 
ao mtiximo o tamanho das letras 
no espafo dispon{vel. Embora as 
fontes sejam ex6ticas, o leiaute t 
tao esttitico e convencional quanta 
uma ltipide. 
ST - · MIOHA5L;~9 
TEMPERANCE ·BAND I 
Prof. V. Yeager, Leader, will give a G :x& :151( 4!!!!!1;a·cl!!!!!!!l) .. 
R8tRLitBT 
a 
On the Steamer 
BELLE! -
To Oabrook and Watch Hlil, 
On Sa.turday Evening, July 17th, 
Leaving Wharf at 7! o'clock. Returning Jo Westerly 
\u2022 at 10~ o'clock. K enneth will be at Osbrook. 
TICKETS, ;. FORTY GENTS. 
G. B. & J. H. Utter, Ste&m Printers, Weetel&quot;ly, R. I. 
TH EO VAN OOESBURG,jimdador e principal 
promot.or do movimento holandes De Stijl. projetou 
este alfabeto com elementos perpendiculares em 
1919. Aplicad<Js aqui ao papel de carta da Liga dos 
Socialistas Revolucioncirios. os caracteres desenhados 
ci mclo variam em largura, possibilitat~do o 
pru ncllimento complete do retllt1gulo. 0 movimento 
De Stijl propunha que a pintura, a arquitetura, 
os objetos e as letras fossem redu:ddos a elementos 
essenciais. 
LETRA I 24 
acncuFtn 
filE U [] L UTI[] nnRifl1: 
SDCIRLISTISCHE 
lnTELLECTUEELEn 
l.!i! !:111.:1\u2022--· VILMOS IIUSZA R deset1hou este logot.ipo para a revista De Stijl em '9'7· Ao contrario dos caractues de Van Doesburg, que perma11ecem 
contfn1\u2022os. as letras de Huszar 
consislem em m6dulos 
parecidos com pixels. 
abcdefGhi 
iKimnopqr 
stuvwxyz 
a dd 
HERBERT BAYER criou este projeto tipogra.fico 
na Bauhaus, em 1925, e chamou-o de universal. 
Feito ape11as com letras minuswlas, l construfdo 
rom lin has retas e cfrculos. 
FETTE FUTURA 
GOETH 
STOFF 
PAUL RENNER projetou a Futura 
11a Alemanha, em 1927. Embora seja 
fortemente geomt!trica, com letras 
'0&quot; perftitamente redondas, a Futura 
t uma Jonle prcitica de desenho sutil, 
que co11tinua sendo amplamente 
utilizada ate hoje. 
LfTRA 2.) 
EDWARD JO II NSTON biiStOU·SC 
em antigas inscri~oes romanas 
para