Ciclo completo de Policia: uma solução?
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Ciclo completo de Policia: uma solução?


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estadual tomou força considerável, principalmente nos estados de São Paulo, Rio Grande do Sul e Minas Gerais que reforçaram de grande maneira na área bélica. Com o aumento dessa força, a união com receio do poder dessas forças Políciais edita a Lei n° 1860, de 4 de Janeiro de 1909 que em seu artigo 7° e 32°, ordenava o serviço militar obrigatório e colocava as forças estaduais como forças auxiliares da guarda nacional a disposição da União.
O que se pode destacar é que no período da Primeira República as Polícias Militares estiveram envolvidas em um papel fundamental nas rebeliões e revoltas ocorridas no Brasil nesse lapso temporal, \u201c[...] ou seja, vemos a ação dessas forças de polícia, [...] contra o movimento de Canudos, passando por ações no Contestado ao sul e na revolução de 1924 em São Paulo e também na sustentação da Revolução de 1930\u201d. (RIBEIRO, 2011, p. 8)
Justamente por conta do envolvimento da Força Pública de São Paulo na revolta Constitucional de julho a agosto de 1932, é que se vê a intervenção do Governo Federal nas Polícias estaduais para o fim de desmobilizar e centralizar os Exércitos estaduais (como eram conhecidos a época). Como assevera Ribeiro (2011, p. 9):
Com a consolidação do Estado Novo e a aprovação da Constituição, a Segunda República e o centralismo do Estado sobre as competências das polícias militares aumenta e é a partir dessa nova constituição que vemos as polícias militares ser definidas como forças de reserva do Exército voltadas para a segurança interna e manutenção da ordem. 
Após o fim do Estado em 1945 e a deposição de Getúlio Vargas é eleito pelo voto direto, Eurico Gaspar Dutra, que no ano seguinte promulga uma nova constituição que ainda continua preconizando a Polícia Militar como força auxiliar das Forças Armadas e ainda dando a União prerrogativas de legislar sobre organização, efetivos, instrução e garantias das Polícias militares.
1.2 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE GOIÁS NAS CONSTITUIÇÕES ESTADUAIS
A constituição estadual preconiza em seu artigo 124 a missão da Polícia Militar perante a população goiana.
A Polícia Militar é instituição permanente, organizada com base na disciplina e na hierarquia, competindo-lhe, entre outras, as seguintes atividades:
I - o Policiamento ostensivo de segurança;
II - a preservação da ordem pública;
III - a polícia judiciária militar, nos termos da lei federal;
IV - a orientação e instrução da Guarda Municipal, quando solicitadas pelo Poder Executivo municipal;
V - a garantia do exercício do poder de polícia, dos poderes e órgãos públicos estaduais, especialmente os das áreas fazendária, sanitária, de uso e ocupação do solo e do patrimônio cultural.
Parágrafo único - A estrutura da Polícia Militar conterá obrigatoriamente uma unidade de polícia florestal, incumbida de proteger as nascentes dos mananciais e os parques ecológicos, uma unidade de polícia rodoviária e uma de trânsito (GOIÁS, 1989).
É possível encontrar em todas as constituições estaduais desde a de 1935, a competência residual sendo entregue a Polícia Militar Goiana. Segundo alguns doutrinadores tais como Lazarinni (2003) a competência residual é o "exercício de toda atividade Policial de segurança pública não atribuída aos demais órgãos\u201d.
A constituição estadual de 1935 já designava a Polícia Militar para o trabalho de preservação da ordem pública:
Art. 17 \u2013 A Polícia Militar do Estado de Goiás, considerada reserva do Exército Nacional, pelo art. 167 da Constituição Federal, é uma instituição estadual permanente, e, dentro da lei, essencialmente obediente aos seus superiores hierárquicos.
§ Único \u2013 Destina-se à manutenção da ordem pública e da lei, no interior, e a cooperar, na defesa da Pátria, nas guerras externas e comoções internas (CONSTITUIÇÃO DO ESTADO DE GOIÁS,1935)
Já o texto da carta politica de 1945 não mencionou qual função seria desempenhada pela Polícia Militar, a qual chamou de Força Policial do Estado:
Art. 130 \u2013 Os títulos, postos e uniformes da Força Policial do Estado são exclusivos dos militares de carreira, sendo vedada adoção de denominações e uniformes semelhantes aos privativos do Exército Nacional para as corporações militares do Estado e para as suas respectivas escolas de preparação (GOIÁS, 1945).
Na constituição de 1964 o termo Polícia Militar volta a ser empregado, bem como suas funções expressas na norma, nesse caso, no artigo 164:
A Polícia Militar, corporação obediente ao Governador do Estado, a quem ficará diretamente, subordinada, é instituição permanente, reserva do Exército e se destina à manutenção da ordem e segurança pública (GOIÁS, 1964).
A constituição 1967 seguiu a mesma esteira de sua antecessora, nomeando como Polícia Militar e colocando as funções de uma forma expressa, desta feita no artigo 57: \u201cA Polícia Militar é uma força auxiliar permanente e regular, reserva do Exército, organizada com base na hierarquia e na disciplina, para manter a ordem pública e a segurança interna no Estado\u201d (GOIÁS, 1967).
1.3 MODELO ATUAL DE ORGANIZAÇÃO POLICIAL
Após um período de pouco mais de 20 anos de Ditadura militar (1964 \u2013 1988), foi promulgada em 1988 a constituição que vige até hoje no Brasil. Foi estabelecido no artigo 144 desse documento legal, as diretrizes para a organização e competências dos órgãos envolvidos na segurança pública. Os órgãos são a Polícia Militar e a Polícia Civil no âmbito estadual, bem como, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e Polícia Ferroviária Federal no âmbito da união. Segue abaixo o referido artigo da constituição de 1988:
Art. 144. A segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio, através dos seguintes órgãos:
I - polícia federal;
II - polícia rodoviária federal;
III - polícia ferroviária federal;
IV - polícias civis;
V - polícias militares e corpos de bombeiros militares. (BRASIL, 1988)
Nesse artigo, a Constituição Federal de 1988 preceitua que a segurança pública é dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. Segundo Moraes (1999) a multiplicidade dos órgãos de defesa da segurança pública, pela nova constituição, teve dupla finalidade: o atendimento aos reclamos sociais e a redução da possibilidade de intervenção das Forças Armadas na segurança interna.
O artigo 144 § 6°, da Constituição Federal localiza as Polícias militares e os corpos de bombeiros militares como forças auxiliares e reserva do Exercito, subordinando-os, juntamente com as Polícias civis, aos governadores dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios. E por ultimo, concede aos municípios a faculdade de se criar, por meio de suas competências legislativas, as guardas municipais cuja função é a proteção de seus bens, serviços e instalações conforme dispuser cada lei.
O artigo 144 da Constituição Federal de 1988 também delega competências aos órgãos envolvidos na segurança pública do Brasil, vale ressaltar as competências da Polícia Militar e Polícia Civil por serem objetos do presente estudo e da Polícia Federal, tendo em vista as competências da Polícia Civil ser residual a elas: 
§ 1º A polícia federal, instituída por lei como órgão permanente, organizado e mantido pela União e estruturado em carreira, destina-se a:(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) I - apurar infrações penais contra a ordem política e social ou em detrimento de bens, serviços e interesses da União ou de suas entidades autárquicas e empresas públicas, assim como outras infrações cuja prática tenha repercussão interestadual ou internacional e exija repressão uniforme, segundo se dispuser em lei;
II - prevenir e reprimir o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o contrabando e o descaminho, sem prejuízo da ação fazendária e de outros órgãos públicos nas respectivas áreas de competência;
III - exercer as funções